Mensagem 13
A queda, como já vimos em outra mensagem, foi necessária para haver distinção entre o ABSOLUTO e o RELATIVO, para que um não se confundisse com o outro e salvaguardasse cada um a sua identidade. E vimos que a Queda, individualizando-se, ganhou realmente caráter de indivíduo, passando a constituir uma pessoa que tinha exatamente como finalidade ser queda para outros seres. Essa Pessoa, sagrada como tudo que viaja seu estar-sendo no seio do
UM PRIMEIRO E ÚNICO , é a personalização da oposição, da adversariedade, da acusação. Seu papel cósmico é tentar a todo ser em tudo que puder, com o objetivo de fazê-lo cair e sofrer as conseqüências da sua queda.
E quais são as conseqüências da queda? Sempre que há uma queda, há um abatimento de freqüência, há um como afastamento de Deus. E esse afastamento representa para o ser um estado de carência, porque algo sempre se perde numa queda. E o que é que se perde primordialmente na queda? O ser como que se atrofia, perdendo a manifestação da sua inteireza, da sua completude. A queda, já vimos, traz uma perda de
quinhão, uma perda de parte que por direito e natureza pertence àquele ser. O ser, quando cai, cai em manifestação, mas não cai em essência, pois dentro de todo ser há presente irrevogavelmente a mesma substância santa e pura do UM que lhe deu origem, pois que ele é feito da mesma substância desse ser. Mas essa aparente perda de inteireza é sentida pelo ser como algo real, com sintomas reais, com conseqüências reais, pois, estando no RELATIVO, no mesmo seio da ILUSÃO, toda ilusão para ele tem caráter de verdade, isto é, de fingimento real.
É como se atuasse em um palco, e as coisas que ali fizesse, como que fizessem parte de sua vida. Para quem está no RELATIVO, como nós, todos os criados, toda criatura, as coisas que aí se passam têm caráter de realidade e assim devem ser entendidas e assimiladas. O fogo queima, o frio congela, um tiro pode matar. Uma ofensa dói, um ato festivo alegra a alma.
Falemos agora de nós, homens que atualmente estamos fazendo essa travessia neste planeta. Caímos com Adão, perdendo com isso a inteireza do nosso ser. E caímos muito e muito por conta própria, sofrendo no corpo e na alma as conseqüências dos nossos atos. A queda macrocosmicamente corresponde ao inspirar (em relação ao criado), que reduz nosso contato com o Criador, e faz com que nos concentremos em nós mesmos, em nossos egos. A queda para o homem, é uma queda que faz aflorar o ego com todas as suas exigências egocentrizantes, egoístas. E essas exigências centradas na carne, no corpo, na alma, amesquinham o homem, subtraindo-lhe a inteireza de ser,
a inteireza do ser. Essas exigências egocêntricas constituem o pecado para o homem, a perda de sua inteireza.
Essa perda de inteireza corresponde no homem à enfermidade, à doença. A palavra
são (=saudável) provém de
sanus, do latim, que tem raiz na palavra grega
σαος (saos) ou
σως (sos), que significa primitivamente total, completo, inteiro. E, por especialização, são. É o que acontece com a palavra whole
no inglês.
A doença ou enfermidade é um estado de carência, de falta de algo: corresponde a uma parte da alma e do corpo que perdeu contato com o Todo, com o Santo, com o
São. E vimos que essa carência é determinada pelo pecado, pela perda do quinhão a que alguém faz(ia) jus. O doente é um homem que perdeu o quinhão santo em alguma parte da sua alma ou do seu corpo, permitindo que ali se instalasse algo não santo, não são. O pecado é a porta que se abre para a enfermidade, para a doença, pois permite que haja falhas na inteireza do indivíduo, e essa falha se manifesta como doença. Há uma palavra no grego para doença, que significa primitivamente trabalho, labuta, e, por extensão, doença, enfermidade, angústia. É
πονος
(ponos), que é de mesma raiz que
πονηρος
(poneros), que significa doente e também mau, e, quando substantivado, Mal, Maligno. A carência de luz é imediatamente preenchida pela treva, que cedo ou tarde há de se manifestar como doença. Toda doença é, portanto, uma concessão feita ao mal, ao Mal, que vem e se instala no corpo e/ou na alma daquele que lhe abriu as portas, afastando-se da luz.
Assim como o pecado é necessário, assim também é necessária a doença, sendo ela uma como operacionalização da queda, da perda de luz. O pecado seria a parte
ilusoriamente gozosa da queda; a doença, a parte ilusoriamente dolorosa da queda. O pecado é uma ilusão porque em verdade não foi feito pelo pecador, foi apenas escolhido pelo pecador. O pecador fez uma má escolha e terá de pagar por isso, como se ele mesmo tivesse feito o pecado. O pecado já existia latente na mesma queda, sendo ele uma das possibilidades de ela se manifestar. E o pecado, não nos esqueçamos, representa a perda do quinhão santo, da inteireza. A Sagrada Escritura nos mostra bem que o pecar é uma opção consciente do homem. Vejamos o que Deus disse ao povo de Israel, antes de eles possuírem a Terra Prometida:
Dt 11:26 Vede que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição:
Diante de todo homem está a cada momento ou a sua bênção, quando escolhe o monte Gerizim (onde Moisés pronunciou as bênçãos sobre Israel (Dt 27:12)) ou o monte Ebal (= monte de desolação). Deus quis deixar de uma maneira bem marcada que o homem poderia escolher ou um monte de bênçãos, ou um monte de maldições.
João 16:8 E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Ninguém fica doente injustamente; pois ela é uma sentença automática ditada pelo juízo embutido na própria ação. Todo ato mau traz embutido em si mesmo um juízo justo, fruto de pecado.
Lc 6:37 Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.
O nosso papel não é julgar, não é condenar.
João 7:24 Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo.
Todo julgamento só pode ser feito segundo o reto juízo, o juízo que está em conformidade com a justiça divina. Ou seja: esse conhecimento só deve ser passado a quem o possa suportar, sem prejuízo para o seu caminhar. É por isso que Jesus Cristo, nosso Senhor, repetindo em Mateus a mesma exortação que em Lucas, mas mais sucintamente:
(Mt 7:1 Não julgueis, para que não sejais julgados.), nos alerta, logo adiante, dizendo:
Mt 7:6 Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.
Se queremos ajudar a alguém nalgum transe doloroso, o melhor que fazemos é incutir no doente que Jesus Cristo já o curou, e que a doença que está sentindo não passa de uma ilusão mantida pela própria crença dele. Ninguém deve dizer: "Eu tenho tal doença", pois isso é uma afirmação de posse, que é estritamente respeitada pela justiça de Deus, que tem de permitir que o mal permaneça no indivíduo, pois é isso que ele declara, que ele confessa, a respeito de si mesmo.
João 1:29 No dia
seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo.
Jesus era o Cordeiro de Deus, provido por Deus, para tirar o pecado não de Israel, mas do mundo! Atentemos para o fato de que a palavra usada, pecado, está no singular. Isto significa que Ele não veio apenas tirar os pecados do mundo, já cometidos e por se cometer, Ele veio para acabar com a categoria pecado neste mundo. Ele veio trazer para o homem a
possibilidade - mais do que isso: a necessidade - de não mais ter de pecar. Doravante só pecaria quem o quisesse, pois a obra que o pecado tinha de fazer já estava feita, consumada. O pecado passava de uma necessidade para uma opção. E assim é até hoje: só peca quem quer, pois ninguém precisa mais do pecado. O pecado, a perda do quinhão santo, tinha cumprido sua missão: a de egocentrar o homem como indivíduo, e tinha trazido em sua esteira os muitos males que necessariamente trazia, traz, com ele: a miséria física e moral, a doença física e moral, o adultério físico e moral, a idolatria física e moral.
Dt 11:27 A bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje vos ordeno;
Dt 11:28 porém a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que eu hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que nunca conhecestes.
Dt 11:29 Ora, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra a que vais para possuí-la, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal.
E, tendo o homem escolhido o mal, estaria ele condenado a penar por esse mal indefinidamente? Estaria o homem condenado a contrair doenças que não pudessem ser curadas, devido a extensão e profundidade do pecado que lhes estariam relacionado? E haveria, mesmo nos dias atuais, doenças que sejam incuráveis?
Essa questão de fundamental importância para nós pode ter uma resposta necessária, que esteja inscrita no Sagrado Arquétipo do
UM PRIMEIRO E ÚNICO ? Nós vimos que uma das propriedades (usamos esse termo à falta de um mais carregado de unção) do
UM PRIMEIRO E ÚNICO é a JUSTIÇA. Assim, a doença é uma conseqüência justa do pecado. Quem esteja doente não pode assacar essa responsabilidade a nada e a ninguém: ele está doente porque pecou, atraindo para si aquela determinada doença, que também tem de obedecer a arquétipos necessários para se instalar no indivíduo. Doença nenhuma pode se instalar de graça em alguém. Se o olho de alguém apresenta falhas, é porque esse olho foi instrumento de pecado de concupiscência,
ou de modo errôneo de ver as coisas. Se alguém tem problema no pé é porque esse pé foi instrumento de pecado de base. Toda doença é um grito de auto-acusação surda, que não é ouvido pelo atingido, nem piedosamente pelos que o cercam.
De posse desse entendimento, aquele que sofre por causa de alguma doença deve em primeiro lugar reconhecer-se como o responsável por ela, por mais duro que isso possa parecer. E pedir perdão a Deus
Já sabemos qual deve ser a nossa atitude diante de uma eventual doença que nos achaque. Mas qual deverá ser a nossa atitude diante da doença que aflija um semelhante? Seria tentar torná-lo consciente do verdadeiro estado em que se encontra? Mas não seria isso uma forma de julgar, de expender juízo sobre um semelhante? Jesus Cristo, nosso Senhor, foi taxativo em relação a isso:
Mas, se acharmos conveniente julgar, tomemos muito cuidado:
Se a doença é necessária, representando uma falha na inteireza normal da pessoa, assim também a cura é necessária: pois se há a queda, o movimento de afastamento em relação ao Pai, assim também há a ascensão, o movimento em direção ao Pai. Se a doença está inscrita como queda em latência no
UM PRIMEIRO E ÚNICO , assim também está a cura, como ascensão. A doença não pode existir sem a cura. A falha não pode existir sem a possibilidade de preenchimento. A doença pressupõe a cura. A cura pressupõe a restauração da totalidade, da inteireza. A doença não é um caminho de via única. Nenhuma doença é um caminho de via única. Assim como se instalou num corpo ou numa alma em inteireza, assim também poderá ser desalojada, para que o corpo ou alma assumam o seu estado original de inteireza. Não existe doença incurável. Isso é uma falácia originada no próprio mal, que tem a tendência de se perpetuar. Tendência, e não necessidade. Porque o mal é mal, antes de tudo, para si mesmo. O que é do mal, é do mal. O mal traz em si mesmo, em nível arquetípico, a semente de sua autodestruição, pois é um elemento que foge à normalidade, que é o bem. Visto que o
UM PRIMEIRO E ÚNICO é bom.
Já vimos que o mal, a doença, a enfermidade, não é feita por quem aparentemente a faz, sendo, na verdade, uma escolha infeliz de quem a faz. Vimos em outra parte que tudo foi feito por Ele, e que sem Ele nada do que foi feito se fez. Assim, quem faz um mal está tão somente escolhendo uma má mercadoria já pronta no celeiro do cosmos. Ele não é o responsável direto
pelo mal; é um co-responsável, tendo, por isso de arcar com as conseqüências da sua escolha. O holorresponsável,
o todo-responsável é Aquele que criou esse universo com todas as suas possibilidades, para fazer dele uma escola para o espírito, para a alma. O holorresponsável é o Verbo divino, que se fez carne e habitou entre nós. Assumindo toda a responsabilidade por tudo em termos reais, de realidade nossa. Mas o Verbo divino é totalmente inocente de qualquer pecado, pois jamais cometeu um sequer. E, assim, vestiu-se de uma carne pura, para vir a esse mundo fazer a grande obra da redenção. Ele, plenamente inocente, poderia se oferecer como sacrifício vivo para o pecado, resgatando a grande e universal dívida que o homem tinha amealhado com seus prazeres, com seus crimes, com suas transgressões, com seus erros,
com suas vilanias.
Mas antes de vir, Ele foi anunciado por muitos, principalmente pelo profeta Isaías, que viveu centenas de anos antes dEle. E o Senhor, sempre cuidando do homem com grande ternura e dedicação, jamais o deixou totalmente à solta,
ao léu, sempre o exortando para escolher o bom caminho.
Tudo tinha sido meticulosamente preparado pelo Senhor deste universo. E Ele levantou homens que falassem por Ele, os profetas, e revelassem o grande plano de resgate que estava determinado para o homem, para todo homem. Quando João Batista, um dia O viu passando, disse dEle:
O plano de Deus estava tão bem preparado em seus mínimos detalhes que Isaías, cerca de seiscentos anos antes da vinda do Messias, já proclamava a sua vinda e os seus feitos como coisas que
já tinham acontecido! Para o homem o evento estaria no futuro, mas para Deus já estava no passado, e num passado perfeito já totalmente realizado. Era, pois, um plano básico, que não tinha qualquer possibilidade de falhar. O Senhor deste plano, quando o construiu para agasalhar as suas criaturas, já o criou dotado de tudo de que o homem iria precisar para caminhar para a frente, em busca não do Paraíso Perdido, mas de um Paraíso mais rico e mais pleno de possibilidades de fruição autoconsciente. O homem iria necessitar do mal em dimensões imprevisíveis para um mortal, mas certamente previsível para Ele. O homem iria necessitar do bem. E o Senhor deste plano tudo proveu para que o homem experimentasse todas as gamas do Bem e do Mal. E esse plano passou a ser um laboratório, um lugar de labor, de aflições, de oração, de refrigério. E o Senhor criador deste plano era, é, holorresponsável por ele e por tudo que nele aconteceu e ainda vai acontecer, pois com Sua mesma substância Ele o fez.
Mas este plano em que vivemos, como todos os outros no seio do UM PRIMEIRO
E ÚNICO , está sob a estrita lei do UM PRIMEIRO E ÚNICO : o um é responsável por aquilo que faz. O Senhor deste plano, sendo
um um (sic), era, é, responsável por tudo que fez. O homem, sendo um um (sic), é responsável por tudo que faz, ou melhor, que escolhe para fazer. Escolhe, como vimos, porque tudo já foi feito pelo Senhor deste plano. E o homem, sendo responsável por sua escolha, tem sobre si, sobre sua vida, sobre sua existência, as conseqüências dessa escolha: se escolher Gerizim, bênçãos; se escolher Ebal, maldições. E o homem construiu, constrói até hoje, uma história de injustiças, de discriminações, de iniqüidades, de transgressões, de crueldades, de assolações, de agressões vis contra seus semelhantes e contra a natureza. Mas alguns homens já neste século despertaram de seu sono de maldades e propõem soluções alternativas para os grandes males que assolam o planeta e o próprio homem. E alguns, reconhecendo o senhorio do Senhor Jesus, se entregam, de espírito, de corpo e de alma, a seus braços amoráveis. Nada sabem ou pouco sabem das questões macrocósmicas, mas, levados pela fé e pelo amor ao semelhante, congregam-se para louvar ao Senhor, para entregarem sua vida ao Senhor.
Benditas as congregações cujo Deus é o Senhor!
Benditas as congregações que O louvam, que O adoram!
Benditas as congregações, que, por amor do Senhor, se abstêm do pecado!
Benditas as congregações que O buscam como seu único e suficiente Salvador!
Benditas as congregações que se entregam à fé, e crêem nEle e na Sua santa Palavra!
Benditas todas as congregações que se entregam às boas obras!
Benditas todas as congregações do oriente e do ocidente que se voltam para a busca de um sentido maior da vida!
Benditas todas as congregações, sejam cristãs ou não, que não se dedicam ao mal!
Mas assim como o pecado era uma necessidade, estando inscrito como arquétipo necessário na substância do UM desse plano, que teve de se degradar (=cair em freqüência, em vibração) para agasalhar os filhos do Seu amor, assim também o antídoto, a ascensão, a assunção de um nível mais elevado de vida e de existência, também estava inscrito na substância do UM, Senhor deste plano de causação. E isso desde o princípio. Havia a doença, fruto do pecado; e havia a cura, fruto da misericórdia. E a cura, tanto quanto o pecado, é uma questão de escolha. Mas há uma diferença básica: o pecado é uma escolha inconsciente ou semiconsciente, enquanto a cura tem de ser uma escolha consciente. O caminho do pecado é largo e farto de opções; o caminho da vida é estreito, oferecendo uma só opção: a verdade. A cura do pecado foi provida por Deus, no Velho Testamento, através do sacrifício de um animal inocente de pecado. Era um momento solene, de introversão, em que cada homem colocava sobre o animal a ser sacrificado a sua cota de pecados. Era um momento de conscientização do pecado. No deserto, a serpente de bronze curava os enfermos, bastando que o enfermo olhasse para ela. Entre os nomes de Deus, está o de Jeová Rafá
(Êx 15:26), o Deus que cura, e isso nos mostra que uma das principais qualidades de Deus é a da cura, já providas em Sua mesma essência.
O Senhor bem sabia que o homem iria escolher o pecado em muitos momentos de sua vida, de sua existência, por isso Ele, em nome, provê a cura, fazendo disso uma de Suas propriedades substanciais, que está inscrita em sua mesma substância como um arquétipo eterno.
Por isso Isaías, cerca de seiscentos anos antes da vinda do Messias a este mundo, pôde declarar, movido pelo Espírito Santo:
Is 53:4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Ele, o Senhor deste plano de causação, da terra e seus complementos; Ele, o nosso Criador; Ele, o Verbo divino, santo e puro e inocente, nada tendo feito de mal
em seu mesmo corpo, em sua mesma alma, em seu mesmo Espírito, foi ferido, judiado, torturado, atormentado, por nossas transgressões, pelas transgressões que escolhemos fazer com o nosso livre-arbítrio. E Ele foi esmagado por nossas iniqüidades, por nossas injustiças, por nossas maldades. O Senhor deste universo assumiu para si, sendo inocente deles, de uma vez e definitivamente, todos os nossos pecados e as sua conseqüências: a aflição, a dor, a enfermidade, a doença. O castigo que deveria ser imputado a cada de um de nós pela justiça divina, Ele o assumiu para si: a malignidade do mal Ele a atraiu sobre si, sobre seu corpo puro, sobre a sua alma inocente, sobre o seu espírito reto. E esse castigo que estava preparado para nós,
por nós, homens de todos os tempos, caiu sobre Ele, e Ele nos deu em troca de tantas iniqüidades
praticadas contra Ele a Sua paz, o Seu conforto, o Seu refrigério. Quem o visse submetido aos maus tratos terríveis que suportou como um Cordeiro inocente, sem jamais se queixar, pensaria que se tratava de alguém sendo castigado por Deus, por causa de seus pecados, de suas transgressões. Mas não era isso que estava acontecendo. Não era esse o significado de tão grande tortura e humilhação. Foi chicoteado até o limite de Suas forças humanas, foi cuspido, foi ultrajado, morreu no lenho, como um maldito de Deus. Tudo isso Ele suportou sem se queixar, sem se rebelar, sem se justificar. Mas cada um de nós, que estamos no Caminho (e todos estamos no Caminho), tem de entender o significado real daquilo que estava se passando. O nosso Senhor, o nosso Criador, estava assumindo toda a responsabilidade por tudo de mal que o homem tinha feito ou viria a fazer, em favor do próprio homem, que doravante já não necessitava sofrer as conseqüências de sua vida de pecado, de sua existência de pecado. Ele estava naquele momento santo de supremo sacrifício e dor, nos resgatando da necessidade de termos de pagar por nossos pecados. E atraindo todos os males praticados pelos homens sobre sua carne inocente, atraía também todas as suas conseqüências, entre elas a doença, a enfermidade. E hoje, e desde então, todo e qualquer homem pode ter a certeza absoluta de que já está sarado da doença que parece afligi-lo. A verdade sobre a doença que aflige a alguém, seja ela de que natureza for, seja câncer, seja AIDS, seja diabetes, seja qualquer outra ou mais ou menos maligna; a verdade é que essa doença não existe mais, não tem mais direito de existir, sendo ela uma ilusão, que pode ser facilmente debelada, pois na verdade já foi debelada, pois - suprema misericórdia do UM! - fomos sarados pelas mesmas pisaduras que O fizemos sofrer. Guardemos bem esse presente que o nosso Senhor nos deu de graça:
FOMOS SARADOS POR SUAS PISADURAS. POR PISADURAS QUE NÓS PROVOCAMOS PARA ELE SOFRER!
Mt 11:12 E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto.
E tem de crer nisso com todas as forças de sua alma. E logo a doença que parecia existir nele desaparece como num passe de milagre. E trata-se, sim, de um milagre, de um milagre
que já aconteceu desde que o mundo é mundo. Ao doente, cabe tomar posse dessa bênção, crendo em sua cura, apesar de todas as evidências
reais (?) em contrário.
Is 53:6 Todos nós
andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o
Senhor fez cair sobre ele a
iniqüidade de todos nós.
Todos nós, homens que viandamos neste plano sagrado de causação, andávamos desgarrados como ovelhas, que perderam o seu pastor, não sabendo para onde ir, não sabendo que rumo tomar, desviando-se cada um pelo seu caminho particular, feito de transgressões, iniqüidades e pecados. Assim vivia o homem, presa de seus instintos mais baixos. Mas o Senhor deste plano de causação fez com que caísse sobre
Ele mesmo a iniqüidade de
todos nós. O homem comete a iniqüidade, O Senhor a põe sobre si, e alivia o homem de sua carga cármica, deixando-o livre como uma criança inocente, que não tem passado sujo, que nada deve a ninguém nem a nada. E o homem que sabe disso, tem de agradecer a Deus por Sua providência, e começar a andar em novidade de vida, deixando para trás o passado, e vigiando e orando sobre o presente. Façamos agora uma oração singela e sincera.
Is 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Is 53:6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
O verbo está no pretérito perfeito do indicativo passivo: trata-se de um ato irrevogável, tão irrevogável que foi tratado como já passado num passado que ainda não tinha acontecido! Trata-se de um ato passivo em relação a nós: nós nada precisamos fazer para receber tão grande benefício, pois na verdade já o fizemos, quando estávamos em nossa vida de pecado. E hoje, e desde então, estamos livres da doença, de qualquer tipo de doença. E por que há tantos doentes no mundo e à nossa volta? Por uma razão muito simples: o homem precisa saber que já está livre de toda doença, que nenhuma doença pode atingi-lo, que nenhuma doença o atinge de verdade. O que o atinge são sintomas da doença, pois a doença em si já não pode atingi-lo! Se alguém está doente, é preciso que ele saiba que já está curado, não importando os sintomas: ele não deve olhar para os sintomas que parecem tão reais; ele deve olhar para o Senhor e agradecer-Lhe por já estar curado. Mas não seria isso uma mentira? Como alguém vai dizer que está curado, se sente que a doença o está consumindo? O homem precisa saber a verdade da sua situação perante o Senhor; pois perante o Senhor ele já está curado! O homem tem de violentar-se, deixando a sua razão, o seu bom-senso. É bom levarmos em boa conta o que está escrito:
A doença, como tudo que é nomeável, é uma entidade, e ela sabe que não mais tem direito de se manifestar como conseqüência de pecado pretérito, mas finge-se de ignorante, aliando a sua ignorância à ignorância do homem afetado por ela. O homem tem de repreendê-la, e colocá-la no seu devido lugar de derrotada. É preciso energia, é preciso força, é preciso determinação para fazer isso, pois a doença, como todo mal, se alimenta de tudo o que é negativo no homem: o medo, a preocupação, o desespero, a ansiedade, a dor. O homem que tem a felicidade de conhecer os versículos santos lá acima de Isaías tem em suas mãos uma arma poderosíssima contra a doença, contra a infelicidade. Não precisa ser um teólogo, não precisa ser um homem mui versado nas coisas de Deus, basta que dê crédito ao que ali está expresso com todas as letras.
Senhor, meu Deus de Amor e Misericórdia, eu Te agradeço de todo o meu coração pelo fato de o Senhor me ter aliviado de toda minha carga
de pecado pretérita e de suas conseqüências. Eu Te agradeço por estar totalmente são, sem nenhuma doença a se alojar em mim indevidamente. Eu te agradeço, Senhor, pelo grande sacrifício que o Senhor Jesus fez por nós, para nos libertar definitivamente do pecado e das suas conseqüências.
Eu te agradeço, Senhor Espírito Santo, porque me tens consolado, porque me tens convencido do pecado.
Eu te agradeço, Pai Santo, por teres tudo providenciado para a minha libertação do jugo do pecado.
Eu te agradeço, Senhor Jesus, por teres te sacrificado por mim, para me libertar de todo mal.
Amém.
Com ósculo santo,
o peregrino