Na mensagem anterior, falamos sobre a Santíssima Trindade de uma maneira bastante resumida, pois nosso objetivo era refletir sobre a relação de Amor que há entre o Pai
e o Filho. Assim como um pai humano não quer o mal de seu filho, tudo fazendo para o seu bem, assim também o Pai Maior não quer o mal de nem um sequer de seus filhos,
e tudo faz para que eles sejam felizes. O pai humano tem muitas limitações, mas o Pai Maior não nas tem, e tudo pode fazer para redimir o filho. E o faz. O pai humano falha
às vezes no seu intento de querer um bom filho,
um filho que seja honesto, um filho que seja venturoso, que seja saudável, que seja próspero. Mas o Pai Maior, tendo muito mais recursos que o pai humano, poderia falhar?
Gerar um filho e permitir que ele não conheça a ventura? O pai humano que gerasse um filho para entregá-lo à desventura, tendo condições para lhe dar uma vida boa
e confortável, seria, com razão, chamado de pai desnaturado. O Pai Maior jamais poderá ser um pai desnaturado,
PORQUE ELE QUER O BEM PARA TODOS OS SEUS FILHOS. E tem
condições para realizar cabalmente o seu intento. Mas o filho pode se opor à vontade do Pai Maior, pois ele tem o livre-arbítrio, podendo escolher o bem ou o mal.
Mas poderá a vontade do filho vencer a vontade do Pai Maior? O filho pode recalcitrar, escolhendo o mal, mas não poderá fazer isso para sempre, pois o mesmo mal
tem em si o remédio contra ele mesmo: o mal sempre traz tristeza, desconforto, dor. Um dia o filho descobre que isso é verdade, e, como o Filho Pródigo, dá
as costas para o lamaçal onde os porcos vivem, e enceta o caminho de volta para o Pai Maior. Isso são favas contadas, não pode deixar de ser diferente,
Fp 2:13 porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.
O homem pode lutar contra a vontade de Deus, mas um dia terá de ceder, porque Deus é insistente
Nú 23:19 Deus não é
homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura,
tendo ele dito, não o fará? ou, havendo falado, não o cumprirá?
e, usando de mil recursos, se necessário for, operará
naquele homem o querer, e o querer do homem corresponderá ao querer de Deus. Muitos vivem sem saber que existe dentro de si essa luta: a do seu querer pessoal contra
a boa vontade de Deus, mas um dia há de despertar para esse fato e perceberá que a vontade de Deus é muito melhor para ele, e deixará de buscar a sua vontade, para
se entregar à sempre boa vontade de Deus.
Conheço uma pessoa que, quando recitava o Pai Nosso, sentia um certo desconforto na parte que diz: "Seja feita a tua vontade", porque temia que o Pai talvez não
tivesse o seu mesmo querer, e lhe desse algo que ela não queria. Essa pessoa ainda não tinha percebido que a vontade de Deus é sempre a melhor em qualquer circunstância,
pois Ele tem todos os dados à mão e pode equacionar de maneira otimamente econômica as necessidades de uma determinada pessoa. Às vezes, a vontade do Pai parece ser
mesmo prejudicial para nós, por nos trazer algum desconforto, mas tenhamos em mente que o que acontece segundo a Sua vontade é sempre o melhor dos melhores que poderia
nos acontecer. Deus sabe muito melhor o de que necessito do que eu mesmo. Por isso, o melhor que fazemos é nos entregarmos à Sua santa e perfeita vontade. Ah!, essa
pessoa já mudou bastante de atitude em relação ao temor que antes sentia.
No momento em que o Pai Altíssimo, obedecendo à pressão do Amor, gerou ao Filho, estabeleceu-se entre Ele e o Filho uma zona
bem específica na substância sagrada que separava-unia
o Filho em relação ao Pai, e o Pai em relação ao Filho. Essa região tão
diferenciada tinha necessariamente de ser constituída das duas únicas substâncias que então havia em manifestação:
a do Pai e a do Filho, sendo a do Pai ligeiramente mais leve e mais luminosa que a do Filho. A substância, para que houvesse no Filho uma identidade diferente da do Pai,
para que ambos não se con-fundissem em um só, sofreu no Filho uma ligeiríssima queda de freqüência, de vibração, de luminosidade, de etereidade. E, assim, se formou
essa região: de uma zona constituída com a substância do Filho, voltada para o Pai; e uma zona constituída com a substância do Pai, voltada para o Filho. Era uma região
de grande resistência, de grande força, de grande poder, para poder resistir ao impulso do Pai, que buscava o Filho e ao impulso do Filho que buscava o Pai. E, como
tudo que é individuado, é indivíduo, é pessoa na substância do UM PRIMEIRO E ÚNICO, assim essa região teve de ter um nome. Por resistir à pressão, ora de um lado, ora
do outro, Ela tinha de ser plástica, dinâmica, fluente. Tinha ao mesmo tempo de ser poderosa e fluida: tinha de ter a constituição de um sopro infinitamente poderoso,
para poder cumprir a sua finalidade de unir-separar um em relação ao outro. Tinha de se manifestar com a violência de um tornado (sua missão era separar com
eficiência) e com a suavidade de uma brisa suave (sua missão não era ferir). Por isso foi dado a este ser o nome de Espírito, porque é sopro, Santo, porque santa
é a sua missão,
e a substância de que é constituído.
E já não havia dois, porque o dois pressupõe necessariamente o três. Para haver dois, tem de haver uma separação-união entre
um e outro. Essa zona individuada no seio do
UM tinha necessariamente de ser resistente, forte, pois se ela se rompesse, os dois se tornariam um, ou um passaria a interferir no ser individuado do outro, quebrando
e confundindo as duas individualidades geradas no mesmo seio do UM, pelo sacrossanto mistério do Amor.
Podemos representar esse momento assim graficamente, retirando do contexto o seu dinamismo:
E estamos representando com cores bem diferenciadas, mas mais coerente seria uma representação que usasse uma só cor com matizes diferenciados.
O Pai tem a função arquetípica de FAZER, pois é a partir dEle, de Sua iniciativa, que as coisas são feitas.
O Filho tem a função arquetípica de QUERER, pois é nEle que se efetiva o querer, o fruir, o desfrutar.
O Espírito Santo, como já vimos, tem a função arquetípica de PODER, pois é por meio dEle que as coisas se transformam, já que condensa em Si toda a potência, toda a potencialidade do ser individuado, estando nEle estabelecer os limites de atuação da individualidade do indivíduo. O Espírito Santo é o muro que separa o ser individuado para que ele tenha identidade própria,
e é a Porta que se abre para novas dimensões para o indivíduo. E essa Porta só se abre no momento ótimo para o ser: nem antes, nem depois. É Ele que determina a infinitude do ser individuado; é Ele que conduz o ser a uma nova infinitude mais rica e mais gloriosa. Por isso Ele é dinamismo, eterno dinamismo, habitando, ÍNTEGRO,
em cada partícula de TUDO O QUE EXISTE. O Espírito Santo, habitando, íntegro, o ser individuado, seja ele qual for, tenha ele a envergadura que tiver, tenha ele a
estatura que tiver, participa empaticamente de tudo o que acontece com cada ser individuado, e
se alegra com sua alegria, e se entristece com sua tristeza, e se compunge com as suas transgressões.
E ao UM PRIMEIRO E ÚNICO, cabe o SER.
Do UM podemos saber muitas coisas, que são necessárias, como temos visto. Mas jamais poderemos conhecê-LO. Porque o UM será sempre e para sempre o UM indevassável e
inatingível, porque o mesmo AMOR, que engendrou o TODO, jamais o permitirá, para que sempre e sempre haja o AMOR,
e o AMANTE e o AMADO. E assim o UM, que não pode deixar
de ser o UM, porque então já não haveria nem lei, nem justiça, nem misericórdia, nem perdão, engendrou em seu mesmo seio uma VIAGEM santa e infinita para o viajor,
para todo viajor, que transita em demanda de páramos cada vez mais gloriosos do seu mesmo ser, num eterno desvelar de maravilhas, num infinito percurso de infinitas
dimensões e níveis.
E o homem, tendo-se separado de sua nave-mãe em busca de novas aventuras, vai aos poucos entendendo aquilo que ele precisa entender para retornar mais plenificado,
mais experiente, à sua fonte, de que em verdade nunca saiu.
NUNCA-SEMPRE-QUANDO o UM permitiu, por AMOR, em seu seio, uma tenuíssima zona de ligação-separação; e ELE engendrou um UM à sua imagem e semelhança, tendo esse UM tudo
o que ELE era. E o FILHO, sendo UM, fez-se PAI, e... a cada separação-ligação, o véu ia aparentemente se tornando mais espesso, de um lado, e do outro cada vez menos
espesso, e infinitos patamares de velação se sobrepuseram sobre o UM PRIMEIRO E ÚNICO, tanto em direção a ELE mesmo, como em afastamento dELE mesmo, num infinito semear
de dimensões.
O homem já tem a teoria do momento do Big Bang que espelha, ainda que com pouca fidelidade, o grande e sagrado e misterioso fluir da Criação. Mas nada nos diz do
refluir, que, como veremos, é algo necessário que se impõe a partir dos arquétipos sagrados já aqui amostrados. E quando falamos em véu, falamos em escondimento da luz;
em, na prática, queda da luz, que vai se transmutando em treva, sem jamais deixar de ser luz. Como está escrito:
Jo 1:5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
E quanto mais espesso se tornava o véu, mais tenebroso se tornava o seu ambiente. E houve LUZ e houve TREVA. E o cadinho consciente do TODO em seu descender gerou
o Nadir, que nunca será atingido. E no seu ascender, em um ponto do Caminho, engendrou o homem, que além da consciência, que lhe era nata
(tudo o que existe é consciente), tinha de colher mais um fruto das infinitas possibilidades que jazem no UM: a responsabilidade.
Abrindo parêntesis.
O UM tem de ser consciente, tem de ser consciência, pois, sendo, tem de ter consciência plena de ser. Se o UM tem consciência, então o Todo também
tem consciência; nenhuma parte do Todo, por menor que seja, pode deixar de ter consciência, e, à sua maneira, sabe que existe e interage com o seu derredor.
Fechando o parêntesis.
Tudo o que existe, e isso é muito mais do que o que podemos ver ou imaginar, teve uma única origem, pois só no um há uma ordem perfeita, tão perfeita
que abrange não só a organização mas também o caos. O caos, como já dissemos, e a matemática hoje comprova, é um sistema de organização de nível mais elevado e complexo.
A origem de tudo o que existe tem de necessariamente ser um princípio inteligente, pois o universo todo desde o macrocosmo até o microcosmo funciona tão perfeitamente
que só pode ter tido origem em um princípio organizador extremamente inteligente. Quanto mais a ciência caminha, mais ela vê como necessária a existência desse
UM proto-organizador.
Acrescentado em 23 de novembro de 2008.
[ Quando estamos inspirando, estamos trazendo para dentro de nós o hausto
sagrado do nosso Pai, e essa fase da respiração tem como objetivo fazer uma
limpeza no nosso ser, sendo um momento propício para o libertar-se, para o
curar-se, para o prosperar-se, para o salvar-se, para o santificar-se. Se estivermos
conscientes disso no momento da respiração, podemos absorver tudo o que é de bom
para o nosso bem-estar geral. Inspiro e ponho minha mente na
saúde, na
salvação, na
prosperidade, na
santificação;
expiro e ponho a minha mente
no arrependimento, no
perdão, na
justificação, na
misericórdia. Imagine o que de
bom -- segundo a vontade do Pai -- você quer absorver para si e para todos; e
inspire mentalizando, metabolizando espiritualmente essas coisas. Imagine
o que de bom -- segundo a
vontade do Pai -- você quer para a sua casa, a sua família, os seus parentes, os
seus aparentados, os seus conhecidos, os seus desconhecidos, os que gostam de
você, os que não gostam de você, os de quem você gosta, os de quem você não
gosta, os pequeninos do mundo, os grandes do mundo, os enfermos, os marginais,
os marginalizados, para todos aqueles que você sente como estando fora de você;
e expire mentalizando, metabolizando espiritualmente essas coisas. Faça da
respiração um momento consciente de oração, de prece, de comunhão, de ação de
graças. Essa é
uma maneira de operacionalizar o conhecimento que obtivemos acima, apenas uma
maneira; há de haver mais e melhores. Quem se dispuser a buscar, há de
encontrar. ] O UM, como temos visto, sendo UM, tinha necessariamente de ser santo, puro, não havendo nELE qualquer impureza ou mácula. Ora, o Ser que foi gerado entre
o Pai e o Filho era como um sopro, que ora soprava em direção ao Pai, ora soprava em direção ao Filho. Era o hálito do Pai que se dirigia ao Filho; era o hálito do Filho
que se dirigia ao Pai. Era o mesmo Amor que assumia o caráter de sopro, de Espírito Santo. Era Ele o Amor que unia-separava o Amante em relação ao Amado
e o Amado em relação com o Amante.
[ Observação de meio de caminho. Este texto é reiterativo, repetitivo, porque tem o objetivo de inculcar profundamente na mente do leitor os arcanos que aqui vão sendo
expostos. É um texto que se assume reiterativo, fugindo, assim, aos padrões normais de um texto convencionalmente organizado. ]
Temos de entender que o que é representado em círculos concêntricos deve ser visualizado como a sobreposição de círculos de mesmo raio: infinito.
Abrindo parêntesis.
Como podemos ver na versão de Joaquim Ferreira de Almeida:
Mat 1:18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo
foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo.
Vejamos o texto no original grego (Textus Receptus):
του
δε
ιησου
χριστου
η
γεννησησις
ουτως
ην
μνηστευθεισης
γαρ
της
μητρος
αυτου
μαριας
τω
ιωσηηφ
πριν
συνελθειν
αυτους
ευρεθη
εν
γαστρι
εχουσα
εκ
πνευματος
αγιου,
que podemos traduzir assim, ao pé da letra, obedecendo a ordem das palavras no
grego:
O, porém, de Jesus Cristo o nascimento assim foi : estando
prometida em casamento , pois, a mãe dele, Maria, a de José; antes de coabitarem conjugalmente
eles,
achou-se no ventre tendo da parte de um Espírito Santo.
O texto original não traz o artigo antes de
πνευματος
αγιου, permitindo as seguintes traduções:
de Espírito Santo;
de um
Espírito Santo, e, por economia de palavras, tratando-se de algo bastantemente sabido (e único em verdade),
do Espírito Santo.
Fechando o parêntesis.
Assim, o neutro é neutro, porque tem em si dois princípios polares que se neutralizam,
que se harmonizam dinamicamente: o positivo e o negativo, o masculino e o feminino.
Mas Adão, quando aqui chegou, chegou de um universo em que não havia a consciência centrada do si mesmo. E a terra foi o laboratório criado para gerar
esse fruto, para que cada descendente de Adão se tornasse consciente de si mesmo, para poder adorar o UM a partir de um ponto de consciência centrado em si mesmo.
Os dois triângulos (o amarelo e o verde) devem ser entendidos como sobrepostos, intermixados, pois o UM é omnipresente, e não pode se negar
em nenhuma parte dELE mesmo.
Hab 1:13 “Tu que és tão puro de olhos que não podes ver o mal, e que não podes contemplar o
mal” ...
Mas, pela mesma força do arquétipo original, em que o UM se vê em imagem no Filho amado, assim também a mesma Trindade Sagrada se manifestou em imagem, num sentido
de descensão, em demanda de um nadir que não existe, porque eternamente inatingível.
O homem descobriu o átomo, e, depois, o elétron e o
próton e o nêutron (em
mesma imagem da Trindade Santa), e
já descobriu o mais além: o neutrino, os bósons, etc. Mas esse não é o fim, e ele já o sabe. Pois o caminho é infinito no sentido do microcosmo. E o mesmo podemos dizer
do macrocosmo: além do sistema solar,
das galáxias, das transgaláxias, das hipergaláxias, dos hiperuniversos, ... numa progressão sem fim. Tudo o Que Existe é infinito. Infinitamente infinito. E num ponto que
jamais será atingido, o microcosmo se encontra com o macrocosmo, no chamável Ponto-Zero pela
Ciência. Quem estudou trigonometria sabe que a tangente e algumas outras funções vão crescendo, crescendo, até atingir um ponto de indeterminação, passando do tendentemente
ao mais infinito para o tendentemente ao menos infinito. Assim também ali tudo começa,
ali tudo termina. E para nada há
começo, e para nada há fim. E o fim é o começo; e o começo é o fim. Por isso está escrito:
Ap 22:13 Eu sou o Alfa e o ômega, o primeiro e o
derradeiro, o princípio e o fim.
O nosso universo de manifestação – mal temos idéia do que isso significa – está sujeito a duas forças, por assim dizer, as que nos puxam para baixo,
e as que nos puxam para o alto. São todas elas forças santas, santamente santas, mas cada uma delas tem o seu lugar na economia do nosso caminhar. As que nos puxam para baixo, procurando nos reter nesse nível de causação, constituem o mal; e as que
nos impelem para o alto, para um novo nível de causação mais gozoso, constituem o bem. Todas essas forças, esses impulsos, essas motivações, são santas em si mesmas, e desempenham o seu papel no caminhar do homem. O impulso sexual de procriação, que é bom, desceu em manifestação a níveis em que se tornou antiprodutivo e maléfico para o homem, pois ele está aqui para aprender as lições que o levam à ascensão. O impulso de sobrevivência, que é bom, degenerou-se em inveja,
ambição, ganância, e isso já não é bom para o nosso caminhar. A necessidade de sentir-se a si mesmo como indivíduo autocentrado com uma consciência centrada em si mesmo degenerou-se em egocentrismo, egoísmo, solipsismo. E o que era bom deixou de o ser, relativamente.
Relativamente! A Trindade em descensão procura nos deter. A Trindade em ascensão procura
libertar-nos desse nível de causação em que a dualidade assumiu altíssimos níveis de expressão. E tudo é santo e lícito para o homem, para o ser individuado, mas há coisas que já não são convenientes, econômicas para o ascender-se. Por
isso Paulo disse, inspirado pelo Espírito Santo:
Hab 1:13 Todas as coisas me
são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
Para baixo, afastamento da LUZ, aproximação das trevas. Para cima, afastamento das trevas, aproximação da LUZ, LUZ e mais LUZ.
Isa 5:20 Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo!
Não podemos nos esquecer de que nosso caminhar se processa
no Plano Sagrado da Ilusão, e aqui as escolhas têm uma resposta automática e
pronta. Se optarmos pelo bem, estaremos ativando-o em nosso universo de
manifestação, e essa escolha terá um reflexo necessário, irretraível, na nossa
vida vida, na nossa existência, e seremos bem-aventurados já aqui onde
passeamos o nosso estar sendo. E também a nossa Igreja, a Igreja a que
pertencemos por herança e inerência tirará proveito disso: o que
fazemos, ou melhor, escolhemos, escolhemos para nós e também para a nossa
Igreja. Quando um membro da Igreja se redime, preparando-se para o a vir,
há na Igreja como um todo um grande regozijo, e esse regozijo borrifa de bênçãos
a todos os seus membros. Grande e sagrada é nossa responsabilidade! O mal,
para nós que viajamos, é sempre mal, e traz desconforto, mal-aventurança, tanto
para nós como para nossos Irmãos em Igreja. Nós estaremos sempre e sempre
em Caminho, e estaremos sempre e sempre sujeitos à escolha, ao arbítrio. Porque
é dentro desse contexto que experienciamos o novo, o ainda não revelado, o até
então não manifestado. Porque é assim que vamos paulatinamente descobrindo a
nossa verdadeira identidade e as infinitas possibilidades de manifestação que
nos aguardam pacientemente pressurosas. Novos sentidos, novos sentimentos, novas capacidades,
novas habilidades, novas possibilidades que se desvelarão ao viajor em êxtase.
E isso para todo o sempre dos sempres!!!
Com ósculo santo,
O UM tem necessariamente de ser responsável: Ele responde por tudo o que Ele é: o UM. O UM é responsabilidade absoluta: pois nada existe sem que ele o saiba e o
permita. E o Todo, necessariamente, é responsável por tudo que nele ocorre. Um neutrino responde por aquilo que faz, um homem responde por tudo aquilo que faz.
A responsabilidade é uma característica inalienável do ser e da criatura.
No princípio de todos os princípios era o UM, e o UM estava com o UM, e o UM era UM.
Mas, como temos visto, o UM, sendo UM, tinha de ser Amor. E o Amor anseia por aquele que possa ser amado. E o UM, cedendo aos reclamos do Amor, que Ele era, permitiu
que houvesse em SUA substância una, uma superposição de Si mesmo, mas com uma substância aparentemente mais densa, menos luminosa, menos leve, mais pesada.
E naquele dia, que nunca existiu, em verdade, o UM gerou um UM de Si mesmo: o Filho unigênito. E o UM fez-se Pai. Mas para que houvesse a consciência de ser do Filho,
era necessário que Ele fosse um indivíduo já separado (em aparência, em manifestação) da consciência do UM. E
para haver essa separação ditada pelo mesmo Amor, passou a haver entre o Pai e o Filho uma zona de substância a um tempo separadora e ligadora. Essa substância tinha
em Si mesma também o caráter de indivíduo, e tinha como papel santo e eterno separar-unir o Filho ao Pai. E tinha de ser um Ser de extremo Poder para poder realizar
essa missão. E tinha de ter um caráter necessariamente (como homem falamos) ambíguo: tinha de manter o Filho separado do Pai e tinha de manter o Pai unido ao Filho.
Na região voltada para o Pai, Ele era constituído da substância do Filho, e na região voltada para o Filho, Ele era constituído da substância do Pai. E assim, embora
distintos, o Pai estaria no Filho, e o Filho estaria no Pai. E esse Ser intermediário tinha de ter um grande poder para manter para sempre separados-unidos o Pai
e o Filho. E esse Ser ora, cedendo ao impulso do Filho, que sempre busca o Pai, se expandia em direção ao Pai; e, ora, cedendo ao impulso do Pai, se expandia
em direção ao Filho. E esse Ser caracterizou-se eternamente, caracteriza-se eternamente por ser isso: uma inspiração, quando em direção ao Pai, e uma expiração,
quando em direção ao Filho. E a cada expiração, o Pai se aproxima do Filho, e a cada inspiração, o Filho se aproxima do Pai.
E, assim o UM se fez Pai, que gerou um Filho, por meio do Espírito Santo, sem nunca deixar de ser UM nem no Pai, nem no Filho, nem no Espírito Santo.
O processo todo não deve ter tido qualquer duração, pois a vontade do UM, sendo ele UM, tem de necessariamente corresponder ao ato. Examinando agora o quadro ainda
nebuloso
que temos, podemos notar sincronicamente que o Pai se fez Filho por meio do Espírito Santo.
O círculo verde do Alto representa o Pai, o círculo amarelo de Baixo representa o Filho. Os dois círculos centrais representam o Espírito Santo. O gráfico em
círculos representa essa ordenação do nível do Relativo. O Todo, que a tudo subjaz, uno, representa o UM único e absoluto. O nível do Absoluto.
Examinando o gráfico, vemos que o Filho foi gerado a partir do UM que permitiu haver relativamente no Seu seio o Espírito Santo, que tem a função de Filho
em relação ao Pai, de Pai em relação ao Filho, passando a funcionar como plano gerador, sendo constituído de dois pólos mais elevados que o Filho. Tudo se passa como
se o princípio gerador fosse o Pai e a complementaridade do Pai em relação ao Filho. O Pai, sendo um princípio positivo, o
fator complementar passa a ser um princípio negativo. Se o Pai é masculino, o complemento
é feminino. No grego, o
Espírito Santo, πνευμα αγιον, é um nome neutro,
isto é, nem um nem outro; ou: um e outro.
Notamos que a concepção de Jesus ocorreu por meio do Espírito Santo. O Espírito Santo atuou como o fator masculino em relação a Maria, constituindo ambos o fator
intermediário em relação ao Pai. Jesus é legitimamente o Filho do Pai, por intermédio do Espírito Santo, o que lhe confere natureza divina, e por intermédio de Maria,
o que lhe confere uma natureza humana.
E assim, se estabeleceu em nível arquetípico, o processo de geração do filho: através de uma semente que trazia em si os dois caracteres: o masculino e o feminino.
Quando se diz que o homem tem em si a semente (o sêmen), na verdade o que está se dizendo é que ele tem a semente para formar a semente com a
semente da mulher.
E o processo de concepção de um filho entre os seres vivos obedece àquele esquema básico: o homem se une à mulher, formando com ela uma unidade indivisa, apta para
gerar um filho por meio do consórcio de suas sementes.
E assim se estabeleceram, sem se estabelecer, na mesma substância do UM, dois níveis, dois universos, dois uns: o Alto e o Baixo. E o Alto, sendo UM, se fez Pai,
que gerou um Filho, por meio de um Espírito Santo (do Espírito Santo). E assim eterna e infinitamente em direção ao único UM. E o Baixo, sendo UM, se fez Pai,
que gerou um Filho, por meio de um Espírito Santo, do Espírito Santo. E assim eterna e infinitamente em afastamento em relação ao único UM. E infinitos universos
se geraram na mesma substância do único UM. E os universos para cima, cada um com seu Pai, seu Filho, seu Espírito Santo, vão se
tornando cada vez mais luminosos, mais leves, mais gloriosos. E os universos para baixo, cada um com seu
Pai, seu Filho, seu Espírito Santo, vão se tornando cada vez menos luminosos, menos leves, menos gloriosos. E cada um desses universos tem uma extensão infinita,
e uma duração eterna, e cada um tem o seu Pai, o seu Filho, o seu Espírito Santo.
Então haveria infinitos Pais, e infinitos Filhos, e infinitos Espíritos Santos?
Não! Há um só Pai, um só Filho, um só
Espírito Santo. O UM, sendo omnipresente, faz com que todo UM seja omnipresente. E assim, podemos dizer, a fim de um melhor entendimento, que essas três Pessoas Sagradas
operam infinitidimensionalmente, estando sempre íntegras, unas, em cada manifestação dimensional de Si mesma.
A terra e o universo que multidimensionalmente a circunda é um desses universos. E o Filho, sendo UM, é Pai, e passa a
preparar o seu universo para os seus filhos. E o universo tem de ser povoado a partir desse UM, que é o Filho em relação ao Pai, e que é o Pai em relação aos seus filhos.
E para isso usa o mesmo e único processo cósmico de geração: a semente gerando o filho. E o Filho, (que passa a ser o Pai em relação ao seu universo de manifestação),
abdicando temporariamente de sua glória, se
faz o primeiro UM, e, a partir de si mesmo, de sua mesma substância, gera, com todos os elementos de que dispõe, o primeiro um a habitar aquele universo. E aquele UM,
criado da terra, por isso chamado Adão, também, sendo um, sente em si a necessidade do outro a quem amar. E a partir de si mesmo, de sua mesma substância,
é gerado o outro, no nosso caso, a Eva. E, tendo em si a semente, que agora se biparte, ficando cada um com a sua parte, se unem, para unirem a semente, para, a partir
dela, haver a geração de um filho. E assim a terra se povoou.
O padrão inicial de geração é sempre o mesmo: um fator masculino, ativo, invasivo, se associa a um fator feminino, passivo, invadível. E isso é válido para todo ser
vivo, sendo que alguns já trazem em si os dois caracteres, gozando o status de androginia.
O homem, porque é um um, traz em si os
dois fatores, sendo que um se tornou dominante; e a mulher traz em si os dois
fatores, sendo que um se tornou dominante. O clitóris é um pênis em miniatura; o útero e o ovário têm a
mesma forma básica dos órgãos produtores masculinos. E o pênis e a vagina são
desenhados a partir de um mesmo arquétipo, sendo um o seu lado convexo, e a outra, o seu
lado côncavo.
Agora, vamos falar, com toda a unção, de cada uma dessas Pessoas sagradas.
O Pai, sendo pai, tem o papel de gerar, de fazer, de criar, cabendo-lhe o arquétipo FAZER.
O Filho, sendo o gerado, o produto do amor, do amar, cabe-lhe o arquétipo QUERER.
Ao
Espírito Santo, sendo a linha de força, que separa-une o Pai ao
Filho, e o Filho ao Pai, cabe-lhe o arquétipo PODER.
Podemos imaginar, para fins de entendimento, a Sagrada Trindade como um
triângulo, representando o triângulo o UM, e cada
vértice dele uma das Pessoas.
Esta imagem pretende representar não só a Santíssima Trindade, como também o fato de que o Tudo o Que É (o Absoluto) permeia e é
o Tudo que Existe (o Relativo). Em cada mínima porção do Relativo, o Absoluto, o UM, é integro e santo e uno.
Esta é a representação da Trindade Sagrada, que se manifesta em ascensão em todos os níveis, em todas as dimensões, em todos os planos do Relativo. O Relativo só é
Relativo do ponto de vista do Relativo. Do ponto de vista do UM, só existe, na verdade, só e tão somente, o Absoluto. Por isso que está escrito:
Em verdade, em verdade, não há mal, só bem. Mas, para nós, que estamos vivendo na sacrossanta
Ilusão, não é bom confundir uma coisa com outra, pois todas as coisas são causas, cujo efeito se faz inexorável. Uma dor é bem, mas dói, machuca, fere. Dói mesmo, sendo
fruto legítimo do Relativo. E se provoco dor em outrem, não é somente em outrem que a provoco, mas também e principalmente em mim.
O que de mim sai, é meu, seja para o bem, seja para o mal. Para nós é bom não confundirmos o bem com o mal, e o mal com o bem. Por isso está escrito:
Para nós, eternos viajores em demanda de nós mesmos, de nossa identidade
sagrada:
O bem é bem.
O mal é mal.
A luz é luz.
A treva é treva.
O doce é doce.
O amargo é amargo.
o peregrino