Jo 1:1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Mt 4:1 Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.
Tg 4:7 Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.
m (gr aión) 1 Período de tempo imensurável ou infinitamente longo.
Main Entry: ae·on
Ou seja: um substantivo que designa
um período de tempo imensuravelmente ou
indefinidamente longo: IDADE.
1. Eden: a região do lar de Adão. O mesmo que:
Gn 3:24 E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.
Gn 3:15 Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
E o Filho, sendo um um (sic), foi criando universos dentro de universos e povoando-os, e cada universo, nesse movimento aparente de afastar-se do UM, assumia características próprias, tornando-se mais denso, mais pesado,
menos luminoso.
Um homem de vida moral equilibrada pode cair.
Um facínora pode cair.
Um santo pode cair.
A diferença é que para alguns, por terem adquirido maior conhecimento e entendimento, é mais difícil cair. Difícil, mas não impossível. E a Queda sabe disso muito bem, e usa sem cessar, indiscriminadamente, esse conhecimento. O próprio Senhor Jesus Cristo foi submetido a tentações por ela.
Como podemos ler na Escritura Sagrada:
Do FAZER, quando foi tentado a fazer pães a partir de pedras.
Do PODER, quando foi tentado a saltar do pináculo do templo.
Do QUERER, quando foi tentado a receber as riquezas todas do mundo.
E Jesus Cristo não sucumbiu, passando galhardamente, usando palavra por palavra, palavra contra palavra, pelos testes iniciais.
É de se notar que essa fase de testes, de tentações, era necessária no ministério do Senhor, pois foi o Espírito Santo que o levou até lá.
Se Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, foi submetido a tentações, então todos, indiscriminadamente, estão sujeitos a ela, pois ela é necessária para testar o grau de sinceridade e fidelidade do eventual postulante.
Ser tentado não é um mal; é basicamente um bem, pois só é tentado aquele que está livre ou acha que está livre de algum mal que antes o prendia. Aquele que está imerso nos lamaçais do Egito, esse não precisa de tentações. Se alguém está sendo tentado, agradeça a Deus por isso, e peça forças a Ele, para não sucumbir.
O papel de Satanás, como já vimos, é opor-se ao plano de Deus, é acusar todo aquele que possa acusar diante da justiça insubornável do UM. O papel dele é distribuir o mal: as doenças, as enfermidades, as possessões, a miséria, a fome, as pestes, as grandes mazelas que assoberbam o homem. Ele mente para nos enganar, mas usa da justiça insubornável de Deus para nos fazer penar. Todo mal praticado tem como recompensa o mal. E Satanás sadicamente se compraz em nos fazer sofrer. Ele é, sim, o nosso inimigo maior, a quem devemos repreender, a quem devemos expulsar, de quem devemos manter distância. E ele desempenha o seu papel, o seu mister, com todo o empenho, com toda a dedicação. Nenhum mal feito, por menor que seja, lhe escapa, e exige (e obtém) a retribuição a que o mal em tela faça jus. Para derrubar o homem, ele é capaz de operar com os mais variados recursos: o medo, o suborno, a ameaça, a terrível meia-verdade, a promessa de prazer, a desconfiança, o ciúme, a inveja, a honra, o bom senso, o raciocínio, a racionalização, a imaginação, o orgulho, a lisonja, a transgressão, o crime, a luxúria, a concupiscência, o pecado. Vasto é o seu arsenal, e sempre tem à mão o recurso ótimo para uma determinada ocasião.
Não nos esqueçamos: o seu papel cósmico é esse: ser a contrafacção do bem.
E o nosso mister é resistir a ele, pois está escrito:
E, como vivemos no passado de Deus, tenhamos a certeza de que tudo já está feito para a nossa libertação. Já estamos libertos do mal e de todas as suas conseqüências desde o momento em que entramos na existência, mas não nos esqueçamos nunca de que estamos vivendo, neste éon, cada um de nós, uma batalha séria, grave, contra o mal e seus frutos necessários.
Na mensagem anterior, dissemos da necessidade de ter de morrer, enquanto habitamos esse éon. Éon, a propósito, é um termo que significa um período de tempo de duração longa, mas indefinida.
Vejamos o que diz o Michaelis eletrônico em sua primeira definição:
Function: noun
Etymology: Latin, from Greek aiOn
1 : an immeasurably or indefinitely long
período of time : AGE
O termo no grego tinha este significado: período de tempo longo, indefinidamente longo, mas que tinha um fim. Voltaremos oportunamente à discussão do significado desse termo, que tem sido muito mal entendido por muitas pessoas
e sectários.
Mas voltemos ao foco dessa mensagem, que é refletir sobre a queda e as suas conseqüências necessárias.
Quando Adão e Eva caíram na armadilha da serpente, foram expulsos do Jardim do Éden, onde viviam inocentes e felizes, mas sem ter idéia exata do que era ser feliz, pois não tinham a habilidade mental de atribuir à coisa sentida uma relação com eles mesmos. "Eram", como se diz: "felizes e não sabiam." Para eles havia o fora, e havia o dentro, mas não conseguiam perceber a relação entre uma coisa e outra. Sentiam dor e sentiam alegria, mas eram incapazes de senti-las de uma maneira egosciente. Viviam muito bem, mas sem qualquer responsabilidade sobre coisa alguma, pois não eram capazes de sentir de fato essa categoria
moral mental. Tinham um grande entendimento das coisas, pois eram um com o Senhor, mas não tinham a prática do bem e do mal em termos
de individuocentração, como já vimos.
É muito importante que entendamos esse contexto, para podermos entender de uma maneira mais verdadeira tudo o que com eles aconteceu, após o ato primeiro de desobediência consciente. O primeiro sentimento que tiveram foi o de vergonha, e isso mostrava que já estavam conscientes de terem praticado algo que não condizia mais com o seu estado primevo de inocência. O Jardim do Éden, que, segundo Strong, significa:
2. Edna: prazer: delicado, delícia. Originado de:
3. Adan: uma raiz primitiva: ser suave, ou agradável.
Isso é a queda para o homem: uma espécie de recidiva no seu caminhar em pós da glória, de uma glória cada vez maior. A queda foi um mal ou foi um bem? Para aquele que saudosamente olha para trás sonhando com um paraíso perdido é de fato um mal; mas para aquele que olha para
a frente em busca de seu destino, ditado pela mesma herança do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, ela representa apenas uma oportunidade de crescer mais, para ser-se cada vez mais, no imenso seio de Amor do
UM PRIMEIRO E ÚNICO.
O que aconteceu com a queda, com a expulsão do homem do Jardim do Éden?
Primeiramente Deus amaldiçoou a serpente, dizendo finalmente a respeito dela:
Deus porá inimizade entre a serpente e a mulher. Entre o Diabo e a mulher, a capacidade de receber, de aceitar. O homem, com seu caracter feminino desenvolvido em equilíbrio com o seu caracter masculino, a capacidade de doar, de invadir, jamais aceitará as obras e artimanhas do Diabo. O homem, para se livrar das armadilhas do passarinheiro, precisa valorizar em seu caráter a capacidade de aceitar tudo que lhe aconteça sem jamais se queixar. Porque o homem (ou mulher) que tenha atingido essa faixa consciencial já não precisará mais se justificar, sabendo
já que ele ou ela é o responsável ou a responsável por tudo que lhe aconteça. O Diabo é apenas um instrumento fiel do mal, que jamais se deixa subornar. Mas o que o Diabo faz é aplicar, sem dó, sem piedade, sem misericórdia, aquilo que a justiça divina determina. Desenvolver a anima, psique feminina, é uma necessidade para todo aquele que quer se livrar desse plano de causação. Isso nada tem a ver com opção sexual, mas com o desenvolvimento de um arquétipo necessário na psique humana. A mulher, por sua vez, além de desenvolver otimamente esse caracter, tem também de desenvolver o caracter masculino, que é ter a capacidade de interferir na situação que esteja vivendo. O homem (genérico) sábio (pronto para dar a largada em busca de novos portos mais gozosos) é aquele que sabe bem aceitar e bem interferir.
Como se pode ler em epígrafe de um
artigo
interessantíssimo: (
"Deus, conceda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso, e sabedoria para discernir a diferença.
Esta notável afirmação é atribuída a um teólogo de cujas idéias discordo em todos os aspectos fundamentais: Reinhold Niebuhr."
Aceitar: caracter feminino.
Mudar (interferir): caracter masculino.
Discernir (saber o que se
pode aceitar e o que se pode mudar): caracter optativo.
E eu, o peregrino, acho esse dito muito belo, mas passível de reflexão mais aprofundada, à luz dos sagrados arquétipos: não há nele, explícito, por exemplo, uma alternativa muito importante para o viajor: a de rejeitar, quando for o caso.
E o Senhor nessa mesma parte revela o que um dia no futuro irá acontecer para a estirpe adâmica. A mulher ferirá a cabeça da serpente; e a serpente lhe ferirá o calcanhar. A mulher, a capacidade de tudo aceitar sem queixa, sem gemido, ferirá a cabeça da serpente, a parte mais importante e alta da serpente: a sua parte maquinadora e engendradora de males. E a serpente ferirá a mulher, essa plena capacidade de aceitar, no seu calcanhar, na parte do seu corpo que está mais ao alcance da serpente, no seu rastejar.
O Senhor está dando a entender que no futuro virá um homem inocente, pronto a
tudo aceitar, sem jamais se defender, com o objetivo de desferir um golpe mortal na serpente, derrotando-a em sua capacidade mais importante: a de raciocinar, a de racionalizar, a de ludibriar. Depois dele, só será ludibriado quem quiser sê-lo, pois ele revelará tudo aquilo que é importante que o homem saiba, para se converter, para mudar de orientação, para mudar de vida.
Depois disso, Deus disse a ambos como haveria de ser a vida deles de ora em diante: com dores, com suores.
Mas a conseqüência mais terrível do ato de desobediência foi a expressa no versículo 19 do capítulo 3 de Gênesis.
Gn 3:19 Do suor do teu rosto comerás o
teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó,
e ao pó tornarás.
Gn 2:7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.
Ef 4:4 Há um só corpo e
De hora em diante estava determinado que o homem teria de morrer, devolvendo à terra aquilo que ele dela tinha tomado, e tendo consciência disso. O homem físico é pó, é poeira tirada da terra na forma dos alimentos que a terra lhe dá. Mas no versículo sete do capítulo dois de Gênesis, vemos que o homem não é pó tão somente, pois o Senhor Deus "soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida":
Quando o homem físico começa a se desfazer em pó, algo muito mais importante resta dele em caráter de individuação: o sopro divino, o pneuma sagrado, o Espírito Santo. Todo homem é por isso, chamado de morada do Espírito Santo. Mas cada homem tem um espírito que é seu, pois Deus lho deu, e todo ato de Deus é irrevogável. Tudo se passa como se o Espírito Santo primeiro e único se conformasse a cada homem, de acordo com a sua individualidade, mas sem jamais se perder como Espírito Santo. Um homem santo tem o seu espírito individualizado, que é, na verdade, o Espírito Santo. Um facínora, por mais cruel que seja, por
mais desalmado que seja, tem o seu espírito individualizado, que é na verdade, o Espírito Santo. Pois na verdade só há um Espírito. Destaquemos apenas essa verdade do versículo abaixo, pelo menos por enquanto:
Isso para que ninguém se sinta superior a outrem, ou menor do que outrem. Para podermos entender um pouquinho esse grande mistério, podemos imaginar o Espírito Santo como dividido-multiplicado, sem jamais se dividir, sem jamais se multiplicar, por todos os homens que já existiram, existem e existirão.
mas agora representando (com cores mais adequadas, matizadas) o dinamismo determinado pelo mover-se do Espírito Santo, que ora cede ao impulso do Pai em direção ao Filho; ora ao impulso do Filho em direção ao Pai. O Espírito Santo é nesse gráfico representado pelo duplo aro (azul claro-azul forte), que ora como que comprime o Filho, que ora como que expande o Filho.
Dissemos já que o Espírito Santo tem a função de separar-unir o Pai ao Filho.
... "a alma é uma centelha da Divindade dentro de cada indivíduo. É responsabilidade da pessoa permitir que esta centelha se expresse através dos pensamentos, palavras e ações, que são conhecidos em conjunto como as vestes da alma. Como a alma é uma centelha da Divindade, é considerada como sendo infinita por si mesma. A alma representa a conexão eterna e inquebrável do individuo ao Criador ."
Está escrito que o nosso corpo é templo, santuário do Espírito Santo:
1Co 6:19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Vejamos no grego, no Textus Receptus:
η ουκ οιδατε οτι το σωμα υμων ναος του εν υμιν αγιου πνευματου εστιν ου εχετε απο θεου και ουκ εστε εαυτων
Tradução literal:
Rm 8:26 Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
Quando estivermos tristes, ou doentes, ou perturbados, tenhamos em mente que há Alguém dentro de nós que geme com nossos gemidos, e faz disso material de intercessão junto ao Senhor nosso Deus. O Espírito Santo é em verdade a ponte santa que liga o Pai ao Filho, ponte que jamais há de desistir, que jamais há de nos desamparar. Ele, o Pai em nós; e nós, no Pai. E nós somos o Filho Pródigo. Cada um de nós. Todos nós.
O corpo atual que vestimos tem uma série de instrumentos ao seu dispor: os sentidos, os sentimentos, as emoções, os pensamentos, as idéias, as imaginações, os arquétipos. E alguns desses instrumentos são mais materiais, e outros mais espirituais, mas todos estão à disposição do homem para ele, com eles, escolher ou o bem ou o mal. Se o homem usa um instrumento para o mal, esse instrumento se contamina com o mal e adoece, e enferma. Se escolhe para
si o bem, o instrumento se fortalece, se robustece. O nosso estágio atual exige que busquemos sempre as coisas mais espirituais, mais elevadas, mais santas, mais leves, mais alevantadoras. Pois estamos a um passo da nossa libertação desse plano de causação. Que tanto nos serviu, mas que hoje já é odre velho, que não pode suportar o Vinho Novo.
(O mistério pode freqüentemente ser (toscamente) verbalizado, mas não pode ser entendido, pois a nossa capacidade de pensar é extremamente limitada
e condicionada.)
Deixemos, então, firmado este ponto: cada um de nós, homens, tem o seu próprio espírito, que se serve da alma, que é a nossa capacidade de sentir, de pensar, de imaginar, de armazenar dados e fatos da nossa vida. O espírito de cada um é aquilo que vai ficando sublimado na existência de cada um. O espírito não precisa de lembranças; a alma precisa de lembranças.
O espírito está para a dissertação, assim como a alma está para a narração. O espírito vai-se conformando de acordo com as experiências que são vividas pela alma. A alma vive para sempre. O espírito é para sempre. E a alma vive, porque o espírito é. O espírito tudo sabe da alma, a alma só sabe das coisas dela mesma, pouco sabendo das coisas do espírito. Alma,
nephesh em hebraico, significa
o que respira. Realmente, é muito difícil estabelecer um conceito preciso do que é alma e do que é espírito. Espírito é sopro, e alma é a criatura que respira. Aquilo que em mim respira é a alma; a respiração é o espírito. Como homem, podemos dizer que o espírito é mais abrangente do que a alma, e que a alma é mais individualizada do que o espírito. Isso, apelando para os sentidos de raiz das palavras.
Mas, essas realidades têm de estar presentes no ARQUÉTIPO UM; portanto, no momento em que o
UM PRIMEIRO E ÚNICO se fez Pai e Filho e Espírito Santo. Retomemos, ainda uma vez, o esquema que pretende figurar esse momento sagrado,
Como vemos, para realizar esse desiderato, o Espírito Santo tem de se mover, ora em direção ao Pai, obedecendo ao impulso do Filho querendo se unir ao Pai; ora em direção ao Filho, obedecendo ao impulso do Pai em direção ao Filho. Mas, como tudo é ordem no UM, um movimento nunca se sobrepõe ao outro. Olhando da perspectiva do Filho, o que notamos é um turbilhonamento que ora entra no Filho, ora sai do Filho. É como se o Filho estivesse respirando, ora inflando-se, ora contraindo-se. É deste arquétipo que tiramos a necessidade da respiração para haver vida, a necessidade da pulsação para haver vida. Falamos em turbilhonamento, porque, como já dissemos, o Espírito Santo tem de ter um poder, uma força, muito grande para poder administrar essa separação-união do Pai em relação ao Filho e do Filho em relação ao Pai.
No Um nada se perde, se pode perder, pois, se assim fosse, ELE deixaria de ser plenamente o UM, e isso é uma impossibilidade, pois o UM é eternamente UM, já por definição da lógica humana. Mas é exatamente nesse movimento de turbilhonamento, de vento, de sopro, de hálito, que se registra a história do Filho, e esse movimento, como tudo no UM, passa a ter individuação própria no seio do Filho, sendo um como Espírito Santo dele. E isso é necessário, porque o Filho, sendo um um
(sic), Ele se manifesta através do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e, sendo um um
(sic), tendo em si manifestas as três Pessoas sagradas, ele pode, e engendra, um universo para si mesmo. Mas e a alma, o que seria a alma nesse contexto primevo? A alma seria o registro da reação do Filho ao movimento do Espírito. Porque a cada hausto, o Filho fica conhecendo um pouco mais de si mesmo e de suas possibilidades infinitas. O Filho, em relação ao Pai, sofre uma queda, e nessa queda o Filho, para não deixar de ser Filho e perder sua individualidade, deixa de conhecer uma porção do Pai, tornando-se menos sábio e conhecedor do que o Pai, criando-se nele uma região sagrada de oblívio. A individualização de um ser se dá pela queda: o Pai permite uma queda no Seu seio, para que essa queda se torne o Filho. E nessa queda se manifesta o Espírito Santo, que engendra a alma no Filho, com o seu mover-se para dentro e para fora do Filho, na verdade, nunca tendo saído dele. Mas o Espírito Santo, tanto quanto o
UM PRIMEIRO E ÚNICO, respeita o mundo de ilusão em que o Filho existe, e o leva muito a sério.
Estamos aqui falando de arcanos sacratíssimos que estão na base de TUDO O QUE É.
Afastado do Pai, o Filho a princípio goza o seu estar-sendo, usando para isso o corpo de que é dotado, a alma de que é dotado, o Espírito de que é dotado. E, investigando a si mesmo, criando universos dentro de universos, perde por um tempo o contacto com o Pai, sem nunca o perder. E a cada universo que é gerado em maior densidade de substância, maior é o nível de oblívio, menor é o grau de consciência sensciente, daqueles uns que passam a habitar o universo que para eles foi gerado. Pois o Filho, quando gera um universo, Ele é semente de seres individuados desse universo. E logo o universo recém-criado se povoa de seres feitos à sua imagem e semelhança. E um dia, depois de inumeráveis quedas na sua mesma substância, que não é na verdade dele, mas do Pai, que não é na verdade do Pai, mas do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, Ele, o Filho, se lembra do Pai, e inicia a viagem de regresso. A parábola do Filho Pródigo nos mostra bem o que é essa epopéia. E terá de passar por todos os universos que formou, para trazê-los consigo para junto do Pai. Infinita e eterna foi sua viagem de descenso; infinita e eterna será a sua viagem de ascenso.
Mas, quando o Filho está de viagem de regresso, Ele traz consigo, na bagagem da alma, a Queda, que o acompanhou na descensão. E a Queda, sendo Queda, se opõe ao plano do Filho, atuando nos filhos com que ele povoou o seu universo. E a Queda, sendo um um
(sic), tem a capacidade de gerar universo e filhos para seu universo. O Diabo, aquele que é lançado através de, o é tanto na descida como na subida. E, quando o Filho pára, ele pára com seus sequazes com ele, para se opor a Ele.
O Filho, vitorioso num plano inferior de consciência, traz consigo em semente todos aqueles que foram resgatados por Ele para participarem de um nível mais elevado de consciência. E são realmente todos, porque todos são de responsabilidade do Filho, que a assume plenamente. Frisemos esse ponto: nenhum um pode deixar de ser resgatado. Leia-se a propósito a parábola do pastor que perdeu, das 100 que possuía, uma ovelha (Mt 18:12-14).
E depois de inumeráveis retornos, estamos onde estamos hoje, em viagem de ascensão sem possibilidade de volta ou retrocesso. Porque a porta do Jardim do Éden está providencialmente guardada com guarda forte para que ninguém possa, dos que aqui estão, nele entrar, nele reingressar. A consciência caminha sempre para a frente, não podendo transmigrar em formas "inferiores" de seres.
Examinando a figura acima em todo o seu dinamismo, que está ali presente de modo necessário, percebemos que o homem, sendo um Filho, sendo um um
(sic), é um ser individuado que se manifesta através do Pai, do Filho e do Espírito Santo, podendo, como todo um, gerar na complementaridade, um ser de mesma semelhança. E para que o homem pudesse entender um pouco desse mistério sagrado que cada um de nós é inalienavelmente, o Senhor Deus deste universo deixou registrada a história do homem na face da terra, e estabeleceu arquétipos universais e eternos para nos guiar na nossa busca de entendimento.
Vimos, examinando arquétipos sagrados, como o homem é constituído: de corpo, que é a substância que se prende ao Pai, pois o homem é feito de terra. De alma, que se prende ao Filho, pois é através da alma que sentimos, que pensamos, que imaginamos. Do espírito, que se prende ao Espírito Santo, pois é através dEle que nos unimos ao Pai, que nos separamos do Pai.
O corpo é eterno.
A alma é eterna.
O espírito é eterno.
Leiamos um trecho de um pequeno artigo A Alma e o espírito - Pelo Amado Irmão Monte Cristo SI, que lança alguma luz sobre esse assunto de fundamental importância para nós homens, que viajamos o nosso estar-sendo no seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO. E nele, vemos (na parte que destacamos) que o Autor tem do Espírito essa mesma visão de ambivalência interseccional:
... "o Homem é dividido em três Partes, Corpo, ( material) Espírito ( material e imaterial) e finalmente Alma, ( não Material), portanto o espírito é o elo de ligação entre a parte mais densa( corpo) e a parte mais Etérea ( Alma); por conseguinte,
o Espírito é ao mesmo tempo suficientemente material para influenciar a matéria e suficientemente etéreo para poder agir sobre a Alma."
Ou não sabeis que o corpo vosso santuário do em vós Espírito Santo é? O qual tendes da parte de Deus? E
(que) não sois de vós mesmos?
Tradução que preserva ao máximo a letra:
Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo em vós? O qual tendes da parte de Deus? E que não sois de vós mesmos?
A palavra ναος se deriva do verbo
ναιω, que significa
morar. Cada um de nós, homens, não importando a sua estatura, é um habitáculo santo do Espírito Santo, que reside, inteirinho, pleno, santo, em cada ínfima parte de nosso corpo. Por isso, devemos tratar o nosso corpo com todo o respeito, não o usando para coisas que não sejam do agrado do Senhor nosso Deus. Tenhamos diante dele a reverência que merece todo lugar santo, sagrado. O Espírito Santo, a Pessoa de Poder de Deus, habita em cada um de nós, está pronto para se manifestar em Seu poder dentro de cada um de nós. Todo homem traz em seu corpo, dentro do seu corpo, em cada partícula do seu corpo, todo o Poder do Universo, que ainda não se pode manifestar em plenitude, pois não resistiríamos
ao impacto consciencial da Sua presença em nós. E esse Espírito Santo, o único Espírito Santo em verdade, nós o temos em nós porque nos foi dado por Deus, no exato momento em que fomos criados, e nos acompanhará em nossa viagem eterna, desvelando-se a Si mesmo paulatinamente num processo infinito
e eterno de desdobramento de maravilhas. O Espírito Santo
se regozija com nossa vitória, com nossa alegria, com nossa santificação; se entristece com nossa derrota, com nossa tristeza, com nossa dessantificação. Tenhamos em mente a cada momento da nossa vida, da nossa existência, que o Espírito habita e habitará para sempre o nosso estar-sendo, e temos sempre ao nosso alcance, mais próximo de nós do que nós mesmos, a ajuda, o consolo sempre presente do Consolador. Nós, homens, não somos de nós mesmos, de nossas tendências humanas, de nossas fraquezas, da parte dita menor de nós mesmos: cada um de nós somos muito mais do que jamais poderemos sequer imaginar. Aquele que habita em nós e assiste ao nosso caminhar, respeitando absolutamente o nosso livre-arbítrio. E aguarda o momento em que casemos o nosso livre-arbítrio com a vontade do nosso Pai. Não interfere, mas está sempre pronto a interferir. O Espírito Santo é uma Pessoa educadíssima, que nos respeita em tudo o que fazemos, entristecendo-se ou alegrando-se de acordo com a natureza daquilo que estejamos fazendo. E essa tristeza ou alegria se manifesta em nosso corpo como alegria, saúde, bem-estar, paz de espírito; ou tristeza, enfermidade, mal-estar, turbação de espírito.
Procuremos, pois, fazer as coisas que Lhe agradam. Isso será motivo de paz, de alegria, de saúde, de conforto para nós mesmos. Não podemos esperar boas coisas, se não praticarmos boas coisas. O nosso estado de espírito manifesto na mente, no corpo, na alma, é um reflexo direto do estado do Espírito Santo, que habita em nós, para nos santificar. Tenhamos, pois, a atitude correta, adequada, diante do Espírito Santo, pois Ele quer nos ver alegres, em paz, gozando plena saúde, mas não pode interferir, pois Ele sabe que é importante que desenvolvamos o nosso senso de responsabilidade por nós mesmos, por nosso arbítrio, que tem de se santificar. E Ele aguarda, expectante, o momento em que a pessoa se desperte e caminhe no caminho do Bem. Está sempre a ajudar-nos na fraqueza, mas é preciso que solicitemos a Sua ajuda; e quando estivermos em grande aperto sem sabermos a quem recorrer ou como recorrer, saibamos que temos dentro de nós aquele que empaticamente se preocupa por nós, aguardando que busquemos o Seu conforto, o Seu auxílio:
O corpo não é exatamente tão somente esse invólucro de carne, de osso e de sangue que parece nos envolver. O corpo é a forma, ou melhor, a fôrma, que comporta este corpo que atualmente vestimos. E a fôrma, infinitamente plástica, pode ser preenchida com muitas e variadas substâncias. Cristo, logo depois de ressurreto, tinha um corpo, mas era um corpo diferente do desse de carne e de osso e de sangue que antes vestira, tão diferente que os apóstolos com quem tanto convivera não o reconheceram pelo parecer,
no caminho de Emaús. E um corpo menos denso deve necessariamente dominar o mais denso. Quem tem um corpo transubstanciado, como Jesus Cristo teve depois da ressurreição, pode assumir qualquer corpo que queira, dos que já tenha assumido em sua história (ou que ainda venha a assumir), podendo realmente caminhar em nosso meio e passar despercebido.
A alma é eterna: as lembranças que me são caras, as pessoas que me são caras, tudo aquilo que me é caro, tudo isso está indelevelmente registrado na alma, e para sempre. A história toda de cada pessoa está fiel e indelevelmente registrada na sua alma com os mínimos detalhes. Porque nada se perde no seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO. Nem substância, nem movimento. A alma pode ser comparada (e isso muito toscamente) a um gravador de nenhuma dimensão que tem um poder de armazenagem infinita de dados, de informações.
O espírito é eterno: as aspirações e inspirações e as preferências e as coisas da alma que tenhamos tido estão registradas no espírito fielmente e para todo o sempre. Porque nada se perde no seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO.
O homem é constituído, em imagem e semelhança de Deus, de três partes. A palavra partes não é adequada. Então, vamos apelar para o pleonasmo. O homem é constituído de três constituintes: o corpo, a dita parte material; a alma, a dita parte espiritual; o espírito, que, sendo ponte, tem de ser uma espécie de intersecção entre o corpo e a alma. A alma, a centelha divina, que constitui nuclearmente a cada ser é a parte mais
(?) divina de cada ser, que mais se contacta com a Realidade. A alma é aquilo que somos em verdade, e que vamos descobrindo a pouco e pouco no nosso viajar em estar-sendo. A alma seria a mesma essência de cada um de nós, que pelo mistério do Amor se identifica plenamente com o
UM PRIMEIRO E ÚNICO, ao mesmo tempo que se identifica com cada um de nós, para que cada um de nós seja aquilo que ELE é: uma identidade única em si mesmo, autoconsciente de si mesmo, com uma história de existência única, singular. E haveria, então, infinitas histórias de existência diferentes, por causa do caminho, por causa do jornadear próprio, idiossincrático, no seio da ILUSÃO, de cada um; e haveria em verdade um só SER, conglobante de todos os demais seres. O SER final em eterna construção de SI mesmo que na Ilusão é coletivo, formado de muitos, que na REALIDADE, é um só. Assim, eu sou eu com minha história de existência que é diferente de todas as demais histórias de existência, mas sou também ao mesmo tempo, num nível que ainda não podemos atingir conscientemente, cada um de todos os demais homens, e todos ao mesmo tempo. E cada homem, no sacrossanto mistério do AMOR, pode dizer essas mesmas palavras. A alma corresponderia, então, ao Pai, aquele de onde viemos, aquele de quem somos criados.
E o corpo só pode corresponder ao Filho, pois é nele e por ele que
fruímos a existência. É no corpo que se realiza o Querer do ser. O corpo é o veículo que é utilizado pela alma para viajar no espaço-tempo de infinitas dimensões, e se conforma sempre com o nível, com a dimensão em que se encontra, sendo feita da substância manifesta em matéria naquele determinado nível de estar-sendo. Atualmente estamos vestindo um veículo muito pesado, muito opaco, muito espesso, muito rígido, pouco plasmático, mas logo estaremos vestindo outros veículos mais leves, mais etéreos, mais plasmáticos, mais luminosos, menos materiais. Materiais, em relação à matéria manifestada neste plano de causação em que ora existamos. A tendência do corpo é aproximar-se cada vez mais da alma, adotando, para isso, manifestações cada vez mais próximas da Substância da alma.
O espírito de cada um de nós só pode corresponder ao Espírito Santo, sendo no homem o fator das transformações por que ele passa, e passará. O espírito é a ponte que liga o corpo à alma, sendo, então uma espécie de intersecção entre um e outra, participando da natureza de um e outra, sendo, assim, a mesma semente do corpo e da alma. O espírito registra em si tudo aquilo que acontece para o corpo em função da alma, e para a alma em função do corpo. É
no chamado átomo-semente que tem registrado em si tudo aquilo que o ser já foi e ainda há de ser, e trazendo em si todas as informações necessárias para que o corpo se forme ajustado à alma, para que a alma se manifeste ajustada ao corpo.
E esse átomo-semente que acompanha o ser para que este possa sempre e sempre ser fiel ao seu estar-sendo, manifestará da alma aquilo a que já faz jus, manifestará um veículo adequado ao seu estar-sendo. Em outros planos, o nosso corpo será feito de uma outra substância, e essa informação é o espírito que a registra; a nossa alma manifestará determinadas potencialidades, e isso está registrado no espírito, que apresenta sempre uma leitura em tempo real daquilo que o homem realizou na sua viagem de estar-sendo.
Poderemos figurar essa articulação entre corpo, alma e espírito com o seguinte gráfico:
Partamos dele sem mágoa, sem ressentimento, sem tristeza, sem peso, sem liame. Olhemos para ele como o grande e sagrado útero que nos tem gerado uma e muitas vezes em nossa busca do mais além. Tenhamos em relação a ele um sentimento de gratidão, um sentimento de liberdade. Breve partiremos, e o deixaremos para sempre: não haja saudade em nosso coração, não haja amargura,
(não) haja dulçor em nossas lembranças. Apenas o sentimento de piedade, porque é santo e cumpre a sua função de escola com toda a dedicação. Porque para onde vamos tudo estará muito mais ao nosso alcance do que agora, e esse plano de causação será sempre um objeto sagrado de nossos cuidados.
E uns partirão para não mais voltar já dessa vez, e alguns ainda se demorarão um pouco mais, mas todos um dia hão de partir, e deixar a escola pronta para os calouros que vão chegar. E estaremos com eles muito mais do que agora estamos, e cooperaremos com o Pai muito mais do que agora cooperamos. Pois novos horizontes vão se abrir diante de nós, e novos desafios deverão ser enfrentados, por que existir é o supremo dom do AMOR. E estaremos habitando novas moradas que nos foram preparadas pelo Senhor multidimensional deste plano, o Senhor Jesus Cristo, que tem um nome que é sobre todos os nomes.
E a Queda estará sempre conosco, pois faz parte da mesma substância do nosso ser: é Ela que nos testará a cada nível, para que haja certeza cristalina na nossa vontade de nos promovermos. À Queda ninguém pode enganar. Nunca. Jamais. Ela é a mesma fidelidade do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, que, sem erro, nos conduz pelas vias sempre mais gozosas e amplas do Estar-Sendo. A função dela é ser nossa inimiga implacável para todo o sempre. Ou: a eterna presença que é um termômetro fiel do status do ser. Quando o ser, esteja ele em que nível estiver, em que dimensão estiver, começa a sentir em si um sentimento de mal-estar, por mínimo que seja, é porque ele já está começando a encetar um novo trecho do caminho. E logo, guiado por esse termômetro infalível, estará sendo promovido para um novo nível ainda mais gozoso, ainda mais amplo, do seu estar-sendo. Mas esteja o ser, em que nível estiver, nunca se esqueça de que a Queda é um mal, e quer o nosso mal. Quer que sintamos o mal de uma maneira bem profunda, inequívoca, para que de alguma maneira busquemos algum recurso para dele nos livrar. E o recurso sempre existe e está nas mãos dAquele que é o Senhor daquele Plano.
Enquanto houver existência, houver estar-sendo, haverá Queda, pois Ela é a mesma essência da ILUSÃO eterna e infinita em que todos os criados navegamos. É Ela que impede para todo o sempre que o um individualizado perca a sua identidade, pois na ILUSÃO sempre haverá uma porcentagem mínima que seja de Treva, pois a LUZ é santamente inatingível. O ser pode se sentir um com o
UM PRIMEIRO E ÚNICO e ainda assim continuar a ser ele mesmo, com sua plena e resguardada identidade e história de existência. Haverá sempre uma diferença em termos de freqüência vibracional entre o
UM PRIMEIRO E ÚNICO e qualquer outro ser, por mais elevado que este seja, e essa diferença será sempre infinita, (em verdade, em verdade, sempre nula), para a própria salvaguarda de identidade do ser.
Em tudo o que falamos procuramos ser o mais fiéis possível aos santos arcanos, aos santos arquétipos, procurando extrair o máximo possível de informações, explorando o grande arquétipo da Queda, em todos os aspectos que nos pareceram relevantes.
Tenho pedido constantemente o auxílio do Espírito Santo, para que Ele me guie nesse intrincado de conceitos e de mistérios, procurando reduzir ao mínimo a minha opinião, que na verdade já estava formada (ou que Ele formou em mim), com base em reflexões que já fiz em relação a esses santos arcanos e arquétipos.
Irmão ou irmã que esteja lendo essas palavras: esteja bem certo ou certa de que o UM é bom, plenamente bom, e que não permitirá que ninguém se perca para sempre.
Pois o UM é responsável.
Pois o UM é Amor.
Pois o UM é Pai. Um Paizão!!!
Com ósculo santo,
o peregrino