O que é a salvação em verdade, isto é, como realidade inscrita no Supremo Arquétipo, o
UM PRIMEIRO E ÚNICO? Já examinamos em outra parte os caracteres necessários do
UM PRIMEIRO E ÚNICO. E um desses caracteres é a Bondade, pois o UM PRIMEIRO E
ÚNICO tem de ser bom
em si mesmo, pois, se assim não fosse, ELE se destruiria a SI mesmo, pois o Mal, dentro da lógica perfeita do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, é Mal primeiramente para Si mesmo. Ou seja, o Mal, tal como o conhecemos ou figuramos, não pode fazer parte da essência, da substância do
UM PRIMEIRO E ÚNICO. Esse é o entendimento maior a que podemos chegar empregando a lógica não binária, mas unária, do
UM PRIMEIRO E ÚNICO.
E, como o UM PRIMEIRO E ÚNICO é padrão para todo um, temos de concluir necessariamente que todo um é basicamente bom. O fundamento de todo um é necessariamente a bondade. Mesmo nos indivíduos mais insensíveis e endurecidos pela crueldade, brilha no fundo da alma um cintilar de luz. O cintilar da Luz, em verdade. Mesmo na alma dos mais embrutecidos assassinos brilha essa luz, pois ela é a herança inalienável de todo um.
Mas quando o indivíduo absorve muita treva, a luz como que se esconde debaixo dela, não se deixando manifestar, e o indivíduo às vezes precisa de muito tempo para que a sua luz venha à luz. Mas um dia ela virá à luz ou por bem ou por mal. Repito: ou por bem ou por mal. E, para entendermos isso, precisamos entender a história do indivíduo: as coisas boas que viveu, as coisas más que viveu. Porque é exatamente nesse jogo entre o bem e o mal que o indivíduo vai adquirindo experiência e conhecimento de si mesmo e das coisas e pessoas que o rodeiam. E isso engendra para o indivíduo um caminhar longo e estafante.
Já vimos em outra parte que a queda é necessária, que o pecado é necessário, que o mal é necessário, para o desenvolvimento do indivíduo como um todo. Todos os que nascemos neste século,
neste éon, fazemo-lo sob a égide da Queda. Quem nasce aqui na terra, nasceu
porque tinha compromisso firmado com a Queda. E, assim, ninguém nasce inocente:
se fosse inocente, não precisaria nascer. Para ter de morrer? Para ter de
morrer.
Mas o que é o indivíduo, esse ser de quem temos falado até aqui nesta mensagem? Indivíduo significa aquele que não pode ser dividido, que não se divide, indiviso, na função adjetiva. E na função substantiva, segundo o Michaelis Eletrônico, pessoa considerada isoladamente em relação a uma comunidade. E o indivíduo é exatamente isso: uma pessoa, tendo como tal,
temperamento, caráter, sentimentos, emoções, motivações, visões de mundo próprios. Uma acepção que nos chama a atenção no Michaelis Eletrônico é essa:
Dir Toda entidade natural ou moral com capacidade para ser sujeito ativo ou passivo de direito, na ordem civil.
A pessoa é uma entidade humana com capacidade para agir e sofrer conseqüências de acordo com a Lei.
A pessoa é uma entidade humana com capacidade para agir e sofrer conseqüências de acordo com a Lei. Esse é um conceito mais próximo do Arquétipo Terceiro, que já examinamos. Esse Arquétipo trata do meio, da ambiência (aqui representado estaticamente, surpreendendo, por assim dizer, um momento presentual da manifestação (dinâmica)) de
um um (sic)
em equilíbrio:
Vemos que o um, qualquer que ele seja, estando no RELATIVO, no sagrado seio da ILUSÃO, ele se situa, quando em equilíbrio, a meio caminho entre as trevas ínferas e a Luz súpera. Quando deixa se atrair pelo inferno, ele sofre, pois ali estão todos os males armazenados à espera do infeliz que dele se achegue. Todo sofrimento, para o um, que é o homem, provém daí, das escolhas que ele faz no extenso celeiro do Mal. Quando se deixa atrair pelo Superno, ele tem refrigério, pois ali estão todas as boas coisas que ele pode experimentar sem acréscimo de dores. Todo bem, para o um, que é o homem, provém dali, dali, dele,
do celeiro santo, do Bem. Ali estão armazenadas todas as benesses, que o homem cauto escolhe no transcorrer da sua vida, da sua existência. O mal obriga o homem ao mal, sujeitando-o na sua cadeia de vida e morte, que é imposta ao indivíduo.
Gn 2:7 E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.
E essa formação, tornada de forma aparente, como já dissemos, aconteceu depois ele ter sido criado, como podemos ver em
Gn 1:27 Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Nesse primeiro momento o homem é apresentado como tendo em si os dois caracteres: o masculino e o feminino, constituindo, por isso, uma entidade plural, binária. A separação desses caracteres complementares só se daria mais tarde, quando Deus formou Eva a partir de uma das costelas de Adão, como já examinamos mais detidamente em outra parte.
Gn 4:1 Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim, disse: Alcancei do Senhor um varão.
Adão conheceu a Eva, reconhecendo-a como o elemento que o complementava; e ela, recebendo a semente do homem, concebeu, e deu à luz (e não às trevas), a Caim (= Possessão, Aquisição). Fundador da primeira cidade. [Informações colhidas no precioso Pequeno Dicionário Bíblico, de S. E. McNair, impresso pela Casa Editora Evangélica, em 1952. De ora em diante será citado como PDB.]). Caim, portanto, pode ser entendido como o arquétipo da aquisição, da possessão, do impulso para a posse de algo para si mesmo, em primeiro lugar. Além disso, é também o fundador da primeira cidade, da primeira comunidade em que viviam juntos diversos homens e mulheres, que gozavam de características comuns. Caim é o fundamento da igreja, isto é, da comunidade, do coletivo construído de individualidades.
Abrindo parêntesis.
As referências em grego e em hebraico são colhidas principalmente no ótimo software bíblico freeware, totalmente freeware de Rick Meyers, (que aceita muito justamente colaborações), encontrável em e-sword).
Fechando parêntesis.
Continuemos com o fundamento da história do homem nesse planeta.
Gn 4:2 Tornou a dar à luz a um filho - a seu irmão Abel. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.
Abel, segundo o PDB, significa: "Passageiro" ou "Sopro". Abel, assim, representa o arquétipo do Espírito, que sopra onde quer, e, como passageiro, passou a ser pastor de ovelhas. E, como tal, transeunte, jamais ficando muito tempo num mesmo lugar.
O arquétipo acima bem lembra o gesto de quem "quer abracar o mundo com as mãos", para incorporá-lo ao que já possui.
O arquétipo acima, em sua configuração e dinamismo, bem lembra um sopro.
Gn 4:3 Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
No tempo aprazado, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta. Entende-se que ele, sendo egocêntrico, tenha trazido para o Senhor uma oferta em que não havia a preocupação de doar, de doar-se. Caim estava equipado com uma psique voltada para a aquisição, para a conquista, mas não para a doação. Assim, não soube, ou não pôde, ou não quis dar uma oferta escolhida ao Senhor. Deu uma oferta em que não havia o carinho do ofertar-se. Deu por obrigação, por dever, e não por prazer.
Gn 4:4 Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura. Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,
Com Abel se deu o oposto, como era de se esperar. Abel escolheu o melhor do melhor das suas ovelhas, e da sua gordura. Abel, sendo alocentrado, pouco ou nada se preocupando consigo mesmo, e sabendo, ou podendo, ou querendo, fez ao Senhor a melhor oferta. Abel não fez por dever, por obrigação, mas por prazer. E o Senhor, que sabe de todas as coisas, de tudo que se passa no coração de todos, sabia muito bem que Abel doava, se doava por amor, e agradou-se da sua oferta,
Gn 4:5 mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante.
Deus mostrou agrado pelo espírito de doação de Abel, e demonstrou desagrado pelo espírito egoísta de Caim. E, Caim, ao invés de procurar saber o motivo dessa diferença de tratamento, para se emendar, com humildade e sabedoria, irou-se fortemente, e demonstrou claramente isso pelo seu semblante. E nessa ira já havia a semente da inveja, do ressentimento. Caim teria de ter conseguido o favor do Senhor através da violência, do violentar-se a si mesmo, à sua
índole. Mas, ao invés de atribuir a discriminação a algo que tinha feito, ou tinha deixado de fazer, passou a olhar o irmão como um inimigo que lhe tinha arrebatado algo que pensava ser-lhe de direito, pois sua psique estava sempre voltada para o possuir, para o adquirir, para o conquistar, para o vencer. E não podia suportar o peso da derrota. E não conseguia atribuir a si mesmo o peso dessa derrota.
E o Senhor, que tudo sabe a respeito de tudo e de todos, sabia muito bem o que se passava no coração de Caim.
Gn 4:6 Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante?
E o Senhor, amando a ambos igualmente, tentou mostrar a Caim o que realmente estava acontecendo, pois ele estava enceguecido pela ira. E o Senhor perguntou a Caim por que ele tinha se irado, esperando,
supomos, que ele fizesse um exame de consciência e percebesse onde estava a origem da aparente discriminação que o Senhor tinha feito. O Senhor não discriminara, apenas dera o justo peso a cada ação, e queria que Caim entendesse isso. E lhe disse que a tristeza, o ressentimento, a mágoa, isso acabaria, como num passe de mágica, se ele procedesse bem. A ira que sentia era fruto direto da ação que praticara. Dera com tristeza de estar dando, agora recebia em si essa tristeza e seus sequazes. E o Senhor mostrou a Caim
que o mau procedimento traz o pecado para junto daquele que mal procede, e sobre ele o desejo de pecado iria dominar. E disse mais: o desejo não pode ser senhor do homem; o homem é que deve ser senhor sobre o desejo de pecado. O Senhor foi muito claro com Caim, porque ele era o primeiro homem a se entregar à ira, que enceguece o entendimento. E essa lição amorosa que o Senhor deu a Caim, procurando fazer com que ele caísse em si, e visse a origem do mal que o atormentava, serve esplendidamente para os nossos dias e para sempre. Em uma palavra, o Senhor estava mostrando a Caim que a justiça do UM é insubornável: para se livrar do mal (o ressentimento), tinha de se livrar do mal (a origem do ressentimento, que não estava fora dele, mas dentro dele.) E assim é até hoje, e sempre será, enquanto houver século, enquanto houver mundo,
enquanto houver éon.
Gn 4:8 Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.
Caim saiu da presença do Senhor, e foi falar com o seu irmão. O que Caim falou para Abel não está
registrado nas Escrituras Sagradas. Mas sabemos desde já que não foi uma conversa, um diálogo. Caim, ressentido como estava, e não podendo, ou não querendo assumir a responsabilidade daquele ressentimento, descarregou a sua ira em Abel, falando-lhe palavras duras, amargas, cegas, certamente maldizentes. E, numa oportunidade em que eles estavam juntos no campo, que para um tinha sido motivo de bênção e para o outro motivo de maldição, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, o passageiro, o transeunte, e o matou.
Gn 4:15 O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.
O Senhor lhe diz que não seria assim que se cumpriria a justiça, que tinha de ser cumprida, pois ela é insubornável: quem mata, tem de ser morto. E afirmou que quem matasse a Caim, sete vezes cairia sobre essa pessoa a vingança. E qual a vingança ditada pela justiça divina? É como diz o
aforismo sagrado: olho por olho, dente por dente. Não pode ser olho por dente, nem dente por olho. Coisa por coisa. Morte por morte. Matar por ser morto, pois aquilo que sai ativamente do indivíduo a ele volta passivamente. Sai para ferir. Volta para ferir. O que o Senhor estava dizendo, em pleno acordo com os ditames da justiça divina, que não pode ser revogada jamais, é que quem matasse a Caim seria morto sete vezes. Alguns poderiam objetar e dizer com muita razão que isso é impossível em uma só vida. E que o Senhor provavelmente estivesse usando uma hipérbole para enfatizar a gravidade do dano provocado por Caim. Mas o que disse Jesus sobre como deve ser a palavra para o homem, que foi criado à imagem e semelhança de Deus?
Mt 5:37 Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.
Portanto, o Senhor não estava usando uma figura de linguagem, para enfeitar o seu discurso: o que Ele estava falando era exatamente o que Ele estava falando, nem mais, nem menos. Isto é: o eventual matador de Caim estava condenado a ser morto sete vezes. E isso realmente não é possível em uma só vida. Tem de ser em diversas vidas. Em sete vidas, pelo menos. Ou seja: essa pessoa teria de nascer sete vezes (pelo menos, se não cometesse nesse ínterim mais algum assassínio) e ser morto sete vezes!
Gn 4:16 Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.
Depois disso, Caim saiu da presença do Senhor, já não mais com ele se comunicando diretamente, e habitou na terra de Node, que pelo PDB significa "Vagabundo". E Caim, que era sedentário, tornou-se um vagabundo, um transeunte, indo de lugar em lugar, sem jamais achar descanso para a sua alma atormentada pelo crime que havia cometido. E essa terra ficava a oriente do Éden, exatamente junto à porta do Éden, que era guardada pelos querubins. Estava a um passo do Paraíso, mas a ele já não podia voltar pois tinha definitivamente perdido a inocência e a força original da sua identidade.
Gn 5:22 Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas.
Continuemos agora refletindo sobre a questão inicial: O que é o indivíduo?
Mt 18:8 Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
A pergunta que devemos fazer é: O que significa entrar na vida? Muitos acham, num exame en passant, que é entrar na vida só vida, na vida eterna. Mas a vida eterna não é um estado de perfeição em relação a este plano em que ora vivemos? Entrar na vida eterna não significa entrar no Paraíso, no Céu, para desfrutar eternamente da companhia do Senhor, em eterna paz e felicidade?
Lc 17:21 nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois
E nós sabemos, já por exame, do Arquétipo UM, que todo um é como o
UM PRIMEIRO E ÚNICO. O UM PRIMEIRO E ÚNICO contém em seu seio Tudo o Que Existe. Todo um contém dentro de si, em seu seio, Tudo o Que Existe. Assim, o indivíduo, todo indivíduo, traz dentro de si em potência o Céu e o Inferno. E ele escolhe aquilo que quer manifestar, sendo totalmente responsável e responsabilizável por essa escolha.
Jo 3:6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.,
vão entrando sucessivamente na vida para então morrer? E o que acontece com aqueles depois dele que já morreram? E qual o papel do último, que está presentualmente operando?
1Rs 2:10 Depois
Davi dormiu com seus pais, e foi sepultado na cidade de Davi.
O que se declara é que Davi dormiu com seus pais. Seria essa apenas uma maneira metafórica para significar que Davi morreu, indo se juntar aos seus pais, que também já estavam mortos?
2Cr 16:13 E Asa dormiu com seus pais, morrendo no ano quarenta e um do seu reinado.
, em que as expressão "dormiu com seus pais", aparece na declaração principal, junto a "morrendo ...", numa declaração modal, dependente em sentido da primeira. A segunda declaração nos mostra que o modo usado para ele dormir com seus pais foi morrer. A morte é aqui apresentada como um meio para o dormir com os pais. São duas coisas diferentes: uma levando à outra. E, assim, o Livro nos esclarece que morrer e dormir
são duas coisas diferentes, uma não podendo significar a outra, nem literal nem translatamente.
Gn 32:28 Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido.
E Judá significa louvor. Evidentemente que: louvor ao Senhor, pois só Ele é digno de louvor.
O que notamos é que há uma seqüência infinita de infinitos níveis de universos, e, tomando como ponto de partida o nível em que estamos atualmente, tem-se o nível mais baixo, menos includente em manifestação, o do universo que cada um de nós, homens, somos: o universo de Cristo; logo acima, conglobante do nível de Cristo, tem-se o nível da Igreja, e acima deste, o da Grei, e acima deste o da Egrégora, e acima deste, já não temos nomes para designá-los.
O setor da LUZ é dominado pelo Senhor das Luzes, que o administra sabiamente, e com toda justiça, que é exigida do
UM PRIMEIRO E ÚNICO, e tem à sua disposição o Exército da Luz, que tudo faz para atrair o um para Si, para a liberdade que isso representa para aquele um. O setor das trevas é comandado pelo Senhor das Trevas, que o administra fielmente, e com toda a justiça (porque Ele também está sujeito à justiça do
UM PRIMEIRO E ÚNICO) e tem à sua disposição as Legiões das Trevas, que tudo fazem para encontrar o homem em falta para poder restituir-lhe fielmente aquilo que a justiça inexorável do
UM PRIMEIRO E ÚNICO exige. O Senhor das Trevas, tanto quanto o Senhor das Luzes, tem um papel definido em relação ao um que é o homem, e ambos contribuem fielmente, para o despertar desse um. Um, usando dos recursos da Verdade, o outro usando de todos os recursos da Mentira. Mas a Verdade, porque se impõe por si mesma, é maior do que a Mentira, e um dia isso há de se manifestar para todo um, para cada um que navega seu existir nas turbulentas e pacíficas águas da VIDA.
O papel maior do Senhor das Trevas é condenar o um, que é o homem, à morte; e o papel maior do Senhor das Luzes é libertar o homem da roda da morte, dando-lhe uma vida sem mortes intercaladas.
Tomemos um um (sic) e acompanhemos a sua história provável no seio do Arquétipo Terceiro, que representa o homem no meio cósmico em que ele tem existência. Chamemo-lo de Adão (= vermelho, da cor da terra, de onde foi tomado), que foi formado da mesma substância do Universo a que pertencia. O homem não foi criado em separado, foi criado quando Tudo o Que Existe foi criado. Depois de criado, estando em potência, o homem tinha de ser formado, de adquirir uma forma:
Tudo começa assim, para Adão, o primeiro e único Adão, cujo nome é um substantivo plural. Examinemos atentamente o versículo 27 do capítulo 1 de Gênesis. Ali são declaradas três afirmações básicas:
1. Deus criou o homem à sua imagem. Não exatamente como Ele, mas semelhante a Ele: trazendo em potencial tudo aquilo que Deus é basicamente.
2. À imagem de Deus o criou. Esse caráter tem de ser muito importante para se falar segunda vez dele. Assim, diante de qualquer homem, não interessando sua estatura moral ou espiritual, tenhamos isso sempre em mente: o homem, todo homem, foi criado à imagem de Deus, podendo fazer o que Deus faz
basicamente, e, sendo, portanto, uma pessoa digna de todo nosso respeito. Diante de um asceta, tenhamos a certeza de que ele foi criado à imagem de Deus; diante de um facínora, tenhamos a certeza de que ele foi criado à imagem de Deus. Basicamente, um é semelhante ao outro. A diferença é que um se deixou atrair pela Luz, e o outro, pelas Trevas. Portanto, não julguemos nem a um nem a outro, pois ambos provêm de cepa santa.
3. Deus os criou homem e mulher. Adão era assim, uma entidade plural, portando em si, em atualidade, os dois caracteres complementares: o positivo, gerador, emissor, masculino; e o negativo, conceptor, receptor, feminino. E todo um é assim basicamente formado, tanto o homem como a mulher: ambos trazem em si esses caracteres, manifestando um deles, e deixando o outro em estado de latência.
E o primeiro e único Adão, à imagem do Deus primeiro e único deste universo de causação, logo depois de expulso do Éden, por ter adquirido o conhecimento, a consciência-experimentação do bem e do mal,
A palavra traduzida do hebraico para "alcancei" é "qanah", que tem o sentido primitivo de
erigir, e daí,
criar, e, por extensão, ter possessão de. Por aqui entendemos que Caim nasceu como possessão de Eva, do fator receptivo, que em seu sentido negativo, denota o sentido de atrair para si em uma atitude egoísta. Caim, então, é, antes de tudo, o arquétipo da egocentração possessiva. E, como tal, tornou-se um agricultor, aquele que tira da terra os meios de sua subsistência.
Caim, possessor, egocentrismo, sedentariedade. Operacionalização do arquétipo buscar, adquirir, possuir. O impulso de tudo atrair a si. De fora para dentro. O caráter feminino. No Arquétipo Terceiro, procuramos destacar o arquétipo-padrão de Caim, que procura tudo arrebatar para si, num movimento de egocentração, de centripetação, de fora para dentro:
Abel, doador, alocentrismo, transeúncia. Operacionalização do arquétipo levar, entregar, doar. O impulso de tudo entregar de si. De dentro para fora. O caráter masculino. E no Arquétipo Terceiro procuramos destacar o arquétipo-padrão de Abel, o de doação de si mesmo a outrem, num movimento de alocentração, de centrifugação, de dentro para fora.
Mas acompanhemos o relato dos primórdios da origem do homem, pelas Escrituras Sagradas:
Vejamos o que se passou com Abel.
Gn 4:7 Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar.
E qual foi a atitude de Caim? A sua resposta a esse esclarecimento que o Senhor amorosamente lhe deu?
Em termos arquetípicos podemos tirar a seguinte lição: no homem, em cada homem, há dois princípios antagônicos, que se digladiam ferozmente entre si: o impulso para a posse, e o impulso para a doação. Aquele que se deixa levar pelo impulso da posse acaba matando dentro de si o impulso da doação. E o homem sábio sabe muito bem como dosar esses impulsos, possuindo o que precisa, doando o que lhe é demais. Nessa regrinha simples abstraída daqueles arquétipos santos estaria a solução para todos os males da sociedade injusta que hoje domina o mundo: uns poucos tendo muito mais do que necessitam, e uns muitos pouco ou nada tendo daquilo
de que necessitam.
E, tendo sido repreendido e amaldiçoado pelo Senhor, Caim percebeu o que tinha feito e que, pela justiça divina, ele agora era réu de morte, e logo seria morto por alguém, para se cumprir a justiça divina, que diz que morte é morte. Morte para alguém? Morte para quem a praticou. Caim caiu em si e soube que não poderia escapar à justiça ditada pela Verdade.
Mas o que lhe responde o Senhor?
E parece não haver outra solução lógica para o problema. Uma solução que resguarde a veracidade da justiça divina.
E naquele momento o Senhor determinou que Caim, não escapando à vingança da justiça divina, pois isso é impossível, não seria morto naquela vida. Mas deixava pendente a possibilidade, a certeza de que o seria em uma outra vida, já que não seria naquela. E como disse o Senhor: "
a voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra." (Gênesis, 4:10)
E
E Caim ali fundou uma cidade e se casou e constituiu família. E à cidade que construiu deu o nome de Enoque, nome de seu filho primogênito. Enoque, segundo o PDB significa "o iniciado", "o dedicado". E Strong confirma o sentido de "iniciado". O possessor, condenado a ter de morrer, a ter de ser morto, gerou um iniciado, alguém que palmilha com segurança o Caminho da retidão. Alguém dedicado ao Senhor, consagrado ao Senhor. Por isso, podemos estabelecer com segurança, sem medo de errar, que o filho jamais paga pelos pecados do pai. Toda pessoa só pode pagar pelos seus próprios pecados, e ninguém da sua igualha pode ser incriminado
em seu lugar. O filho de um assassino pode se tornar um grande homem de Deus. O filho de um grande homem de Deus pode se tornar um assassino. Cada um com a sua vida, com a sua existência, com a sua história. Não é porque o pai morre de câncer, que o filho também vai ter de morrer. Cada um com a sua história, com a sua responsabilidade, que é intransferível,
a não ser por alguma circunstância muito especial, e isso para bem.
E Enoque, o filho de um pária, foi muito diferente do seu pai:
Vimos que indivíduo significa uma unidade indivisa, indivisível. Assim, ele constitui, por assim dizer, a célula de uma unidade maior, tal como o elétron constitui uma parte de um todo maior, o átomo (que, por sinal, significa aquilo que não pode ser dividido). Segundo o Michaelis Eletrônico, como vimos, indivíduo é a pessoa considerada isoladamente em relação a uma comunidade. O indivíduo humano é o homem, que se caracteriza por ser uma pessoa humana, isto é, um ente provindo de Adão e que apresenta características únicas de agir, de pensar, de falar, de ver o mundo, de se motivar, de reagir diante do mundo. E vimos, em suma, aproveitando o conceito dado pelo Michaelis Eletrônico, que a pessoa é uma entidade humana com capacidade para agir e sofrer conseqüências de acordo com a Lei.
E a esse indivíduo, a essa pessoa humana, está
ordenado morrer uma só vez, como também já vimos.
E agora caímos num terrível dilema. O homem, matando, tem de nascer para ser morto. Mas como acontecer isso se a ele foi ordenado morrer uma só vez? Se pode morrer uma só vez, não poderá nascer de novo, para sofrer a pena que lhe está reservada pela justiça divina. E, para se cumprir cabalmente a justiça divina, ele tem de ser morto por quem o matou, e no mesmo lugar, no mesmo plano, em que isso ocorreu. Se foi nesta terra física, nesta terra física tem de ocorrer a vingança.
Para podermos caminhar com segurança, examinemos a passagem a seguir da Santa Escritura, expressa com as palavras de Jesus de Nazaré:
Mas seria possível gozar uma vida perfeita, portando em si imperfeições tão graves como as acima
mencionadas? Num mundo de perfeição tudo tem de ser perfeito, pois uma imperfeição, por mais leve que fosse, tornaria o que é perfeito, menos perfeito, isto é, imperfeito.
Logo, as palavras do Senhor não podem estar se referindo à vida eterna, ou à vida em perfeição, em comunhão plena com o Senhor. Essa entrada, então, só pode se referir a uma entrada em um mundo em que a imperfeição existe, como uma necessidade da Queda. Está claramente se referindo a um lugar, a um plano bem conhecido, pois é isso que determina o artigo definido antes de "vida". O Senhor está dizendo claramente que para a pessoa que tenha tropeçado ou por causa do pé, ou por causa da mão, lhe restam duas alternativas:
1. entrar na vida aleijado, sem a mão que o fez pecar; ou coxo, sem o pé que o fez pecar.
2. ser lançado com as duas mãos e os dois pés no inferno.
A primeira alternativa se refere à possibilidade (que o indivíduo pode
escolher, como sendo melhor) de voltar a nascer já trazendo sobre si as marcas
do pecado cometido em vida pregressa, chegando carmicamente zerado a este plano.
A segunda alternativa se refere à possibilidade (que o indivíduo pode escolher, mas que é a pior para ele) de voltar a nascer com os dois pés e com as duas mãos para ter esses membros arrancados durante uma vida em que será duramente castigado pelas circunstâncias (pelos laços cármicos) que o unem inexoravelmente à vida pregressa e exigem dele o pagamento até o último ceitil. Esse indivíduo diria com muita razão e verdade (como já ouvimos alguns dizer): "Minha vida é um verdadeiro inferno!"
Em todo plano de causação há a parte ínfera, fonte de todos os males, celeiro de todas as mazelas, o armazém em que o indivíduo compra por preço de pecado aquilo que ele em verdade está querendo para si. O inferno, tanto quanto o paraíso, é, antes de tudo, um estado de espírito. Por isso, Jesus de Nazaré nos falou com todas as letras:
E o Inferno é Inferno porque tende a se perpetuar numa cadeia de laços cármicos praticamente indissolúveis. Quanto mais o indivíduo tenta pagar sua dívida, mais se enreda, ficando preso nas escuras masmorras do Inferno por éons e éons. Não há nada que ele possa fazer para se libertar, pois um coxo também peca, um aleijado também peca. Pode até pecar menos, mas peca. E diante da justiça divina tanto é réu de juízo um facínora como alguém que num momento qualquer se ressentiu, ainda que levemente, com um seu próximo. Mesmo porque "não há justo nem um sequer."
Então não haveria esperança para o homem? Já que está condenado a pecar eternamente? Viver é pecar, é ter de pecar. Essa pergunta, por merecer uma reflexão aprofundada dos mesmos arquétipos sagrados, vai, por enquanto ficar em suspensão, pois temos de voltar ao foco desta mensagem.
Agora temos em mãos uma informação inquestionável: aquele que peca numa vida tem de voltar em outra vida, para tentar quitar a sua dívida cármica. (Usamos o termo
cármico
por facilidade de comunicação, não por aderirmos a essa ou àquela seita ou religião. A nossa religião é o Evangelho.)
Mas, como, se ao homem está ordenado morrer uma só vez?
Já sabemos que todo um individualizado é um um (sic) eterno, portando sempre consigo os traços de sua individualidade. Se o
UM PRIMEIRO E ÚNICO é eterno, e ELE necessariamente tem de ser eterno, como já vimos, então todo um que viaja no seu seio também é eterno. Caim, se existiu realmente como pessoa e não só como tipo, é eterno. Abel, se existiu realmente como pessoa e não só como tipo, é eterno. Eu sou eterno. Tu és eterno. Pois não nos esqueçamos: o homem foi feito à imagem de Deus. E Caim, supondo-o também uma pessoa, teve de voltar a esse mundo, para nele ser morto por outrem ou mesmo, se for o caso, por Abel. Mas Caim já não entra na vida como Caim, mas como X, um novo um, com todas as prerrogativas de que goza todo um e, portanto, constituindo-se como pessoa, como um novo homem, e vive uma vida em que tece novas relações e novos elos cármicos, e é morto, e volta como Y, e assim sucessivamente. E, dependendo da escolha de Abel, a mesma coisa pode acontecer com ele.
Mas voltemos a Caim. O que acontece a Caim, enquanto os seus descendentes, pelo espírito, e não pela carne, pois como
Para obtermos alguma luz sobre esse assunto, que mergulha suas raízes em denso mistério, examinemos ainda uma vez o Texto Sagrado:
E no segundo Livro de Crônicas, temos o seguinte texto:
E curiosamente a expressão "dormiu com seus pais" só aparece em toda Bíblia, nos livros de 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas e 2 Crônicas, sempre, portanto, se referindo a um rei de Israel ou de Judá.
O fenômeno ou processo principal que ocorre com a morte é o fato de que o que morre, em sendo rei, se junta em dormir aos seus pais. Seria esse processo determinado apenas para os reis, e para os reis de Judá e de Israel? Estariam esses reis sujeitos a um processo diferente daquele que ocorre com os outros mortais? O que os distinguiria tão basicamente para merecerem um tratamento especial? Seria o fato de comandarem, de estarem à frente de muitos subordinados, pessoas ordenadas como estando abaixo dele? Por que o Livro Santo nos obrigou a essas reflexões? Haveria um propósito nisso? Nisto: em atribuir apenas a reis, e reis de Judá ou de Israel, o dormir com os pais após a morte?
Israel é um termo que significa "aquele que luta com Deus", e foi o novo nome que Jacó (= o suplantador) obteve de Deus, por ter lutado toda uma noite com Ele, junto ao vau de Jaboque (= despejado, segundo o PDB). Podemos ler esse episódio na passagem que se inicia em Gn 32:24 e culmina em
Façamos agora um apanhado do que examinamos. O dormir com os pais após a morte se aplica aos reis dos que lutam com o Senhor e aos reis daqueles que louvam o Senhor. Essa expressão
lutar com
tem dois sentidos: lutar contra e
lutar na companhia de,
lutar ao lado de.
E o que é um rei? Já o dissemos acima. É um homem que tem debaixo de suas ordens a muitos homens que se subordinam a ele. E Salomão, que se desviou dos caminhos do Senhor, prestando adoração a deuses estranhos, enquadra-se na categoria de rei, mas não certamente na daquele que louva o Senhor. Mas se enquadra na categoria daquele que luta contra o Senhor, opondo-se a Ele.
Assim, o processo se aplica a todo homem que, ou lutando ao lado do Senhor, ou louvando o Senhor, ou se opondo ao Senhor, tem abaixo de si outros homens que lhe são subordinados naquele dado presentual.
O que foi dito acima nos diz que o processo se aplica a todo homem que esteja vivo fruindo (ou mal fruindo) o seu presentual. E, se isso é verdade, então todo homem vivo é um rei de outros homens que lhe estão subordinados. Que estão sob as suas ordens. E quem são esses que estão às suas ordens? Mas há muitos homens vivos neste presentual que estão na escala mais baixa da sociedade, não tendo ninguém sob as suas ordens. Logo, os que estão sob as ordens de todo homem vivo em seu presentual não estão aqui neste século, neste mundo, neste plano,
neste éon. Só podem estar em outro plano, em outra dimensão, em que nada podem fazer a não ser obedecer ao que o que está no comando ordena que seja feito. Mas o Texto Sagrado nos diz que não é assim, pois os que morreram estão dormindo com os seus pais, aguardando, evidentemente, o momento de despertar.
Atrás de cada homem vivo, estão dormindo, numa mesma comunidade espiritual, numa mesma entidade espiritual, que é maior do que qualquer um dos que ela contém, todos os homens e mulheres que fazem parte de sua individualidade. O assunto é meio difícil, mas, assim como nós, vagarosamente caminhamos guiados pelas mãos do Espírito Santo, descobrindo nesse caminhar coisas que não sabíamos ou não entendíamos, assim também todo o que esteja interessado em tão importante assunto, deve caminhar com vagar, a tudo examinando, e a nada aceitando sem antes questionar o que está sendo aqui falado.
E o rei é aquele que tem sob o seu domínio um reino. E um reino é um coletivo de pessoas dominadas pelo rei, que lhes está à frente. E o reino terrestre, carnal, é uma imagem do reino celeste, espiritual. Cada homem que aqui agora está vivendo tem atrás de si, naquilo que podemos chamar de passado, uma grande comunidade espiritual a que ele pertence. Esta comunidade está em um estado de latência, e constitui uma coletividade de almas individuais, abrangidas por um mesmo espírito. Quem aqui está agora vivendo, está vivendo com uma alma que ao mesmo tempo que lhe é própria, pertence também a todos aqueles que o precederam. O que X viveu, emaranhando-se numa rede terrível de laços cármicos, Y, que agora está por assim dizer representando a sua comunidade, traz consigo, já desde antes de nascer, a carga cármica, que ele herda de toda a sua comunidade, que, em verdade, é ele mesmo. O homem vivente é o homem que representa e é para todos os fins aquilo que todos os que o precederam foram. Há nesse assunto, como em muitos outros, um mistério profundo que não nos é dado entender. Mas para tentar tornar mais claro o que estamos falando, vamos representar esse conteúdo em um gráfico:
As Escrituras sagradas nos falam de dois níveis: o de Cristo e o da Igreja, pois são esses que nos interessam mais diretamente nesse momento cósmico da nossa jornada sem fim. Assim, os nomes Grei e Egrégora estão aqui usados simplesmente com a finalidade de possibilitar a comunicação.
Já vimos em mensagem anterior que Cristo é todo aquele homem que se sabe Cristo, um Ungido de Deus, um escolhido de Deus, um separado para Deus. Cristo é todo aquele ou aquela que tem consciência de ser uma célula egosciente da Igreja. É aquele ou aquela que já sabe que é um com todos os homens, que sabe que é todos e que todos são ele, pois em Igreja todos são um. E, sendo todos, por todos é responsável, pelos pecados e transgressões de todos é ele responsável. Mas, graças à misericórdia divina, ele não tem de arcar com esse ônus, pois o Deus deste universo já pagou, obedecendo a todas as cláusulas da Justiça, por todos os pecados e transgressões de todos os homens de todos os tempos, de todos os espaços.
Sei-me Cristo, quero assumir-me Cristo, e já sei o que isso implica: terei de deixar o pai (a figura do pai, o arquétipo do pai) e mãe (a figura da mãe, o arquétipo da mãe); já não quero mais essas funções em minha existência terrestre. Já confessei todos os meus pecados, já fui perdoado por todos os meus pecados, inclusivamente por aqueles que todos os meus irmãos cometeram, já me entreguei a Jesus Cristo, o meu Redentor. Já estou livre das atrações do mundo: às coisas da Igreja aspiro. Jesus me comprou com o Seu sangue: sou dEle, pertenço a Ele, sou propriedade exclusiva dEle.
Agora que sei que sou Cristo, sei que todos os meus irmãos são Cristo: o santo é Cristo; o facínora é Cristo. E cada um aguarda o momento de despertar para essa Realidade Sagrada. O saber-me Cristo implica uma séria responsabilidade: a de colaborar para que todos cheguem a essa consciência: não posso ser pedra de escândalo para ninguém. E tudo farei para que essa mensagem chegue aos ouvidos de muitos.
Voltemos, entretanto, ao foco dessa mensagem, porque é muito importante o que ainda vai se dizer.
De uma coisa tenhamos certeza, ninguém paga por aquilo que não fez, e se tenho de pagar por aquilo que um outro fez é porque, de alguma maneira que não posso entender, ele e eu somos um só indivíduo, um só reino. Senão como explicar a situação das pessoas que já nascem cegas, surdas, coxas, aleijadas, imbecis, ...? Jesus, de uma maneira definitiva estabeleceu, como já vimos, uma quase identidade entre pecado e doença ou enfermidade. Quem nasce doente, nasce porque deve ter pecado anteriormente.
Aquilo que chamamos de reencarnação é algo muito maior do que isso, tem de ser, para poder conciliar as seguintes premissas necessárias, que refletem fielmente a justiça exigida pelo
UM PRIMEIRO E ÚNICO:
1. a necessidade de todo ser ser um um (sic) eternamente, com toda a sua individualidade
idiossincrática;
2. a necessidade de esse indivíduo (ele mesmo) ter de pagar em vidas posteriores o débito cármico que tenha acumulado;
3. a necessidade, em vista da premissa 1., de o novo homem que nasce ter a sua própria individualidade;
4. a necessidade de ele ser todos os outros que o precederam, sem deixar de ser ele mesmo;
5. a necessidade de todos os outros serem ele, sem deixarem de ser eles mesmos.
Procuramos conciliar isso tudo, pensando na necessidade de um ser maior que abrange a cada um dos que já fomos, preservando de cada um a sua individualidade, ao mesmo tempo que, holograficamente, está inteiro em cada um dos indivíduos que se agasalham em seu seio. Mas tudo isso que falamos é ainda um tanto vago, porque, se não fosse a existência da holografia e do fractal, teríamos muito mais dificuldade para tratar desse mistério.
Deus, cujos pensamentos são mais elevados que os dos homens, cujos caminhos são mais elevados do que os do homem, certamente terá uma solução para tudo isso. E deve ser uma solução linda, poética, maravilhosa!
O assunto não está esgotado, nem teve uma conclusão satisfatória, necessitando de mais reflexão.
Mas tudo isso que falamos nada é perto da nossa verdadeira necessidade, que é nos entregarmos de corpo, e de alma, e de coração, e de espírito, ao Senhor Jesus,
ao nosso Salvador, ao nosso Redentor.
Com ósculo santo,
o peregrino