"Tudo é símbolo e analogia"  
   

Fernando Pessoa

 
   
   

... "e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre as águas."

                 

             

   Peregrino    
       
       
       
       do    
       
       
       
       Canto

 

   
       
       
       
                 

 

 

Este  layout básico foi sendo construído progressivamente,  até chegar a este

estágio provisoriamente final.

No começo com uma boa dose de aleatoriedade. Já no final, com um certo senso de

sistema, que foi sendo percebido conscientemente pelo escriba, e isso também num

ritmo de processo.

Depois de quase pronto, com já a inserção do preto massivo de fundo na parte

esquerda do gráfico, percebi que a terra deveria ficar embaixo da estrela, e não

acima.

E de repente me veio à mente o verso famoso do grande vate: "Tudo é símbolo e

analogia."

Então esse layout "final" também deve ter um sentido que, que tem de ser lido em

uma visão global, que identifique nele os principais arquétipos ali inseridos, e não

por obra do acaso.  (O acaso, como tal, na verdade não existe.)

Antes de passarmos a uma leitura  rasa embora, precisamos ter em mente que no

Relativo Santo em que existimos, em que vivemos, as coisas são sempre relativas,

apresentando duas faces em termos arquetípicos: a que se volta para a luz e a que

se volta para as trevas. 

Antes de mais nada precisamos estabelecer discriminadamente o que é esquerda e

direita.  Se, do ponto de vista do observador, consideraremos o layout como um

objeto.  Se do ponto de vista do layout considerá-lo-emos como sujeito.  Por isso,

às vezes, o leitor vai ter a impressão de que o escriba esteja falhando na leitura.

Comecemos.

À esquerda, fica o domínio do fundo negro, a radiação cósmica de fundo a lembrar

o buraco negro de onde emergiu este buraco branco em que reside o nosso universo.

No centro desse lado esquerdo, temos o Big Bang, que tem abaixo de si o CANTO.

O Canto, a música do UM em verso.  A chamada música das estrelas seria desse

cântico básico, basal, uma tênue imagem, um mero reflexo.

À esquerda, abaixo, o FOGO,  a luz de baixo, a luz em trevas, a pureza maculada

em calor, em queimor; em calor, em paixão; em calor, em fervor; em fumo, em

cegueira, em enceguecimento. A luz em queda.

A consciência, para se conhecer cabalmente, desde o mais ínfimo nadir de si

mesma   (domínio do fogo) até o mais excelso manifestar-se de si mesma, em

demanda do zênite, que jamais será alcançado, traz dentro de si mesma em

potência e em atualização esses dois grandes arquétipos, moldes organizadores

de si-realidade: o fogo e a luz.

E acima, a luz, a pureza, a santidade. A consciência em desvelamento do mais

Altíssimo de si mesma.

À direita, acima, a ESTRELA, nossa origem imediata, nosso distante lar.  A

estrela, a traçar, na escuridão do pleno vazio, em pontilhos centelhantes, a 

rota segura

 

Gn 1:14  E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação entre o dia

          e a noite sejam eles  para sinais  e estações, e para dias e anos.

 

de cada um de  nós, assinalando a direção de nosso Belém. A nossa Casa do Pão, 

a Casa para onde caminhamos  ao encontro de nossos Com pan heiros. 

Nossos  companheiros: o Um que nós somos, e que estamos sendo sem saber.

Mas isso logo se revelará.

Em calor, em queimor; em calor, em paixão; em calor, em fervor; em fumo, em

cegueira, em enceguecimento. A luz em queda.

A consciência, para se conhecer cabalmente, desde o mais ínfimo nadir de  

si mesma (domínio do fogo) até o mais excelso manifestar-se de si mesma, em

demanda do  zênite, que jamais será alcançado, traz dentro de si mesma em

potência  e em atualização esses dois grandes arquétipos, moldes organizadores

de si-realidade: o fogo e a luz.

Abaixo,  a TERRA, viajando, na viagem da nossa estrela, o desvelar de novos

"climas" cósmicos omniabrangentes.

Estamos saindo de Peixes, e entrando no domínio do Aguadeiro, e tudo começa a

mudar na pessoa, na casa, na cidade, no estado, na nação: da turbidez das águas,

estamos passando para um regime de transparência, em que já não será possível

ocultar o erro, o pecado, a ignomínia.  Ai dos hipócritas, dos enganadores, dos

mentirosos, dos corruptos!

A terra: os habitantes da terra, subjugados pelo poder da estrela, melhor pelo 

páramo em que se demora a estrela no seu viandar cósmico "em calhas de roda".

E, acima do BIG BANG uma citação de Gênesis, do Livro da Geração, da Criação.

Acima do Big Bang, o Espírito de Deus, pairando sobre o abismo, sobre as águas

abissais, sobre a protossubstância já de SI mesmo modulada, prenhe de

potencialidades.

Sob a estrela, sobre a terra, o DO, o Dó, a nota básica da grandiosa sinfonia

emanada do UM: o dó, a compaixão, a misericórdia!

No lado direito do layout já não temos o preto como fundo, mas as águas que mal

aparecem sob as imagens.  As águas que (lá em home) sublinham o todo da

página, atuando como base, como fundamento de TUDO O QUE É, de

TUDO O QUE EXISTE.

As águas em marolas, as águas em lágrimas, sentimentos, emoções, envolvimento,

empatia.

O UM não é um ser impessoal, frio, distante. O nosso Pai é um Pai que se

emociona,que sente, que ri, que chora.  Quando choramos, Ele chora conosco;

quando rimos,  Ele ri conosco; quando nos regozijamos, Ele se regozija conosco;

quando nos entristecemos, ele se contrista conosco. E Ele sabe que toda

tristeza vem do pecado, pois todo pecado ou fere a nós mesmos ou a outrem,

e traz consigo  o aguilhão inescapável (?) da dor.

No lado direito, a PEDRA, que fica abaixo de o PEREGRINO.

A pedra,

 

... "tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja"... (Mt 16:18)

 

o nosso fundamento, a nossa origem, o nosso Pai, o nosso Senhor, a base sólida

para o caminhante caminhar o seu caminho. O nosso Senhor: Jesus Cristo, que,

com seu sangue santo, derramado, nos lava e nos livra do pecado e dos laços do

passarinheiro.

 

Abrindo parêntesis.

É que uma idéia vem-me perturbando desde lá em cima quando falei das águas

a tudo sublinhantes.  E nessa página não é isso que acontece: o que temos aqui é

um verde em esteira. E fico em conflito: seria isso também uma senha (como diz

meu dileto amigo e poeta Soares Feitosa)? Ou seria algo irrelevante?  Não temos

 nem o direito nem a licença de transigir. Verde sugere vida, estuância, vigor.

A mensagem é bem simples e válida. O fundamento de tudo é a vida.  Tudo estua

de vida: não há uma única mínima partícula que não participe desse grande

festival da vida.  Não existe em todos os cosmos dos cosmos, e mais além, nem

uma  única parte que não seja viva. Ter o dom de existir é ter o dom de viver.

Fechando parêntesis.

 

A pedra rejeitada por insensatos e que para o peregrino  é a mesma razão de ser.

Sem Jesus, sem a sua obra santa, de que valeria existir?  Apenas em Jesus, por

Jesus, existe o caminho santo, o único que  quero trilhar, pois já não aprazem

ao peregrino as reiterativas festagens deste mundo.  Saturado, busca ele novos

rumos, novas rotas, em que possa experimentar o ainda não experimentado,

o ainda não vivido, o ainda não fruído.

Esse, o único fundamento que buscava o peregrino, mesmo sem o saber, mesmo

sem estar consciente, plenamente consciente disso.

O viandante, o transeunte, que se sabe caminhante, tem de se apoiar em

fundamento firme.  Então, alicerçado na Palavra, poderá caminhar em

segurança e chegar em bom tempo à Estalagem.  E a Palavra é uma só: UM.

Para o transeunte, a Palavra é Jesus, o Verbo divino: o UM com o UM.

Continuando a prospecção.

Abaixo do AR, a ESTRADA.  O Caminho.

A transparência deve ser suportada pelo Caminho.  Sem Caminho definido e

assumido, impossível a transparência, a grande arma contra a Esquerda.

O Caminho, à direita da PEDRA.  À direita, pois a Pedra está de costas para

nós, esperando que a sigamos.  Não nos esqueçamos do fato de que a imagem

global está olhando para nós, e aqui estamos levando em consideração esse

fato. 

E, logo abaixo do Caminho, à direita da PEDRA, as ÁGUAS. ÁGUAS em borbulhas

champanhantes, águas das quais é mister sair, para, pelo Caminho, chegar ao domínio

do Ar, do Ar em si mesmo, do Ar como ordem de transparência.

Sair das Águas: deixar o leito do rio das lágrimas, das emoções, dos sentimentos,

enviesados, retidos, detidos pelo Mundo.  Das festas,  das festividades, dos festejos, das

festagens. Deixar o sestro do vício da mentira em todas as suas formas, ainda as mais

sutis, ainda as mais enredantes, ainda as mais pseudo-honoráveis. E enveredar,

decidido, aprestado, anelante, pelo Caminho, pelo só Caminho, pelo Caminho Santo,

   

Lc 9:62 (9:61)  Jesus, porém, lhe respondeu: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o 

                                  reino de Deus.
 

 pelo Caminho do Santo, pelo Caminho da Santidade, pelo Caminho da Santificação.

 Isso, em breves palavras.