Comecemos a nossa reflexão apoiando-nos no ser que personifica o mal, para podermos avançar um pouco, com a necessária ajuda do Espírito Santo, no deslindar de tão grave e importante questão.
διαβολος significa, etimologicamente, portanto, aquele que é lançado através de algo. E que algo seria esse? Só poderia ser o único ser que existia, que existe, que é: o UM.
διαβολος, assim, é aquele que é lançado através do UM, a partir do infinitamente etéreo para o infinitamente denso.
Segundo Strong:
Diabo, de διαβολος , que provém de
διαβαλλω, termo formado de
δια (= através de) e de
βαλλω (= lançar, atirar), e, assim,
διαβαλλω
tem o sentido de lançar através de algo.
Diabo, assim, é o ser que é atirado do Alto para o Baixo, da Luz para as Trevas, num movimento de queda, de descenso. Diabo é aquele ser que fica na parte baixa, ínfera, inferna, de um plano de causação.
Diabo significa em linguagem atual um traidor, especificamente, Satan, termo de origem hebraica que significa: falso acusador, acusador, diabo, difamador.
É de se notar que a palavra
Tg 4:7 Sujeitai-vos, pois, a
Deus; mas
resisti
ao Diabo, e ele fugirá de vós.
O homem não precisa, nem deve se sujeitar ao diabo; o que que ele tem de fazer é
resistir ao diabo. Fazendo isso, ele estará usando uma linguagem que o diabo reconhece e tem de respeitar, e tem de liberar o indivíduo que assim proceder. Para resistir ao diabo, o homem precisa saber que ele é o administrador do mal, tudo fazendo para que o mal prospere.
Sl 119:142 A tua justiça é justiça eterna, e a tua lei é a verdade.
E a justiça se manifesta em todos os níveis, em todas as dimensões.
Jo 9:1 E passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
Quando Jesus respondeu à pergunta dos apóstolos, Ele não os repreendeu por estarem dizendo alguma coisa contrária à ordem de Deus, à lei de Deus,
e com isso confirmou
tacitamente a possibilidade de alguém nascer cego por causa de algum pecado anterior. Tenhamos em mente que a doença, o mal que sobrevenha a alguém é sempre fruto do pecado. O pecado leva à morte, o pecado atrai o mal, ele-mesmo, na forma em que foi praticado. O homem pode se esquecer do pecado, de ter pecado, mas o pecado não se esquece do homem. E Jesus estabeleceu um elo irrevogável (a não ser por um ato
legítimo e adequado de justiça) entre o pecado e a doença, no episódio:
Mr 2:9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda?
Do hebraico, obtém-se o sentido de: aquele que se opõe, que resiste ao bem; que é um adversário.
Unindo os sentidos de raiz do hebraico e do grego, tem-se que:
Diabo é um ser que, tendo ido além do que lhe era próprio, atravessou (em sentido descendente), em sua queda ontovibracional, o nosso nível de causação, a terra (e mais além), para, no final de sua queda, estabelecer um nível lhe-próprio, em que tem o papel de se opor ao bem, de acusar a quem
puder acusar. É, por tudo isso, considerado um arquiinimigo do bem. Tem o papel de tentar o homem para fazê-lo cair no mal, podendo ser considerado como o arquitraidor do plano de Deus para o homem. Sendo o tentador, ele é um testador do homem. Ele testa a cada momento
impiedosamente se um homem está ou não pronto para alçar vôo deste plano de causação, em que ora ele habita,
em que ora ele se demora. Se Deus é verdade absoluta, ele é o contrafactor: é a mentira absoluta. Como disse Jesus
(João 8:44): ele é o pai da mentira. Essa a sua mais poderosa arma, porque a que mais pode se sutilizar. Dela provêm todos os outros males que ora pairam sobre o homem: o fingimento, a hipocrisia, a inveja, o ciúme, o orgulho, o desprezo, a discriminação, a mágoa, o ressentimento,a ira, a concupiscência, a idolatria, o adultério, a fornicação, o roubo,
a corrupção, a crueldade, a difamação, o falso testemunho, a cupidez, a ganância, o egoísmo, e todos os demais males que assolam a humanidade. O papel dele é negar a Deus, e a tudo que Ele representa.
Para Deus todos
solidariamente somos um: em Deus todos os homens somos um só. Em Deus todos os homens são uma só pessoa: aquilo que afeta um homem afeta todos os demais. Deus quer que o indivíduo exista sabendo-se de si mesmo como um um
(sic), e sabendo-se um com todos os demais indivíduos. O diabo provoca no homem a ilusão de que ele é um ego separado dos demais e que precisa lutar egoisticamente para poder se impor, para poder sobreviver. Que ele precisa, se preciso for, esmagar o próximo (que na verdade é uma extensão dele mesmo) para poder ter uma vida melhor, mais abundante, mais luxuosa.
E o separatismo provocado pelo diabo se manifesta em todos os níveis de organização que o homem pensa ter inventado: a família, o clã, a tribo, o estado, a nação, a pátria, a igreja. E o inventor da mentira incute no homem belas mentiras: que é preciso lutar pelo que é seu, que isso é uma mostra de honra, de
hombridade. Que é preciso lutar pela pátria, morrer pela pátria, torturar pela pátria, se preciso for; que é preciso impor o nosso way of life, para que
nós possamos ter esse way of life, e não os outros, que são considerados inferiores e indignos de viver como vivemos.
E, com base nisso, o mundo se tornou naquilo que hoje é: um globo rasgado de miríades de fronteiras. A propriedade privada, a posse particular da terra, o bem comum transformado em bem de poucos, dos privilegiados.
Mas que privilégio é esse de ter de se desumanizar para poder gozar mais fartamente das benesses da terra?
Mas que privilégio é esse que em nome da ganância e da ambição (que são sempre apresentadas por uma imagem mais honrosa), destrói sistematicamente o próprio meio em que vive?
E hoje uma parte do mundo busca vãmente encontrar a unidade perdida, que nunca teve. (E que sempre, em verdade, teve.) E outra parte luta com unhas e garras para manter o que já tem, para conquistar o que ainda não tem, e que é injustamente de outros, segundo a sua óptica fascista. A óptica fascista é essa: quem não pertence ao meu feixe (fascis, em latim), pode e deve ser pisoteado, e
destruído, e queimado.
Mas em nome de quem? Ou de quê?
Em nome do privilégio de uma parte! Isso é separatismo, segregação! A divisão tem sido a tônica nas organizações construídas pelo homem, tendo como base a mentira transvestida de verdade. A mentira básica que diz que é bom dividir, que é bom segregar, que é bom construir um modo de vida mais elevado para os da sua pátria. Mas não há pátrias: há a terra, de propriedade comum de todo homem. O homem acreditou que era mais de um, perdendo o seu sentido de unidade. Esqueceu-se de que o todo é um.
Essa é a verdade. Mas o diabo fez o homem pensar que cada é um é cada um totalmente isolado do outro. Chegamos aqui como um: Adão. Sairemos daqui como um: Cristo. Adão dividiu-se em muitos, e neles se perdeu. Jesus Cristo veio para unir, para religar o um ilusoriamente partido. O que Cristo disse de si mesmo?
Como Jesus de Nazaré, ele se denominou Filho do homem, e aceitou ser chamado
Filho de Deus. Jesus de Nazaré é as primícias, o primeiro fruto sazonado e
pronto para empreender a grande missão de reparar o que o diabo havia feito: a
diáspora do ser humano. O diabo, como acusador, mantinha o homem preso neste
nível de causação, utilizando-se da mesma justiça divina, que basicamente
consiste em estabelecer que o um é um. Que todo um como causa é um um (sic) como
efeito. Ele mantinha o homem preso pela acusação, pela causação. Aquilo que o
homem planta ele tem de colher. Se plantar a ira, colherá a ira. Se matar, terá
de ser morto. Mas será isso verdade? Quantos vemos e já vimos que mataram e não foram mortos? A justiça de Deus teria falhado nesses casos? Absolutamente, não! Nada escapa à justiça de Deus! Que é baseada na verdade, na mais pura e cristalina verdade. Na mais pura e insofismável verdade!
Examinemos, a propósito, o seguinte episódio da vida de Jesus Cristo:
Jo 9:2 Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Jo 9:3 Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.
M
Ora, o pecado de alguém que já nasce marcado por uma conseqüência de pecado só pode ter acontecido ou no útero da mãe ou em uma vida anterior a esta. E, como quem planta, colhe no lugar que plantou, temos de admitir que foi aqui mesmo na terra que aconteceu o pecado pelo qual alguém esteja pagando aparentemente sem causa. Ninguém recebe castigo sem causa!
Prov 26:2 Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso.
“A maldição sem causa não
encontra pouso.”
O castigo, a doença, a enfermidade, tudo de mal que aconteça a alguém, é SEMPRE o
pouso de uma causa.
Voltando ao assunto em foco.
Esta dimensão de ilusão em que vivemos para nos construirmos como indivíduos de consciência individuocentrada não poderia escapar à irrestrita justiça de Deus. Assim, aquilo que alguém faz, seja o mal, seja o bem, para alguém, isso ele terá de volta para si. Se alguém matar a alguém, ele terá de ser morto, terá de passar pela exata mesma experiência. De aí a necessidade de ter de nascer de novo, para ser morto por aquele que o matou ou por algum outro que entra na terrível roda da perpetuante vendetta. E assim se perpetua o quadro infernal na roda da retribuição. O que matou vem e é morto. Logo, ele precisará matar para tentar equilibrar os pratos da balança.
Para se livrar de vidas e mortes recorrentes em que o diabo o colocou, o indivíduo tem de se livrar de tudo o que o prende a esse nível de causação. Mas ele não consegue fazer isso por ele mesmo, pois, a cada momento de vida, ele está cada vez mais se enredando no
medonho processo.
Viver sem atentar para a Lei é enredar-se. E o papel do diabo é exatamente este: fazer com que nos enredemos cada vez mais em nossos laços cármicos. O homem parecia estar preso em uma masmorra sem qualquer possibilidade de libertação. O mal nos prende neste nível de causação. Que mal? O mal que tenhamos escolhido para
se manifestar em nosso universo de manifestação.
Não importa o tamanho aparente do mal. Se eu disser tolo para um conhecido, estou-me enredando, e vou ter de dar conta desse ato. Pois a justiça de Deus não pode deixar de atuar. Nunca! E o diabo, sabendo disso, nos acusa e, como somos achados culpados, nos condena e nos mantém presos. E Deus nada pode fazer contra isso?
Há uma passagem em Jó, que sempre me perturbou.
Jó 1:6 Ora, chegado o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
Os filhos de Deus vieram apresentar-se ao Senhor provavelmente para fazer um relatório do que haviam feito. O Senhor não precisa disso, já que é omnisciente,
mas os filhos de Deus precisam; precisam enfrentar a LUZ frente a frente, e não
vacilar. Seria isso um exercício de fidelidade ao Senhor e a si mesmos. Mas
Satanás também veio entre eles, talvez procurando passar-se despercebido.
O Senhor pergunta naturalmente a Satanás, sem mostrar qualquer preocupação ou
atitude de repreensão, donde ele vinha. O Senhor, sabendo todas as coisas, não precisava perguntar para saber. Pareceu-me sempre que havia até um certo tom de cordialidade ao se dirigir a Satanás. Era isso que me perturbava!
Existe uma passagem nas Escrituras que diz que Ele é tão puro de olhos que não pode ver o mal.
Hab 1:13 Tu
que és tão puro de olhos que não
podes ver o mal, e que não podes
contemplar a perversidade, por que olhas para os que procedem aleivosamente, e
te calas enquanto o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele.
Sl 139:12 nem ainda as trevas são escuras para ti,
mas a noite resplandece como o dia;
as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.
Tudo está bem, tudo é bom. Assim, do ponto de vista de Deus, o diabo, achando-se mau, é um bem. O diabo é manobrado, por assim dizer, pelo Senhor! Pensa que faz para si, mas no fundo, está fazendo para o Senhor. Mas isso é em relação ao Senhor. Para nós, que estamos em travessia, não haja dúvida nenhuma:
O diabo é para nós o mal, e só quer o nosso mal, tudo fazendo para tornar mais triste a nossa vida, a nossa existência. E nós tudo devemos fazer para achar um meio de nos livrarmos do mal. Porque, não haja dúvida nenhuma, o mal está presente e atuante neste nível de causação com um só objetivo: nos tragar.
João 1:1 "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."
O verbo está no pretérito imperfeito, porque do nosso ponto de vista se refere ao passado, que precisa se completar. E que, entretanto, já foi completado (do ponto de vista de Deus). Do ponto de vista do UM, só existe uma dimensão de tempo, que não é tempo, e que podemos chamar tentativamente de ETERNO PRESENTE
ou PRESENTE ETERNO.
Mat 5:48 Sede vós,
pois, perfeitos,
como é perfeito o vosso Pai celestial. o
Sede vós perfeitos,
que é um mandamento de Deus, e, portanto, de vigência eterna, não caducando, não
podendo caducar nunca, teria de caducar um dia, e isso é impossível: essa
exortação tem validade eterna, e terá azo eterno de aplicação, Não pode
ser de outra maneira! Logo, o criado estará sempre sob sua autoridade, o que
significa que o criado jamais atingirá em sua jornada eterna a perfeição, a
perfeição absoluta. Mais: os dois membros da frase são ligados pelo
conectivo como, que exprime
semelhança, e não identidade! Assim, o criado será sempre e eternamente
como perfeito. Será eternamente
um ser perfectível, sempre aberto a uma maior realização de si mesmo. Não
fora assim e Abrindo parêntesis.
Um dia sonhei que estava numa cidade envolta em brumas, e eu me sentia totalmente desolado, isolado: era um lugar terrível porque não havia com quem se comunicar. E era um lugar pesado que como me esmagava. Depois tive um outro sonho: era um lugar de luz doce, de harmonia, de leveza, de alegria. Estava na hora de eu partir: atravessei um portão e senti que ia deixando para trás um lugar maravilhoso a que não podia voltar. Não naquele momento. E tudo se esfumou. Outro dia tive um
outro sonho: havia uma espécie de esteira de montagem em série, e eu ia apanhando ali coisas com que ia-me municiando, para formar uma espécie de guarda-chuva, do qual deliberadamente tirei uma vareta (imagino que fosse alguma capacidade ou instrumento de manifestação, que hoje imagino qual seja, mas que não vou revelar, porque isso é um segredo entre mim e MIM.) Outro dia tive
ainda um outro sonho: estava ao pé de uma árvore grossa de tronco e frondosa, e eu tinha de passar por um caminho que se abria debaixo dela. Antes, tinha de tomar um remédio que alguém me oferecia. Fingi que tomei, e comecei a entrar naquele lugar, mas logo fui chamado de volta, fui obrigado a tomar a mezinha, e um véu de esquecimento se abateu sobre mim. Outros sonhos eu tive que considero de reminiscência, mas não são importantes para a argumentação dessa mensagem. Para mim são sonhos preciosos que me permitiram fazer uma idéia do que se passava no entrevidas.
Fechando parêntesis.
E logo abaixo dele há um nível de alta e inexorável causação, que corresponde à fonte de tudo aquilo que é mal para o homem. Ali estão armazenados todos os sentimentos, todos os instintos, todas as motivações que eram próprios do ser quando ele estava no nível de causação mais abaixo. E aquilo que era natural naquele nível passa a ser rejeitado neste outro nível mais alto. Este nível de alta causação é movido pela ilusão em sua forma absoluta: a MENTIRA. E a coisa herdável, juntando-se com a mentira, engendra todos os males que hoje vivencia o homem, que sempre vivenciou o homem.
Mas ainda bem que:
Jo 1:3 παντα
δι'
αυτου
εγενετο
και
χωρις
αυτου
εγενετο
ουδε
εν
ο
γεγονεν
A tradução (excelente) dada por João Ferreira de Almeida é:
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Mas leiamos cuidadosamente o que aí está escrito, em grego, no original.
Vejamos o que diz Strong a respeito desse verbo:
γινομαι
A prolonged and middle form of a primary verb; to cause to be ("gen" -erate), that is, (reflexively) to become (come into being), used with great latitude (literally, figuratively, intensively, etc.): - arise be assembled, be (come, -fall, -have self), be brought (to pass), (be) come (to pass), continue, be divided, be done, draw, be ended, fall, be finished, follow, be found, be fulfilled, + God forbid, grow, happen, have, be kept, be made, be married, be ordained to be, partake, pass, be performed, be published, require, seem, be showed, X soon as it was, sound, be taken, be turned, use, wax, will, would, be wrought.
Traduzindo. Strong nos explica:
Examinando a lista acima vemos que o verbo mais raiz é
fazer, que tem a ver com o Pai, com o gerador, com o criador.
O indicativo indica que a ação é categórica, determinada, definida, não pairando sobre ela qualquer resquício de dúvida.
παντα todas as coisas
O plural neutro
παντα
admite o verbo no singular no grego. E isso nos mostra incidentalmente (?) que todas as coisas são uma só.
Mat 22:42 Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe: De Davi.
Ou seja: disse o SENHOR ao meu SENHOR (ao SENHOR de Davi, i. e. Jesus Cristo). Cabe aqui lembrar que Jesus Cristo é sacerdote perpétuo da ordem de Melquisedeque. Seria Melquisedeque um SENHOR acima do Senhor Jesus Cristo? É bem verdade que no Novo Testamento se declara que Deus deu a Jesus Cristo um nome que é sobre todo nome:
Fp 2:9 Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome;
Há de haver, assim, uma cadeia infinita de Senhores, cada um cuidando de uma porção cada vez mais extensa (e de mesma extensão) de TUDO O QUE EXISTE. Mas, acima de tudo, devemos ter em mente que há um só Senhor, que se manifesta multidimensionalmente, simultaneamente, em infinitos níveis de causação. E em cada nível de causação há, de um lado, o apelo do mais alto, e, do outro, o impulso para prolongar a estada. Esse impulso para prolongar a estada em um nível de causação é, em verdade, o impulso do Mal, que se baseia numa mentira básica: a de que o UM inatingível já foi atingido. Jesus, quando aqui esteve, insistimos, não se declarou meta, mas caminho. Assim, todo nível de causação, por mais glorioso e gozoso que seja, não é ainda o non plus ultra, pois o non plus ultra vai-se deslocando infinitamente em busca de um Zênite, que jamais será atingido. Jesus, o nosso Senhor, atentemos bem: diz-se caminho, e não fim de jornada. E, assim, de estalagem em estalagem, o viandante de além-tempo vai viajando a sua glória, buscando, na Sagrada Ilusão, aquilo que ele sempre teve e sempre terá: a omnipresença do UM eterna e irrevogável no seio do Seu mesmo estar-sendo. Esta é a sina santa de todo ser individuado: navegar dentro de si mesmo em demanda de páramos cada vez mais gloriosos e gozosos no seio inesgotável de maravilhas do
UM PRIMEIRO E ÚNICO. O papel do Mal é, em última análise, o de espicaçar o ser para que ele se proponha a
percorrer mais um trecho do Caminho.
Isa 45:7 Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz,
e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas.
Os orientais têm uma representação que bem exprime esse consórcio entre o Mal e o Bem. Só que eles não vêem a realidade nessa dualidade: a dualidade que assumem é a do Positivo o (Yang), a capacidade de doação, e a do Negativo (o Yin), a capacidade de aquisição. Isso em termos bem gerais. E de acordo com esses arquétipos classificam todos os itens básicos da realidade, levando em conta a predominância de um ou outro fator. Essa representação abaixo nos mostra que em todo mal há uma semente de bem, e em todo bem há uma semente de mal. O homem, por mais santo que seja, ainda pode cair; o homem, por mais indigno que seja, ainda pode ascender. Todos os que estão no Relativo estão sujeitos a esses dois poderes, dois arquétipos, pois isso faz parte da mesma Estância: a Estância só é estância, estando sujeita a um processo infinito de desvelamento porque nela sempre há algo a alijar, sempre há algo a adquirir. E o pecado, a cada patamar, vai mais e mais se sutilizando, e deixa de se chamar pecado, para adquirir outras roupagens, outras conotações. Se o indivíduo quiser, ele sempre terá um mais além a conquistar. Porque sempre será infinita a distância que separa o
UM PRIMEIRO E ÚNICO da Sua Manifestação. Porque sempre será nula a distância que separa o
UM PRIMEIRO E ÚNICO da Sua Manifestação. Infinita para que haja o viajar; nula, porque ELE está mais próximo de qualquer ser do que tal ser esteja próximo de si mesmo. Assim como o homem não pode conhecer o infinito, assim também ele não pode conhecer o zero. Ele jamais se conhecerá totalmente a si mesmo, Ele jamais conhecerá ao
UM PRIMEIRO E ÚNICO totalmente. E ele jamais se aniquilará. E isso é parte do grande e inescrutável mistério do AMOR.
(O versículo ali acima , por sua riqueza de arquétipos, merece uma reflexão mais profunda, mas isso nos desviaria do nosso objetivo no momento.)
Lc 17:1 Disse Jesus a seus discípulos: É impossível que não venham tropeços, mas ai daquele por quem vierem!
Temos de entender que o Mal é algo tão necessário quanto o Bem: ambos desempenham seu papel no desvelar-se do ser. Mas para nós, que aqui estamos nos demorando, todo esse assunto tem um só escopo: mostrar a grandiosidade inimaginável do UM que tudo fez e faz, por Amor. Por Amor de cada um de nós, filhos legítimos do Seu Amor.
Is 5:20 Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo!
Busquemos o bem, pois sabemos bem o que é o bem e o que é o mal: ninguém precisa nos esclarecer quanto a isso: já estamos maduros o suficiente para não termos mais de nos espojarmos nos tredos lamaçais do mal, do Egito. Não tenhamos dúvida: o mal quer o nosso mal: é esse o seu papel na economia cósmica. A doença, a morte, a tristeza, a depressão, o egoísmo, tudo isso são coisas que se originam no mal, no pecado, na transgressão.
Mr 12:30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua
alma, de Jesus Cristo já tem preparada uma morada para cada um de nós, e está à espera de que cada um de nós corte as últimas amarras e parta a Seu encontro. Deixemos de fazer o mal, por menor que seja, e busquemos o bem em todo momento de nossa vida. E nos entreguemos a Ele: Ele tem em mãos a nossa carta de alforria e anseia por entregá-la a cada um de nós. Essa carta teve um alto preço.
Jó 1:7 O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.
E Satanás responde de uma maneira vaga, sabendo que sua pergunta já estava respondida.
Logo depois Satanás como que tenta ao Senhor, como que pedindo permissão para interferir na vida de Jó, um justo, segundo o próprio Senhor.
Satanás diz que, se tentado, Jó acabará por maldizer o Senhor. O resto é bastantemente conhecido.
O que notamos é que há uma comunicação entre o diabo e o Senhor deste plano de causação.
Mais: parece haver uma certa cordialidade, um certo respeito entre ambos. Nesse momento o diabo não se apresenta como um inimigo do Senhor, mas como um potencial inimigo de Jó.
Ao ler aqueles versículos 6 e 7 me vem sempre à mente um desenho (cartoon) em que há um cão zelador e um lobo devorador de ovelhas. O papel do cão é livrar as ovelhas das mil artimanhas que o lobo engendra para capturá-las. E o cão sempre frustra os seus intentos, fazendo com que o lobo sempre leve a pior. No fim do dia, ao fim do expediente, depois de soar a sirene, ambos saem
após bater o ponto como bons amigos, dizendo:
"Até amanhã para um novo dia de serviço!"
Para Deus, para o Senhor, para o ponto de vista dele, não existe o mal. E é dentro deste conceito que devemos entender o que o salmista diz, inspirado pelo Espírito Santo:
Não amaldiçoemos a nada e a ninguém, que isso não é da nossa competência, mas resistamos ao mal, repreendamos o mal e fujamos dele.
Melhor: ele fugirá de nós!
Mas, ainda que eu conseguisse me livrar do "laço do passarinheiro", isto é, me livrar do mal de hoje em diante, ainda assim, eu estaria preso, pois há a dívida pretérita a ser paga. E ela é impagável.
Ainda bem que
Deus, deixando o PRESENTE absoluto de seu SER, permitiu que em sua substância houvesse uma ilusão de passado. E assim, o passado se eternizou como passado, gerando o caminhar possível para o viandante, que caminhará eternamente no passado de Deus, em rumo a uma perfeição que jamais será atingida. Se isso acontecesse,
O inferno tem uma duração eterna, eônica, uma duração indefinida que parece não ter fim para aquele que a experimenta. O inferno é a ausência (sentida pelo indivíduo) de Deus: é a repetição vazia de tudo aquilo que cometeu na vida recém-pretérita; e é a falta de comunicação absoluta entre os que lá estão.
O paraíso também tem uma duração indefinida, mas a presença de Deus e a comunicação com os que lá estão fazem com que o indivíduo sinta, depois de algum tempo ótimo, a urgência de voltar para desfazer o mal que fez, para reparar as dores que espalhou. E volta para receber em si o mal que tenha provocado. Se foi um nababo que desprezava os indigentes, como indigente voltará, para aprender mais uma lição no caminho eterno da sua existência. Se foi um oprimido revoltado, querendo, voltará como um opressor. E, no grande jogo da existência, os papéis vão sendo trocados, em busca de um equilíbrio que jamais
seria atingido.
Por isso, depois disso, tem de descer outra vez para o nível de causação de onde saiu, para tentar se redimir. Passa por um processo de esquecimento necessário, primeiro, para que o peso do passado não assoberbe ainda mais o reingressante; segundo, para que desenvolva em grau cada vez mais alto a responsabilidade do ato presente.
Examinemos antes os verbos que aí ocorrem, ambos formas do verbo
γινομαι,
guinomai
Uma forma prolongada e média de um verbo primário; causar ser ("gen"-erar), isto é (reflexivamente) tornar-se ( vir a ser), usado com grande latitude (literalmente, figurativamente, intensivamente, etc.): - levantar, ser ajuntado, ser (vir, -cair, -ter-se), ser trazido (passar), (ser), vir (a passar), continuar, ser dividido, ser feito, extrair, ser acabado, cair, ser acabado, seguir, ser achado, ser completado, + Deus impedir, crescer, acontecer, ter, ser conservado, ser feito, ser casado, ser ordenado a ser, partilhar, passar, ser desempenhado, ser publicado, requerer, parecer, ser mostrado, X tão logo quanto era, soar, ser tomado, ser tornado, usar, encerar,
[will: componente formador do tempo futuro],
[would: componente formador do tempo condicional], ser trabalhado.
εγενετο é uma forma do verbo que está no segundo Aoristo Depoente do Indicativo, terceira pessoa do singular.
O aoristo é um tempo verbal que indica uma ação punctual, que se processa num espaço de tempo que tende para o zero. Representa uma ação feita num átimo de tempo, tão pequeno que não admite a interferência de nada nem
de alguém no seu fazer-se. A depoência é uma voz verbal que se situa entre a ativa e a passiva, sendo uma espécie de intersecção entre ambas. Indica uma ação que ao mesmo tempo 1) alguém faz e 2) é feita por outrem.
γεγονεν é uma forma do verbo que está no segundo Perfeito Ativo do Indicativo, terceira pessoa do singular.
O perfeito indica uma ação totalmente feita, acabada, sem possibilidade de um ulterior fazer-se sobre ela. A voz
ativa indica que alguém fez alguma coisa. Tudo o que atualmente aparentemente está acontecendo, na verdade, já aconteceu. Estamos aqui para representar no palco da existência os papéis que nos foram atribuídos por nós mesmos: a justiça jamais se cala dentro do ser, e exige o seu cumprimento. A vida seria um teatro? Sim, mas um teatro muito sério! Numa peça que já teve seu desfecho. O nosso papel é descobrir esse desfecho, que só pode ser um, para todos que aqui estamos neste nível de causação. Entendamos: Ele fez, para que nós nos fizéssemos por meio dEle. O ato perfeito indicativo à espera do ato depoente aorístico. Pois é num piscar de olhos que se dá a salvação, a assunção consciente do ato perfeito. Aoristicamente o ser assume, aceita, a salvação, que já lhe foi dada desde antes de o mundo ser mundo, num ato perfeito irretorquível, irrevogável.
Vamos agora à tradução, palavra por palavra:
δι' por meio
αυτου dele
εγενετο se fez
και e
χωρις sem
αυτου ele
εγενετο se fez
ουδε nem
εν   uma coisa
ο que
γεγονεν (ele) fez
Então temos:
Todas as coisas se fizeram por meio dele, e sem ele nem uma só coisa que ele fez se fez.
As coisas todas que existem neste universo de manifestação se fizeram por intermédio dele, do Logos divino, do Verbo, da Palavra. Ele foi um intermediário entre a coisa feita e ... Deus. Usando o poder criador do Pai, o Verbo, manipulando a substância primeva que estava ao seu dispor, fez com que essa substância como que engendrasse a partir de suas mesmas potencialidades o universo em que existimos em nosso caminhar. Ele fez a substância se fazer universo. Por isso o uso do depoente e do aoristo: foi um processo instantâneo em que a um impulso exterior (?) de querer, se aliou um impulso interior (?) de como aceitação. E até hoje as coisas todas estão sujeitas a um impulso exterior que as encaminha e a um impulso interior que aceita/rejeita aquele impulso exterior. O homem tem um querer, mas sobre o seu querer se sobrepõe um querer maior. O homem tem livre arbítrio, mas esse livre arbítrio não é absoluto, pois se subordina ao querer do Criador deste universo. E nada, nem ninguém, pode se opor indefinidamente a esse querer. O criador permite que o criado exerça o seu querer até o ponto em que este deixa de ser ótimo, para se tornar em prejuízo.
Entendamos também e claramente que acima de nosso Senhor e Criador há um Senhor e Criador mais elevado, e acima ...
E Jesus Cristo nos mostra isso, na parte em que pomos em realce:
Mat 22:43 Replicou-lhes ele: Como é então que Davi, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo:
Mat 22:44 Disse
o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés?
Fp 2:10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus,
e
na terra,
e
debaixo da terra,
Fp 2:11 e toda língua confesse que
Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.
No seio do UM, que tudo compreende, que tudo abrange, tudo é santo, tudo é sagrado. O Bem é sagrado. O Mal é sagrado. Nada existe fora do UM, e tudo que nELE existe é santo, é sagrado.
Mas, para aquele que está viajando, é muito importante distinguir o mal do bem, e logo evitar um e buscar o outro. E Jesus bem o disse:
Não é porque o mal é um bem nas mãos do Senhor, que vamos dizer que o mal é um bem: para nós, que aqui estamos, à espera da efetivação da nossa redenção, o mal é mal; o bem é bem. E quem fizer alguma concessão ao mal, porque bem lá no fundo, ele é um bem, há de pagar por isso, pois o mal é um credor inexorável, e, de per si, não perdoa a ninguém. Não adianta de nada bajular o mal, pois ele é insensível e fiel a si mesmo. Por isso a nossa vida deve ser pautada por uma estrita ética cristã. Não vá alguém pretender estar acima do bem e do mal, porque ele simplesmente não está: ele está
e é sujeito ou a um ou ao outro. O comportamento trans-ético, seja de quem for, tem como retribuição o merecido castigo. O nosso dever é resistir ao mal, ao diabo, venha ele mascarado do que vier.
Cada um de nós já está maduro o suficiente para saber o que é bom e o que é mau. Diante de uma situação qualquer, qualquer um sabe bem o que Deus quer que ele faça. É hora de deixarmos os ouropéis deste mundo para abraçarmos de corpo, e de alma, e de coração, e de espírito,
e de todo o nosso ser, os ensinamentos de nosso Senhor, Jesus Cristo. E de praticá-los com todo o empenho, com toda a dedicação.
Podemos refletir sobre tudo o que quisermos, pois Deus quer que o amemos com todo o nosso entendimento.
Louvado seja o nosso Senhor!
Com ósculo santo,
o peregrino