Buscando entendimento


Mensagem 4


Para bem entendermos um objeto qualquer de conhecimento (nós já vimos que essa é uma palavra pretensiosa, pois o apropriado seria entendimento, mas vamos usá-la a bem de uma comunicação mais eficiente), seja ele qual for, é preciso, antes de tudo, ter-se a atitude correta diante do Cosmos, diante de Deus.
Para entendermos um objeto de conhecimento, seja ele qual for, precisamos ter, diante da realidade, uma atitude basicamente religiosa, e nisso entra o sentimento de graças, a postura de contemplação, a emoção da prece.
Não dá mais para separar o que sempre esteve intimamente junto: a religião e o conhecimento.
Aquele que se dedica à busca do conhecimento, ou melhor ainda, da busca do conhecer, nos seus momentos de insights profundos, seja ele um proclamado ateu, seja ele um homem morno nessas questões religiosas, sente ele um arrepio na alma, uma emoção diferente que tem muito a ver com êxtase.

EUREKA ! é antes de tudo uma prece!

Muitos filósofos, amigos do conhecer, se dedicaram a este mister sagrado de procurar desvendar, ainda que infimamente, os segredos do SER.
Aqui, hoje, nesse tempo privilegiado que estamos vivendo, em que a ruptura é uma necessidade, em que novos paradigmas cognitivos começam a se impor pelo mesmo caminhar da Física, vou ousar sugerir a leitura atenta de um livrinho bem básico: O Caibalion, da Editora Pensamento. Esse livrinho, o maior que conheço, depois da Santa Escritura, nos equipa com um instrumento fundamental de reflexão, baseado em sete princípios, que permeiam a todos os fenômenos e a eles subjazem, dando-lhes um sentido de identidade profunda e de unidade.
Não vou aqui falar desses princípios.
Um outro livrinho que ouso sugerir é CABALA, A ÁRVORE DA VIDA, da Editora Três.
Em que dá chaves poderosas para podermos analisar qualquer item de conhecimento, em seus fundamentos básicos, os mesmos para todo e qualquer item de realidade. Agora são dez os princípios (os mesmos sete) que, para aquém de seu alcance transcendentalíssimo, nos permitem examinar qualquer item de realidade dando dele uma imagem que mergulha em causalidade nas mesmas profundidades de sua seidade.
Para quem quer ter uma idéia incipiente de tão momentoso assunto que é magistralmente tratado no livro acima proposto, vou deixar aqui impresso o esquema básico dos ensinamentos da Cabala:

Cada uma das esferas representa uma sefira, um centro arquetípico de poder, sendo a do alto Kether (Coroa) e a do mais baixo Malchut (Reino). Com essa explicação introdutória, pode-se ler com algum proveito o artigo ETZ CHAIM - A ÁRVORE DA VIDA
E tudo isso tem a ver com aquilo que o establishment já começa a acolher, dando-lhe o nome de paradigma holístico, que passou a se impor a partir da teoria e prática da holografia e da ciência do caos.
Hoje já podemos falar em meios presididos pelo establishment de certos assuntos que antes seriam considerados anátema. Sinais dos tempos, que pedem licença, para se impor.
Hoje já podemos falar com certa tranqüilidade, mesmo nos meios de alto establishment, que tudo está em tudo, por exemplo. E isso sem causar grande constrangimento. Este texto está sendo escrito com uma preocupação filtradamente epistemológica, e fará ele poucas concessões ao establishment. Estamos tomando epistemologia como "estudo ou teoria da origem, natureza, limites e validade do conhecimento". Essa palavra tem origem no verbo επισταμαι, que significa, em raiz,  pôr em cima (o que está em cima, a νους, mente). Significa, portanto, pôr a mente em cima de um objeto para entendê-lo de uma perspectiva elevada. Vamos usar, para uma tentativa de investigação do conhecimento epistemologicamente considerado, um instrumento muito simples, o mais simples de todos, mas já submetido a um processo mínimo de operacionalização.
E esse princípio é, tem de ser, o UM.

UM é UM.
Não há outro.
Só o UM.
Conclusão necessária: TUDO É UM. O UM É TUDO.

Implicação necessária:
TUDO ESTÁ NO UM.
O UM ESTÁ EM TUDO.
TODO UM É UM.

É importante refletirmos em cada uma dessa afirmações.
Quem a isso se dispuser com humildade, há de entender com mais clareza este pouco que vou dizer, e muito mais.
O holograma – resultado concreto da técnica da holografia – nos permite ter uma ilustração daquilo que estamos falando.
O holograma é uma técnica de gravação de imagem por meio do raio laser que tem como produto uma espécie de negativo, em que aparecem apenas borrões mais ou menos concêntricos, semelhantes em padrão àqueles que se obtêm quando se atiram diversas pedrinhas num lago tranqüilo.
Quando se projeta o holograma, tem-se uma imagem tridimensional do objeto fotogravado.

Mas a característica mais impressionante do holograma não é essa. Suponhamos que tenha sido fotogravada uma laranja com o cabinho e algumas folhas. Calculamos o lugar onde está uma determinada folha, recortamos o holograma separando aquela área e a projetamos. O que temos? A folha? Não! O que temos é a laranja inteirinha, com o ramo e as folhas! É impossível separar a folha do todo, pois o todo está na parte.
Qualquer porção do holograma reproduzirá sempre o todo.
Esse é um conhecimento altamente ... científico!

Continuemos.

Conseqüências da premissa: O UM É TUDO.

1. TODO UM É UM
Este é o princípio da identidade.
Aplicando-o direi tautologicamente:
Ler é ler.
Escrever é escrever.
Ler refere-se a um movimento básico de fora para dentro.
Escrever refere-se a um movimento básico de dentro para fora.
E nisso cada um se identifica a si mesmo. Cada coisa é ela mesma.

Assim também:
Pai é Pai.
Filho é Filho.
Espírito Santo é Espírito Santo.
O Pai é o gerador.
O Filho é o gerado.
O Espírito Santo é a geração.
E nisso cada um se identifica a si mesmo, preservando cada um a sua identidade.

2. TODO UM É DOIS.
Este é o princípio do dualismo.
Tudo é o que é e é o que, em oposição, não é ao mesmo tempo.
Aplicando-o, direi paradoxalmente, dialeticamente:
Ler é ler.
&
Ler é não ler.  
-->   Ler é escrever.
Afastando-me da raiz, um pouquinho do ponto focal, poderei entender que:
Ler é um escrever para dentro.
Escrever é um ler para fora.
E nisso se dualizam, admitindo em si mesmo a negação ou a oposição, ou a alternância daquilo que são.
Mas não nos esqueçamos de que essas assertivas são conseqüência do princípio do dualismo, que procura conciliar os opostos.

Assim também podemos dizer: O Pai é Filho. Todo Pai, no reino da Sagrada Ilusão, é também Filho, tendo sua origem em um Pai, sendo o UM PRIMEIRO E ÚNICO o primeiro e único Pai.
O Filho é Pai. Todo Filho, no reino da Sagrada Ilusão, é também Pai, podendo, de Sua substância, gerar Filho. Jesus Cristo tem um Pai que é o nosso mesmo Pai, mas Jesus Cristo é o Pai deste universo em que ora habitamos. O livro de João nos revela o Verbo como sendo Aquele que fez todas as coisas, sem nada deixar por fazer , e Aquele que se fez carne e habitou entre nós. Ora, aquele que habitou entre nós, vestindo a veste da carne, foi Jesus Cristo, que pode ser considerado como o nosso Pai. Mas em um nível superior, tanto Ele como nós, somos filhos do mesmo Pai, e por isso está escrito que somos co-herdeiros de Cristo, como irmãos que somos dEle.

O Filho é Espírito Santo. Todo Filho traz dentro de Si, de sua mesma substância o poder de geração e de transformação das coisas. Jesus Cristo, o Filho do homem, o Filho de Deus, veio para transformar o mundo e a a mente do mundo, para que, se arrependendo, seja salvo. A transformação que Jesus Cristo provocou cosmicamente para proveito nosso não pode ser entendida em profundidade por nós. O que sabemos é que Ele tudo fez, para que no Cosmos a que pertencemos houvesse uma nova possibilidade de caminhar para nós. Foi Ele que transformou o mundo, tirando dele todo o pecado, e atraindo-o a Si. A crucificação de Jesus Cristo abalou definitivamente as estruturas do Cosmos, dando-lhe um novo sentido (ou: revelando dele um novo sentido, pois isso sempre existiu, mas estava em potencialidade).
O Espírito Santo é Filho. O Espírito Santo, no reino da Sagrada Ilusão, é Filho, podendo, como todo Filho, ter sentimentos, ter emoções, ter uma vontade própria. Vontade que não pode contrariar a de Deus Todo-poderoso, e antes se conforma com a vontade dEle. Por isso Jesus Cristo diz que Ele é o Consolador, aquele que empaticamente se identifica com todo aquele que sofre, procurando lhe dar algum alívio. E sempre o faz, quando o buscamos. E é ele o Parácleto, o intercessor, o que chama ao lado para ajudar.
Por esse princípio da dualidade, aquilo que é, é também (em alternância, ou em oposição), aquilo que não é.

3. TODO UM É TRÊS.
Este é o princípio da trindade ou da triunidade.
Da Santíssima Trindade.
Este princípio apresenta o ser em seus três aspectos básicos de manifestação:
- o PAI;
- o FILHO;
- o ESPÍRITO SANTO.
Como se aplica a todo um, aplica-se necessariamente ao Pai, e ao Filho, e ao mesmo Espírito Santo. Apenas à guisa de exemplificação, e para estimular a reflexão do viajor, vamos falar rapidamente sobre o fato de o Espírito Santo ser constituído de Pai, Filho e Espírito Santo. Sendo Pai, pode engendrar de Si mesmo; sendo Filho, pode ser o engendrado de Si mesmo; sendo o Espírito Santo, é o mesmo princípio de geração que lhe permite, como Pai, engendrar um Filho: o mesmo Espírito Santo. E, assim, se manifestar em incontáveis manifestações de Si mesmo, que não deixa de ser em essência o único Espírito Santo que existe. Ele, como todas as Pessoas da Santíssima Trindade, tem a habilidade de se espalhar multidimensionalmente sem perder a unidade de Si mesmo. É como se Ele se dividisse-multiplicasse ao infinito, para atender adequadamente e especificamente às necessidades de cada dimensão, de cada nível de existência, de cada individuado.
Quando falamos em ser queremos significar tudo aquilo que tem existência ou essência, podendo assumir uma identidade própria, individualizada, abrangendo não só os nomes em geral, como também os processos e atos. Estamos realmente pisando em terreno pouco sólido, mas, como não podemos, por falta dos instrumentos noéticos indispensáveis, apresentar e representar a realidade fielmente em seus arcanos sagrados, procuramos entender dela aquilo que nos é possível entender, aquilo que nos é dado entender. Quando falamos do Pai, do Filho e do Espírito Santo e de suas operacionalizações, estamos sempre falando de algo manifesto, daquilo que podemos ver, sem muitas vezes podermos identificar o ser em si mesmo, isso porque Daath, a sefira do conhecimento, nunca se manifesta a si mesma em plenitude, e dela e dos conteúdos todos com que Ela lida, podemos ter, com nosso pensar humano apenas vislumbres de verdade. Assim, a nossa análise de realidade será quase sempre parcial, abrangendo mais solidamente os arquétipos Fazer, Querer e Poder. O arquétipo Ser ficará freqüentemente em suspensão, ou por falta de denominação adequada do item analisado em sua essência, ou por falta de alcance de nosso entendimento.

Afastando-nos um pouquinho mais da raiz, podemos operacionalizar:

Depois disso, podemos esquematizar de uma maneira necessária, que todo ser em nível de manifestação, obedece a e é regido pelo seguinte inter-relacionamento básico de arquétipos. Já sabemos que no nível do Absoluto, em potência isso se aplica ao UM PRIMEIRO E ÚNICO, mas pode-se aplicar a qualquer ser individuado, pois o UM PRIMEIRO E ÚNICO, como vimos, é omnipresente em inteireza de SER, estando presente totalmente em qualquer parte ou partícula nomeável no nível da Estância.

Que podemos ler assim:
O Pai gera o Filho por meio do Espírito Santo.
Ou:
O Pai se transforma no Filho por meio do Espírito Santo.
O UM gera o DOIS por meio do TRÊS.
E este esquema é arcânico, aplicando-se a todo ser nomeável, desde o mais ínfimo dos fenômenos ou nomes até os mais elevados fenômenos ou nomes. Esse esquema nos revela que todo fenômeno é um nome, já que pode ser nomeado; e que todo nome é um fenômeno, já que é dinâmico.

Exemplifiquemos, representando a parte fenomênica de um processo que tem o nome de evaporação. Para haver evaporação, há que haver o 1, que corresponde ao ser em seu estado inicial, e há que haver o 2, que corresponde ao ser em seu estado final, e há que haver o 3, que é o fator transformador. Quando dizemos inicial e final, estamos evidentemente nos servindo de termos necessariamente relativos, pois o final pode se transformar em inicial, e o inicial em final. Se submetermos o vapor (que é o estado final da evaporação) a uma baixa temperatura, ele passa a ser o estado inicial de um novo processo. Essas são questões óbvias, mas que devem ser levadas em conta seriamente quando estivermos tratando de qualquer assunto afeto ao Relativo, esse infinito universo de infinitos universos de infinitas dimensões de existir. E, como jamais alcançaremos o UM PRIMEIRO E ÚNICO em nossa sagrada viagem de desvelar de maravilhas, os arcanos sempre se referem a tudo que existe, nada podendo ficar de fora: nem ser, nem processo, nem ato, pois estarão para todo o sempre submetidos ao fator transformador do Espírito Santo.

E isso corresponderia ao triângulo representativo da evaporação, que agora como objeto de análise, há de ocupar o ponto focal, o mesmo triângulo.

Assim, para entendermos melhor um objeto de conhecimento, temos de refletir primeiramente sobre:
1. o que ele é em estado inicial;
2. o em que ele pode se transformar;
3. o fator transformador.

Suponhamos que eu queira refletir sobre uma realidade (Educação) em que assumimos como estado inicial de manifestação a ESCOLA (e ESCOLA num sentido bem amplo). Mesmo que eu não soubesse o assunto focal, ainda assim, eu poderia refletir sobre ESCOLA, colocando-a no ponto 1 do triângulo.
Posso analisar:
Escola como UM (estado inicial);
Escola como DOIS (estado final);
Escola como TRÊS (fator transformador).

 

 

A primeira pergunta é em relação ao 2.
Em que a escola deve se transformar?
O que a escola deve gerar?
Uma resposta possível é: aprendizagem. Outra é sala de aula, com todo seu dinamismo.
E o três?
O que é preciso para que a escola se transforme em aprendizagem?
E aqui teríamos uma gama de respostas: construtivismo, interacionismo, etc.
Se fosse para se transformar em ensino teríamos: mecanicismo, behaviorismo, etc.

Mas poderíamos ter outras respostas, dependendo do nível de entendimento a que pretendemos chegar em nosso analisar. Por exemplo, a escola (1) teria como finalidade (2) produzir o cidadão por meio da aprendizagem (3).
Assim, para examinarmos qualquer objeto em manifestação, precisamos determinar os vértices do triângulo em que ele se insere.
E aqui temos uma outra ferramenta noética que nos permite descobrir os três ângulos de uma realidade qualquer, que passa a ser o UM básico, o triângulo em si.
Eis um fato verídico. Alguém, tendo intuído o princípio da triunidade, sem nela se deter em reflexão-contemplação, ao estudar o que havia de importante no componente educacional Arte, chegou ao seguinte esquema explanatório:

que gerou uma série de conhecimentos muito importantes e válidos para o entendimento dos objetivos, habilidades e conteúdos a ela relacionados. O autor foi feliz ao determinar os assim chamados fatores básicos (ou elementos componenciais) do fenômeno.
Vejamos. Uma das operacionalizações da trindade é, como temos visto:

Como podemos facilmente entender:

Teríamos no caso do Autor acima as seguintes relações (altamente válidas, mas podendo ser relativamente aprimoradas):

Todos já ouviram (às vezes sem entender o fundamento da coisa) que conhecimento é poder. Que o conhecimento é uma forma de poder.
Faltou ao Autor organizar esses dados mais ... filosoficamente.
Quando fazemos isso, vemos que o posicionamento dos elementos no esquema não é gratuito. É altamente significativo! Com isso ele teria tido muito mais lenha para queimar no fogão da reflexão.
O seu esquema, então, ficaria assim:

E isso corresponde ao seguinte arranjo esquemático:

O que nos permite uma série de leituras.

O apreciar a arte é um produto, uma conseqüência do fazer arte.

O fazer se transforma em apreciar por meio do conhecer.
Para um indivíduo ficar apreciando a arte, ele tem, antes, de fazer arte concretamente ou de refazê-la virtualmente. E isso só pode acontecer de uma maneira efetiva quando o conhecimento se aplica à arte.
E agora esbarramos num verbo fortíssimo, de difícil entendimento: conhecer.
O que é conhecer?

Vejamos o Aurélio Eletrônico – Século XXI:

[Do lat. cognoscere.]
V. t. d.
1. Ter noção, conhecimento, informação, de; saber
2. Ser muito versado em; conhecer bem
3. Travar conhecimento com
4. Ter relações, convivência com
5. Ter conhecimento de causa; ter experimentado
6. Distinguir, reconhecer
7. Apreciar, julgar, avaliar
8. Ter indícios certos de; prever
9. Sentir, experimentar
10. Estar ou ficar certo, convencido de; reconhecer
11. Ter relações sexuais com.
12. Aceitar; admitir
1
3. Submeter-se, sujeitar-se a
14. Ter estado em, ter visitado (certo lugar)

V. t. i.
15. Ter (o juiz) competência para intervir num processo; dar-se por competente para isso
V. transobj.
16. Travar conhecimento com
17. Reconhecer
V. p.
18. Ter uma idéia da própria capacidade.

Essa lista de sentidos nos ajuda bastante. Se nos detivermos em cada acepção, poderemos colher material para uma riquíssima e oportuna reflexão.
A acepção 11., por exemplo, nos revela um aspecto importante do conhecer. Ele deve ser uma relação de prazer, propiciar uma relação orgástica, extática, contemplativa, com a obra de arte.
Como vemos, o termo
conhecer se origina do latim cognoscere. E em cognoscere temos dois elementos: co e gnoscere. Co é um elemento que indica companhia, sincronização, simultaneidade, sintonização, colaboração, coparticipação. Gnoscere se prende ao radical grego gno que se refere a conhecimento. Esse radical, por sua vez, se prende a noús (lê-se nus), que significa mente. Conhecer é, portanto, um atuar da mente que procura se sintonizar com algo que lhe parece exterior. Quando alguém pretende conhecer alguma coisa, isso se efetiva no momento em que a coisa é assimilada de tal maneira pela mente, que ela, a coisa, passa a fazer parte da sua (da mente) mesma substância. Conhecer é uma forma de interiorizar, em substância mental, abstrata, algo que se apresenta como exterior ao indivíduo. E isso jamais acontece em termos absolutos como já deixamos sugerido acima.
Conhecer é estabelecer uma região tão vasta quanto possível entre a mente e o objeto que se pretende conhecer. Uma das formas mais altas de conhecimento é a empatia.
O conhecimento pleno se dá (se daria) quando a mente se transforma (se transformaria) no objeto.
O conhecimento (relativo) se dá quando o objeto concreto (ou do universo da concreção) se transforma em objeto abstrato (ou do universo da abstração) por intermédio da mente, da reflexão. O nível de conhecimento a que temos acesso em relação a um objeto de conhecimento corresponde ao seguinte arranjo esquemático:

Nesse caso, o conhecimento tem como origem ou um dado concreto ou um dado já concretizado, processando-se num sentido de dentro para fora, num movimento de incorporação à substância mental. Como o conhecimento tem origem em Daath, sefira do Pilar do Equilíbrio, ele tem dois sentidos: um negativo, de incorporação e um positivo, de doação, de aplicação. O homem que adquire conhecimento tem também de ter sabedoria para poder aplicá-lo em sua vida, em seu viver. Como esta mensagem está focada no conhecimento como aquisição, vamos desenvolver a nossa argumentação nessa linha, nesse enfoque.

Nessa Árvore da Vida onde está COMPREENSÃO, devemos entender ENTENDIMENTO. Compreender significa abranger, circundar, rodear, delimitar cabalmente, e isso é impossível para o Relativo, já que o único que pode compreender todas as coisas cabalmente é o UM PRIMEIRO E ÚNICO, já que TUDO O QUE EXISTE existe no Seu seio . Ao Relativo cabe tão somente entender, estender-se em direção ao objeto que poderá ser eternamente penetrado pela consciência sem jamais se esgotar o caminho de exploração. Ao SER mais elevado do Relativo, a ELE também gloriosamente se aplica esse arquétipo. O Relativo assintota eternamente, infinitamente, o Absoluto. E entre o ABSOLUTO e o RELATIVO vimos já que há a existência de um VÉU que, para ser impenetrável, tem de ser formado de duas substâncias básicas: a do ABSOLUTO e a do RELATIVO, tendo de haver entre uma e outra um muro de separação que deve se constituir das substâncias de um e outro, havendo, assim, no VÉU, três níveis de SER-ESTAR. E esses três níveis encimam a Árvore da Vida, o nível das emanações, das manifestações, da ESTÂNCIA.

As informações acima, se bem que de acordo com a possível constituição do VÉU, estão aqui divulgadas mais como um elemento informativo, que pode ser colhido em livros e matérias sobre a Cabala, e não constituem parte do foco da nossa mensagem.  [A Cabala tem uma parte boa, sim, como instrumento de reflexão. Sobre prática nada direi, a não ser que o nosso caminho tem de ser o Caminho! O CAMINHO! JESUS CRISTO!]
Retomando o que acima dizíamos de conhecimento, vamos agora representar esquematicamente a manifestação do conhecimento em seu sentido de fora para dentro, como um instrumento noético aplicável à aquisição de informações e dados sobre um dado item de realidade. Para produzirmos conhecimento como tal, necessário é que partamos de algo já consolidado em nosso armazém mental, gozando por isso o status de se apresentar como algo concreto já quase tangível por nossos sentidos, por nossas categorias mentais já consolidadas. Se, por exemplo, tenho uma boa idéia bem fundamentada de igreja, então eu posso usar este elemento como algo concreto em minha mente para dele extrair novos conhecimentos relacionados com esse elemento. Definido o que é concreção, como sendo o universo das coisas e idéias que gozam do status de já serem bem entendidas por alguém, podemos desse elemento extrair novos conhecimentos, no nível da manifestação.

Para que haja conhecimento, é necessário que o ponto de partida seja a realidade concreta. E que ela seja submetida à reflexão daquele que busca o conhecimento. Ou daquele que pretendemos que adquira o conhecimento. O ponto de chegada é a abstração, a sistematização do que se investigou no concreto e se submeteu a uma reflexão.
Poderíamos, ainda, organizar aqueles três elementos componenciais da seguinte maneira:

Essa representação do conhecimento nos permite perceber que o Espírito Santo pode ser entendido cognitivamente como uma intersecção entre o Pai e o Filho. A intersecção é um elemento que traz em si características dos dois outros elementos que a determinam. A reflexão (=espelhamento) é uma ação que é formada de duas substâncias: a do concreto, que vai se perdendo em matéria e a do abstrato, que vai-se perdendo em abstração. O real e o ideal se conjugam para gerar o virtual. A imagem holográfica é bem uma ilustração dessa realidade em que a mente opera. A reflexão opera utilizando dados do concreto para ir construindo o abstrato, que passa a ser uma espécie de concreto para aquele que o construiu. Enquanto estou falando dessas coisas, estou sentindo o que acima falei. Baseio-me em gráficos tendentemente concretos para deles extrair ilações tendentemente abstratas, que assim que são formuladas passam para mim a se tornar mais concretas. E isso nos mostra que, pelo princípio do dualismo, nada é absoluto, tudo é relativo. O concreto para um pode ser o abstrato para outro. E vice-versa. Mais: não há o concreto e o abstrato como categorias discretas. Essas são categorias contínuas que se estendem sobre um eixo que vai do concreto mais concreto até o abstrato mais abstrato, passando por infinitas gradações. Quark para mim é um objeto bastante abstrato, será menos para um professor de física, e menos ainda para um pesquisador de Física Quântica.
Retomemos, agora, o que falávamos lá acima a respeito da Arte.
Estávamos falando do conhecimento relacionado à Arte. Dizíamos que o fazer se transforma em apreciar por meio do conhecer. Agora, podemos caminhar um pouco mais, já de posse de novos conceitos. Para ficar conhecendo o que é Arte, o indivíduo, precisa partir do concreto, daquilo que já existe em termos de obras de arte.
Se estivermos tratando da Pintura, então, é necessário que o indivíduo entre em contacto com os quadros já pintados, para:
- olhar para eles,
- observar o que eles transportam,
- procurar sentir alguma coisa diante deles,
- fazer um comentário espontâneo a respeito deles,
- se chocar,
- se maravilhar,
- dizer o que sente diante deles...

Para um quadro, o instrumento de prospecção do concreto é a visão.
Para uma música, é a audição.
Para uma escultura, é a visão e o tato.
O nível de concreção do artístico deve ser explorado primacialmente pelos órgãos do sentido e pelos sentimentos e pela emoção.
Depois disso, vem a reflexão, que consiste em procurar no objeto elementos significativos para o entendimento dele. Elementos que de alguma maneira se sintonizem com idéias e conceitos previamente assimilados pelo agente cognoscente. Conhecer, não nos esqueçamos, é encontrar naquilo que ainda não conhecemos coisas que já conhecemos. Se ainda não conhecemos, então, tudo o que viermos a falar do objeto será em caráter precário. Isso faz parte da mesma substância da busca do conhecimento.
Para eu ficar conhecendo algum objeto preciso ter sobre ele alguma hipótese.
O caminho do conhecimento é feito de hipóteses, de dúvidas, de incertezas, de possibilidades, de opiniões, de palpites.
A certeza não leva a lugar nenhum: ela já está lá.
E como o que buscamos é um entendimento fundamentado da Realidade, precisamos nos munir de instrumentos cognitivos adequados para tão grande empresa. Um instrumento que se imponha por si mesmo, por estar fundamentado em arquétipos seguros emanados da mesma substância do UM PRIMEIRO E ÚNICO. Essa é uma tarefa realmente difícil porque estamos acostumados a refletir sem nos apoiarmos solidamente em argumentos consistentes, em idéias adequadas, em raciocínios necessários. Temos plena consciência de que não conseguiremos atingir a verdade, já que ela é por natureza, inatingível, mas esperamos no Espírito Santo que o que for declarado nessas mensagens tenha um embasamento conseqüente, e possa servir de alguma maneira para o início do despertar de alguns irmãos, que ainda não sentiram a maravilha de TUDO O QUE EXISTE. A maravilha inexprimível de que há um UM PRIMEIRO E ÚNICO, que, inatingível, está mais perto de nós mesmos do que nós mesmos. A maravilha do sacrossanto mistério do AMOR. E tenhamos em mente que os elementos componenciais de um fenômeno, por partilharem de uma mesma unidade, são, por força disso, altamente sinergéticos. Operar com um é estar operando com os demais. Sou homem, sou pecador, tão ou mais do que muitos e muitos, mas tenho a esperança firme de que TUDO O QUE EXISTE frui para um fim que jamais atingirá, e que cada homem, seja ele quem for, seja ele o mais pecador dos pecadores, seja ele o mais santo dos santos; todo homem, sem qualquer exceção, caminha em demanda de horizontes de existência cada vez mais gozosos. Isso porque o UM PRIMEIRO E ÚNICO é necessariamente bom, e como nada existe fora dele, tudo o que existe é bom, potencialmente bom, e um dia há de se realizar em maior grau de ventura. Para isso existe a criação, os universos de todos os infinitos universos: para a manifestação de um bem cada vez maior para todos os seres, para todos os homens.
Mas temos de entender uma coisa de maneira muito clara: o UM PRIMEIRO E ÚNICO, omnipresentemente, deu ao ser existente a possibilidade de escolher, e escolher e construir o seu universo de manifestação, e respeita fielmente a essa cláusula pétrea, dando ao homem aquilo que ele realmente quer. Alguém pode pensar: Se isso é verdade, como há tanta gente sofrendo no mundo? A resposta pode parecer dura, mas só pode ser uma: sofrem porque querem o sofrimento mais do que a alegria, a saúde, o bem-estar, a paz.  Eles deixarão de sofrer quando deixarem de querer o sofrer.  Nem para eles, nem para ninguém mais.
E agora vamos fazer uma reflexão sobre Jesus Cristo, nosso Senhor. Com toda a unção, com todo o respeito, utilizando o que Ele mesmo disse de Si mesmo:

Jo 14:6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

Organizemos o triângulo de como Jesus Cristo se definiu, estabelecendo a Trindade dessa definição:
Caminho     -->      via de transformação   -->   Espírito Santo
Verdade       
-->      origem                                     -->    Pai
Vida                 
-->      fruição                                     -->    Filho

Não seja essa uma reflexão gratuita.
( 1 )
Jesus Cristo tem como Pai a Verdade; como Filho, a Vida; como Espírito Santo, o Caminho.
E isso significa, em termos de arquétipos, que o nosso Senhor tudo faz, porque faz em verdade: tudo o que Ele faz, Ele o faz em conformidade com a verdade: quando cura, quando liberta, quando salva, quando redime, quando expulsa o mal, ele sempre o faz obedecendo à mais estrita verdade. Jesus Cristo, com a sua ação, manifesta a Verdade a respeito daquilo a que está se dirigindo, a respeito daquele a quem está se dirigindo. Em verdade, não existe doença, não existe doente, porque em verdade tudo é santo, porque em verdade todo um é são. O homem que esteja padecendo por causa de uma doença terrível, na verdade está são, sendo a doença uma ilusão da Ilusão. Porque a Ilusão é santa, mas em seu seio se manifestam às vezes enclaves de ilusão determinados pelo Mal. Jesus Cristo nos mostrou como nos livrarmos de uma doença. É reconhecer a verdade a respeito dela, e saber que ela não passa de uma ilusão, porque no seio do Altíssimo tudo é santo, tudo é são. O que o Senhor Jesus Cristo fazia diante de um doente? Repreendia ou a doença, ou o pecado, que a originou. E o doente, pela fé, ficava livre da doença. A fé permite que o homem veja a verdade a respeito de si mesmo, e essa verdade é sempre uma só: o UM PRIMEIRO E ÚNICO é bom; assim, tudo que existe no Seu seio, e nada existe fora dEle, é bom. Mas a ilusão tem muita força nesse enclave da Sagrada Ilusão em que todos existimos. E é pela violência que o homem se livra dela, vendo, não aquilo que está em manifestação aparencial, mas aquilo que está por detrás dela: a santidade, a sanidade, a saúde. Diante de um quadro desesperador, segundo a ciência dos homens, deve o homem afirmar a sua saúde, contra tudo e contra todos. Pode estar se dissolvendo em vida, mas tem de ter a força de negar esse fato, para impor, por palavras, por mente, por coração, a verdade verdadeira sobre a sua situação. Pecou, e agora o pecado está cobrando a fatura, mas o pecado está no passado, não está no presente. Sabendo disso, o que tem de fazer o homem que quer se livrar de algum mal, por pior e mais desesperador que ele seja? Deve se converter, deixando de corpo e alma e coração o pecado que ainda o prenda. Como fazer isso, já que ele já sabe que nada pode fazer por si mesmo, já que tudo já foi feito pelo Verbo divino? O único que lhe resta é nada fazer, e se entregar nas mãos dAquele que já tudo fez, sem deixar nada por ser feito: Jesus Cristo, nosso Senhor, nosso Deus. Deve ele entregar-se de viva voz ao seu Senhor, na certeza, contra toda a evidência natural, de que ele já está curado. Isaías, o profeta do Messias, recebeu essa verdade muito antes de ter acontecido o fato que a determinou manifestamente para nossa vida. Jesus Cristo, quando aqui esteve nesta terra, ao ser sacrificado, atraiu sobre si todos os pecados, todos os males que havia, tinha havido e haveria neste mundo. Nenhum mal, depois desse ato maravilhoso e grandioso, tem o direito de se impor a ninguém, pois já está sob o controle e mando absoluto do Senhor Jesus Cristo. E Isaías, inspirado pelo Espírito Santo, assim se exprimiu a respeito desse grandioso fato, dessa grandiosa verdade, que todo um pode e deve assumir para si, para sua vida:

Is 53:4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Is 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Sendo Ele o Verbo criador do mundo em que vivemos, Ele podia assumir, em verdade, verdadeiramente, todo mal que o mundo tivesse feito, tinha feito ou viesse a fazer, pois tudo tinha sido feito por Ele, e nada sem Ele se fez. Quando Ele criou esse mundo para nós, Ele prescientemente, misericordiosamente, antes que o homem ainda existisse, Ele fez tudo o que o homem poderia fazer, deixando o ato já feito à disposição do homem, que com seu livre-arbítrio poderia sempre escolher ou um ato bom ou um ato mau. Ele se fez autor, para que nós fôssemos meros co-autores, para que um dia pudesse assumir em verdade, tudo aquilo que Ele tinha feito. Não fora assim, Ele não poderia tomar sobre si as nossas enfermidades e carregar com as nossas dores. Ele sabia que o homem tinha de passar pela escolha entre o bem e o mal, ele sabia que muitas vezes o homem escolheria o mal, e, por isso, providenciou para que o homem não fosse diretamente imputado pelo pecado, para que Ele, na sua misericórdia infinita, pudesse no momento azado intervir, restabelecendo a verdade. O homem ficou com o bônus dos prazeres, das satisfações, das concupiscências, da ambição, da crueldade, da maldade: de tudo aquilo que ele escolhesse fazer. O nosso Senhor reservou para si o ônus da responsabilidade direta, para poder intervir na madureza do tempo em favor dos seus filhos e libertá-los do jugo da ilusão, da mentira.
Leiamos com unção, com gratidão, o versículo 5. Ele foi ferido por nossas transgressões.
As feridas que recebeu em Seu corpo inocente foram aquelas provocadas por nossas transgressões, por nossos pecados. O pecado traz como conseqüência a ferida, a doença, o mal, e Ele recebeu sobre Si a conseqüência universal do pecado: quando o homem se divertia satisfazendo seus apetites menores, estava acumulando feridas sobre feridas sobre Ele. Hoje, quando o homem peca, ele está acumulando feridas sobre feridas sobre si mesmo.  Feridas que já não precisa sofrer.
Ele foi esmagado por nossas iniqüidades. Ele sentiu sobre Si todo o peso da opressão que o homem faz sobre o seu semelhante, fez sobre o seu semelhante, fará sobre o seu semelhante. Porque aquele ato santo não aconteceu apenas em relação às dimensões deste mundo: transcendeu-as, e em muito, em termos do tempo e espaço em que vivemos. Jamais poderemos colocar em palavras a extensão, o alcance, o sentido, a profundeza e altura daquele ato maravilhoso, em que o Criador se doa totalmente à criatura, recebendo sobre si todo ônus de suas (da criatura) más ações. E pelas suas pisaduras fomos sarados.
Maravilha das maravilhas! Misericórdia das misericórdias! Ele recebe as pisaduras, e nós somos sarados! Nós fomos curados: Ele restaurou perfeitamente a verdade a respeito de nossa verdadeira situação em relação ao Cosmos: somos santos que perdemos por algum tempo o uso de nossa santidade, em benefício único de nós mesmos, em benefício único do Um que nós somos em Igreja. Hoje já ninguém poderia  dizer: "Estou doente", pois isso é uma grande mentira em verdade. A verdade a respeito de qualquer um um (sic) que esteja neste mundo é que ele está são, plenamente são: a sua luta, se luta existe, é no sentido de manifestar essa verdade, no sentido de permitir que essa verdade se manifeste. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele.
O castigo que estava reservado a cada um de nós, que estaria reservado a cada um de nós, que pensamos estar reservado para nós;  esse castigo, conseqüência necessária e irrevogável do pecado; esse castigo estava sobre ele. Observemos que o verbo está no pretérito imperfeito do indicativo. Refere-se a algo que não está totalmente consumado, estendendo seus efeitos até os dias de hoje e mais além no futuro. Ou seja: é um ato que cobre desde o passado até o mais remoto futuro, compreendendo em si a todos os homens de todos os tempos. E esse castigo, que,  deixado a si mesmo, seria realmente uma forma de castigo irrevogável para nós, em estreita obediência à Lei, deixa de ser castigo (e bem merecido) para se tornar em paz pelo sagrado mistério da consumação.
E qual deve ser a nossa atitude diante de tão grande e maravilhoso fato? O filho vai à escola, porque precisa ir, precisa aprender novas coisas, e lá faz mil e uma traquinagens, e o punido não é o filho, mas o Pai! Porque o Pai chama a si toda responsabilidade pelos atos do filho, e se apresenta para ser punido em lugar do filho. E é punido exemplarmente, dando a sua vida por isso, depois de muito ter sofrido. Eu sou esse filho, você é esse filho, cada homem é esse filho. E tira de cima do filho toda culpabilidade, toda culpa. E só pede uma coisa ao filho: que deixe de pecar, para o seu próprio bem, que busque fazer o bem, que tenha uma atitude de gratidão por tudo que Ele lhe fez. Mas isso não lhe pede, pois sabe que o filho que O conheceu, ainda que ligeiramente, terá necessariamente essa atitude em relação a Ele.

Oremos.
Senhor Jesus Cristo, Senhor meu, a quem pertenço de corpo, de alma, de espírito, de coração, de ser inteiro, eu te agradeço com todas as fibras do meu ser por tudo aquilo que o Senhor fez e tem feito por mim. Obrigado, Senhor, por teres tomado sobre Ti as doenças que me afligiam, por teres carregado conTigo as enfermidades que me faziam sofrer, por teres me resgatado por um alto preço: o derramamento do Teu sangue puro e santo e precioso. Obrigado, Senhor Jesus Cristo, por teres tirado de cima de mim o castigo que merecia por causa dos meus pecados, das minhas transgressões, das minhas iniqüidades. E por teres me dado a paz, a Tua paz. Amém.

( 2)
E isso significa em termos de arquétipos que o nosso Senhor quer o que quer: o que fez em verdade. E para quem é o querer de Jesus Cristo? Ora, o querer se relaciona arquetipicamente com o Filho. E aqui temos a resposta que se deriva da mesma essência do UM PRIMEIRO E ÚNICO. O que o Senhor quer, quer para o filho, para todos os seus filhos. E qual é o querer do Pai em relação ao Filho? A resposta pode ser uma só: o bem, porque o Pai é bom. Se como Pai, Jesus Cristo, fez; como Filho, Jesus Cristo quer. Quer para o Seu amor a todo seus filhos, sem exceção de um sequer. E o que Jesus Cristo quer? Fazer a vontade do Pai, daquele que realmente faz. E qual é vontade do Pai?

Jo 6:39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.

A vontade do Pai, que tudo faz, e já fez, é que Jesus Cristo não perca nem um um (sic) de todos aqueles que lhe foram dados. E quantos de nós lhe foram dados? Alguns? Poucos? Muitos? Para responder a essa questão em verdade, reflitamos um pouco. O Pai tem uma vontade: que ninguém se perca (2Pe 3:9). E qual será a vontade do Filho? Poderá ser diferente da do Pai? Como poderá ser diferente, se o Pai e o Filho constituem (com o Espírito Santo) um mesmo UM? Pode um UM santo, puro, separado, querer ao mesmo tempo duas coisas? Ou querer uma coisa para uns e outra coisa para outros? Para o UM, não pode haver divisão, mesmo porque o UM é indivisível, e se não pode haver divisão, não pode haver acepção, diferenciação, discriminação. Se um UM (sic) santo quiser uma coisa para um um (sic), quererá essa mesma coisa para todo um. Se Jesus Cristo constitui com o Pai um mesmo UM, então Ele terá necessariamente de querer o que o Pai exatamente quer. Se o Pai quer que ninguém se perca, então o Filho, Jesus Cristo, terá necessariamente de querer a mesma coisa. E pode o querer do Pai e do Seu Filho deixar de ser cumprido? Deixar de se realizar?
Vejamos ainda uma vez o que diz Pedro a respeito disso:

2Pe 3:9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.

Pedro diz basicamente a mesma coisa. Mas agora a referência é ao Senhor. Certamente ao Senhor dele e de nós: Jesus Cristo. E nos diz que o Senhor tem muita paciência para conosco, pois quer que ninguém se perca. Jesus Cristo, nosso Senhor quer que ninguém se perca. Um pai humano, se não for desnaturado, também quer que nenhum de seus filhos se perca. Um pai humano pode fracassar, porque limitado é o seu poder, os seus recursos. E poderá o Senhor fracassar? E no final dizer, como fazem os humanos: "Bem que eu queria, mas ..."? Nós estamos falando, não de um humano, mas de Jesus Cristo, o Verbo divino para esse plano em que existimos. Nós estamos falando dAquele que com sua mesma substância criou tudo o que existe, e fez tudo o que foi feito! Se Ele quer, deixará Ele de se contentar com menos do que aquilo que quer? Poderá o homem recalcitrar indefinidamente, sem se curvar diante da vontade do Pai e do Filho?
Examinemos agora um texto que vai lançar mais alguma luz sobre assunto tão momentoso.

Fp 2:13 porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.

Agora já não pode mais pairar qualquer dúvida sobre o destino final de cada um, pois é Deus quem opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade.
A vontade de Deus é boa, visa ao bem de todos,

Rm 12:2 E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

porque Ele não faz acepção de pessoas. E, maravilha das maravilhas: é Ele quem opera em nós o querer. Quando pensamos que estamos fazendo a nossa vontade, na verdade estamos fazendo a vontade de Deus. Mas se a vontade de Deus é boa, como pode haver no mundo tantos desvios de sua boa vontade? Como tantos ainda querem o mal, o pecado, a transgressão, a iniqüidade? Como tantos ainda, por conta de seus pecados, sofrem grandes e terríveis males? Não é Deus quem opera o querer que está por detrás daquilo que é feito por cada um de nós? Sim, é Deus quem opera, quem põe para funcionar, para agir, para produzir efeito o querer que está em nós: se o nosso querer estiver de acordo com a Sua boa vontade, Ele opera alegremente, gloriando-se no filho; se o querer que está em nós não está de acordo com a Sua boa vontade, Ele opera, põe em funcionamento, põe para produzir seus frutos que aquele querer exige, mas opera tristemente, esperando que o filho venha se conformar à Sua boa vontade. E a tristeza de nosso Deus se reflete em nós como um certo mal-estar, com uma certa pontadinha de dor em nossa consciência; e isso acontece até para os mais empedernidos de coração. E é nessa insistência contínua que Deus vai, pela Sua boa vontade, atuando no indivíduo, até o dia em que, pelo remorso, pelo arrependimento, pela dor, o filho se volte para Ele, para começar a cumprir a Sua boa vontade. Mas de uma coisa estejamos certos: um dia o arbítrio (que é menor, e mal usado provoca a dor) há de se curvar diante da Sua soberana vontade, que não se impõe, mas que atua no sentido de fazer o filho um dia se arrepender do caminho que esteja trilhando para adotar um outro mais simples e mais gozoso. E o nosso querer é operado, é posto em funcionamento, pela boa vontade de Deus, e não por ele mesmo: antes de produzir seus frutos, ele tem de passar pela santa triagem, e é nessa santa triagem que reside a esperança para o filho. O mundo realmente está, como sempre esteve, cheio de ofertas inconvenientes, de tentações de todo gênero e espécie, e todos durante muito tempo se encantam dele, mas um dia - isso é irrevogável - todos, cada um de nós, iremos nos cansar dele e nos voltarmos, cada um a seu tempo, em busca de algo melhor, não perecível. A boa vontade de Deus opera com o material de que dispõe, seja ele bom, seja ele mau, mas não opera de uma maneira ausente, incomprometida; opera de uma maneira presente, totalmente comprometida com o querer do filho, e um dia, o gemido inaudível começará a ser ouvido, e o filho começará a buscar algo novo, mais santo, mais duradouro, mais verdadeiro. Em suma: o nosso querer pode se desviar da boa vontade do Pai, mas não indefinidamente, porque o fruto não é neutro: além de trazer a dor ou a alegria, ele traz também consigo um acicatar da consciência.
O homem tem livre-arbítrio, e sempre o terá, que esse é um dom de Deus, e todo dom de Deus é para sempre. Tendo livre-arbítrio, ele pode escolher a seu talante a obra que quer pôr em movimento, seja para o bem, seja para o mal. A obra para o bem traz alegria, luz, entendimento, sabedoria, gozo. A obra para o mal traz tristeza, treva, enceguecimento, ignorância, e dor, muita dor. E, como é dito e consabido, um dia o homem se voltará para Deus, ou pelo amor ou pela dor. Pelo amor, em verdade. Pelo Amor, em verdade. Pelo AMOR, em verdade.
Jesus Cristo representa e é para nós o querer que leva à Vida, à vida sem mortes, à vida só vida. E para isso Ele veio: para se fazer Vida para todo homem, sem exceção.

Jo10:10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

A finalidade da vinda de Jesus Cristo é uma em relação ao QUERER: que todos tenham vida, e a tenham em abundância. Essa vida em abundância tem muitos sentidos, mas dois se apresentam mais fortes para o nosso estar-sendo: uma vida abundante, sem carência nenhuma já aqui na terra, e uma vida abundante já a partir de agora: uma vida sem mortes intercorrentes, uma vida nova, uma vida plena, uma vida eterna. A vida tal como ela é em verdade. Vida só vida. A vida, porque constitui um foco da Trindade de Jesus Cristo, tem de ser eterna, porque Jesus Cristo é eterno, é Vida eterna. Por isso, o segundo foco do Triângulo, que corresponde ao QUERER, está associado a Vida. E, como o segundo foco é o do Filho, isso significa, em leitura plana: Jesus Cristo quer Vida para o Filho. Para todo filho, sem exceção. Para todos nós, humanos, que viajamos o nosso arbítrio no mar sem limite da Vontade do Pai, que tudo faz para nós. E que bom: o mar é muito maior do que as ondas que nele se formam.

( 3 )
Vamos agora refletir sobre o terceiro foco do Triângulo: o do Poder. Temos ali a seguinte correlação:

Espírito Santo    -->  Poder  -->  Caminho

, que permite a leitura plana: Jesus Cristo tem, pelo Espírito Santo, Poder no Caminho. E que Poder é esse? Examinemos com cuidado o texto a seguir, para que alguma luz seja lançada sobre tão importante assunto para nós, que já não mais queremos nos conformarmos ao mundo:

Mt 28:18 E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.

A palavra traduzida por autoridade é εξουσια no grego. Essa palavra também pode ser traduzida por poder, capacidade, habilidade. Ela é formada de dois elementos: εξ que significa fora de, denotando posição exterior, e de ουσια forma do particípio presente neutro plural do verbo ειμι , que significa ser, e, secundariamente, estar. Em raiz, portanto, εξουσια significa as coisas que estão fora de. Qual o mecanismo semântico que interveio nesse significado raiz, para que a palavra passasse a designar autoridade, poder? Só podemos especular: quando alguém pode interferir nas coisas de outro que lhe estão fora em termos reais, então essa pessoa passou realmente a ter uma ação de maior alcance, que extrapola aquilo que lhe está diretamente afeto. Foi isso que aconteceu com Jesus Cristo: Ele passava a possuir, por lhe ter sido dado pelo Alto, um poder maior que lhe permitia interferir e atuar em coisas e situações e seres que antes estavam fora de seu alcance de ação, por estarem  (por se saberem) fora do Seu campo de manifestação. Jesus Cristo recebeu uma como promoção por parte do Pai, podendo atuar na terra e no céu. Terra é o campo da manifestação, e céu deve, portanto, ser o campo de imanifestação, de onde se originam as coisas que se manifestam neste mundo. Seria o céu a instância que elabora com o material que lhe é entregue as coisas e circunstâncias que se manifestam neste mundo. Se o homem tem pensamentos elevados, grandeza de coração, pureza de alma, retidão de espírito, e só faz coisas agradáveis ao Senhor, e só fala palavras nobres, então ele estará fornecendo ao céu um material de primeira qualidade, e será isso que se manifestará na sua vida. Esse homem automaticamente começará a ter mais autoridade no falar, no pensar, no agir.
E Poder, prendendo-se ao verbo poder, tem um outro sentido ligado a potencialidade, possibilidade. Aquele que passa a trilhar o Caminho passa a ter uma vida mais rica de possibilidades, que vão se abrindo como portas que se abrem diante de si. Desligando-se do mundo e dos seus atrativos, passa a ansiar por algo maior, por algo mais permanente, que possa preencher a sua sede, a sua fome. Já não se compraz com as delícias comezinhas, enganosas, do mundo, e passa a buscar  nele aquilo que ele possa ter de mais puro, de mais santo, de mais elevado. E estará no mundo, mas será como se já não estivesse. Continuará a cumprir os deveres que este mundo exige, com todo o desvelo, porque por ele já não mais sentirá qualquer paixão, mas compaixão. Aparentemente nada terá acontecido com ele, que continuará o mesmo, mas de um modo melhor. E não fará concessões à mentira, à concupiscência, à corrupção. Pois estará vivendo em outra dimensão só conhecida daqueles que lhe são irmãos (despertos) em Igreja. Estará começando a percorrer um novo caminho, o Caminho.
E que Caminho é esse? Onde ele se inicia? Onde ele termina? Ele se inicia ali onde o homem começa a se converter, a se transformar, deixando de se conformar a este mundo, e passando a renovar a sua mente, que se submete a uma transformação radical, passando a funcionar em um outro nível mais elevado de existência. Aquele que busca esse caminho, ainda que seja taxado de louco, um dia o encontrará, não fora de si, mas dentro de si mesmo, dentro do sentido maior do seu ser. E, como Cristo, deixa o pai e a mãe, e todos os laços carnais, para juntar-se à Igreja, que o aguarda de braços abertos. Esse é um Caminho de Poder; de Poder, porque o noviço passa a experimentar em sua vida poderes que antes desconhecia, os chamados dons do Espírito Santo, que são parcialmente arrolados no trecho:

1Co 12:28 E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.
1Co 12:29 Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos mestres? são todos operadores de milagres?
1Co 12:30 Todos têm dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos?
1Co 12:31 Mas procurai com zelo os maiores dons. Ademais, eu vos mostrarei um caminho sobremodo excelente.

[ Abrindo parêntesis.

Para nós, que ainda não estamos lá, é muito difícil falar do Caminho, pois ele representa novidade que ainda não experimentamos. Só nos servindo de arquétipos é que podemos falar alguma coisa a respeito dele, que tenha alguma validade. Eu passei, há mais de trinta anos, por uma experiência que me ajuda a discorrer sobre o Caminho. Li um livro encadernado rusticamente, tendo apenas a capa de rosto, em que estava escrito o seu nome em letras manuscritas: "Batismo de Fogo". A(s) última(s) folha(s) estava(m) faltando. Um amigo que já partiu há muitos anos mo emprestou. Fui lendo o relato, algo sobre os eventos ocorridos na iniciação de um homem. E de repente, eu estava lá! Vivenciando cada uma das coisas que aconteciam com a personagem. Nunca mergulhei tão fundo numa leitura! Eu acho que passei pelo batismo de fogo. O fato é que depois disso, a minha maneira de ver o mundo se alterou completamente! Sentia as relações que tinha nesse mundo de um outro ponto de vista, em que elas nada pareciam significar. Os laços carnais já não tinham o mesmo sentido que antes tinham: eu continuava a amar a minha esposa, os meus filhos, a minha família, mas não era com o amor deste mundo, pois eu sentia, eu sabia que estava tudo bem, e que tudo sempre estaria bem com todos. Eles como que se mostraram diante de meus olhos, e o que vi, sem ver, me encheu de piedade e de compaixão. Eu me sentia desligando-me deles, e partindo não sei para onde. Os lugares que eu pisava apresentaram diante de mim a sua feição santa, e tudo ao meu redor era santo! A graminha, que evitava pisar, era santa! A calçada, os seixos, a água, ah!, a água, tudo estava envolvido num como manto de santidade! E a Bíblia se abriu para mim, e eu sabia que podia entendê-la todinha em espírito e verdade. Mas muito pouco usei esse poder, e dos frutos desse uso, muita coisa esqueci, ou perdeu para mim o frescor da revelação. Tinha um amigo, não aquele, um outro, Laerte, que se encontra conosco, com o qual gostava de conversar sobre assuntos esotéricos. Eu e ele líamos muito sobre isso. Éramos buscadores. Eu era professor e gostava muito do que fazia, mas depois daquela experiência, até isso perdeu o sentido: já não conseguia mais me ver como professor. Eu estava de alguma forma me desligando deste mundo! Aquilo apavorou-me: eu tinha família de que cuidar, eu tinha compromissos, eu tinha uma vida terrena com suas exigências, mas elas já não exerciam qualquer poder sobre mim, sobre minha mente, sobre meu estar-sendo. Procurei o meu amigo, cujo nome significa Alevantador, e disse:lhe, apavorado: "Estou partindo!" Hoje não sei exatamente o que significaram aquelas palavras, mas, naquele momento, elas faziam muito sentido, todo o sentido que precisavam ter. O meu amigo, irmão de jornada, logo entendeu o que eu estava dizendo. E propôs-me passar por uma sessão de mesa branca. E fomos a uma cidade próxima, e passei por um ritual, e ... voltei à normalidade. Mas muita coisa me ficou daquele breve e intenso espaço de tempo de minha vida, e até hoje ecoam em minha consciência. E me pergunto: Estaria eu hoje pronto para encetar de novo aquele caminho? E o Caminho estaria pronto para me aceitar? Porque depois daquilo muito me demorei  no Egito...

Fechando parêntesis. ]

Jesus Cristo, o nosso Senhor, o nosso Deus, tem o poder de modificar o Caminho. E Ele o fez: o caminho que apontava para o inferno, para a corrupção, para a morte eterna, para a morte perpetuante, para a morte, que constantemente ameaçava a vida, foi por Ele desviado, para que assumisse a rota certa, adequada. Hoje o Caminho com seu Poder está à disposição de todo aquele que o queira de coração seguir.
Ah! sim, ficou por se responder: Onde termina o Caminho? O Caminho é Caminho, não é ponto de chegada. O Caminho, viandante, nunca termina, mas de quando em quando ele leva a uma estalagem, a uma estalagem cada vez mais gozosa, em que o transeunte repousa por algum tempo, ou por alguma eternidade. Porque a estalagem é cheia de atrativos, de encantos, que os olhos ainda não tinham visto, os ouvidos não tinham ouvido, o coração não tinha sequer imaginado. Viandante, é hora de chegarmos à nova Estalagem. Lá estará o Estalajadeiro, o nosso Senhor, que nos aguarda com grandes festas.
E assim terminamos essa mensagem que tinha como principal objetivo equipar o leitor com um bom instrumento de investigação da Verdade.
Esperamos que esta mensagem tenha equipado o buscador, para que ele possa caminhar com suas próprias pernas neste caminho santo, e possa por si mesmo descobrir - e de uma maneira mais verdadeira - coisas que estão guardadas em mistério desde a fundação do mundo.
A orientação é nada aceitar, que não possa passar pelo crivo de um instrumento de prospecção sólido.
Com ósculo santo,
o peregrino