Da necessidade da redenção


 

Mensagem 12


Em mensagem anterior, abordando o tema revisitação (usamo-lo à falta de um termo melhor), refletimos sobre o significado de homem  à luz das Escrituras Sagradas e à luz dos arquétipos originados necessariamente do UM PRIMEIRO E ÚNICO .
Tendo o UM PRIMEIRO E ÚNICO  resolvido o dilema do AMOR, que, para ELE, na verdade, era um monolema, comportando uma única solução, estabeleceu-se sobre Sua substância una, indiferenciada, incriada, uma como cópia de SI mesmo, tendo, portanto, em essência, todas as suas qualidades essenciais: a unidade, a identidade, a individualidade, a personalidade, a bondade, a fidelidade, a eternidade, a infinitude, a deidade, essa mesma capacidade de criar a partir de si mesmo, de Sua mesma substância. E é LUZ e é AMOR e é VIDA. E para que houvesse identidade de um e de outro, era necessário que algo os distinguisse, ainda que tenuemente, para que um fosse eternamente o CRIADOR e outro eternamente o CRIADO. E a tenuidade, que se sobrepôs à substância pura e una do UM PRIMEIRO E ÚNICO , gerou em face do ABSOLUTO, em que o UM PRIMEIRO E ÚNICO  É eternamente, o RELATIVO, em que o UM do UM PRIMEIRO E ÚNICO  ESTÁ eternamente. E, para que esse arranjo do AMOR fosse eterno e infinito, estabeleceu-se entre o UM PRIMEIRO E ÚNICO  e o UM do UM PRIMEIRO E ÚNICO  uma barreira, uma espécie de VÉU, que unia-separava um do outro para todo o sempre, para que sempre e eternamente ficasse resguardada a identidade de cada um, para que um pudesse fruir da presença do outro para todo o sempre. Mas tenhamos em mente em todo esse processo que, na verdade, e para sempre, só existe o UM PRIMEIRO E ÚNICO , constituindo o CRIADO o sagrado reino da eterna e sagrada ILUSÃO. E, assim, o UM PRIMEIRO E ÚNICO , sem deixar de ser o UM PRIMEIRO E ÚNICO , mesmo porque isso seria uma impossibilidade cósmico-necessária, passou a ter um FILHO do seu AMOR, que se tornou o primeiro e único DEUS. Este, o nosso DEUS, o Altíssimo, acima de quem não há, nem pode haver nenhum outro, e que comanda todo o Relativo, tendo uma relação direta com o UM PRIMEIRO E ÚNICO , sendo, em verdade, ELE mesmo, tendo salvaguardada eternamente a sua identidade, e sendo um com o UM PRIMEIRO E ÚNICO . Dessa relação santa pouco podemos dizer, pois o mais que podemos fazer é aplicar os arquétipos necessários que se originam do UM PRIMEIRO E ÚNICO , para disso termos uma imagem palidíssima daquilo que realmente é.
A esse ser elevadíssimo, sobre o qual não há, nem pode haver, nem nunca haverá, pois ELE é o detentor único de todo conhecimento, nenhum outro no seio da ILUSÃO, daremos o nome a que todos dão: DEUS. Com extrema unção.
E DEUS, trazendo em Sua substância santa tudo o que o UM PRIMEIRO E ÚNICO  é, também passou pelo mesmo monolema: ter um outro a quem dedicar o seu amor sem deixar de ser um. E, assim, criou, fazendo-se Pai, a partir de Sua mesma substância, a que conferia o ser levemente diferente da Sua, o Filho primeiro e único. E para que houvesse salvaguarda eterna de identidade de um e de outro, interpôs entre Ele mesmo, feito Pai, e o Filho uma espécie de Véu, que jamais poderia ser ultrapassado por um ou por outro, e que separaria-uniria os dois para todo o sempre. E esse Véu, já o vimos, só podia ser criado a partir das duas substâncias que então havia: a do Pai e a do Filho: a do Filho, voltada para o Pai; a do Pai, voltada para o Filho. E esse Véu sagrado, santo, ora tinha de ceder à pressão do amor do Pai para com o Filho; ora tinha de ceder à pressão do amor do Filho para com o Pai. E, como tudo que se manifesta de per si no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO  goza o privilégio de ser um indivíduo, três seres individuados se manifestaram sobre a substância de DEUS: o Pai, porque foi o criador, o gerador; o Filho, porque foi o criado, o gerado; o Espírito Santo, porque é como um sopro santo que ora sopra para um lado, o do Pai; ora, sopra para o outro, o do Filho.
E DEUS se manifestou, necessariamente, em três Pessoas: o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo.

Abrindo parêntesis

Dissemos lá atrás que nos reservaríamos a possibilidade de acrescentar, sempre que necessário, uma característica necessária ao rol de características necessárias do UM PRIMEIRO E ÚNICO . È o que vamos fazer neste momento. *** O UM PRIMEIRO E ÚNICO  tem de ser vibração infinita, para poder percorrer-Se em inspeção instantânea a Si mesmo. E ela é tão alta, tão inconcebivelmente alta, que é ao mesmo tempo nenhuma, para poder incluir em si mesma todas as demais vibrações. Se o UM não fosse vibração zero-infinita (essa a maneira mais assintótica que podemos usar para falar do inefável), ELE não poderia ser omnisciente, pois não poderia instantaneamente estar consciente de todas as partes de SI mesmo que na verdade é uma só.
Então, formulemos essa característica da maneira mais simples: o UM PRIMEIRO E ÚNICO  é vibração.

Fechando o parêntesis.

Examinando de uma perspectiva humana, podemos dizer que Deus é uma congregação, um ser coletivo, formado de três Pessoas. E também podemos dizer que em relação a Deus, que é puríssima Luz, houve uma queda de vibração no Filho. Isso para salvaguarda de identidade de um e de outro. Nesse nível altíssimo da SEIDADE, podemos falar em queda de vibração, pois era essa a única maneira de um outro Ser individuar-se. E, em termos verdadeiros, podemos dizer que houve uma ligeira diferenciação na substância de um em relação ao outro. E esse padrão se estende por todo o universo de manifestação que está sob as ordens de DEUS: todo e cada ser individuado é caracterizado por uma vibração básica única e eterna que o diferencia de todos os outros indivíduos. E há seres que gozam de faixas de vibrações mais elevadas, e há seres que gozam de faixas de vibrações menos elevadas. E isso estende-se desde o mais excelso zênite até o mais ínfero nadir.
DEUS é uma identidade. Congregacional, pelo Amor.
O Pai é uma identidade. Congregacional, pelo Amor.
O Filho é uma identidade. Congregacional, pelo Amor.
O Espírito Santo é o Espírito Santo, a identidade binária, interseccional, que separa-une o Pai em relação ao Filho e o Filho em relação ao Pai.

Como já dissemos em outra parte, podemos do Arquétipo fazer a seguinte leitura para fins de entendimento do processo de divisão-multiplicação que é apanágio de toda alma vivente: o Pai gera o Filho através do Espírito Santo.
E podemos também fazer a seguinte leitura para fins de entendimento do processo de saída-regresso ao seio do Criador. Quando o ser individuado se afasta de sua origem, mais ele cai em freqüência básica, mais ele perde em luz, mais ele perde em entendimento de si mesmo e do universo que o rodeia. Quanto mais o indivíduo se afasta da LUZ, maiores as trevas, maior o nível de pecabilidade.
Pecado, αμαρτια (hamartia), segundo Strong, é termo formado de α (a) (que designa negação, falta) e de um elemento que tem base em μερος (meros), que significa: parte, parcela,rateio, cota, quinhão. A palavra αμαρτια, portanto, significa, em raiz, a ausência de parte, de parcela, de quinhão, de cota. Estar em pecado é estar em um estado em que falta algo importante ao indivíduo, algo que lhe é destinado por natureza. Pecar é cometer um ato que deixa o indivíduo sem o seu quinhão, que, por herança e origem, lhe cabe. Pecar significa, portanto, cair de uma situação de aquinhoado, para uma situação de não aquinhoado. Pecar significa perder alguma coisa que é própria ao indivíduo, por afastar-se da luz e embrenhar-se nas trevas. Perde em luz, ganha em trevas, sofrendo uma queda de estado, já que se sintoniza com freqüências mais baixas. Vejamos, agora, o que isso significa para o homem. Significa fazer as obras próprias das trevas, das partes ínferas deste plano de causação. Pecar é cair de um estado de mais luz para um estado de menos luz. É nas trevas, em oculto, ou em semi-oculto, que o homem faz as suas obras indignas da Luz. E as obras indignas da Luz são obras más, que sempre trazem consigo a malignidade, a capacidade de ferir, de ofender, de magoar, de destruir. E assim como a Luz aquinhoa com o bem, as trevas aquinhoam com o mal. É com base nessa queda básica - da luz para a menos luz - que o homem se torna réu de juízo. Os homens, abandonando a sua vocação natural, que os impele para as coisas da Luz, passaram a buscar as trevas, as coisas das trevas, o grande celeiro das coisas das trevas, e ali escolhiam as suas obras, que eram, por isso mesmo, más. Na passagem a seguir, Jesus Cristo nos revela uma verdade de fundamental importância: quem busca as coisas das trevas tem sobre si uma penalidade de automática aplicação, que consiste num julgamento,
κρισις (crisis), cujo significado, já o vimos é: juízo, julgamento,

Jo 3:19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.

A Luz veio ao mundo, não só na pessoa do Senhor Jesus Cristo, mas também através da fala inspirada de muitos homens de Deus que o precederam no tempo. Assim, os homens já tinham condições para escolher conscientemente entre as coisas da luz e as coisas das trevas. Mas os homens, na ânsia doida de conhecer não só o bem, mas também o mal, escolheram as coisas das trevas, porque o seu coração os levava para elas. O julgamento, o juízo, é exatamente esse: o fato de o homem ter amado as trevas e ter aborrecido a luz, pois as coisas que fazia eram más. Não será um juiz exterior que irá julgar o homem, mas ele mesmo, porque já tem condições para discernir uma coisa da outra. E já sabe que se escolhe o mal, o mal terá de volta sobre si. Aquilo que escolhe volta sobre si.
Já vimos anteriormente que o homem tinha de passar pelas trevas, para ficar conhecendo o mal e suas conseqüências, para aprender a se desviar dele conscientemente. O conhecer o mal em face do bem traria, como trouxe, ao homem um grande ganho: a consciência moral, que lhe indica, claramente, sem possibilidade de erro, o que é bom e o que é mal. O mal foi necessário para que o homem crescesse em consciência de si mesmo. Foi necessário, enquanto foi necessário. Hoje, o homem, em geral, já tem bem desenvolvida a consciência moral, e já não mais precisa fazer obras más, para se conhecer melhor, para conhecer melhor o universo em que vive e as suas regras. A escolha da má obra com consciência plena do que está fazendo, de que está fazendo mal a alguém ou a si mesmo, já faz parte da psique humana como um todo. Quem faz algo mal, sabe que o está fazendo, pois não seria capaz de o fazer em plena luz do dia, abertamente, diante da pessoa a quem esteja atingindo. Fazer fofoca é um mal e o homem sabe disso, mas racionaliza: "todo mundo faz", "isso não faz mal a ninguém", "afinal de contas, o que estou falando é uma verdade". Aquilo que não puder ser feito à luz do dia e diante de testemunha é sempre um mal, por mais que esteja disfarçado como comportamento social generalizado ou abonado por muitos . Mentir é sempre um mal: não há nada, desculpa nenhuma, situação nenhuma, que possa fazer da mentira um bem. A chamada mentira piedosa é um mal, porque antes de ser piedosa é uma mentira. Roubar é um mal sempre. Não existe essa coisa de roubar para o bem. Os frutos todos da concupiscência são coisas das trevas, do mal, e não existe justificativa nenhuma para eles: tudo o que passa do normal, do natural, é coisa do mal. Inútil discorrer sobre o que é mal e o que não é, pois o homem, dentro de si mesmo, diante de sua consciência moral, diante do Espírito Santo, bem sabe o que é uma coisa e o que é outra. A guerra é um mal, e não há nada que possa justificá-la. Não existe guerra santa, ou guerra em prol do bem. E quem promove essas coisas bem sabe, lá no fundinho da alma, que está fazendo alguma coisa má. Nem honra, nem patriotismo, nem dignidade ferida, nem qualquer outra desculpa pode tirar da guerra o fato básico de ser um mal, porque afronta diretamente o "não matarás" da palavra santa de Deus.
Em mensagem anterior falávamos da necessidade da revisitação do homem a este planeta, para tentar resgatar dívidas de trevas, para ampliar o seu entendimento, para assumir-se como homem pleno. E dissemos que Sinésio voltaria como Sizenando, sendo Sizenando uma como extensão de Sinésio, que por sua vez foi uma extensão daquele que o precedeu e assim sucessivamente. O que acontece com cada um de seus pais, enquanto Sizenando desceu para ser retaliado? Retaliado pelas obras de quem? Dele mesmo, de sua individualidade a que ele pertence unamente. A individualidade a que ele pertence é o conjunto de todos os homens que aqui estiveram no mesmo espírito e poder. E Sizenando é responsável por todos os pecados de todos os que o precederam em mesmo espírito e poder? A misericórdia de Deus limitou essa responsabilidade, usando da organização trina do universo. Todo universo é trino. O homem, como um universo, é trino: constitui-se do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Assim, apoiando-nos nesse arranjo santo, temos que uma geração gera a outra através da terceira, que ainda virá, pois esta está em potência de existir.

(O 3 é uma espécie de intersecção entre o 1 e o 2.)

É por isso que está escrito em relação à visitação da iniqüidade:

Êx 20:5  Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

Por que o texto sagrado não diz simplesmente até a quarta geração, mas diz "até a terceira e quarta geração"? Nós já sabemos que a geração de que se trata aqui não é a carnal, mas a espiritual, uma vez que a própria Lei declara, como já vimos, que os filhos não podem, não devem pagar pelos pecados cometidos pelos pais. Haverá certamente uma explicação mais consistente para o trilema que essa declaração provoca, como já vimos, mas para nós humanos. Com nossa mente limitadíssima, a única situação que pode dar uma solução ao trilema é que pais se referem aos antepassados, por linha espiritual, dos filhos, sendo os filhos, segundo o mesmo arquétipo QUERER, próprio do FILHO, os que estão fruindo o seu momento de vida. Assim, ficamos sabendo que uma iniqüidade praticada por um antepassado espiritual de alguém há de se manifestar, para ser resolvida, até a terceira e quarta geração a partir dele. E quarta, porque a quarta iniciaria um novo ciclo de três gerações. Mas a estimativa divina é que esse tempo nunca excederá a primeira do segundo ciclo. Isso por conta, obviamente, da economia ótima reservada para absorção-posicionamento em relação a uma determinada iniqüidade. Depois do tempo estabelecido, ela deixaria de ser um acicate, para se tornar um tormento, e isso Deus quer que não aconteça. Ele só permite que haja escândalos para que o homem possa crescer em consciência de si mesmo. Odiar a Deus significa obviamente fazer aquilo que não é agradável a Deus, que só quer o bem para todos os homens. Odiar a Deus significa contentar-se com menos, com muito menos, do que aquilo que Deus nos quer dar.
Como vimos, houve a necessidade do pecado, para que o homem pudesse crer, em consciência de si mesmo, em suas possibilidades, em suas potencialidades. Deus não quer um homem-robô, que lhe obedeça cegamente, Ele quer um homem que lhe obedeça, sim, mas conscientemente, sabendo bem o porquê, o sentido dessa obediência. Para Deus, que pode suscitar filhos a Abraão a partir de pedras, fácil seria fazer o homem já perfeito, sem gosto pelo pecado, sem atração pelas trevas. Mas Deus quer muito mais do que isso: Ele quer um ser eternamente perfectível. Um ser que possa crescer eternamente, que possa crescer infinitamente, sempre em demanda de um gozo cada vez maior. Mas há ainda da parte de Deus um desejo mais ousado ainda, mais transcendental ainda, diríamos. Tem de haver. É isso que nos apontam os sagrados arquétipos.
Vamos agora supor que Sizenando tenha levado uma vida muito acidentada, tendo penetrado muito no reino das trevas, no Egito da concupiscência, e tenha se dado às drogas e ao álcool e ao prazer, e, como conseqüência do seu viver, uma vida de mentiras e de enganos e de traições. Vamos supor que tenha chegado ao chamado fundo do poço da degradação humana. E que um dia ficou conhecendo a boa notícia, o Evangelho, e tenha-se arrependido dos seus inumeráveis pecados, e os tenha confessado a Deus,

1Jo 1:9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

e tenha retificado sua vida, não mais freqüentando os baixos antros do Egito. O Senhor Deus é fiel: cumpre sempre o que diz, que está de acordo com a Sua essência. O Senhor Deus é justo: está sempre pronto para efetivar o ato de justiça, com a finalidade de nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Nós já refletimos sobre o sentido de perdoar [: as mensagens foram renumeradas!], e vimos basicamente, que significa doar-se em troca de nossos pecados. E com esse ato Deus também nos purifica, nos torna puros, livres de toda injustiça. De que injustiça? Da injustiça que diz que não somos puros. O ato de ser purificado é muito mais um ato de assunção da essência do que um livrar-se de coisas que nos sujam com as manchas do pecado. Todo homem é puro diante de Deus, cabe a cada homem assumir essa sua qualidade inarredável, e o caminho para isso é confessar os pecados a Deus, é reconhecer que somos responsáveis pelos pecados que cometemos, pelas mazelas que sofremos, pelos tormentos por que passamos.
E suponhamos ainda que tenha se entregue a Jesus Cristo como seu Senhor, Redentor e Salvador. E que de uma vida de tributos ao mal, tenha passado a uma vida dedicada ao Senhor. Tudo de acordo como ensina o Evangelho do Senhor Jesus.
O que acontece com Sizenando? Uma série de promessas divinas se cumprem na sua vida. Sua vida fica zerada em relação ao mal, que não tem mais poder em sua vida, ele passa da situação de criatura de Deus para a situação de legítimo filho de Deus, da Luz. A sua psique sofre uma como transformação, e já não mais se deixa atrair pelas obras das trevas, das quais passa a fugir conscientemente, pois por elas sente uma espécie de repulsão automática. Sizenando experimenta o segundo nascimento ainda em vida, passando a viver em novidade de vida e de estimulação. Agora as coisas que o atraem são as boas coisas, os bons sentimentos, as boas emoções, os bons atos, os bons pensamentos, as boas palavras. E deixa de mentir, de enganar, de trair.
O que permitiu que Sizenando se livrasse do mal e de suas conseqüências? Um ato de justiça, nos sugere o texto sagrado acima. Mas de acordo com a justiça, Sizenando teria de ter sobre si o preço do pecado, a recompensa do pecado. Pecou, tem de pagar pelo pecado. Esta é a lei, esta é a justiça. É o que podemos depreender da passagem, em que destacamos a parte que diz respeito mais diretamente a essa  parte do nosso discurso:

Jr 11:17  Porque o SENHOR dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade da casa de Israel e da casa de Judá, que para si mesma fizeram, pois me provocaram à ira, queimando incenso a Baal. (JFA - ARC)

Deus é um executor fiel da Sua Lei, que é fundamentada na mais estrita verdade. Deus, quando pronuncia um mal contra alguém, está, apenas e tão-somente aplicando a lei, que diz que quem faz, para si se faz prioritariamente. Assim, se alguém escolhe o mal, o mal terá em sua vida. Se escolhe o bem, o bem terá em sua vida. E a escolha, como já vimos, é feita através de pensamentos, palavras e obras. Essa é a lei. Se aplicada a Sizenando, ele teria de pagar por seus muitos pecados, e ter uma vida de desespero, de dor, de tribulação. E - misericórdia das misericórdias - a aplicação da justiça o livrou de todo o mal, e de toda a malignidade do mal. Como será isso possível?
O assunto de que estamos tratando é muito difícil, porque estamos acostumados com a lógica binária, do sim e do não, do sim ou do não. E, para entendermos um pouquinho desse assunto, o q.s.p. para nós, temos de assumir, sem muito entender, a lógica unária, que só admite sempre uma única resposta para tudo: o um, o UM. E nós já vimos, en passant, que é assim que se processa o conhecimento relativo ao seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO , ao seio do ABSOLUTO. Por isso, com dificuldade, caminhamos.
Nós já vimos que Sizenando é um um (sic), assim como Sinésio é um um (sic). Ambos, cada um de per si, portanto, tendo o apanágio de se constituírem seres individuados infinitos e eternos. Mas, enquanto Sizenando está aqui, atuando, o que acontece com todos aqueles uns que estão por detrás dele? Diz a Sagrada Escritura que, quando alguém morre, ele, depois de passar pelo juízo, vai dormir com os pais, com aqueles que o precederam em linha espiritual desde o dia primeiro de sua existência (deles). E que sono é esse? Qual a finalidade do sono? Permitir um descanso ao corpo cansado, à alma cansada. Um é o espírito, um o corpo. E uma a alma? Não: a alma é uma para cada um, representando aquilo que a pessoa é por ela mesma, por seu quinhão da história do um maior a que pertence. Quando João nasceu, ele veio no espírito e poder de Elias, como o próprio Jesus declara. O espírito é o elemento unificador, que traz em si todas as potencialidades do indivíduo, de cada indivíduo, de cada indivíduo que pertence ao seu eu maior de que ele é a cabeça. O poder (em grego, δυναμις) (dinamis) representa aquilo que o indivíduo maior já conquistou e que é herança de todos os indivíduos que o compõem. Os conhecimentos, os saberes, as precauções, as tendências, o capital moral, os impulsos naturais, as qualidades marcantes, que fazem com que esse eu maior conglobante de todos os outros eus de sua história, seja o que seja em manifestação de potencialidades. Todo um que está presente hoje aqui no planeta pertence a um espírito maior, a um ser maior, a um eu maior, que o congloba. A alma é a conquista particular de cada um, que acaba por se sublimar no espírito. Aquilo que é conveniente para o espírito maior, isso ele adjunta a si mesmo, e, por extensão, a todos os outros uns que o formam. E, no mistério da santidade, todo um tem o seu espírito, a sua alma e o seu corpo, de acordo com o livre-arbítrio que lhe é próprio, além de gozar, em potência, de tudo aquilo que o espírito do seu eu maior já é em manifestação. A organização do indivíduo (=indivisível) tem de ser em unidades, na verdade, em uma só unidade. Elias e João são dois homens que pertencem, em espírito, ao mesmo eu maior. E João, assumindo de Elias, o mesmo espírito e poder, bem como o seu peso cármico, agiu como Elias agiria em face do Senhor: com dedicação, com zelo, com amor, com ousadia. Entendamos: Elias é uma pessoa, com suas idiossincrasias; João é uma pessoa com as suas idiossincrasias; mas ambos constituem uma só Pessoa maior, o Pai de todos os da sua estirpe espiritual. Toda unidade é santa diante do Senhor. Sinésio é santo diante do Senhor. Sizenando é santo diante do Senhor. Sinésio e Sizenando são um só diante do Senhor, Aquele que é Pai de todas as pessoas de sua mesma estirpe espiritual. E à falta de um nome melhor daremos a esse conjunto de uns individuados infinitos e eternos em cada um de si mesmos, o nome de Individualidade. Quando Sizenando se salva, salvam-se juntamente com ele todos os da sua Individualidade. Pois Sizenando quando se reconhece pecador diante do Pai, está representando, por ser o último da cadeia, todos os que o antecederam, pois sua história é, na verdade, a história de cada um deles. E também por isso está escrito:

Mat 20:16 Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.

Os que precederam a Sizenando estão num estado de descanso, imersos em um tempo que não é o nosso tempo. Para aqueles que estão atuando, séculos se passam, mas para aqueles que estão dormindo o mesmo não acontece. Para eles é como se tivesse passado um instante insignificante entre o dormir e o despertar.
No seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO , tudo se organiza em relação ao sagrado mistério do UM. Uma pessoa, como Sizenando da nossa hipótese, manifesta-se trinamente, mas é um em essência, e para todo o sempre. A pessoa raiz da estirpe espiritual de Sizenando é um em essência, e para todo o sempre. Manifesta dentro de si muitas pessoas, mas não se divide, mas não se multiplica, apenas divide-multiplica-se, para, sendo muitos, continuar a ser um eterna e infinitamente, assim como o é cada um que o congloba em um ser maior. A organização não aparente do homem é em coletividades cada vez maiores, até (não) atingir a unidade do UM PRIMEIRO E ÚNICO  que foi Pai deste universo.
Mas se isso é válido para mim, para você que esteja lendo essas palavras, para toda pessoa em vida na terra nesse momento, que temos, cada um de nós, o nosso Eu, a nossa Individualidade em que nos unificamos, sem perder a nossa individualidade, a nossa consciência de ser, assim o é também para níveis mais elevados. Todo um, juntamente com outros uns de mesma estirpe espiritual, de mesmo nível espiritual, se congloba em um um (sic) que lhe é maior, que é origem de todos os demais, e que é ele mesmo.
Este universo de causação tem um um (sic) que é semente de todos os uns. Este um primeiro congloba em si todos os demais que viveram, estão vivendo e vão viver sobre este planeta. E entre esses se incluem os bons, os maus, os mornos. César, Calígula, Judas Iscariotes, Mahatma Ghandi, Krishnamurti, Torquemada, Pinochet, Hitler, Bush, Bin Laden, Madre Teresa de Calcutá, Papa João Paulo II, eu, você, todos sem qualquer exceção, pertencem a uma mesma raiz: o UM PRIMEIRO E ÚNICO  que foi semente de todos nós. Envoltos pelo véu da Ilusão, pensamos que somos muitos, muitos corpos, muitos espíritos, mas, na verdade, somos todos um só corpo e um só espírito. Por isso, Paulo nos revela ousadamente:

Ef 4:4 Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;

E este UM PRIMEIRO E ÚNICO , a que damos o nome de Adão, para efeitos de dispersão, de diáspora, e de Jesus Cristo, para efeitos de congregação, sendo um, tem responsabilidade direta-indireta sobre todo um que navega seu existir no seu seio. O primeiro homem foi feito alma vivente, uma pessoa que devia viver tudo o que era possível viver. E ele se espalhou sobre a terra, e como viveu! O objetivo do primeiro Adão era a dispersão, a aparente desunificação, para cada um se sentir conscientemente como um um (sic); o objetivo do último Adão, espírito vivificante, era (é) promover a re-união através do espírito, que é um só, e dar vida, só vida, a cada um que se tinha desgarrado. A todo um que se tinha desgarrado. A responsabilidade cármica do primeiro Adão é impagável. Ninguém que esteja em dispersão tem condições de assumir o débito universal e pagar por ele, mesmo porque, não tendo praticado todos os atos que construíram o débito, não pode, em verdade, assumi-lo. Ninguém dos que ainda estamos dispersos pode dizer: "eu assumo o débito universal", porque estaria mentindo. O débito universal não pode ser assumido por um eu menor; ele pode ser assumido por um Eu maior, universal, que, sendo raiz primeira, pode assumi-lo em verdade. Embora só haja um espírito e um só corpo, nós, conscientemente, não podemos dizer: "Eu sou o um espírito; Eu sou o um corpo", mesmo porque não saberíamos o alcance dessas palavras.
Mas, assim como a saída tem um um (sic) responsável, que é o primeiro Adão; assim também a volta tem de ter um e um só responsável: o último Adão. O primeiro sendo o último, o último sendo o primeiro.

1Co 15:45  Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante.

Esse último Adão tinha de ser homem, sendo alma vivente, sendo, portanto, sujeito a tentações e a queda, tendo em si os mesmos impulsos básicos e motivações de um homem qualquer. E ele tinha de ser holorresponsável, para poder assumir, em verdade, o débito cármico universal de todas as pessoas, de todos os tempos e lugares, para poder pagá-lo até o último ceitil . E tinha de ser Deus, espírito vivificante, para poder dar vida, só vida, sem mortes intercorrentes, a todas as ovelhas desgarradas pela atuação do primeiro Adão.
E tinha de entrar na terra como homem num momento ótimo, num momento em que os frutos do desgarre já não mais se faziam necessários. Sua missão: viver santamente como homem, viver santamente como Deus. E, assim como o pecado trazido a este plano de causação pelo primeiro Adão trazia consigo a necessidade de morrer, assim também o último Adão deveria trazer a esse mundo a possibilidade de viver sem ter de morrer, sem ter de sofrer morte definitiva ou reiterativa. A missão necessária do primeiro: trazer a morte. A missão necessária do último: destruir a morte e trazer a vida. E como realizar tão estupenda missão? Só havia um caminho necessário: morrer sem ter necessidade de morrer. Aquele que morresse, sem ter necessidade de morrer, isto é, sem ter pecado, estaria derrotando a morte, pois seria maior do que ela, estaria acima dela, em posição de domínio, e não de sujeição. E, tendo assumido o débito universal e morrendo por ele, zeraria esse débito para todos os uns que dEle tinham-se originado. Só havia um um (sic) capaz de tão momentosa façanha: aquele que tinha criado, a partir de sua mesma substância, a tudo que existe: o Verbo divino: Aquele que tudo fez, e sem Ele nada do que foi feito se fez. O Verbo tinha de se encarnar como homem, para a um só tempo, ser filho de Deus e Filho do homem. Como Filho do homem, representava o homem, todo homem. Como Filho de Deus, representava a Deus e a sua capacidade de criação. Como disse João neste verso que jamais será entendido em toda a sua profundidade:

Jo 1:1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

E no tempo ótimo, como dissemos acima, o Verbo se vestiu de carne e habitou entre nós, assumindo o aspecto de um homem e todos os perigos que pairavam sobre o homem na figura do pecado, na pessoa do Tentador. Jesus jamais tinha pecado diretamente, portanto, podia descer à terra totalmente inocente, sem qualquer vínculo cármico. Jesus vinha, sabendo de todas as coisas referentes ao seu universo de manifestação, vinha um com o Pai, com quem comungava plenamente, com quem comungou plenamente em todos os momentos de sua breve e intensa vida aqui na terra. Sabia a vontade do Pai, obedecia à vontade do Pai, e, assim, fazia prodígios e milagres. Jesus era como uma extensão da vontade do Pai aqui na terra, e em diversos momentos ele disse que tinha vindo para cumprir a vontade do Pai, e não a sua, e, assim fazendo, fez da vontade do Pai a sua vontade. Ele, como homem, como ser criado, tinha todo o livre-arbítrio à sua disposição, mas negou-se a praticá-lo por amor do Pai e por amor daqueles que o Pai lhe tinha dado.
Vimos que o pecado, a queda, era algo necessário para promover o desenvolvimento do homem. E vimos que o pecado traz consigo uma recompensa irrevogável: o mal, a enfermidade, a doença, os distúrbios, as aflições, os tormentos, a morte. O homem tinha de pecar, para poder crescer em responsabilidade, e tinha de pagar o preço que o pecado exigia, que o pecado era em verdade. Vimos que a queda é um ente inscrito no Supremo Arquétipo: o UM PRIMEIRO E ÚNICO . O AMOR provocou a necessidade do outro, que não podia ser qualitativamente igual ao UM PRIMEIRO E ÚNICO , pois só ELE é em verdade. Assim, o UM PRIMEIRO E ÚNICO  admitiu em sua mesma substância a ilusão santa da QUEDA, para que o AMOR tivesse o OUTRO em quem se realizar. A QUEDA foi um ente necessário, como vimos, para que houvesse no OUTRO o sentimento de individualidade, e essa individualidade só poderia se efetivar pela diferença, infinitesimal que fosse, para que cada um continuasse a ser o que era eternamente. Porque tudo que ocorre no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO  é eterno como ELE mesmo o é. É infinito, como ELE mesmo o é. E vimos que necessariamente para haver o DOIS teve de haver o TRÊS, sendo o TRÊS o ente separador-unidor em relação ao UM e ao DOIS. E quando falamos do UM, do DOIS e do TRÊS, estamos nos referindo já ao sacrossanto seio da ILUSÃO eternamente expansível, infinitamente expansível. Aquilo que é essência no UM PRIMEIRO E ÚNICO  se manifestou como estado, como processo, no seio da ILUSÃO. O UM PRIMEIRO E ÚNICO  engendrou a ILUSÃO como necessidade do impulso do AMOR, que ELE é. Para o UM PRIMEIRO E ÚNICO  (como homem falamos) é ILUSÃO, é SONHO do SEU AMOR. Para os que estamos no seio da ILUSÃO, é realidade, é coisa real, que tem de ser levada muito a sério. Para nós, é o Universo infinitamente expansível, eternamente expansível em quantidade e em qualidade. Sendo eterna a ILUSÃO, eterno é também todo ser individuado que nela existe. Mas uma das características fundamentais da ILUSÃO é que ela era.

Jo 1:1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

No Princípio, no UM PRIMEIRO E ÚNICO , no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO  era (em essência) o Verbo, a possibilidade de comunicação, a possibilidade de ação.
E o Verbo estava (em estado, em ILUSÃO) com Deus. Deus, o SER maior a que nos reportamos, atuava no seio da ILUSÃO, buscando com quem se comunicar. Deus é o mesmo UM PRIMEIRO E ÚNICO  atuando perfectivelmente no seio da ILUSÃO, no grande seio do AMOR, para gerar o Filho primeiro e único, tornando-se, assim, o Pai primeiro e único. E a necessidade de distinção entre um e outro gerou simultaneamente o Espírito Santo primeiro e único.
E o Verbo era (em essência no seio da ILUSÃO) Deus. E o Verbo, embora tivesse sua individualidade, como Filho, pois foi gerado da necessidade de comunicação do UM PRIMEIRO E ÚNICO , não deixava de ser Deus: era Deus, continuava a ser Deus, sabendo e tendo consciência de tudo o que Deus sabia, de tudo o de que Deus tinha consciência. Não eram dois: eram UM. O verbo no passado imperfeito nos diz que tudo isso já se passou mas de uma maneira imperfeita, que ainda busca perfeição. Entendamos: o Verbo não é Deus; era Deus. E o Verbo, a Palavra, a Ação, continuará por todo o sempre na condição de ser Deus perfectivelmente. O Verbo é o ente que processa o AMOR por todo o sempre, em busca de SUA divina identidade. E é por isso, por esse sacrifício eterno de identidade, que existimos eternamente. Infinitamente.
A ILUSÃO está em estado, em processo, em um passado imperfeito, caminhando em direção de uma perfeição que jamais poderá ser atingida, pois a imperfeição, ou a perfectibilidade, é eternamente expansível: se chegasse a um fim, esse fim seria o UM PRIMEIRO E ÚNICO , mas ELE é inatingível, pois, se o fosse, ELE deixaria de ser o UM PRIMEIRO E ÚNICO . E isso é impossível. É de se notar que a ILUSÃO, o estado, não está em um passado perfeito, embora possa agasalhá-lo. E agora vamos dizer algo que é extremamente necessário para que o processo seja eterno: o imperfeito traz dentro de si eternamente o perfeito, que jamais poderá atingir o imperfeito, que por sua vez traz dentro de si, em potencialidade o novo nível perfeito mais elevado. E isso cria uma espécie de enclave cósmico dentro de enclave cósmico, em que toda perfeição atingida é apenas o princípio de uma nova imperfeição (ou perfectiblidade).

Os círculos, que têm o mesmo raio (infinito) devem ser considerados como superpostos, intermixados, caracterizando-se cada um por se manifestar numa faixa de freqüência básica distintora, e representam um corte na infinita  seqüência de círculos para cima e para baixo, para dentro e para fora. E, como dissemos em outras oportunidades, não representam círculos, mas esferas, mas hiperesferas...
O círculo A tem abaixo de si infinitos círculos; assim como o E tem acima de si infinitos círculos. Os círculos de maior etereidade conglobando os de menor etereidade.  Isso significa que o mais denso comporta dentro de si o menos denso. Um facínora comporta dentro de si um santo. A terra comporta dentro de si a Jerusalém. Geográfica e cosmicamente falando.
No gráfico, B é o nível de imperfeição que contém em potência imediata o nível de perfeição C.
C, por sua vez é um nível de imperfeição que contém em si em potência imediata o nível de perfeição D.
E A é para B o passado, o Jardim do Éden, que está guardado com querubins, para que ninguém possa voltar a ele, estando em B.  O movimento, atualmente de ascenção só tem uma direção: apontar para os níveis de maior freqüência, de maior leveza, de maior etereidade, de menor densidade.
Estamos em B, esse nível de imperfeição que contém em semente, em potência, o nível C, para o qual haveremos de ir ou cedo ou tarde. Já não é possível voltar para o Paraíso do Éden. Agora é Jerusalém que nos aguarda de braços abertos. O indivíduo pode cair e cair, mas jamais cairá deste nível. E este nível tem duas escolas: essa, a em que estamos; e a outra, reservada para os empedernidos, para os recalcitrantes.
O homem atualmente está vivendo esse processo, como acontece com todo ser individuado, desde o mais ínfero ao mais súpero.
Mas restrinjamo-nos ao nosso trecho de caminho que ora estamos trilhando em busca da perfeição relativa a este nível de causação. Qual o nível de perfeição exigido de cada um de nós que aqui estamos neste "vale de lágrimas"? O máximo possível, aquele que nos permita sermos promovidos para um nível mais alto de causação. Tão mais alto que mal podemos imaginá-lo, pois não temos consciência de todos os sentidos e sentimentos e possibilidades que esse nível vai revelar em cada um de nós. (Se eu tivesse quatro sentidos físicos, não tendo o olfato, seria impossível imaginar o que seria o olfato, por exemplo.)
Como disse o apóstolo, reportando-se a Isaías 64:4:

1Co 2:9 Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

Sendo a QUEDA necessária, isto é, estando inscrita, como potencialidade, no UM PRIMEIRO E ÚNICO , e, sendo a ILUSÃO a causa-efeito da QUEDA, e tendo o caráter da imperfeição, também a QUEDA é imperfeita, não podendo nunca se realizar cabalmente. Mais: se a QUEDA corresponde à expiração de Deus, a ASCENSÃO corresponde à inspiração de Deus. Uma traz como complemento a outra. Sofremos uma queda com Adão; haveremos de sofrer uma ascensão com Adão. O primeiro Adão, o da expiração, da dispersão, provocou a queda. O último Adão, o da inspiração, o da congregação, há de provocar a ascensão. E ELE já o fez.
[Neste ponto parei o texto para escrever a Introdução (mensagem 14a., que atualmente tem o número 1.)]
E como ELE o fez? Antes de tudo Ele tinha de comprar os homens, que tinham se vendido ao pecado, sendo, portanto, posse dele, do pecado. O mal era o dono do homem, e exercia esse senhorio sem dó nem piedade, cada vez mais enleando o homem em suas tramas ou grosseiras ou sutis, de acordo com as suas necessidades, usando sempre o recurso ótimo para manter o homem preso em suas masmorras. E qual era o preço exigido? O montante de pecados já praticados e por praticar (segundo nossa perspectiva) de todos os homens de todos os tempos e lugares. Era um montante de proporções astronômicas, praticamente infinitas. E como ELE poderia assumir alguma coisa que não era de sua responsabilidade direta? E como ELE poderia eliminar a malignidade desse grande mal? ELE o fez através da redenção (=compra de volta), através da reaquisição de algo que antes era dELE e que ELE perdera (temporariamente) para o inimigo e suas artimanhas.

Ef 1:7 em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça,

Redenção, em latim, corresponde a uma palavra que significa compra de volta, e em grego, a απολυτρωσις (apolitrosis), que é formada de απο (apo), preposição que denota afastamento, podendo significar "para longe de, em afastamento de" e λυτρωσις (litrosis), que provém de λυτρον (litron), que significa "algo com que desatar", que, por sua vez, provém do verbo λυω (lio) , que significa desatar. A redenção, a compra de volta, consiste em o desatar algo de algo; no caso, desatar o homem dos seus pecados, em desatar o homem do Mal, afastando-o dele. E com isso, ficamos sabendo a verdade sobre a situação do homem: ele está ou estava atado ao mal, ao Mal. Preso a ele. Do mesmo modo que um cão fica preso ao seu dono pela corrente ou pela trela.
O preço era muito alto e tinha de ser pago pelo holorresponsável, pelo responsável verdadeiro de tudo aquilo que o homem tinha feito de mal. Só o criador do homem poderia assumir essa dívida. E tinha de assumir nos mesmos termos em que tinha sido praticada, isto é, como homem. Como prática de homem ela tinha sido praticada, como prática de homem ela poderia ser comprada. A mesma justiça do UM PRIMEIRO E ÚNICO  assim o exigia. E o Criador deste universo de manifestação se manifestou nele como homem, perdendo toda a glória de que era dotado, humilhando-se diante do Pai. E, com carne inocente, pura, atraiu sobre si todo o montante da dívida, fazendo-se réu de morte. E sofreu sobre si todas as conseqüências de todos os pecados de todos os homens, e se entregou à morte, pois o salário do pecado é a morte. Tendo pago o salário devido pelo pecado, libertou todos os homens de todos os tempos e lugares da necessidade de ter de morrer reiteradamente.
E hoje está com ELE a carta de alforria de todo homem, e o que ELE mais quer é que cada homem, todo homem, vá buscar a sua. Para isso, são necessárias algumas condições: o homem deve
1. aceitar que o Senhor Jesus é o seu dono.
2. aceitar o sacrifício que ELE fez por ele.
3. pedir perdão por todos os seus pecados.
4. entregar-se de corpo, de alma, de espírito, ao senhorio do Senhor Jesus.
5. deixar de pecar.
 (Se pecar, deve imediatamente pedir perdão ao Senhor.)
6. viver em novidade de vida.
7. agradecer ao Senhor por tão grande presente.
8. saber-se livre da necessidade de ter de morrer.
9. saber-se livre da necessidade de pecar.
10. Saber-se herdeiro da glória do Senhor.
11. Saber-se um cidadão do Céu.
12. Orar e vigiar, com ações de graça.
Com ósculo santo,
o peregrino