Da necessidade da salvação


 

Mensagem 11


À falta de termo melhor ou mais adequado, usamos revisitação, ao invés de reencarnação, não só porque este termo está altamente conotado, enviesado, como também não era suficiente para sequer dar uma idéia do processo que preside à existência do ser individuado. O que sabemos é que todo um criado é eterno e infinito em suas possibilidades, pois, sendo criado no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO, traz ele em latência, tudo aquilo que o UM PRIMEIRO E ÚNICO é, mas em imagem, em reflexo. O UM PRIMEIRO E ÚNICO tem sua seidade no ABSOLUTO; e o ser criado tem sua existência no RELATIVO. E o que o ABSOLUTO é também o é o RELATIVO. Mas entre um e outro existe uma espécie de descontinuidade transfinita, que separa-une o UM PRIMEIRO E ÚNICO ao seu FILHO, o RELATIVO. O que acontece, ou o que existe ou deixa de existir nesse VÉU é totalmente inaccessível ao CRIADO. Da mesma maneira que ninguém sabe o que acontece à função tangente em trigonometria quando o ângulo de referência se aproxima de 90 graus. As informações abaixo foram encontradas em a função tangente.

tgx=AT
o eixo t é chamado de eixo das tangentes

"Não existe um valor máximo e nem mínimo de tg x, pois quando o x se aproxima de 90º no primeiro quadrante, o valor da tangente fica cada vez maior e, quando se aproxima do 90º no segundo quadrante, o valor da tangente fica cada vez menor."

Examinando o gráfico, notamos que o segmento OT vai se tornando cada vez maior, à medida que o ângulo de referência vai se aproximando de 90º. Para se ter uma idéia:

A tangente de 70º é 2,7474774194546222787616640264977
A tangente de 80º é 5,671281819617709530994418439864
A tangente de 89º é 57,289961630759424687278147537113
A tang. de 89.9999999999999999999999999999 (89, seguido de 28 "9") é 572.957.795.152.277.956.950.123.536.269,12
A tangente do ângulo 89,99999999999999999999999999999 (89, seguido de 29 "9") capacidade máxima da calculadora do computador) é: 5.729.577.951.483.766.596.904.451.330.786,4

O acréscimo de um "nove" decimal fez com que o valor pulasse da casa dos octilhões para a casa dos nonilhões! Imagine o valor de 89, seguido de um quaquilão (à moda do Tio Patinhas) de "noves"! E pensar que podemos acrescentar infinitos "noves" e sempre e sempre mais um...
Assim acontece com o um individuado: ele poderá sempre e sempre se aproximar do VÉU, mas jamais atingi-lo! O um assintota o UM. Esse o seu destino, a sua glória realmente eterna!
Mas voltemos ao assunto foco dessa mensagem.
Elias, que foi arrebatado pelo Senhor, não tendo passado pela morte, revisitou o planeta séculos mais tarde na pessoa de João, o Batista, para consumar em si toda a justiça. Ele veio como aquele que precede a vinda do Senhor, preparando o povo para a Sua chegada, para a Sua visita de resgate a esse planeta. E o Senhor Jesus nos revela que João veio na virtude e no espírito de Elias. Ou seja, Elias e João pertencem ao mesmo espírito e à mesma virtude. Espírito, em grego, como já vimos, é πνευμα (pneuma), cujo significado primitivo é sopro, hálito. Jesus Cristo, quando morreu, entregou o Seu espírito ao Pai. A morte, a saída do espírito do indivíduo, que consigo leva a alma, fica com o corpo físico, carnal, material, corruptível. No Arquétipo que já examinamos e que vamos chamar de Expiração,

notamos o sopro, o espírito, saindo do um individuado e indo em direção ao Pai. E assim é enquanto o um vive, e alguns se abeiram mais do Pai, e outros se abeiram menos. Os muito egoístas têm um hálito de curto alcance, porque não querem se afastar daquilo que consideram seu no mundo material ; os altruístas, têm hálito de longo alcance, pois já têm uma concepção maior de si mesmos, vendo no seu próximo, no seu semelhante, um irmão, uma como extensão de si mesmos. Consciente ou inconscientemente.
Quando o um individuado morre, ele realmente entrega o espírito ao Pai, para que Ele o receba em si e o examine, para ver, junto com o um individuado, aquilo que ele fez da sua vida.

Heb 9:27 E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo,

Com o juízo, o um individuado, que agora se reduz ao essencial dele mesmo, que é constituído de substância incorruptível, faz, junto com o Senhor, um exame detalhado daquilo que fez de bom, daquilo que fez de mal, na vida que já deixou para trás. É o terrível momento do juízo, em que a alma se expõe sem disfarces, diante do espírito de si mesmo, diante do Pai. A palavra κρισις (crisis) no grego, tem o significado de juízo, julgamento. Cognata de κρινω (krino), separar, distinguir, julgar. É o momento em que a alma do um individuado, vê diante de si mesma, a realidade nua e crua daquilo que já é, daquilo que foi, daquilo a que faz jus. O que acontece depois disso, o mesmo Arquétipo pode nos dar uma idéia. Assim, como em vida, o seu hálito, com sua alma, visitou o Alto e o Baixo, a parte súpera do plano de causação em que vivia, e assim também a parte ínfera, o Egito e Jerusalém, assim também, já que como é em cima, assim é embaixo, no pós-vida ele há de visitar, agora sem causação, agora em experienciação, os ambientes correspondentes àqueles que viveu em vida. E o próprio texto sagrado nos dá algumas indicações:

Lc 12:58 Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura fazer as pazes com ele no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te lance na prisão
Lc 12:59 Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro lepto.

Todos os que estamos aqui estamos em caminho, em pleno plano de causação, e podemos nos reconciliar com o nosso adversário, com aquele a quem ofendemos. Se não fizermos isso aqui, em vida, o nosso adversário, que é inexorável, vai exigir do juiz que sejamos encerrados na prisão. E dali não sairemos até que paguemos o último centavo. Quem é o nosso adversário? A pessoa a que tenhamos ofendido? Sim, certamente. Mas é também e primordialmente o adversário, aquele que tudo faz para que sejamos tentados, testados em tudo, e que tudo faz para que não nos livremos dos nossos débitos. Quando nos reconciliamos com o irmão a quem tenhamos ofendido, automaticamente fazemos as pazes com ele e também com o adversário, que já não tem armas e argumentos para nos prender, para nos manter presos. Se não fizermos as pazes com o ofendido, aqui, enquanto em caminho, teremos de ser julgados por isso, e teremos de pagar por isso. E a condenação é a prisão, um lugar de onde estamos impedidos de sair até que paguemos o último centavo. Que lugar é esse? É um lugar em que o condenado fica preso, mas não para sempre, pois poderá se libertar quando tiver pago totalmente a sua dívida. Ali o condenado nada pode fazer para abreviar a sua pena, pois a única coisa que lhe resta é sorver a taça de fel até a última gota. E todo o um que morre tem de passar por esse juízo de fim de vida terrena? Jesus nos responde a essa questão:

Jo 5:24 Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.

Para aquele que ouve a Sua palavra, e crê naquele que O enviou, esse tem a vida eterna, a vida sem mortes intercorrentes, e não precisa passar pelo juízo, pois Jesus se fez juízo para ele, tendo vicariamente recebido sobre o Seu corpo santo, sobre a Sua alma santa, todos os castigos que aquele um deveria receber. Jesus, tendo quitado sua dívida com Seu sangue, já aquele não tem motivo para ser julgado. E aqui Jesus nos mostra as duas opções para a pessoa humana:
1. ouvir a palavra, crer no Pai, e ter vida eterna, sem passar pelo juízo.
2. entrar em juízo, que decidirá qual o seu destino.
E o ter de passar pelo juízo é um sinal de que o determinado um tem débito em conta, e precisa saldá-lo. Ninguém é chamado a juízo, se não tem culpa diante da justiça do UM.
E o juízo se manifesta a nível microcósmico e macrocósmico. O juízo se exerce em vida terrena, a cada ato, a cada palavra, a cada pensamento, e condena o indivíduo a receber sobre si o peso do seu pecado. Tudo que alguém faz tem uma retribuição já aqui neste planeta, por isso que ninguém pode dizer de si mesmo que está sendo injustiçado, que está sofrendo sem merecer. Por isso, para termos uma vida mais alegre, mais leve, precisamos vigiar tudo o que fazemos, tudo o que falamos, tudo o que pensamos, tudo o que sentimos, tudo que imaginamos, tudo que sonhamos, e, a cada dia, procurar pecar menos, procurar produzir menos carma. Uma parte do carma, a mais leve, que não necessita de uma nova vida, se manifesta ainda em vida do indivíduo; mas há uma parte, por mais pesada, que não se manifesta, ficando reservada para o dia do juízo, que vem logo após a morte dele.
Esse é o caso para a pessoa que ainda não entendeu o que Jesus Cristo veio fazer neste mundo: nos libertar de todo pecado e de toda a sua malignidade, de toda a sua capacidade de se manifestar em algo mau para o homem.
O objetivo maior dessas mensagens é fazer com que alguns que não conseguem ser atingidos pela fé o sejam pela razão. A única coisa que se exige dessa pessoa é que ela sinta ou desconfie de que tudo o que existe só existe porque por detrás de tudo o que existe existe um poder, uma força, que a tudo ordena, desde os entes sub-atômicos até os entes transgaláticos. E que perceba, e que desconfie, que tudo isso deve ter ido um início, e que há uma causa hiperinteligente por detrás de tudo o que existe. Do caos, e da não razão não poderia ter-se originado esse universo maravilhoso em que vivemos, com todos os seus seres maravilhosamente construídos. Uma célula é um universo infinito, que cientista nenhum jamais haverá de explorar até o fim. O pouco - sim, o pouco! - que atualmente potentes microscópios revelam é de uma riqueza, de uma beleza, de uma ordem simplesmente maravilhosa. Em tudo o que existe, existe o insondável, que homem nenhum, em nenhum tempo, com os mais poderosos instrumentos que a mente possa imaginar, jamais poderá examinar cabalmente e dizer: já sei tudo disso, já vi tudo que isso escondia em sua aparente insignificância. A simples necessidade de haver o conceito de infinito, que homem nenhum jamais poderá compreender, já aponta para uma causa que transcende tudo o que possamos imaginar. A essa CAUSA damos com toda unção o nome de UM PRIMEIRO E ÚNICO. E por ser UM, e UM só, ele tem de estar presente em consciência de ser-existir em tudo o que existe, em cada mínima parcela de tudo o que existe. É ELE o mais presente de todos os seres; é ELE o mais ausente de todos os seres; é ELE o mais imutável de todos os seres; é Ele o mais mutável de todos os seres. Isso é o que mal podemos falar acerca dELE; pois ELE tem de resumir em si em ato e em potência tudo o que existe; pois nada pode existir fora dELE, e sem ELE.
Imaginem uma semente qualquer. Já pensaram o que significa uma semente? É um ente que tem dentro de si infinitas programações que permitam o seu eclodir, o desenvolvimento de uma parte, e depois de outra, e de outra, e de outra... E tudo sujeito a tempo e a ritmo perfeitos. E a medidas exatas, e a proporções adequadas, e a um desenvolvimento geral limitado por certos parâmetros: altura, densidade, espessura, cor, aspecto ... E, maravilha das maravilhas, tendo dentro de si o programa para gerar outro programa da mesma espécie, que, por sua vez,... Tudo clama pela presença atuante de um Organizador, de um Criador, de um Formador.
E graças ao UM, que ELE é um e um só. Porque se ELE é bom, tudo que existe é essencialmente bom. Se ELE é fiel, tudo o que existe é fiel. Se ELE é santo, tudo o que existe é santo. Se ELE é perfeito, tudo o que existe é perfeito. E tudo é basicamente perfeito. Tudo já aconteceu. Tudo já se consumou. Perfeitamente.
A nós, seres criados do SEU AMOR, que estamos em processo, em eterno processo, nos cabe viver o que já se consumou. Quando Isaías fala de Jesus, que haveria de nascer e viver mais de seiscentos anos depois dele, ele usa o pretérito, e não o futuro! Vejam esse exemplo maravilhoso, que expressa a misericórdia-justiça do Pai:

Is 53:4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Is 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

A nós nos cabe viver a história maravilhosa e sem fim que ELE criou para cada um de nós. O PRESENTE ABSOLUTO só a ELE pertence: nós vivemos num eterno passado que já se realizou com um happy end, que sempre e eternamente se renova.
Por isso, esse UM PRIMEIRO E ÚNICO, todo-poderoso, interpôs entre SI e o Criado um VÉU intransponível, para que eternamente estejamos em busca dELE, na sagrada ILUSÃO eterna de ainda não O termos encontrado.
E, para haver um sentido, uma ordem, na história, é necessário que ela funcione estritamente sobre um padrão de fidelidade insubornável. E esse padrão tem de estar inscrito no Arquétipo Inspiração-Expiração.

Macrocosmicamente considerado, ele representa o inspirar da vida e o expirar da morte. Desde o momento da primeira inspiração, o um individuado começa a expirar, de volta para onde ele veio. Nascer é começar a morrer. Morrer para quê? Para um balanço de fim de vida. E receber o pagamento de acordo com o saldo que ainda tenha em seus registros, de acordo com o juízo pelo qual tenha passado.
E passará primeiramente pelo purgatório, como já vimos, para se limpar de toda aderência negativa, e para tomar consciência do que está acontecendo e por quê. Como já dissemos acima, essa fase pode durar uma eternidade, ter uma duração muito longa, indeterminada, e impossível de ser calculada pelos nossos padrões de tempo. Depois disso, a alma vai gozar junto com os pais, o bem a que tem direito.

1Tt 5:25 Da mesma forma também as boas obras são manifestas antecipadamente; e as que não o são não podem ficar ocultas.

Assim como as más obras se manifestam antecipadamente, antes do juízo de fim de vida, de maneira que as que as que não o são, não podendo ficar ocultas, têm de se manifestar depois do juízo de fim de vida, assim também acontece com as boas obras, que são manifestas depois do juízo de fim de vida.
E essa fase também tem uma duração eterna, indeterminada, impossível de ser calculada ou estimada pelos nossos padrões conscienciais de experienciação do tempo.
Tive um sonho em que estava numa espécie de oficina, equipando-me com os recursos com que haveria de encetar uma nova viagem. E havia um guarda-chuva, uma espécie de guarda-chuva, e por decisão própria, em plena comunhão com quem me assessorava, resolvi tirar do guarda-chuva uma vareta, vareta que deve ter sido pedra de tropeço em pretérita descida. Eu iria descer sem um recurso, para ver se conseguia realizar a missão sem ele. No momento, era o design mais econômico, ótimo, para a nova descida. Foi um sonho, mas foi também uma espécie de reminiscência de um momento crucial da minha existência.
Sendo o UM PRIMEIRO E ÚNICO ordem, organização, nada se faz em planos de não causação sem que haja um criterioso planejamento, em que se formula uma espécie de mapa ótimo que devemos executar, sem ter lembrança dele, apenas nos guiando pelo supremo decreto que diz que todo um é um um (sic). Nesse mapa consta pontos de pousada inegociáveis, pelos quais temos de passar, e apresenta, também, rotas alternativas para negócios de menor monta. E, assim, podemos dizer que há um destino a nos guiar, mas, também, há o livre-arbítrio, que nos permite desviar da rota ótima ou assumi-la depois de um desvio. Todos que aqui estamos temos um mapa a seguir, para tentar resolver questões em aberto de vindas pretéritas, e (Suprema Misericórdia!) temos a possibilidade de resolvê-las a todas, mas não por nós mesmos.
E não interessa a intrincabilidade do mapa, e sua complexidade, sempre temos uma boa guia a seguir, que são as exortações de Jesus Cristo de sempre fazermos o bem. Quem sempre procura fazer o bem, procurando se afastar das redes do mal, tem uma vida mais desimpedida, mais tranqüila, mais prazerosa. Mais de acordo com o mapa de que não se lembra, mas tem de executar.
E quem vem para executar o plano, a leitura do mapa, de que se esqueceu? A mesma pessoa?
Para entendermos isso, examinemos, primeiramente, este verso das Sagradas Escrituras:

Exo 20:5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

O Senhor Deus é um Deus zeloso, fiel e insubornável cumpridor da justiça divina, que jamais erra, que jamais vacila, que jamais falha. E Ele declara que visita a iniqüidade que os pais cometeram nos filhos (que não a cometeram?). Não haveria nisso uma quebra da reta justiça, que atribui inexoravelmente a pena ou a recompensa a quem pratica o ato que lhe é afim? Além disso, essa disposição parece estar em franca contradição com:

Ez 18:2 Que quereis vós dizer, citando na terra de Israel este provérbio: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram?
Ez 18:3 Vivo eu, diz o Senhor Deus, não se vos permite mais usar deste provérbio em Israel.
Ez 18:4 Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.

O Senhor Deus nega a veracidade do provérbio então corrente que sugeria que os filhos carnais pagassem pelos pecados dos pais, proibindo o seu uso em Israel, que era o detentor e guardião por excelência da palavra de Deus. E ratifica o decreto de justiça: a alma que pecar, essa morrerá. Ou seja: a responsabilidade é pessoal, sendo intransferível para os filhos. Alma, em hebraico, significa primitivamente, segundo Strong, criatura que respira. Toda criatura humana, enquanto está respirando, é responsável por seus atos, apenas por seus atos. Esse fato está liminarmente claro nessa passagem.
Como, então, conciliar essas duas assertivas?
1. Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que O aborrecem.
2. Cada um é responsável por seus atos, não podendo haver transferência de iniqüidade dos pais para os filhos.
Em 1., atendendo a justiça inexorável de Deus, temos de admitir que os pais ali mencionados têm uma relação de identidade com os filhos, para que se cumpra integralmente o que está declarado em 2.
Mas nós já sabemos que todo um é um um (sic) primeiro e único, pois o que provém do UM PRIMEIRO E ÚNICO tem necessariamente de seguir o padrão único que diz que todo um é um por si mesmo, e eternamente.
Como conciliar tudo isso? Pelo menos para nossa mente limitadíssima?
Aventemos uma hipótese. Sinésio esteve na terra, viveu, fez coisas boas, fez coisas más, morreu, passou por juízo, penou o que tinha de penar para elevar-se em entendimento, gozou o que tinha de gozar, planejou sua descida com  assessoria necessária e ótima, e desceu, e nasceu como Sizenando. Sizenando é Sinésio? Não, o único que podemos dizer é que Sizenando é filho de Sinésio, e que Sinésio é o seu pai, pois um, na verdade, gerou ao outro, pela linha do espírito, e não pela linha da carne.
E o que aconteceu com Sinésio? Se não foi liberto, ele estará dormindo com os pais, com aqueles que o precederam, participando de um mesmo ser coletivo, que na Bíblia é referido como o seio. E o lázaro depois de morrer, encontrou-se no seio de Abraão, a quem ele pertencia, fazendo-se um com ele. Assim, cada um de nós, resguardada a nossa individualidade eternamente, pertencemos a um seio, a um reino, que foi e é a raiz de nosso ser e de nossa alma.
No texto abaixo, podemos entender dormiu com seus pais como agasalhando os dois sentidos: o carnal, já que ele era rei, e o espiritual, já que ele era uma pessoa, e toda pessoa pertence a um ser maior que é ele mesmo em verdade.

2Cr 32:33 E Ezequias dormiu com seus pais, e o sepultaram no mais alto dos sepulcros dos filhos de Davi; e todo o Judá e os habitantes de Jerusalém lhe renderam honras na sua morte. E Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.

Essa é a única maneira que temos de conciliar todas as três premissas necessárias:
1. O Senhor visita a iniqüidade dos pais nos filhos.
2. O pai é responsável por seus próprios atos. O filho é responsável por seus próprios atos.
3. Todo um é um um (sic) eterno, uma pessoa eterna.
E isso é o máximo a que podemos chegar com nossa mente limitadíssima. Mais mistérios do Amor certamente residem nessa questão, mas isso a que chegamos é muito mais do que necessitamos individualmente falando.
Procuremos viver de acordo com as palavras da Palavra, do Verbo divino encarnado, e nos convertamos, e nos entreguemos a Jesus como nosso Senhor e Salvador, pois é exatamente isso que Ele é. Assumamos a nossa responsabilidade, pois ela é indescartável, e aceitemos de coração a Jesus como nosso Senhor e Salvador. E agradeçamos a Ele por isso. E ao Pai. E ao Espírito Santo. E, como Dimas, estaremos HOJE no céu com Ele, numa outra categoria mais elevada e santa e bem-aventurada de existir.

Rom 10:9 Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo;

E não tenhamos dúvida nenhuma: apenas Jesus, o Cristo, o Ungido de Deus, pode nos tirar deste plano de causação de uma vez por todas, libertando-nos para sempre da roda da carne. Como está escrito:

At 4:12 E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. (ARA)

A preposição εν (en) denota, segundo Strong, posição. Jesus é aqui considerado como o único lugar-ser em que importa sermos salvos. Jesus é em verdade a Igreja em que cedo ou tarde todos entraremos, para dela fazer parte consciente.

At 4:12 E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. (ARC)

Uma tradução não elimina a outra, apenas se fortificam mutuamente. Pois somos salvos em Jesus, por meio de Jesus. Estamos dando as duas versões porque há uma diferença significativa entre uma e outra.
Examinemos o original grego nas partes em que há destaque:
1. porque também debaixo do céu

ουτε    γαρ      ονομα              εστιν        ετερον        υπο        τον   ουρανον
nem     pois    um nome         é (há)      outro           sob         o       céu

Pois nem mesmo um nome outro, diferente, há debaixo do céu. O céu, aqui, o lugar geográfico que se situa acima da superfície terrestre, significa o lugar para onde irá a alma pessoal do homem quando ele estiver liberto deste nível de causação. E aqui assevera que nem um outro ser, nomeado entre os homens, existe debaixo daquele nível de promoção que tenha condições de realizar tão momentosa e maravilhosa promoção para a alma individual. Só Jesus, o Ungido de Deus, tem condições para isso: de nada adianta buscar um outro meio, ou uma outra pessoa, seja ela de que estatura for. Pois, se existir, não será o ser que nos é necessário. Jesus é necessário para a nossa salvação. Isso quer dizer que o seu papel de Redentor se origina na mesma essência do UM PRIMEIRO E ÚNICO. Mas aqui fica uma pergunta: E sobre o céu? E acima do céu? Mas essa questão deve ficar para reflexão de uma vindoura mensagem.

2. pelo qual devamos ser salvos

εν         ω         δει                       σωθηναι           υμας
em       que      é necessário       ser salvo          vós

Em que é necessário  vós serdes salvos.
A preposição εν(en), segundo Strong, é uma preposição primária que denota posição, instrumentalidade, sendo raramente usada com verbos de movimento, e indica uma relação de repouso.
Traduz-se normalmente por "em", significando lugar em que. No caso seria um lugar virtual, já que se trata da pessoa do Senhor Jesus Cristo. É nele que seremos salvos, em sua mesma substância, e não fora dele, em outra substância de alguém de menor estatura. Jesus é o lugar da nossa salvação. Por isso Ele se definiu como Caminho. Mas a preposição também pode indicar instrumentalidade. E isso significa que seremos salvos - já o fomos, em verdade - por Ele. Jesus é a nossa Igreja. É o lugar para onde iremos, é o seio no qual nos agasalharemos, depois de salvos.
A forma verbal δει (dei) significa: é necessário, é conveniente, é importante, é devido. Selecionamos o sentido mais forte que é "é necessário", por se prender à mesma substância do UM PRIMEIRO E ÚNICO, dentro do qual tudo é necessário, nada sendo contingente. Isso quer dizer que a salvação dada e instrumentalizada por Jesus é algo necessário, algo que não pode deixar de acontecer. Para ninguém. Fiquemos com esta verdade, e a abracemos com todas as forças de nossas almas:

SÓ EM JESUS, SÓ POR JESUS, NÓS SOMOS SALVOS.

Seria, então, a salvação uma promoção destinada a quem? A poucos? A muitos? A todos?
Há um movimento chamado Universalismo que defende a tese de que todos serão salvos no final. Um ótimo material a esse respeito é o artigo ONE HUNDRED AND FIFTY REASONS FOR BELIEVING IN THE FINAL SALVATION OF ALL MANKIND (Cento e cinqüenta razões para acreditar na salvação final de toda a humanidade), por Erasmus Manford
As razões apresentadas por Erasmus Manford são muito fortes, e não podem ser desconsideradas numa reflexão séria.
Entretanto, há no Evangelho, palavra que significa "boa nova", uma passagem que merece uma reflexão bastante profunda, pois ela parece estar em em franca contradição com a tese esposada por Erasmus Manford:

Mt 25:31 Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
Mt 25:32 e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;
Mt 25:33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.

Um dia, quando o Filho do homem vier na sua glória, todas as nações do mundo serão reunidas diante dele, e ele separará as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda.
A palavra ovelha já o dissemos em alguma parte significa em raiz "o que anda para a frente". Para frente, em direção a Jesus, o Filho do homem, aquele que se humilhou para tirar o pecado do mundo. Mas agora não vem para ser humilhado, mas para ser exaltado; não vem como servo, vem como rei.
A palavra cabrito, em grego, é εριφιον (erifion) que tem por origem εριφος (erifos), que significa em raiz filhote, e, por extensão, cabrito. A ovelha é um animal manso que pasta mansamente. O cabrito é um animal agitado que devora as folhas, os ramos, e, se puder, o caule. O curioso é que εριφος (erifos) provém, segundo Strong, provavelmente de εριον (erion), que significa lã.
Cabrito, então significaria um filhote lanudo, cabeludo, coberto de pelos. Mas a ovelha também é coberta de lã, mas ela se deixa tosquiar pacificamente. A  ovelha, porque cuja lã   pode ser retirada com facilidade e sem resistência por parte dela, conota  alguém de vida mansa e transparente. O cabrito, pela sua truculência, representaria alguém violento, sempre ocultando-se a si mesmo. E, por ser filhote, significa alguém que ainda não amadureceu na Verdade. Quem já viu uma ovelha e um cabrito sabe que esses animais são de índole bem diferente. Quando é sacrificada, a ovelha chora; o cabrito berra. O que há de comum e de nota entre esses animais é que ambos são representados por substantivos neutros.
A palavra esquerda também é muito curiosa em grego. Ευωνυμος
(euonimos) significa "aquele que é bem nomeado, que tem um bom nome". Segundo Strong, entre os pagãos, o lado esquerdo era o lado da sorte. Mas no contexto presente significa bem o contrário, pois é o lado que corresponde à perdição.

[ Jesus, o Verbo divino encarnado, não iria usar uma palavra por ironia, pois para Ele sim é sim, não é não.  Então deve haver nessa expressão um conteúdo maior, mais significativo.  Todo homem, seja ele ovelha, seja ele cabrito, é vestido de lã, e nisso se identificam.  A ovelha, já é ovelha, já deu o passo definitivo para a  frente; o cabrito ainda não, mas ele, estando à esquerda, está no grupo dos que têm essencialmente um bom nome, um nome que se deriva da mesma cepa santa que a da ovelha, e terá um dia de manifestar a sua verdadeira identidade: a de ser uma ovelha que ainda se renega, não assumindo aquilo que  realmente é: um filho dileto do Altíssimo. ]

E mais adiante dará o veredicto:

Mt 25:41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos;

E o veredicto é terrível: os que estiverem à sua esquerda devem apartar-se dEle, porque são malditos, amaldiçoados, e devem ir para o fogo eterno, que foi preparado para o Diabo e seus anjos. Maldito é aquele de quem se diz o mal, de quem se profere o mal, de quem se declara o mal. Maldito é aquele que pela palavra se perdeu. Não só pela palavra, mas por tudo que ela movimenta: os atos, os pensamentos, as imaginações, as omissões, os desejos. E aqueles que se perderem têm de ir para o fogo eterno. Em grego, εις το πυρ το αιωνιον (eis to pir to aionion) . Sabemos que se trata de um fogo bem determinado, bem definido; não se trata de um fogo qualquer. Assim, para nós, que não o conhecemos, esse fogo tem características desconhecidas para nós. Trata-se de um fogo especial, e fogo é algo que queima, seja ele de que natureza for. Que queima, que suplicia, que dói, e dói muito. E é um fogo eterno. É um fogo que terá uma duração indefinida, provavelmente bastante dilatada. Mas é um fogo cuja duração não pode ser medida, menos ainda por nossos parâmetros. Não é o fogo do Inferno, tal como muitos pensam, pois nem mesmo o Diabo já o conhece. Portanto, esse fogo não pode se referir ao Inferno, tal como muitos imaginam. E, vindo do Senhor, que que quer que nem mesmo um se perca, pode esse fogo ser algo essencialmente mau? Não, esse fogo tem de ser algo essencialmente bom, representando uma mezinha mais forte para aqueles que ainda não se curvaram ao senhorio do Senhor. E há um detalhe importante: esse fogo foi preparado para o Diabo e seus anjos! Aqui não se diz que esse fogo tenha sido preparado para o homem! Então o homem que for para esse fogo não pode ter o mesmo status do Diabo e seus anjos. Se isso é verdade, então esse fogo deve ter para o homem um significado diferente do que tem para o Diabo e seus anjos. E em que residiria essa diferença? O que é o homem? Uma centelha divina individuada, que teve uma origem que tem de ser o seu destino. O homem veio do UM PRIMEIRO E ÚNICO, da glória suprema, e para lá ele tem de caminhar, ou por bem, ou por mal. Aqueles para quem essa escola não foi suficiente, para quem a escola não conseguiu fazer produzir os frutos desejados, para quem o coração muito se empederniu; esses terão de enfrentar uma escola mais rígida, em que terão de aprender, de uma maneira mais severa, que eles mesmos criam o universo em que vivem. E isso será realmente terrível, pois viverão em um ambiente em que os seus pensamentos, palavras e atos se transformam imediatamente em criações suas, manifestando-se claramente em suas vidas. Não conseguiram ver com a luz da Luz que eles são criadores das circunstâncias do seu existir; então terão de ver com a luz do fogo, que queima, que machuca, já no próprio manifestar-se do ato. E ninguém depois de algum tempo, ou pequeno ou grande, poderá mais dizer que não é responsável por aquilo que é responsável, já não poderá mentir nem diante de si mesmo, nem diante dos outros, nem diante de Deus. A lição da responsabilidade, a maior de todas, porque pressupõe o Amor, tem de ser aprendida por todos os homens. Sem ter aprendido essa lição, é impossível qualquer promoção. Alguns logo entenderão o que são, outros demorarão um pouco mais, mas todos estão "condenados" a entender. Visualizo esse universo criado pelas mais baixas motivações, sem haver motivações elevadas que ajam como compensação, como acontece no caso do universo em que ora vivemos, como um verdadeiro inferno, pois será feito das emanações maléficas daqueles que nele estiverem. E já não haverá mais nada encoberto, e conviverão com o Diabo e seus anjos, e verão que eles só podem construir maldades com o material que lhes fornecerem. Pois o Diabo nada pode fazer se não tiver material que lhe seja fornecido por outrem. Porque ele por ele mesmo nada pode fazer para nem um um (sic). No início, pensarão que estáo num inferno gratuito, que nada tem a ver com eles, com aquilo que falam, que pensam, que praticam, mas logo perceberão que as modificações que nele se operam são respostas imediatas à sua atuação. E buscarão no mais íntimo do seu ser coisas mais positivas, para minorar o seu suplício. E quando um entender, ele quererá contar aos demais, e muitos ainda recalcitrarão, mas um dia hão de ceder e entenderão, e o inferno se tornará cada vez menos inferno, e um dia nele só ficarão no fim o Diabo e os seus anjos. Outra consideração a se fazer é que os à esquerda irão para o fogo inferno, para um lugar em que o fogo é eterno, e não necessariamente o suplício: o suplício, no caso, pode ter uma duração menor que a do fogo. Pois o fogo não é um fim em si mesmo, mas um meio para um fim. Para uma finalidade: a única que existe no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO: o fazer despertar do indivíduo para a realidade santa de si mesmo. E esse despertar é irrevogável, pois isso faz parte da vontade inquebrável de Deus:

Jo 4:34 Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.

Jesus declara que veio para fazer da vontade daquele que o enviou o seu alimento e para completar a sua obra. E que obra seria essa senão o resgate do mundo? Jesus veio para tirar o pecado do mundo, para resgatar a todo aquele que estivesse sob o domínio do pecado, isso é, a todos os homens e mulheres de todos os tempos e espaços. E para consumar a obra de Deus, que era, que é boa. Jesus veio trazer a todo homem a boa notícia: a de que todos logo estariam alforriados. E Ele pagou pela carta de alforria de cada um de nós, nos livrando da necessidade de ter de pecar. Depois do Seu sacrifício vicário, todo homem está potencialmente salvo. Basta querer de coração e está salvo. Basta querer de coração participar de uma nova vida mais abundante, mais gozosa, mais vida. E disso já falamos, mas vamos repetir, porque o escopo dessas mensagens é exatamente este: exortar a todo homem e mulher a se livrar de vez deste plano de causação e entrar em novidade de vida em um plano muito mais elevado e mais gozoso. E vamos insistir: o homem não pode ter os dois ao mesmo tempo, pois cada um representa o aflorar de uma potencialidade consciencial. As coisas deste mundo, as coisas que nos ligam, que nos prendem neste mundo, devem ser criteriosamente descartadas pelo proponente, pois as coisas deste mundo só têm sentido aqui, nessa ambiência em que o mal convive com o bem. Em que o mal suplanta o bem. O mundo para o qual iremos é bem diferente deste: nele novas possibilidades de gozo serão manifestadas, novos poderes serão colocados à nossa disposição, novos sentidos e novos sentimentos mais puros, muito mais puros serão nossos meios de contacto com o mundo. Aquele que se propuser a entrar neste novo mundo tem de se renovar completamente, terá de perder a sua alma para poder gozar de uma alma mais livre e mais venturosa. Jesus veio para consumar a obra de Deus, e teria Ele falhado no seu intento? Ele mesmo o responde com as suas últimas palavras, com suas palavras finais, finais, derradeiras e que exprimiam a finalidade de Sua vida:

Jo 19:30 Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Está consumado, no grego, corresponde a uma única palavra, à palavra una, à palavra do UM primeiro e unico: τετελεσται (tetelestai). Essa palavra é uma forma do verbo τελεω (teleo) , que significa terminar, cumprir, que, por sua vez, tem origem em τελως (telos), que tem dois sentidos básicos: fim = término, e fim = finalidade, propósito, objetivo. Assim Jesus, estava declarando duas coisas simultaneamente: 1. que estava terminado, acabado, completado, consumado. Já não havia mais nada  que fazer. 2. que tinha alcançado o objetivo, que tinha cumprido a finalidade. A finalidade para que veio: completar a obra, a finalidade dAquele que o enviou. A forma τετελεσται (tetelestai)  está no Pefeito Passivo do Indicativo, e isso nos diz que a obra estava perfeita, totalmente acabada, não havendo mais nada  que fazer. E isso de uma maneira indicativa, categórica, irretorquível, irrevogável. O que Ele dizia tinha força de um decreto que ninguém poderia impugnar. O Diabo estava definitivamente vencido, e suas artimanhas não tinham mais o efeito que antes tinham, pareciam ter. E é uma forma passiva, que nos diz que o objeto da declaração não tem o poder de agir, mas de receber a ação sobre ele. De aparentemente ativo, o objeto passava a manifestar a realidade a seu respeito. A obra, iniciada com Adão, que antes parecia ter tomado um rumo próprio, independente de uma vontade superior, agora tinha de se submeter a essa vontade. A partir do momento sagrado do τετελεσται (tetelestai) tudo assumia uma feição diferente, pois a roda da carne perdia o seu poder sobre o homem, pois o Diabo já não podia mais afligir o homem livremente. Ele já não tinha em suas mãos a poderosa e terrível arma da morte e do suplício. Agora, desde então, o homem pode se libertar do jugo do mundo, da roda da carne, do Diabo. E ser promovido a um status muito superior de vida:

1Co 2:9 Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

Essas coisas maravilhosas inerentes a uma vida só vida estão reservadas para aqueles que amam a Deus, só para aqueles que amam a Deus. E como mostramos nosso amor a Deus? Fazendo as coisas que ele quer que nós façamos. Mas muitos não fazem aquilo que Deus quer que eles façam. Ainda não fazem, porque um dia hão de fazer, pois

2Pe 3:9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.

E qual a promessa do Senhor? A palavra para promessa em grego é επαγγελια, (epangelia)  que em raiz significa aquilo que é anunciado em cima de, no caso, em cima da situação do homem neste mundo. E o que o Senhor diz em cima disso, sobrepondo-se a isso? É a promessa de que Ele voltará para julgar os vivos e os mortos, no dia do Juízo Final. O Senhor não está retardando o momento de sobrepor-se às coisas deste mundo, para apresentar a Sua proposta, (melhor: decisão) que nada tem a ver com o destino sociopolítico deste planeta: não é disso que trata a Sua promessa, mas de algo que está acima disso. Ele não quer resolver os problemas graves que este mundo está sofrendo; Ele quer submeter todos os homens a um juízo, que nada tem a ver com as coisas deste mundo. Ele quer saber - Ele já o sabe - quem está preparado para receber a promoção e quer que quem a receba ou seja reprovado entenda o porquê disso. Será o dia do acerto de contas, de um acerto de contas transparente, para que ninguém possa dizer que não entendeu o porquê do veredicto em relação a ele mesmo. Esse dia virá certamente, mas, como o Senhor é longânimo em relação a nós, Ele não quer que ninguém se perca. Frisemos: este é o querer do Senhor. Poderá o querer mesquinho do homem sobrepor-se à vontade do Senhor? Poderá por algum tempo, ou longo ou curto, mas um dia ele há de se curvar diante da vontade invencível do Senhor. Um dia, seja ele o dia do Juízo, seja ele antes ou depois do dia Juízo, o homem, cada homem, há de se arrepender-se, pois Ele quer que todos venham a arrepender-ser. Vejamos no grego essa parte final do versículo. αλλα (mas, porém)  παντας (todos) εις (preposição que denota movimento para dentro) μετανοιαν (reversão de mente) χωρησαι (dará espaço vazio). Vou traduzir todo o versículo ao pé da letra, dando para a parte acima destacada uma tradução que aproveita todas as raízes disponíveis. Não retarda Senhor a promessa, como alguns consideram tardia, mas é longânimo em (dentro de) vós, não querendo alguns se perderem, mas todos darem espaço vazio para que entre uma reversão de mente . O Senhor está esperando que todos se esvaziem de tudo o que é mundo, para que revertam o sentido da sua mente, que deve se focar não no mundo, mas naquilo que está além e acima do mundo. Arrepender-se é trocar de mente totalmente. Ver o mundo de uma outra maneira, ver o seu semelhante, seja ele quem for, de uma outra maneira. Arrepender-se é desligar-se de tudo que não é santo, e entrar numa nova consciência que sabe que tudo é santo. É santificar o nome do Pai. Pois o Pai é a Palavra que tudo fez, sem deixar nada por fazer. Tudo é santo, mas para o santo já não convêm certas coisas que são basicamente santas. E ele sabe disso, e vive em novidade de vida, com uma mente totalmente transformada após um esvaziamento de tudo aquilo que já não tinha serventia para o seu caminhar. Primeiro, há o esvaziamento, a renúncia ao pecado; depois, o preenchimento, o novo modo santo de mentar a existência.
A conclusão que tiramos é que todos serão salvos, mas alguns antes de serem salvos, terão de passar por uma escola mais rigorosa do que esta em que estamos.
E agora temos de perguntar: a salvação universal está contida no Arquétipo UM, no UM PRIMEIRO E ÚNICO? A resposta é uma só, quando consideramos o UM. Nâo pode haver duas ou mais.
A resposta é uma, uma só. Não entenderam? Não pode haver mais de uma resposta. Não entenderam? Não pode haver mais de uma resposta: uma resposta para um, e outra resposta para outro. Se a resposta para um só que seja é que ele conseguirá a salvação, então essa será a resposta para todos os outros uns. Se houver um só salvo que seja, isso é suficiente para afirmarmos categoricamente que todos serão salvos. E a resposta está no UM PRIMEIRO E ÚNICO. ELE tem uma substância santa, sã. Todos os uns têm uma substância sã, santa. Se alguém tivesse uma substância não santa constituinte da sua essência, então já não haveria esperança de salvação. Mas o UM PRIMEIRO E ÚNICO, misericordiosamente, é UM e primeiro e único. E nada no SEU seio pode ser não santo.
A resposta é uma.
Una, unificada. O UM PRIMEIRO E ÚNICO não pode perder nem uma mínima parte de si mesmo, pois se isso acontecesse, ELE deixaria de ser o UM PRIMEIRO E ÚNICO. E todo um individuado é-o em semelhança do UM PRIMEIRO E ÚNICO. O nosso Deus, sendo um um (sic) individuado no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO, não pode perder sequer uma mínima parte de Si mesmo, porque então Ele já não seria um um (sic), com todas as características que todo um tem inerente a si pelo simples fato de ser um. O nosso Deus é um, é único, logo Ele não pode perder ou deixar que se perca qualquer parte de Si mesmo. Toda Igreja, que é uma unidade, só fica completa quando todos os uns que a compõem se unirem a ela. A Igreja só é Igreja porque é formada de
todos os indivíduos que a constituem. E um dia todo homem se saberá Cristo, e deixará pai e mãe e se unirá à sua Igreja. Isso é um decreto que emana do mesmo UM PRIMEIRO E ÚNICO. Todo um, assim como acontece necessariamente com o UM PRIMEIRO E ÚNICO, tem direito à glória. Ele pode recalcitrar, pode teimar, pode voltar incontáveis vezes ao vômito, mas um dia se saberá Cristo, pois esse é um caráter inerente a todo um, e um dia tem de vir à luz.
Creio na salvação universal, porque isso está inscrito na mesma substância do UM PRIMEIRO E ÚNICO. Todas as outras razões (válidas, sem dúvida) derivam-se desse fato. Assim, podemos ler em:

Lc 3:5 Todo vale se encherá, e se abaixará todo monte e outeiro; o que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão;
Lc 3:6 e toda a carne verá a salvação de Deus.

Todo vale se encherá, todo humilde se alevantará; todo outeiro se abaixará, todo presunçoso se humilhará; o que é tortuoso se endireitará, aquele que anda por caminhos de pecado, deixará esse caminho e terá uma vida santa, e os caminhos escabrosos se aplanarão, e aqueles que vivem uma vida acidentada de altos e baixos, de fases de orgulho, de fases de humildade, terão uma vida equilibrada, em que não haverá nem altos nem baixos, nem pompa, nem miséria; e toda a carne, todo homem que esteja vestido de carne, que esteja encarnado, verá a salvação do Senhor. Verá em grego, οψεται (opsetai), é uma forma depoente futura ativa do verbo οπτομαι(optomai), que significa olhar fixamente.
. A depoência, como vimos, representa uma ação mediata, mediada, ativo-passiva: toda carne será obrigada a olhar, e quererá olhar. É uma ação futuro-indicativa, que, portanto, terá necessariamente de ocorrer. Mas o que significa ver a salvação? Ser uma testemunha ativa para alguns, e uma testemunha passiva para outros? Isso não é possível, porque, como acabamos de ver, se trata de uma ação ativo-passiva para todos. É uma ação em que toda carne, toda a carne, em verdade, participará da ação do mesmo modo: sendo o agente e o paciente ao mesmo tempo, tendo uma parte nela e recebendo uma parte dela. Esse fato de todos verem do mesmo modo nos diz claramente que experienciarão a salvação do mesmo modo: se um experienciar como salvação própria, todos terão de experienciar como salvação própria. A depoência em que está o verbo põe a todos num mesmo status consciencial. Mas a declaração não nos garante que toda carne a verá no mesmo tempo. Por isso, cautela com o que se lê. E Isaías, séculos antes, já escrevia, guiado pelo Espírito Santo:

Is 52:10 O Senhor desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

A mensagem aqui não está ainda muito clara, mas já pressupõe por possibilidade noética de abrangência o mesmo sentido que vimos em Lucas. Aqui diz que são "todos os confins da terra", deixando ainda em suspenso se se refere a toda carne. Mas para quem se guia pelo Arquétipo UM, bastaria a expressão "todos" para chegar à mesma mensagem. Porque no UM PRIMEIRO E ÚNICO, é tudo ou nada. Se algo for válido para um um (sic) que seja, terá de ser válido para todos, porque o UM não faz acepção de pessoas.
Todos seremos salvos. Exultemos por isso. Temamos por isso. Porque a salvação pode vir de uma maneira mais leve ou mais pesada. Ela certamente virá, mas alguns a receberão de um modo, anelando-a para si e para todos; e outros a receberão depois de muita teimosia, de muita luta, de muito suplício. Uns, com o batismo da água; e outros, com o batismo do fogo. Todos estão condenados a ser salvos, mas não seja isso motivo de displicência, de incúria, de invigilância!

1Co 3:15 Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.

Se a pessoa não teve o cuidado de se esvaziar das coisas do mundo, essas coisas terão de ser queimadas, e a pessoa sofrerá com isso, mas ela será salva como que pelo fogo. Nâo pelo fogo, mas por algo que, semelhante ao fogo, queima também. Seria essa uma referência àqueles que, malditos, tendo algo dentro de si que não convém, vão para o fogo eterno, como discutido acima?
O importante é que entendamos que os tempos estão maduros, e que é hora de enfrentarmos a realidade que somos: pessoas condenadas à salvação. Por isso, façamos tudo que é necessário para isso acontecer da maneira mais rápida e indolor. E vou repetir-me, pois este é o objetivo final dessas mensagens:
1. Faça um exame de consciência honesto e pungente de tudo que lhe aconteceu nessa vida. Principalmente daquelas coisas e fatos em que não é o mocinho, mas o bandido.
2. Entenda que é co-autor de tudo aquilo que lhe aconteceu e, por isso, responsável por tudo o que lhe tenha acontecido.
3. Passe o filme de sua vida procurando ser o mais imparcial possível, e enfatizando os momentos mais pungentes. Não julgue. Não avalie. Não se emocione. Não se ressinta.
4. Confesse ao Senhor, de viva voz, no secreto do seu quarto, tudo o que de mal praticou contra você mesmo, contra outrem, contra o Senhor.
5. Peça perdão ao Senhor por tudo de mal que você fez, procurando citar essas coisas em voz alta. Se você sentir-se envergonhado, ótimo. O fato é que o Senhor lhe perdoará todos os pecados confessados e tirará deles toda a malignidade. Confesse também os pecados de que não se lembra, e os que foram praticados inconscientemente.
6. Arrependa-se de tudo de mal que fez. Arrepender-se significa mudar de mente e de atitude em relação às coisas. Entenda que todas as coisas são santas em si mesmas, mas algumas não convêm àquele que quer trilhar o caminho da santidade. Aquele que realmente quer trilhar o caminho da santidade sabe muito bem quais são umas e quais são outras.
7. Prepare-se para uma novidade de vida, em que as coisas passarão por uma ressignificação, que determinará a sua atitude em relação a elas.
8. Entregue-se, de viva voz,  a Jesus Cristo, nosso Senhor, nosso Salvador, nosso Redentor, com todas as fibras do seu coração, da sua alma, do seu espírito.
9. E tenha sempre em mente que assim como o seu corpo é templo do Espírito Santo e precisa ser criteriosamente respeitado, assim também o é o de todos os seus semelhantes, de todos os homens e mulheres em verdade.
10. Ame a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a você mesmo. Não se esqueça de se amar como um um (sic) privilegiado e santo no seio do Pai. Ame a Deus, fazendo as coisas que lhe são agradáveis. E converse bastante com Ele, falando de seus problemas, de suas dificuldades, das tentações que o assolarem e principalmente do grande amor que você sente por Ele.
E fique na expectativa tranqüila de que você será um dos que irão até Ele por decisão própria, por arbítrio próprio. Não por força, mas por delicadeza, por graça, por alegria. A vida de um santo não tem de ser triste, tem de ser alegre no Senhor e em todos aqueles que Ele ama. Mas que a alegria seja santa, própria de um um (sic) separado do mundo, própria de um santo, própria de um transeunte que breve encetará mais um Trecho da Jornada.
E isso é tudo o que realmente importa a cada um de nós. O resto são informações que nos ajudam a iluminar o Caminho.
Com  ósculo santo,
o peregrino