Quando o UM, cedendo à pressão do AMOR, permitiu que houvesse em sua mesma substância o OUTRO, o Filho, nesse aorístico instante, estabelecia-se, no mesmo seio do UM único e primeiro, dois níveis de SER: o SER propriamente dito e o ESTAR. E uma queda vibracional, diríamos, no ESTAR
em relação ao SER. A queda era necessária para haver distinção entre o ABSOLUTO e o RELATIVO, para que um não se confundisse com o outro e cada um salvaguardasse a sua identidade. E vimos que a Queda, individualizando-se, ganhou realmente caráter de indivíduo, passando a constituir uma pessoa que tinha exatamente como finalidade ser queda para outros seres. Essa Pessoa, sagrada como tudo que viaja seu estar-sendo no seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, é a personalização da oposição, da adversariedade, da acusação. Seu papel cósmico é tentar a todo ser, com o objetivo de fazê-lo cair e sofrer as conseqüências da sua queda. Todo ser está sujeito à queda, seja ele de que estatura for, pois a Queda, sendo constituinte do Arquétipo Segundo, se manifesta multimodalmente em todos os planos de causação, por mais elevados que sejam. Assim como o Pai, e como Filho, e como o Espírito Santo.
Examinando o Arquétipo Segundo, com o dinamismo que o Espírito Santo lhe confere,
notamos que o Filho experimenta um movimento de contração, em que se egocentriza e um movimento de expansão, em que tende a uma holocentrização. Ao movimento de contração corresponde a queda, como já vimos, e ao movimento de expansão corresponde a ascensão. Estamos vivendo um momento eônico de expansão, de ascensão. Um momento em que a consciência do homem necessita de expansão. De Adão até Jesus Cristo, o homem necessitava mesmo de um movimento de egocentração, de contração consciencial, em que o indivíduo é mais importante que a família; em que a família é mais importante que o clã; em que o clã é mais importante que a província; em que a província é mais importante que o estado; em que o estado é mais importante que o país; em que o país é mais importante que a terra.
Nessa fase o homem precisava se sentir indivíduo completamente separado dos demais, tendo uma identidade própria muito forte. Contribuiu para isso os sentimentos negativos e os positivos, os atos positivos e os negativos, as imaginações positivas e as negativas, as palavras positivas e as negativas. O homem, egocentrando-se, desenvolveu em alto nível o egoísmo, o nepotismo, o nacionalismo, tudo isso temperado com os sentimentos de honra, de orgulho, de discriminação, de separatismo. E em nome da honra e do orgulho, quantos crimes se praticaram! Quantos males se perpetraram! Quantos assassinatos e atrocidades se cometeram!
Em nome da religião, do fanatismo religioso, da presunção da detenção da verdade, a história do homem se manchou macabramente de sangue; de sangue de inocentes, de sangue de comprometidos.
E em nome da simples satisfação do ego, quantas indecências foram cometidas! O homem, para saciar os seus instintos mais baixos, entregou-se a depravações, a ignomínias, a devassidões, a tudo que a concupiscência lhe oferecia. O homem escreveu uma história terrível para si mesmo, cedendo aos seus caprichos, aos seus desejos, à sua ambição.
E este é o quadro que ainda encontramos em nossos dias em muitos enclaves importantes de nossa sociedade injusta e insensível.
Mas, se de um lado só assistimos a afrontas ao próximo e a si mesmo, na forma das mil degradações que o mundo faculta hoje em dia; por outro temos, também, importantes enclaves que se opõem a tudo isso que minimiza o homem, que se volta contra o irmão, contra a natureza, numa cegueira ditada
pela presunção de honra, pelo prazer e pelo lucro.
Benditas as congregações religiosas que mantêm acesa a Palavra do Senhor, e buscam uma maneira mais digna de viver!
Benditas todas as religiões, de todas as denominações, que procuram incutir no homem um sentido mais elevado de vida, de viver!
Benditas todas as religiões, todas as seitas, que procuram ver em cada homem um irmão de caminhada, e que buscam no homem aquilo que ele tem de melhor!
Bendito o Oriente e o Ocidente, que se dedicam a desenvolver no homem sentimentos bons, fraternos, não discriminatórios!
Mas, acima de tudo, bendita a Igreja de Cristo!
E bendita para todo o sempre a Igreja de Cristo, que já está a se reunir desde tempos antigos!
Hoje estamos vivendo o tempo, em que mais do que nunca, tem de se levar em conta, e de uma maneira muito séria, o que Jesus Cristo disse com lapidares palavras:
Mr 9:40 pois quem não é contra nós, é por nós.
Jesus Cristo foi claro, muito claro: se alguém, que não seja do aprisco dEle, não é contra Ele e os que com Ele estão, então esse alguém pertença
à seita que for, à religião que for, ou não pertença a nenhuma religião, então esse alguém não é contra Ele e os que com Ele estão. Pode não ser cristão, mas, se não for declaradamente contra Cristo, então esse homem, de alguma maneira, está a nosso favor, os cristãos. Mesmo porque Cristo estabeleceu como supremo mandamento, perguntando a um doutor da lei (que lhe perguntara como herdar a vida eterna), o que ele pensava disso; e o doutor da lei
Lc 10:27 Respondeu-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E Paulo mais tarde sintetizou ainda mais o supremo mandamento:
Gl 5:14 Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Sendo Deus Amor, quem ama ao próximo (seja esse próximo quem for) como a si mesmo, também estará amando ao Senhor Deus.
um, o menor, representa o ponto máximo de contração, a diminuição de faculdades, de possibilidades. O nascer traz para o indivíduo e representa uma redução de suas faculdades, para que ele possa ter identidade, individuação. E o maior representa o ponto máximo de expansão, de aumento, de faculdades, de possibilidades. O morrer para um plano de causação para o indivíduo traz para o indivíduo um aumento de faculdades e possibilidades, para que ele possa se saber e conhecer a sua identidade maior. Mas desse assunto trataremos em outra parte.
Jo 1:3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Vimos que "por intermédio de" (no grego,
δια) pode também ser traduzido por "por" ou "através de".
Gn 4:14 Eis que hoje me lanças da face
da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo
na terra; e qualquer que me
encontrar matar-me-á.
Tendo morto, Caim bem sabia que ele era réu de morte. Tendo matado a Abel, a si se matara.
Gn 4:15 O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.
O Senhor ratificou o que pensava Caim, dizendo que sete vezes cairia a vingança
sobre aquele que o matasse. E que vingança seria essa? Poderia ser algo
diferente do que se teria praticado? Obviamente que não, pois na justiça do
Senhor, a vingança corresponde exatamente àquilo que a suscitou: se foi uma
facada, uma facada será. Se foi uma traição, uma traição será. Se foi o matar, o
ser morto será. Pois aquilo que sai de um um (sic) para ele volta, pois a ele em verdade pertence. Assim, aquele que matasse Caim teria de ser morto sete vezes, porque matar a alguém é o mesmo que matar a si mesmo!
Rm 2:11 pois para com Deus não há acepção de pessoas.
Então, temos de concluir que Caim foi morto, assim como teria sido morto sete vezes aquele que o matasse. É claro que uma pessoa só pode ser morta uma única vez em sua vida. Estaria Deus usando de uma hipérbole vazia? E não seria isso uma forma de mentira enfeitada? E Deus poderia dizer uma mentira, ainda que adornada? Deus não mente. Sendo UM, como poderia mentir? Mentir é admitir o dois: o oposto, o contrário, o contraditório, o alternativo. Mas para Deus só existe o um, uma verdade, por isso ele não mente jamais, pois não pode mentir: a palavra dEle é a verdade.
Jo 17:17 Santifica-os na verdade,
a tua palavra é a verdade.
Se quem mata, tem de ser morto, e não é morto na mesma vida em que ele mata, então a sua transgressão é automaticamente perdoada ou transformada em punição por punição tão somente? Permitiria Deus um justiçamento sem fim, sem finalidade? Seria essa uma solução de acordo com os altíssimos parâmetros de verdade e de justiça do Senhor Deus?
Hb 9:27 E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo,
Hb 9:27 και καθ'οσον αποκειται τοις
ανθρωποις απαξ αποθανειν μετα τουτο χρισις,
Traduzindo ao pé da letra:
E, do mesmo modo que está determinado aos homens uma só vez morrer; depois disso, juízo,
Aos homens está determinado morrer uma só vez. Depois de ter morrido, juízo. O que notamos é que no original não há artigo definido, o que permite uma série (aberta) de leituras: juízo,
um juízo,
o juízo. Todas válidas, mas cada uma com um sentido, com uma finalidade, tendo em vista uma determinada posição consciencial: a primeira apenas designa o fenômeno que vem após a morte; a segunda nos diz que é um juízo, podendo haver outros; a terceira nos diz que é o juízo definitivo, porque determinado.
E é assim, nessa gama plurívoca de entendimento, que deve ser entendida a expressão. Para alguns que não crêem que haverá juízo (que "morreu, acabou"), está-se alertando para o fato de que há juízo, sim, e não oblívio ou perdão. Para alguns, está dizendo que há um juízo, deixando a entender que pode haver ou ter havido outros. Para alguns, está dizendo que para ele (Deo gratias!) é o juízo definitivo. E aqui estariam representadas as três atitudes fundamentais do homem em face da vida, da existência: os materialistas, os reencarnacionistas e os noviços no evangelho do
Senhor Jesus Cristo.
Mt 17:12 digo-vos, porém, que
Elias já veio,
e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles.
Nesse primeiro texto na parte destacada, Jesus afirma que Elias (um profeta que tinha estado aqui na terra há centenas de anos) já tinha vindo em um momento futuro em relação ao da sua existência
pretérita. Não podemos aqui dizer que Jesus está usando uma figura de linguagem
(antonomásia) como já se disse a respeito disso: que João voltaria como Elias, dotado de suas mesmas qualidades,
de suas mesmas virtudes. Uma espécie de antonomásia, que é uma conhecida figura de retórica. Vejamos o que diz o Michaelis Eletrônico a respeito dessa figura:
(gr antonomasía) Ret Figura que consiste em substituir o nome próprio por um nome comum ou por uma expressão que o dê a entender e vice-versa: O poeta das pombas (para significar Raimundo Correa),
Um Rui Barbosa (para designar uma pessoa de grande talento).
No caso, o nome Elias estaria significando: "um profeta de grande estatura espiritual".
Lc 1:17 irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido.
Aí em Lucas, temos um texto que ajuda na nossa reflexão. Ali se diz que ele, Elias, irá adiante dele (nascerá antes dEle, Jesus) no espírito e na virtude de Elias.
Lc 1:17a
Vimos que o espírito é a parte (temos de falar assim) do homem que sublima as suas experiências, tirando delas o essencial, sendo de caráter não-histórico.
Vejamos o comentário de Wesley, a respeito disso:
Vejamos agora o que diz Gill:
O que notamos é que João e Elias tiveram muita coisa em comum em suas vidas. A única diferença de monta é que Elias mandou matar sequazes de Jezabel, uma pagã, uma ímpia, e João foi morto por ordem de Herodíades, uma pagã, uma ímpia.
E o que se diz no texto de forma clara é que Elias é João. E o que de Elias foi passado para a encarnação de João? Antes de mais nada, o espírito, que é eterno, e traz em si, em sublimação, os caracteres maiores que sustentavam Elias: o amor pela solidão com Deus, a austeridade, a fidelidade ao Deus vivo, a insubornabilidade, o ardente zelo religioso. E isso constitui o espírito. Mas João também assumiu caracteres de
fundo histórico: hábitos e roupas, ação restauradora de religião, reprovação de reis. E isso constitui o poder de Elias: aquilo que podia fazer e fazia. Ambos agiram e atuaram de maneira bem semelhante, um quase repetindo a história do outro. E o que é mais importante: João recebendo em si o que Elias tinha feito. Elias ordenou que se matasse
uma ímpia. Uma ímpia ordenou que João fosse morto. Nem mesmo Elias pôde escapar - voltando a esse nível de causação - à necessidade de ser morto, por ter mandado matar. Pois a Justiça do UM é insubornável.
Jo 9:1 E passando Jesus, viu um homem cego de nascença.
Se o homem nasceu cego, de quem teria sido o pecado? Dele ou de seus pais?
Mt 9:6 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
Perdoar pecados equivale a livrar a alguém do mal causado pelo pecado, a livrar o indigitado da conseqüência direta e natural do pecado.
Ef 5:31 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne.
O homem deixará a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. Tudo claro até aí. O homem, quando se casa com uma mulher, passa a constituir com ela uma só carne, uma só substância, uma só unidade material, representando, cada um
dos cônjuges, um pólo complementar desse todo, sendo o homem o fator invasivo e a mulher o fator invadível. Sendo uma a capacidade de receber e o outro a capacidade de doar-(se). A mulher
recebe o sêmen que o homem
doa, e assim se perpetua a espécie, a linha de hereditariedade do homem. Isso é mais ou menos o que pode se entender quando se aplica o dito às coisas da matéria, do mundo material.
Jo 10:16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz;
e haverá um rebanho e um pastor.
A parte em destaque verde no grego é muito bonita, pois se faz ali um jogo de palavras intraduzível:
και γενησεται μια
ποιμην εις ποιμην
[ e tornar-se-á um só rebanho, um só pastor ]
A forma γενησεται,
que aqui está no singular, em algumas versões, está no plural. E tudo isso tem significado. As ovelhas são muitas, mas são uma em Igreja. As ovelhas são neutras, não sendo nem do sexo masculino, nem do feminino, pois quem se sabe ovelha já não mais aspira a pertencer ao ciclo da geração, ao círculo da geração, à roda da carne. O rebanho tinha de ser uma palavra feminina, e é! O pastor, o que se doa, tinha de ser uma palavra masculina, e é! E, maravilha das maravilhas, tanto rebanho como pastor, em grego, têm a mesma soletração! Pois em verdade, em verdade, a Igreja é o Pastor, e o Pastor é a Igreja, literalmente, com todas as letras! A diferença está no acento: pastor tem a última sílaba acentuada
(lê-se: poimên); e rebanho, a primeira
(lê-se: pôimen). O pastor à frente, o rebanho atrás! Seguindo o pastor! MARAVILHAS DO VERBO!!!
Mt 6:2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que
Pois essa seria uma atitude que permite ao mundo prender a ovelha, que quer dele
se desvencilhar, se desligar. Recompensa no mundo, do mundo, anula a
possibilidade de qualquer outra recompensa que não seja do mundo, pois a
recompensa só pode ser uma: ou a do mundo, no mundo, para o mundo; ou a da
Igreja, na igreja, para a igreja.
Jo 8:32 e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
O alcance desse mandamento é muito grande e maravilhoso, mas por ora vamos ficar no nível dele que mais diretamente nos importa
para o nosso argumentar. A verdade sobre você, sobre todo homem, é essa: você não é um coitadinho, desprezado de Deus, sujeito aos ventos incertos da sorte.
Você é Cristo!!!
E você precisa tomar ciência disso, consciência disso, e converter seu coração a essa verdade. Isso, se você quer mesmo se libertar deste plano de causação e de seus prazeres, para poder experimentar novidade de existência. Você não pode ter as duas coisas ao mesmo tempo: você tem de tomar uma decisão, a decisão mais revolucionária de toda sua vida. Responda com toda sinceridade: você quer continuar aqui? Você está satisfeito com aquilo que acontece neste mundo? Você, se pudesse, viveria eternamente neste mundo? Ou você aspira a algo melhor? A algo mais santo, mais limpo, mais puro, mais luminoso, mais gozoso? Você está pronto para deixar as panelas de carne do Egito e partir para a Terra Prometida? Você gostaria de se entregar aos braços amorosos,
amoráveis, de nosso Senhor? Se você gostaria de estar com o seu Senhor,
com o nosso Senhor, então você precisa entender que isso só é possível se você, de todo coração, renunciar às coisas deste mundo. Você o deve amar com todo amor, mas como algo que já está no seu passado. Porque este mundo já é passado, e só pela insistência de muitos é que ele permanece de pé. Se você quer o agora de sua existência, então saiba que, para isso, só há um caminho: o Caminho.
Is 35:8 E ali haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para os remidos. Os caminhantes, até mesmo os loucos, nele não errarão.
Isaías, o profeta do Ungido, nos diz que ali (e não aqui,
na terrível roda da reencarnação) haverá uma estrada, um caminho que se chamará o caminho santo. O imundo, aquele que ainda não se separou do mundo, aquele que ainda tem o seu coração nas coisas deste mundo, aquele que ainda se compraz com os prazeres deste mundo e aceita, indiferente, as mazelas e desencontros deste mundo, esse não tem condições de passar por aquele caminho, porque mesmo que estivesse nele, nada poderia ver e sentir dele: este caminho está
como que sintonizado em uma freqüência lhe-impeditiva. Esse caminho será para os remidos. E quem são os remidos, os comprados pelo sangue de Jesus Cristo? Todos, em potencial, pois todo homem é Cristo, sem exceção de nenhum. Mas só são remidos os que se sabem remidos, e sabem o que isso significa. Isso não significa uma vida mais plena aqui, pois o caminho santo está ali. Ser remido significa muito mais ser um homem que sabe que já foi comprado e que mudou de dono: deixou de pertencer a um dono virtual para pertencer ao seu dono real, em espírito e verdade. Aqueles que têm condições para caminhar no caminho santo, porque já sintonizaram seu coração na freqüência crística, não errarão nele. Depois que o homem tomou a decisão firme e sincera de se entregar ao seu Redentor (=comprador, resgatador), ele não mais errará: não mais se desviará, não mais falhará, pois de estante,
de um circunvagante, ele se transformou em um caminhante. E aquele que caminha pode até mesmo ser considerado louco pelos demais que ainda não caminham, mas ele não errará, não mais pecará, não mais se entregará aos prazeres deste mundo, não mais estabelecerá liames (cármicos) com as coisas deste mundo. Passará a amar as coisas e pessoas deste mundo, não porque ele ainda esteja no mundo, mas porque ele, de coração, já não está mais nele. E terá, sim, um grande sentimento de piedade em relação a ele,
ao mundo, e aos que nele ainda estejam.
Sl 91:8 Somente com
os teus olhos olharás, e verás a recompensa dos impios.
É importante que notemos que em nenhum momento o Senhor Jesus Cristo disse que era preciso adorá-lo diretamente, abrindo com isso a possibilidade de também os não cristãos se salvarem, desde que cumpram o supremo mandamento. Quem cumpre o supremo mandamento pode não saber, mas está com Cristo, e está andando com Deus.
É evidente que uma seita satânica não se enquadra no supremo mandamento, já que não tem como pedra basilar de sua fé esse supremo mandamento. E é por esses que realmente estão extraviados que devemos orar com mais empenho. Para que os olhos se lhes abram e vejam o que estão fazendo: aderindo à queda com corpo e alma.
Depois dessas reflexões de caráter geral, vamos agora refletir sobre a situação de uma pessoa em particular. Vamos considerar agora a história de cada um dos que por aqui estão jornadeando.
Um mandamento que Deus estabeleceu logo após a desobediência de Adão é que ele haveria de morrer. E, após esse fato, a morte dominou a todos que chegaram a esse mundo pela semente de Adão.
É a morte uma coisa necessária para o homem? O que significa morrer? Estaria a morte expressa de alguma maneira no Arquétipo Segundo?
Examinemos para isso, os dois círculos concêntricos em azul forte (ambos limitados pelo poder do Espírito Santo, aqui representado como uma dupla auréola em azul forte e azul claro, circundando o Filho
(o pontinho azul escuro no centro) e separando-unindo-o ao Pai ( o grande
circulo azul claro):
Examinemos o indivíduo em estado de contração. Ele se egocentra para que tenha um ego que tudo colhe ao seu redor: coisas boas e más. As coisas boas constroem, animam, consolam, confortam, protegem, trazem ajuda e auxílio aos que necessitam. As coisas más destroem, desconfortam, menosprezam, trazem prejuízo e tristeza àqueles a quem se dirigem.
Dissemos que o homem colhe. Escolhe, na verdade, porque ele nada faz, nada pode fazer, pois tudo já foi feito, e nada deixou de ser feito pelo Verbo, pela Palavra, pelo Deus deste universo.
Mas para que não haja dúvida com relação a essa questão que é de fundamental importância, relembremos o que diz a Santa Palavra:
Assim, tenhamos bem em mente que jamais, jamais, homem algum pode fazer alguma coisa, nem boa, nem má. Mas pode escolher para si ou uma coisa ou outra. E, nessa escolha, ele escolhe primeiramente para si mesmo, e depois, para a pessoa ou pessoas que são
secundariamente envolvidas no ato em tela.
Quando uma pessoa maltrata a outra, na verdade, na verdade, está se maltratando por meio da outra. Se fere a alguém, é a si mesma que está ferindo. Se faz uma boa coisa para alguém, é a si mesmo que está fazendo por meio da outra. E, num caso limite, se mata uma outra pessoa, é a si mesma que está matando por meio da outra.
A justiça de Deus é muito simples, e não tem sofisticações e sofismas como a chamada justiça dos homens. Para a justiça de Deus, cada pessoa é um universo, e só pode operar no seu universo, nunca fora dele. Quando penso que estou ferindo a alguém, isso não passa de ilusão, pois na verdade estou ferindo a mim mesmo. A outra pessoa sofrerá o dano, mas eu, também e principalmente, sofrerei o dano. O dano que alguém provoca a outra pessoa é como uma imagem daquilo que ela está provocando a si mesma. Aquele que peca pode se esquecer do pecado, mas o pecado não esquece aquele que pecou.
Para entendermos um pouco mais essa questão, vamos examinar rapidamente o que se passou depois que Caim matou
a Abel e foi severamente repreendido pelo Senhor. Caim,
caindo em si, e sabendo da extensão do pecado que cometera, diz,
autocondenando-se:
Mas vejamos a resposta do Senhor para Caim:
Matar é ter de ser morto. E Caim bem o sabia! Então Caim matou, e não foi morto? Teria Caim escapado à justiça de Deus por especial deferência do Senhor? Isso não é possível, pois para Deus todo um é um para Ele, um mesmo para Ele,
Tudo aponta para a necessidade de ter de nascer de novo para se cumprir com justiça a justiça. Então haveria, sim, a necessidade de aquele indivíduo entrar na carne novamente, para nele se cumprir a justiça.
Então, para aquele que não teve o pecado perdoado, faz-se necessária uma nova entrada na carne por via do nascimento, que é o único modo que existe de o indivíduo entrar em uma nova vida. Da necessidade do perdão falaremos em outra mensagem.
Estamos, sim, falando da reencarnação. E há suporte bíblico para essa doutrina? Examinemos uma passagem que parece se opor frontalmente a esse
presumido expediente
cósmico:
Agora, precisamos refletir sobre o que é o homem.
Homem, em grego, ανθρωπος, é formado de dois elementos:
ανηρ, varão e
ωψ, aparência, feição, aspecto, aquilo que se vê. O homem é, assim, uma persona, uma máscara que o indivíduo veste para entrar neste palco sagrado da Ilusão, que é a terra, em que ora habitamos. Mas essa persona é levada muito a sério pelo
UM PRIMEIRO E ÚNICO, e tem direito a identidade própria, sendo, portanto, eterna e infinita. Porque as infinitas dimensões que a Sagrada Ilusão comporta passa a ser a Morada de cada persona, de toda persona. Homem é uma persona, que um dia tem de morrer, de desvestir a máscara que estava usando, para eventualmente assumir uma outra mais de acordo com as suas necessidades. Mas o ανηρ, que é maior do que as personas que ele assumiu, fica aguardando o momento em que todas as suas personas voltem para casa. Pois o ανηρ é, em verdade, a Igreja a que a persona pertence. O assunto está um pouco complicado, reconheço. Se você quiser, você pode
ler mais levemente este parágrafo sem qualquer prejuízo para a leitura do todo. Quando chegar ao fim da mensagem, você terá um entendimento melhor e próprio daquilo que aqui se diz.
E isso corresponde de perto à questão:
Quem sou eu?
Reflitamos sobre essa questão básica, primeiramente nos apoiando na Sagrada Escritura.
Mas Jesus não usaria figuras nesse caso, em que se trata de um nome, categoria especialmente respeitada pela Escritura Sagrada. A Escritura Sagrada dá uma importância tão grande ao nome que a mudança de nome reflete sempre um acontecimento de grande significado para a pessoa focada. Não foi à toa que Abrão passou a se chamar Abraão, e Sara passou a se chamar Sarai, e Jacó passou a se chamar Israel.
Ou seja: a Bíblia não brinca com nomes. Elias é Elias, mesmo. Que parte de Elias? A parte que permanece, acima de qualquer circunstância. Diríamos: Elias em si mesmo. E isso não tem a ver com o aspecto físico, com o corpo, com a carne, com o sangue. Não tem a ver com a substância densa que envolve(u) o eu de Elias. E qual seria esse eu de Elias?
Vejamos o original grego:
και αυτος πρελευσεται ενωπιον αυτου εν πνευματι και δυναμει ηλιου
[E ele irá
antes adiante dele em espírito e
em poder de Elias]
Corresponderia àquilo que corresponde a temperamento em psicologia.
"He shall go before him, Christ, in the power and spirit of Elijah - With the same integrity, courage, austerity, and fervour, and the same power attending his word:
"
[Ele irá antes dele, Cristo, no poder e espírito de Elias - Com a mesma integridade, coragem, austeridade, e fervor, e o mesmo poder atendendo a sua palavra:]
"- in the spirit and power of Elias: or Elijah, the Syriac and Persic versions add, "the prophet"; John the Baptist, and Elijah, were men much of the same spirit and disposition, and of like power, life, and zeal in religion; and therefore the one goes by the name of the other: they both much conversed in the wilderness; agreed in the austerity of their lives; their habit and dress were much alike; they were both restorers of religion, when very low, and much decayed; were famous for their faithfulness in reproving the vices of kings, and for their warm zeal for true religion, and for the persecution they endured for the sake of it:
"
[- no espírito e poder de Elias: ou Elijah; as versões siríaca e persa acrescentam "o profeta"; João, o Batista, e Elijah,
eram homens muito do mesmo espírito e disposição, e de semelhante poder, vida, e
zelo em religião; e, assim, o um vai pelo nome do outro: eles ambos muito
conversaram no deserto; concordaram na austeridade de suas vidas; o hábito e
roupa deles eram muito semelhantes; eles foram ambos restauradores de religião,
quando muito baixa, e muito decaída; foram famosos por sua fidelidade ao
reprovar os vícios de reis, e por seu ardente zelo da verdadeira religião, e
pela perseguição que sofreram por causa disso: ]
Há na Escritura Sagrada uma outra passagem que mostra claramente que a reencarnação é um processo para equalização (ou tentativa de equalização) em relação a pecados cometidos em outra(s) vida(s) pretérita(s).
Jo 9:2 Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Jo 9:3 Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.
Jesus aceita a pergunta, e não repreende a quem a fez, dando à pergunta um sentido de propriedade contextual. Jesus, que se identificou como sendo a Verdade, não toleraria uma pergunta imprópria, que envolvesse uma inverdade, e teria certamente repreendido os apóstolos pelo fato de eles terem sugerido a doutrina da reencarnação (ou outro nome e significado que possamos dar a esse processo). Jesus não os repreende, aceitando a pergunta como natural e calcada em premissas verdadeiras. E Jesus continua dizendo que não tinha sido ele nem seus pais, mas que isso aconteceu para que se manifestassem nele as obras de Deus. Este homem tinha sido escolhido, desde antes da fundação do mundo, para ser uma testemunha do poder de Deus.
E que há uma relação direta entre pecado e mal recebido, Jesus deixou muito claro no episódio registrado em Mateus, Marcos e Lucas:
Mas voltemos ao ponto focal. O que é o homem? Elias e João são um só homem?
Elias morreu uma vez.
João morreu uma vez.
É evidente que não: todo um nomeado é um um (sic) individuado, tendo o direito inalienável de ser eterno como tal. João é uma pessoa eterna, Elias é uma pessoa eterna. O que ocorre é que João e Elias pertencem a uma mesma Igreja, participando um daquilo que o outro é, sendo ambos um só ser, mas duas pessoas distintas. Assim como Deus é UM manifestado em três Pessoas, assim também todo um pode ser manifestado em mais de uma pessoa. E o é, resguardando-se o um maior e as pessoas ("menores") que dele fazem parte. A essa pluralidade de pessoas reunidas em um só um podemos dar o nome de
Igreja.
Então, qual seria o núcleo reencarnante?
Não só o espírito, mas também o poder, a potencialidade, a possibilidade de seguir um mesmo caminho, com mesmos objetivos, com mesmas atitudes, com mesmos fins. Na mensagem anterior, vimos que o espírito é uma espécie de intersecção entre o corpo e a alma, trazendo em semente em si caracteres básicos de um e de outro constituinte. O espírito registra em si todas as informações de todos os corpos, de todas as almas que habitaram um determinado indivíduo, e pode disponibilizá-los a qualquer momento cósmico, de acordo com as necessidades da mesma economia sagrada do Universo. Às vezes uma pessoa nasce com uma marca de nascença, uma cicatriz, por exemplo, e isso pode ser um indicador de quem da sua Igreja esteve aqui antes dele.
Podemos dizer, simplificando, que o espírito é comum a todos os que pertencem à Igreja, e que a alma traz impressa em si todo o histórico de todas as pessoas que constituem aquela Igreja. E um vem em manifestação, e o outro em oblívio, para ir sendo preenchido no transcorrer da vida. O indivíduo chega com uma carga espiritogênica, que representam os seus dons e tendências de nascença, e com uma folha em branco em que
a alma, em oblívio de si mesma, vai escrevendo ou reescrevendo a história do indivíduo. Porque a história de Elias passa a fazer parte da história de João, assim como a história de João passa a fazer parte da história de Elias. Mas para que João seja ele mesmo, com toda sua responsabilidade, precisa se esquecer da parte da história sua que foi desenvolvida por Elias. Ou, dependendo do grau de despertamento do indivíduo, colocar essa parte da história sua em suspensão temporária.
Eu hoje tenho um nome, exerço papéis, pequei, pequei muito, aprendi, converti-me, sou servo do Senhor: tenho toda uma história minha, que foi grandemente determinada por todos aqueles que antes de mim usaram o espírito que estou usando, que usaram a alma que estou usando. A minha história é maior do que a minha história presente, e a minha história está se adicionando à História da Igreja a que pertenço. A Igreja é maior do que eu, mas eu serei sempre eu, tendo a consciência de mim mesmo e a da Igreja a que pertenço. E um não será maior do que o outro, em verdade, mas para os fins e objetivos da viagem, eu serei eternamente menor do que a Igreja a que pertenço, embora sendo um com ela. O Todo nesse caso é maior que a soma de todas as suas partes. E isso, porque o objetivo (i)mediato e (e)terno de cada
um um (sic) é achegar-se à sua Igreja.
Vejamos o que diz Paulo a respeito desse assunto.
Ef 5:32 Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja.
Mas Paulo nos diz que isso se refere a Cristo e à igreja. Armemos uma correlação noética. Homem está para mulher, assim como Cristo está para igreja. E Paulo nos diz que esse é um grande mistério! Portanto, deve se referir a algo muito profundo, em nível de arquétipos básicos. E é-nos lícito refletir sobre algo que é apresentado como um mistério? Não está escrito que devemos amar a Deus com
todo nosso entendimento, com toda nossa capacidade de entender, de nos estendermos noeticamente em direção a Ele? Se posso estender-me noeticamente em direção a Deus, certamente posso e devo me estender noeticamente em direção aos Seus mistérios!
Arquetipicamente falando, o que é pai para o homem? O que é mãe para o homem? Pai é aquele que se doando gera, em sêmen, ao filho. Mãe é aquela que recebendo o que foi doado pelo pai gera, em ovo, ao filho. O homem deve deixar, pois, a linhagem carnal a que pertence, a que se filiou, renunciando de vez à sua capacidade de manter a linhagem em movimento. Terá de desligar-se dos laços carnais que o prendem à roda da carne. Deverá honrar ao seu pai e à sua mãe, mas não deverá amá-los como pai ou como mãe, mas como irmãos e companheiros de jornada. Por isso, apagará dentro da alma tudo aquilo que o liga carnalmente a este mundo e ativará dentro da alma uma nova consciência mais terna e mais ampla. Já não quererá ser pai, já não quererá ser mãe: quererá ser irmão, quererá ser irmã. Pois, na verdade, somos isso em relação a todas as demais pessoas. Mas para que repudiar o pai e a mãe? Porque arquetipicamente eles representam a âncora
de base carnal que detém o homem neste nível de causação.
Eu sou pai de três filhos pela carne, e de uma filha pelo espírito (por adoção). Eu amo a meus
quatro filhos tanto quanto amo a minha esposa. Mas o meu amor maior por eles não pode se manifestar nessa relação carnal, tem de se manifestar numa relação espiritual, que me diz que devo me sentir (como realmente sou) irmão de cada um deles e amá-los fraternalmente. Não vou deixar de amá-los: vou ter em relação a eles um amor mais verdadeiro, mais de acordo com a realidade verdadeira de nossos seres. Se todos somos filhos de um mesmo Pai, então, todos, sem exceção, somos irmãos uns dos outros. A minha esposa é, antes de ser minha esposa amada, a minha irmã amada. Até aqui parece haver retórica naquilo que venho dizendo, mas na verdade tudo isso tem um sentido muito mais profundo, que não pode e não deve ser barateado. Como não quero mais voltar para este nível de causação, tudo fazendo para dele me livrar, tenho de necessariamente passar a aborrecer o pai potencial e a mãe potencial, pois não mais os quero para mim em meu futuro. Já não quero mais ter pais terrenos e mães terrenas, pois aspiro a me libertar da roda da carne, embarcando na nave que Jesus Cristo já preparou para todos aqueles que querem
se despertar dessa fase do sono.
Voltemos à nossa correlação noética:
Igreja, nós o sabemos, é em grego,
εκκλησια, que é palavra formada de
εκ, elemento que indica origem, correspondendo ao from do Inglês. E do verbo
καλεω, que significa chamar. Assim, o sentido de igreja, em raiz,é de: chamar de, para fora de.
εκκλησια é um substantivo feminino, e isso nos diz que é uma entidade recebedora, receptora. Assim, podemos dizer que igreja é uma entidade que recebe quem é chamado para fora de algo. E esse algo só pode ser o mundo, só pode ser a roda da carne, movida pelos arquétipos pai e mãe que acima foram analisados. E quem é chamado? E qual é o elemento masculino doador, emissor, autodoante? A resposta é: Cristo.
Vamos agora verbalizar tudo o que acima foi analisado, em uma frase correlacionadora,
sintetizadora. Cristo deve deixar o pai e a mãe para aderir à igreja. Quem é Cristo neste contexto? Não é certamente Jesus Cristo, pois
Ele já deixou o mundo e suas relações carnais. Agora faz sentido o fato de Jesus sempre se referir à sua mãe como mulher. Como estava livre dos laços da carne, da roda cármica, Ele
já não tinha mãe, Ele tinha uma irmã a quem chamava de mulher, para enfatizar uma verdade deixada para aqueles que o haveriam de seguir em espírito e verdade. Maria era amada por Jesus, não por ela ser sua mãe, mas por ser mulher, por ser arquetipicamente, a figura da igreja, que está preparada para receber em seu seio os filhos que ela tem em estado temporário de diáspora. A mãe seria o arquétipo da sustentação da roda da carne, e era justamente isso que Jesus veio para quebrar. Voltamos a perguntar: Quem é Cristo neste contexto sagrado, tão sagrado? Cristo,
χριστος, no grego, significa UNGIDO. E ungir significa aplicar óleo a algo ou alguém. No caso, significa aplicar óleo a alguém. O óleo tem uma muito sabida propriedade de ser mais leve do que a água, não se misturando com ela. O que seria a água? Uma substância que é usada para lavar, para retirar a sujeira da superfície. E o óleo? Uma substância que é aplicada a algo que já foi lavado, com o objetivo de o assinalar como algo diferenciado. O rei era ungido, e isso era não só um sinal de aprovação de instância superior como também um sinal de preeminência,
uma espécie de credencial. Como o óleo, não se misturando com a água, nos diz que aquele que recebe unção é alguém separado, diferenciado dos demais. O óleo, flutuando sobre a água, nos diz que a pessoa ungida está acima do mundo,
das suas emoções. E o ungir da cabeça, a parte nobre do corpo, nos diz que a pessoa consagra o melhor de si mesmo Àquele que o criou, que o formou.
Cristo é todo aquele que, independente de sexo, se consagra ao Senhor, dedicando o melhor de si mesmo à Igreja a que pertence. Cristo é a pessoa que se sabe Cristo e se sente Cristo, por aspirar a coisas que seriam loucura para um homem comum. Por ter entendido que a existência é uma viagem gloriosa e que há novos páramos a visitar, deixando para trás os encantos e atrativos deste mundo. Cristo é aquele que está pronto para se doar, célula viva, à Igreja, a que pertence. Cristo é muito mais do que uma entidade: é um estado de ser em que o homem se sabe livre deste nível de causação, por ter-se unido à Igreja, Jesus Cristo. Não por mérito, mas por graça. De graça. Cristo é a pessoa que está pronta para dormir e acordar em outra realidade mais gozosa, mais desimpedida, mais gloriosa. Em verdade, em verdade, cada um de nós que aqui vivemos é Cristo, e a única coisa que precisamos fazer é despertar para essa maravilhosa realidade. E uns despertam mais cedo; outros gostam de dormir até mais tarde. Mas uma hora
cada um terá de despertar, pois para isso estamos aqui. Dormir, dormir até cansar de dormir. E deixar de repetir atos que antes lhe eram deleite, lhe eram prazer. E deixar de voltar ao vômito. E despertar... Porque um dia todos hão de despertar, todos sem exceção, independentemente da seita, religião ou mito ou superstição que professe, pois Jesus claramente declarou:
E há mais: o verbo está no Futuro Médio Depoente do Indicativo. Sendo
indicativo, trata-se de um fato categórico, que não tem a mínima condição de não acontecer. Sendo
média depoente a voz, ficamos sabendo que se trata de uma ação média, intermédia, que envolve tanto um quanto outro: é algo que deve acontecer ao mesmo tempo em relação ao Pastor e ao Rebanho. Um estende a mão: o outro a segura. A ovelha
(de
O tempo é o futuro, é algum momento a partir deste instante: o fato acontecerá: quanto a isso não haja dúvida. E depende de cada um torná-lo o seu Agora. O primeiro passo, o mais importante, já foi dado por Jesus Cristo: neutralizar o lobo, o predador. Agora vem o segundo passo, e esse é da ovelha, e consiste em
deixar de andar em círculo, para, andando para a frente, seguir o Pastor.
Você que está lendo essas palavras é Cristo, mas se esqueceu disso.
E está na hora de começar a se recordar. E, para isso, é necessário que você conheça a verdade da sua situação. Pois está escrito:
Agora que você leu todas essas coisas, que são apenas explicações ralas de alguns pontos cruciais que se acham escritos
e inscritos na Palavra Sagrada, examine
o seu coração e responda com toda a sinceridade da sua alma: você aspira a estar aqui na pousada,
neste poisio, ou ali, no caminho santo?
Examine a sua vida e veja se já não é hora de começar a aspirar por uma boa notícia. Dê o primeiro passo (o segundo, em maior verdade), e olhe para o
que foi, o que tem sido essa sua vida; passe o filme da sua vida com uma atitude santa: sem criticar, sem julgar, sem condenar. A nada, a ninguém, nem mesmo a você mesmo.
Se você tem algum trauma forte, utilize esse recurso para dele se livrar.
Sente-se confortavelmente, ou deite-se.
Relaxe.
A hora em que se sentir pronto, você começa a rever a sua vida, principalmente nos momentos mais doloridos, mais culposos.
Relaxe.
Tudo o que você estiver visualizando, imaginando, são cenas de um filme, e você não deve se emocionar.
Procure ficar atento e tranqüilo. Não julgue. Não critique. Não condene.
"Somente com os teus olhos olharás".
Isso pode ser feito em várias sessões, podendo algumas ser bem específicas.
Vou dar dois exemplos. Alguém traiu você sordidamente. Passe o filme, nos mínimos detalhes, e procure permanecer alerta e misericordioso. Não se emocione. Não julgue.
Não condene. Não critique. Não se magoe. Não se ressinta.
Você traiu a alguém sordidamente. Passe o filme. Procure ficar atento e lúcido e calmo. É um filme: é coisa do passado que já não pode magoar você. Não critique.
Não julgue. Não condene. Não se ressinta.
Esse é o primeiro passo seu: tomar consciência clara do que foi sua vida,
assumindo uma atitude de total imparcialidade e não julgamento, em relação a
ninguém,
nem e principalmente em relação a você.
Você vai se sentir livre de um grande peso que o incomodava, e vai aprender a grande lição da necessidade de perdoar. De perdoar-se.
Você tem de entender que você é o único responsável por tudo aquilo que aconteceu no seu universo de manifestação, na sua vida.
Você é responsável pelo que fez E TAMBÉM PELO QUE RECEBEU. Pois tudo que aconteceu no seu universo de manifestação, naquilo que diz respeito a você, e, portanto,
é de sua responsabilidade. Entenda isso: nada acontece para uma pessoa que ela não tenha determinado, nada, seja algo bom, seja algo mau, seja algo para alegria,
seja algo para tristeza. Se você quer se assumir Cristo (que você já é), entenda de vez por todas: você não é um coitadinho açoitado pelos ventos da sorte, do acaso:
você é exatamente aquilo que você quer ser, nem mais, nem menos. "Mas quem quer ter uma doença dura?" Ninguém, é claro. Mas, se alguém a porta,
é porque ele de alguma maneira a quis. Não há castigo sem causa. Não há recompensa sem causa.
Se você acha difícil assumir em inteireza de verdade a sua responsabilidade, tudo bem. O importante, mesmo, é que você tome a decisão de buscar o
caminho santo. Um dia, e não está longe, se tomou essa decisão, você entenderá o significado transcendental deste
arquétipo fundamental: a responsabilidade.
Agora que você está livre do peso do filme, confesse a Deus, de viva voz, tudo aquilo que aconteceu na sua vida e que o magoou. Tudo aquilo que você fez ou pensou ou falou e que tenha magoado a alguém,
ou a você mesmo. Confesse seus pecados, reconheça-se pecador de todo o coração. Agora você ficou livre da
malignidade do mal, e não terá mais de pagar por nada daquilo que você tenha confessado. Peça perdão a Deus por todos os pecados que você tenha cometido consciente ou inconscientemente. Ele certamente lhe perdoará. Pronto! Você acabou de passar para o Senhor a
responsabilidade
por todos os seus atos maus. Sim, todos os seus atos maus. Porque aquilo que alguém fez a você,
tanto quanto lhe compete, também é ato seu, em verdade. E assuma o compromisso santo de não mais pecar. Se isso ainda acontecer, ou por incúria ou por falta de vigilância,
ou por infirmeza dos pés, você já sabe o que fazer. Se você fizer de todo o coração as coisas simples que acima foram ditas, e que estão ditas claramente no Evangelho, você passará automaticamente a pecar cada vez menos, porque o pecado deixa de ser um atrativo para você. Agora, o último passo. Entregue-se a Jesus Cristo: Ele é o seu salvador, o seu redentor, o seu verdadeiro Senhor, o seu verdadeiro dono. Declare-se, de viva voz, propriedade exclusiva e eterna de Jesus Cristo. Pois é exatamente isso que você é.
Que todos nós somos.
E agora podemos voltar à pergunta que desencadeou toda essa argumentação:
Quem sou eu? Eu sou uma pessoa, uma máscara eterna, que veste o meu Eu maior, o Cristo em mim, a minha Santa Igreja. Eu sou muitos, porque a minha Igreja é muitos; eu sou um, porque a minha Igreja, como toda Igreja, salvaguarda com todo zelo, a identidade e a individualidade de cada
um um (sic) que a constitui. E num nível que mal posso vislumbrar, eu sou todos, e todos sou eu. E num nível ainda mais profundo para o qual estou viajando, EU SOU. E assim acontece com todo um que saiu, sem sair, do seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO.
Somos maiores que nós mesmos: sejamos menores que nós mesmos, porque nisso reside a grande sabedoria do existir. Não haja megalomania, que ela é vã; não haja orgulho, que ele é deletério e tem causado a queda de muitos; não haja presunção, que somos o que somos, não por virtude própria, não por valor próprio, não por merecimento próprio, mas por que o
UM PRIMEIRO E ÚNICO assim É. Somos apenas (?) viandantes que viajam de graça pelos páramos da Glória.
E de nós nada é cobrado.
Nada é cobrado.
Nada é cobrado.
Pois somos inúteis: nada podemos fazer em verdade, pois tudo já está feito; nada podemos fazer, pois tudo já aconteceu, e com um "happy end" que nunca termina. Nada podemos fazer, nada precisamos fazer, a não ser nos deleitarmos na Viagem!!!
O nosso Pai é maravilhoso, grandioso, paternal. E só quer de nós uma coisa: que o amemos de todas as nossas forças, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento. E seria possível deixar de
se amar um Pai tão Pai? E, no entanto, muitos de nós não O amam como Ele merece ser amado: em espírito e verdade. Em espírito, nEle, somos todos um só. Se
O amamos, temos de amar a todos aqueles que Ele ama: a todos os filhos do Seu Amor. E Ele ama a todos, sem fazer qualquer acepção de pessoa: aos pobres, aos ricos, aos bons, aos maus, aos santos, aos perversos. E nós, semelhança dEle, temos de nos espelhar nEle. Se isso acontecesse, neste mundo,
já não haveria fome,
já não haveria miséria,
já não haveria injustiça,
já não haveria logro,
já não haveria fraude,
já não haveria corrupção,
já não haveria crueldade,
já não haveria indiferença,
já não haveria desprezo,
já não haveria discriminação,
já não haveria maldade.
O homem precisa entender, e a hora é esta, que ele não é uma ilha, mas a célula viva de uma só Igreja.
E assim, ele é aquele que ele despreza, ele é aquele que ele maltrata, ele é aquele que ele deixa à margem da vida, ele é aquele que se esfaima, ele é aquele que morre de frio, ele é aquele que está preso, ele é aquele que ele condena(va), ele é aquele que vive abaixo da linha da miséria. Não há o eu e o outro, pois todos somos um só, e sofremos o frio que o próximo sofre, a fome que assola o próximo, e vivemos a miséria que o outro sofre. Nós não o sentimos, mas essa é a verdade a respeito de nós. E se hoje estou nababo, amanhã terei de experimentar na prática aquilo que já sofri, em outrem, sem ter percebido, sem ter-me dado conta disso. Ser justo, ser misericordioso, ser filantropo, buscar o bem de todos, é, antes de tudo, uma atitude sábia de quem já entendeu que é parte de uma Igreja cujos membros estão solidariamente interligados: o que acontece a um, em verdade, em verdade, acontece a todos. E, se ainda está imanifesto, um dia terá de se manifestar, pois não há nada oculto que um dia não venha se revelar.
O saber essas coisas envolve uma alta responsabilidade. E, como não posso fazer nada sozinho, a não ser mentar um mundo melhor, a não ser meditar em prol de uma sociedade mais justa, mais fraterna; a não ser divulgar essas coisas, aqui estou falando para quem me possa ouvir, para quem me possa entender, para quem queira arregaçar as mangas e partir para uma luta santa, em que a principal arma será a mudança de mentalidade, a mudança de atitude, a mudança de coração.
Aquilo que uma célula sofre, a Igreja sofre. E sofre cada uma de suas células. Sejamos sábios, sejamos sensatos, sejamos prudentes. Aquele que está na roda, um dia está em cima, um dia está embaixo. Saiamos da roda, para habitar a planície da misericórdia e do perdão, onde não há outeiros, onde não há vales.
O tempo é agora!!!
Com ósculo santo,
o peregrino