Da necessidade da responsabilidade


Mensagem 14


A queda, como vimos em outra mensagem, foi necessária para haver distinção entre o ABSOLUTO e o RELATIVO, para que um não se confundisse com o outro e cada um salvaguardasse a sua identidade. E vimos que a Queda, individualizando-se, ganhou realmente caráter de indivíduo, passando a constituir uma pessoa que tinha exatamente como finalidade ser queda para outros seres. Essa Pessoa, sagrada como tudo que viaja seu estar-sendo no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO, é a personalização da oposição, da adversariedade, da acusação. Seu papel cósmico é tentar a todo ser em tudo que puder, com o objetivo de fazê-lo cair e sofrer as conseqüências da sua queda.
Mas o que foi a queda para o homem? Por que ele teve de cair, se Deus poderia ter feito tudo o que tinha em mente, sem que o homem sofresse um só arranhão em seu ser? Deus poderia fazer com que o homem se promovesse, passando a um outro plano mais gozoso, dando-lhe consciência de si mesmo egocentrada, para que pudesse fruir das delícias lhe-preparadas num plano superior de existência. Mas Deus escolheu (dentro da perspectiva de homem, e de homem ignaro, falo) um caminho bem mais longo e acidentado. Estaria Deus se enganando de estratégia, tomando a tática mais penosa e desnecessária para cumprir os seus objetivos? Para podermos caminhar, temos de fazer essas perguntas e algumas outras. Por que o mal despontou no plano como algo necessário, sem o qual nada podia ir para a frente? Da necessariedade do mal, não há dúvida alguma, pois ele não passa de uma operacionalização da queda, da Queda, que foi necessária para que se estabelecessem o Amante e o Amado como entidades idêntico-distintas. O UM PRIMEIRO E ÚNICO  não podia multiplicar-se, pois então deixaria de ser o UM PRIMEIRO E ÚNICO , e isso é impossível. Ele não poderia se dividir, porque então perderia a sua inteireza, e isso é impossível. O único caminho que lhe restava, para preservar-se eternamente como UM PRIMEIRO E ÚNICO , foi permitir que houvesse em Sua mesma substância uma como condensação que aparentemente se apresentava diferenciada de Si mesmo. Como não podia ter o Amado em seu mesmo plano de existir, de ser, de SER,  criou um outro plano aparencial para ali agasalhar o Amado. E, como tudo no UM PRIMEIRO E ÚNICO  é eternamente infinito, infinitamente eterno, esse plano aparencial também surgiu como eternamente infinito e infinitamente eterno. E assim foram criados dois reinos: um, o das essências, eternamente imutável em si mesmo, e outro, o  das aparências, eternamente mutável em si mesmo. E o RELATIVO, sob o mesmo influxo do Amor primordial, se dividiu-multiplicou em infinitos reinos, cada um com a sua glória. E cada reino era um indivíduo, um ser individuado, que tinha em si a mesma propriedade primeva de se querer ver em semelhança de si mesmo. Cada reino era substância viva, amorosa, amorável, que queria um objeto para o seu amor. E cada reino foi habitado por muitos seres, formados da mesma substância do Criador, e, por isso, semelhantes ao seu Criador. E cada Criador é sempre, por natureza, responsável por aqueles que dEle foram criados.
Três propriedades do UM PRIMEIRO E ÚNICO  podem ser consideradas como fundamentais, como básicas, por estarem na raiz de todas as outras: o AMOR, a LUZ, a VIDA. E todo um que existe no Tudo o Que É tem essas três propriedades: todo um nomeável é vivo, é feito de luz, é feito de amor. Essas três propriedades sagradas respondem por todo um que há no seio do RELATIVO, pois o RELATIVO é semelhante ao ABSOLUTO, sendo tudo o que ELE é, diferindo em apenas uma propriedade ditada pelo mesmo AMOR, que quer que o Filho frua cada vez mais: a imutabilidade/mutabilidade, pois o RELATIVO é eternamente mutável. Mas num nível muito profundo todo um já alcançou a maior glória que poderia alcançar; mas, quando lá chegar em manifestação, glórias maiores o aguardam eternamente. Se o UM PRIMEIRO E ÚNICO  é uno, assim também o é o RELATIVO em seus fundamentos mais basais. O RELATIVO todo, incluindo todas as suas infinitas dimensões, todos os seus infinitos universos, todos os seus patamares de glória, é, em verdade uma unidade, em que todas as coisas e seres estão interligados entre si, constituindo o DEUS do RELATIVO, que se encontra em eterna e infinita expansão. Mas, embora todos sejam um um (sic) , cada um é um um (sic)  em que todos os uns estão. Em um neutrino está presente o universo todo, assim como em um homem está presente o universo todo, assim como em cada célula do seu corpo está presente o universo todo, assim como cada átomo de um seixo tem em si presente todo o universo. O universo tal como o pensamos está longe da realidade que ele é, tem de ser, por força dos arquétipos que o determinam e o governam. E todo um é vivo e consciente: em todos os universos dos universos não pode existir uma partícula sequer que não tenha vida e consciência. E é pela consciência que estamos ligados a todas as outras coisas e pessoas, constituindo com elas uma só coisa, um só ser. Assim, no glorioso RELATIVO em que vivemos e existimos, todos somos um só corpo, uma só alma, um só espírito, mas cada um tem seu corpo, a sua alma e o seu espírito, fazendo-se responsável por seu ser, que cada vez vai ganhando mais e mais manifestação de si mesmo. Por isso, referindo-se ao corpo, Paulo disse, inspirado pelo Espírito Santo:

Rm 12:5 assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros.

Os homens, embora sejam muitos, sendo estimados em 07/01/06 em 6.525.486.603 pelo World PopClock , (e hoje, dia de revisão de texto, 24/10/06, às 13h15, 6.552.469.959, e hoje, revendo o texto, 09/12/2008 - 11:o2 GMT: 6.742.271.220; e hoje, 09/02/09  - 11:13 GMT: 6,759,394,116, em releitura) e individualmente cada um desses bilhões de homens são corpo uns dos outros. O meu corpo não é meu, é de todos os homens do mundo, com os quais eu o partilho, pois há um só corpo em Cristo, e Cristo é o Deus e Senhor deste mundo. Essa é uma lição difícil de assimilar, pois estamos acostumados a pensar, a raciocinar, limitados pelas três dimensões em que ora nos manifestamos. Por isso, a nossa responsabilidade sobre o nosso corpo é muito grande, pois nisso estão envolvidos todos os outros homens. Temos de entender que somos, todos os homens, um ser coletivo, único, com pontos de individuação, que é cada um de nós. E cada um de nós é esse ser coletivo. Esse conhecimento, assimilado pelo homem, acabaria com todas as fronteiras, com todas as separações, com todas as discriminações, com todas as fomes, com todas as pestes, com todas as enfermidades, pois o ser coletivo que somos nós e que é Cristo é puro, santo, misericordioso, e anseia pelo momento em que cada um desperte para a grande realidade que cada um é.
Para entendermos melhor esse assunto de tão grande importância e implicações, sugiro que leiam o artigo Considerations of who we are, do qual extraio o seguinte trecho:

The holographic paradigm also has implications for so-called hard sciences like biology. Keith Floyd, a psychologist at Virginia Intermont College, has pointed out that if the concreteness of reality is but a holographic illusion, it would no longer be true to say the brain produces consciousness. Rather, it is consciousness that creates the appearance of the brain -- as well as the body and everything else around us we interpret as physical. Such a turnabout in the way we view biological structures has caused researchers to point out that medicine and our understanding of the healing process could also be transformed by the holographic paradigm. If the apparent physical structure of the body is but a holographic projection of consciousness, it becomes clear that each of us is much more responsible for our health than current medical wisdom allows. What we now view as miraculous remissions of disease may actually be due to changes in consciousness which in turn effect changes in the hologram of the body.

O paradigma holográfico também tem implicações para as tão chamadas ciências duras, como a biologia. Keith Floyd, um psicólogo no Virginia Intermont College, sugeriu que se a concretude da realidade é apenas uma ilusão holográfica, já não mais seria verdadeiro dizer que o cérebro produz consciência. Pelo contrário, é a consciência que cria a a aparência do cérebro - tanto quanto o corpo e tudo o mais ao nosso redor que interpretamos como físicos. Tal reviravolta na maneira como vemos estruturas biológicas fizeram com que pesquisadores apontassem para o fato de que a medicina e nosso entendimento do processo de cura poderiam ser transformados pelo paradigma holográfico. Se a aparente estrutura física do corpo é apenas uma projeção holográfica da consciência, fica claro que cada um de nós é mais responsável por nossa saúde do que admite o corrente saber médico. O que agora nós vemos como remissões miraculosas podem realmente ser devidas a mudanças na consciência que, por sua vez, efetuam mudanças no holograma do corpo.

O universo todo não passa de um holograma de consenso, que é sustentado pela crença comum (intersectiva)  de todos os homens. O universo que nos rodeia é na verdade uma ilusão holográfica projetada por cada um de nós em sintonia com o chamado senso comum. O universo que eu experiencio é na verdade uma projeção dos meus pensamentos, dos meus sentimentos, das minhas emoções, das minhas expectativas, dos meus medos. O universo em que estou é um estado de ilusão que é gerado dentro de mim, e que é único para mim, embora se interseccione em ilusão com os universos de todos aqueles que de uma maneira ou de outra pertencem ao meu universo de manifestação. Se no universo de manifestação que me toca, e isso pode ser muito amplo, alguma coisa acontece, eu sou responsável por essa coisa, porque em mim, em minha seidade, há algo semelhante àquele acontecimento, sendo aquele acontecimento apenas uma projeção daquilo que em verdade estou sendo juntamente com incontáveis interseccionistas. Se há guerras no meu universo de manifestação, então há guerras dentro de mim, e preciso me posicionar conscientemente em relação a isso. Se há pena de morte no meu universo de manifestação, então há dentro de mim, mesmo que eu não o admita, a pena de morte, e eu preciso me posicionar claramente em relação a isso. E manifestar de viva voz esse posicionamento, porque a voz, a fala, o som, o verbo, tem poder criador. O que eu venha a dizer pode cair nos chamados ouvidos moucos, ou pode provocar reações em contrário, mas sempre estará desempenhando o seu papel criador. Temos de falar sobre as coisas com que não concordamos e que ocorrem em nosso universo de manifestação. Não podemos nos calar diante daquilo que não aceitamos, que não queremos que ocorra em nosso universo de manifestação. A minha responsabilidade vai até onde vai o meu sonho de libertação, de expansão. Tenho de entender definitivamente, sem titubeios, que somos todos um só em verdade, e que o que o meu semelhante faz de mal ou de bem eu também estou fazendo solidariamente, interseccionisticamente  com ele. Eu tenho de entender que EU SOU muito maior do que penso, do que imagino. EU SOU o centro do universo de manifestação em que vivo e existo, e assim é cada um dos meus semelhantes. Cada um pode dizer em verdade: EU SOU o centro do universo em que vivo e existo. Todo um tem essa prerrogativa inalienável, seja ele um santo, seja ele um facínora, seja ele um filantropo, seja ele um torturador cruel. Essa é a nossa herança, por sermos manifestações individuoconscienciadas do UM, nosso Criador e Senhor.
Assim, diante de uma situação difícil, o que de melhor podemos fazer é entender que tal situação pertence ao nosso universo de manifestação, e isso nos torna responsáveis por ela. De nada adianta chorar, clamar, gemer, revoltarmos-nos, se antes já não entendemos isso. Não podemos culpar a nada, a ninguém, por algo que nos aconteça, seja uma doença, seja um evento infeliz. Naquilo que nos diz respeito, somos os únicos responsáveis, por mais duro que isso possa parecer. Estamos aqui para aprender a grande lição da responsabilidade, que não admite justificativas ou racionalizações. Por isso, também, disse Paulo, inspirado pelo Espírito Santo:

Rm 2:1 Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo.

Neste verso, podemos colher uma série de conhecimentos profundos:
1. a inescusabilidade do homem, qualquer que ele seja: seja ele um santo, seja ele um devasso. Pois o simples fato de existir dá ao homem essa característica lhe-inalienável, já que ele é sempre responsável por tudo que lhe acontece.
2. a inconveniência da atitude judicativa, pois aquilo que alguém faz eu também estou fazendo, pois somos um em verdade. Mais ainda, se o coloquei no centro das minhas atenções!
3. o julgar a quem quer que seja, seja ele o mais cruel dos homens, é atrair para si o conteúdo do julgamento: o que vejo que o outro faz, eu estou fazendo simultaneamente com ele, pois somos um em verdade.
O julgamento torna mais pesada para o julgador a responsabilidade essencial, básica, que ele tem por tudo o que acontece em seu universo de manifestação. E cobrará dele juros bem mais pesados!
4. a única maneira de não sofrer as conseqüências dos atos negativos, ou supostamente negativos, de outra pessoa é não julgá-la; pois todo julgamento é primeiramente sobre a pessoa que o faz.
5. se quero salvaguardar a minha individualidade em relação ao que acontece de errado, de mal, no mundo, então eu tenho de deixar de julgar a quem quer que seja, seja essa pessoa  o mais abertamente declarado criminoso, seja ela um suposto criminoso.
6. qualquer ofensa a qualquer outra pessoa, como já dissemos, é uma ofensa primeiramente para a pessoa que a pratica: penso estar ofendendo a outrem; na verdade, estou ofendendo a mim mesmo.
 

O Senhor do nosso Senhor deu-lhe autoridade para julgar, por ser Ele o Filho do homem. Essa expressão Filho do homem, com que Jesus Cristo freqüentemente se autodenominava, em terceira pessoa, chama a atenção para o fato de ele ser alguém que é do homem, que pertence ao homem. Quando Jesus assim se definia, Ele estava chamando a atenção para dois fatos:
1. Ele, sendo filho de homem  (οτι  υιος  ανθρωπου  εστιν - porque  filho de homem é [João 5:27].), tinha todo o direito, perante a justiça divina, de resgatar a dívida humana.
2. Ele, sendo filho de homem, pertencia ao homem, estando inteiro em cada homem, podendo ser chamado o Cristo interno de cada homem. Não fora de si, mas de dentro de si, o homem haveria de se encontrar com Jesus Cristo, que representa para o homem o Reino de Deus, que Ele conquistou para cada homem, para todo homem. Por isso em Marcos, podemos ler:

Mr 1:15 e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

O tempo estava cumprido: o homem já não tinha mais de pecar, pois já estava maduro em egocentração de personalidade. E, com o cumprimento do tempo, é chegado o reino de Deus. O reino chegava ao homem: o homem não tinha de ir ao reino de Deus. Jesus veio para revelar que Ele era o reino de Deus para o homem. Que era nEle, na Sua substância santa, que residia o reino de Deus, e que ele estava ao alcance de qualquer homem, pois na verdade, já existia latente dentro de cada homem. Para o homem tomar posse desse presente, era-lhe necessário se arrepender, e crer no evangelho, na boa notícia. Jesus, a Palavra encarnada, era a boa notícia para o homem. Qual a boa notícia? A de que o homem estava liberto desde aquele momento da necessidade de pecar; que o homem estava liberto da queda e das suas conseqüências, que o homem estava liberto de todos os pecados que tivesse cometido. E que para tomar posse dessa bênção eram necessárias duas coisas: arrepender-se e crer no evangelho.
Jesus não coloca como necessário o entendimento do evangelho, mas a crença no evangelho. Não se exigia, não se exige, um ato de entendimento, mas de fé. E o ato de fé pode ser assim ser expresso: Jesus me libertou de todo pecado, por meio do seu sacrifício vicário na cruz, derramando o seu sangue por mim e por todos os homens deste mundo. E de ora em diante é deixar de pecar, entregando-me totalmente ao senhorio do Senhor Jesus Cristo.
A palavra para arrependei-vos no grego original é μετανοιετε, imperativo presente do verbo μετανοεω, que é formado de μετα, elemento que significa além de, para além de, indicando transformação, e de νοεω , que poderia significar mentar, já que provém de νους, que significa mente. Arrepender-se, portanto, é mudar a mente, transformar a mente, redirecionando-a para a fé nas palavras e promessas (já consumadas) de Jesus de Nazaré.

Ontem, dia 30 de junho de 2006, recebi uma breve visita do meu amigo Marco Antônio, e, durante a conversa, ele me perguntou: "Por que que a salvação tem de vir de cima?". Respondi-lhe que tinha de ser assim porque só o Altíssimo sabe quando o indivíduo já está realmente maduro para recebê-la. E, achando que estava já maduro para ouvir, lhe disse algo mais, e esse será o objeto do restante desta mensagem.

1.
No princípio de todos os princípios era o UM PRIMEIRO E ÚNICO . Se teve origem em um um (sic)  ainda mais basal, não o sabemos, nem jamais o saberemos, pois o máximo em termos de concepção que a nossa consciência de Criado pode atingir se reporta ao UM PRIMEIRO E ÚNICO , nada havendo antes dELE, nem acima, nem abaixo, nem ao lado direito, nem ao lado esquerdo. Sobre essa questão pairará eternamente o indevassável véu do princípio do AMOR.
2.
E no UM PRIMEIRO E ÚNICO  jazia em latência todas as possibilidades e potencialidades ditadas pelo AMOR. Tudo o que existe, existiu e existirá e coisas eternamente inefáveis jaziam em potência no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO . Com toda a unção podemos comparar esse estado-essência ao de uma semente, que contém dentro de si florestas e florestas. Mas essa é uma comparação pífia, já que a semente só é semente para a sua espécie, e não é semente de todas as coisas que existem ou virão a existir. Eu, você, e todos os homens e todos os seres individuados, e tudo o mais que existe e virá a existir jaziam em estado de latência no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO  sob a Luz amorável do AMOR. E, para realizar os impulsos do AMOR, o UM PRIMEIRO E ÚNICO  determinou em SUA mesma substância, sobreposta e intermixada finamente, ultrafinamente, com ela, uma zona de aparente menor freqüência, de aparente menor luminosidade, de aparente menor consciência, de aparente menor vida, de parâmetros essenciais aparentemente um pouco menores, sendo-lhe inerente uma glória infinitesimalmente  menor que a dELE, e para que ambos, o UM PRIMEIRO E ÚNICO  feito Pai, e o Filho  aparentemente gerado, preservassem para sempre, cada um a sua identidade, que em verdade, era, é, uma só, ELE interpôs um véu indevassável entre ELE e o FILHO. Esse passou a ser o protótipo e arquétipo único para toda manifestação. E, assim, o UM PRIMEIRO E ÚNICO  constitui-se, em latência, do PAI, do FILHO e do VÉU. E, como esse VÈU tinha de ser muito poderoso e forte e resistente para cumprir a sua função de separar-unir o PAI ao FILHO, tinha de aparentar ser leve, delicado, sutil, de existência-essência quase imperceptível: tinha de ter a consistência de uma brisa, para não ferir, para não magoar, para não ofender, para não invadir; e, ao mesmo tempo tinha de ter a força de um vento muito forte e poderoso quando requerido; e, como era um ente separado, santo em suas mesmas raízes, pois era uma protomanifestação no seio santo do UM PRIMEIRO E ÚNICO ; e por isso é ELE denominado com toda unção de ESPÍRITO SANTO. E esse passou a ser eternamente o arquétipo, a protofôrma, o modelo-princípio sobre o qual se manifesta tudo o que é manifestado. Quando falamos desse estágio, que só existe para facilidade de comunicação, pois tudo no UM PRIMEIRO E ÚNICO  ocorre instantaneamente, tendo uma duração eterna e uma extensão infinita. [Não se preocupem com a sintaxe do período anterior, pois o seu conteúdo é facilmente assimilável, para além de qualquer gramaticismo.] E esse é o protomodelo que preside a existência e origem de todo e qualquer ser manifestado.
a.
Tudo o que existe, desde um neutrino até uma transgaláxia, até um transuniverso, e mais além, e mais além..., tudo sem qualquer exceção, incluindo-se o homem, tem uma organização trina, constituindo-se do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
b.
Tudo o que existe está intermixado entre si, de maneira que cada coisa, cada ser, é também toda e qualquer outra coisa, todo e qualquer outro ser.
c.
Tudo o que existe contém em si tudo o que existe. Cada ser, cada coisa, contém em si integralmente tudo o mais que existe, sem perder sua individualidade. UM elétron contém dentro de si tudo o que existe, existiu e existirá: seja um homem, sejam todos os homens, sejam todas as galáxias, sejam todos os hiperuniversos... . Pois ele, como toda e qualquer coisa, está intermixado holograficamente com Tudo o que existe. Você contém dentro de você, gravado indelevelmente, tudo o que existe, existiu e existirá. Você é muito maior do que você mesmo! E isso acontece porque o que o Arquétipo Primeiro assim o determina, pois o UM PRIMEIRO E ÚNICO , que tudo contém em latência, determina para todo ser um só modelo de existir, de estar-sendo, e esse modelo é necessariamente (não poderia ser de outro jeito) o modelo da Latência. O seu maior inimigo está dentro de você, e você está dentro de seu maior inimigo, pois você, sendo tudo o que existe e ele, também, sendo tudo o que existe, são, na verdade, um só ser. Por isso, se você quer se amar, você tem de amar ao seu inimigo, para o seu amor ser completo, e de acordo com os santos arquétipos organizadores de Tudo o que existe. Aqui não estamos falando do Inimigo!  A Ele devemos fazer o que Jesus Cristo fez: repreender.  E resistir a Ele e às suas investidas.
d.
Se o UM primeiro único é ordem perfeita, tudo o mais é ordem perfeita. O mundo está um caos aparentemente, porque na verdade ele está perfeitamente organizado, e um dia haveremos de ver isso manifestado. Pois está escrito que tudo o que estiver em oculto um dia será manifestado.
3.
E o FILHO, fazendo-se PAI em manifestação, gerou a um FILHO por meio do ESPÍRITO SANTO. A esse PAI primeiro e único, que rege todos os universos de universos, todas as dimensões, todos os níveis, todos os planos de existência, damos realmente o nome de PAI ALTÍSSIMO. Assim também damos a esse FILHO primeiro e único o nome FILHO UNIGÊNITO, e a esse ESPÍRITO SANTO primeiro e único damos o nome de ESPÍRITO SANTO.
E esse processo, movido pelo AMOR, desencadeou infinitas dimensões, infinitos universos, no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO , sendo cada dimensão, cada universo, (aparentemente) um pouco menos glorioso que o de "cima". E esse processo chegou ao mais extremo nadir da manifestação. E dali se processou o caminho de volta para o seio do PAI ALTÍSSIMO, numa viagem que nunca terá fim, porque o PAI ALTÍSSIMO também está viajando de volta ao seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO , numa viagem que nunca terá fim. O UM PRIMEIRO E ÚNICO , motivado pelo mais excelso AMOR, engendrou para todo ser manifesto uma viagem sem fim, em que, a cada ascensão, o ser experimenta grande novidade em glória. E poderíamos esperar menos do que isso desse AMANTÍSSIMO PAI PRIMEIRO E ÚNICO?
Para o ser manifestado, o fim é o fim, e o fim é o fim. O término é a finalidade, e a finalidade é o término. O fim aponta para uma (nova) finalidade. E essa (nova) finalidade aponta para um fim, para um término. Que tem, necessariamente, de ser temporário. E isso para todo o sempre. Por isso Jesus se definiu como Caminho, e não como meta. Essa, então, a finalidade da existência? O existir para sempre e sempre em cada vez maior glória? Sim. E o conhecimento da glória se faz através da consciência, que é uma para todos, mas que se operacionaliza individualizadamente para cada um, para cada um de nós. Assim, eu sinto a existência, a vida, diferentemente  de como você sente. A minha consciência abrange já realidades que a sua não abrange, e não abrange certas realidades que a sua já abrange. Todos que aqui estamos nesta terra temos, cada um, uma consciência própria, mas todas essas manifestações conscienciais têm algo em comum; uma limitação que é própria daqueles que aqui estão. Podemos refletir, podemos pensar, podemos imaginar, mas não podemos experienciar em realidade essas coisas que pensamos, refletimos, imaginamos. Não imediatamente. Eu sei que eu sou um com você, mas manifestamente eu ainda não sou você. Hoje tenho a consciência de mim mesmo para fins de manifestação, e raramente a consigo superar. Isso faz parte das condições solidariamente criativas que põem em manifestação esse universo em que vivemos e existimos. Hoje experiencio o meu corpo, mas de uma maneira limitadíssima: não consigo experienciar o meu fígado, as células que o compõem, os elétrons que as compõem. Minha consciência está em tudo, mas não está desperta para isso.
Já sabemos que nosso destino é o conhecimento de uma glória cada vez maior, a experienciação de uma consciência cada vez mais ampla.
Não sabemos de onde viemos, pois, em verdade, não sabemos quando fomos criados, quando fomos formados. Mas para onde iremos? Jesus já nos deu a resposta: vamos para a nossa Igreja, para fazer parte dela, como um todo que ela é. Não seremos apenas partes, seremos núcleos holográficos dela mesma, contendo-a todinha em nós mesmos, e isso em termos de experienciação! Será essa uma experiência maravilhosa, grandiosa para todo homem. Mas sabemos que a Igreja não é o fim do Caminho, simplesmente porque o fim do Caminho não existe. Se existisse, deixaria de ser Caminho, para se tornar em meta. E isso não é possível, pois quando Jesus se disse Caminho, ele usou o presente do indicativo, e disse:

EU SOU  o caminho.
EU SOU, o caminho. 
EU SOU: o caminho.
Uma verdade que tem validade para todos os sempres dos sempres. E um dia, como ELE, diremos: EU SOU
, o caminho. E saberemos o que estaremos dizendo, e experienciaremos a glória dessa declaração. Pois essa é a sagrada potencialidade que jaz adormecida em cada um de nós.
E agora podemos perguntar: O que é o homem, em verdade?

João 17:18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviarei ao mundo.
João 17:19 E por eles eu me santifico, para que também eles sejam santificados na verdade.
João 17:20 E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;
João 17:21 para que todos sejam um;  assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.
João 17:22 E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um;
João 17:23 eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim.

Qual a finalidade da vinda de Jesus a este mundo? Libertar os homens do pecado e de sua conseqüências? Sim. E qual a finalidade disso? A finalidade é: para que todos (todos, sem exceção de nem um um (sic) sequer).

Se um só homem se perder definitivamente, se um só homem que seja, tiver como resultado do  Juízo Final, aplicada a si uma condenação eterna (e não eônica) , então o que Jesus Cristo disse não é uma verdade absoluta, e a Igreja, o UM-nós não estará completamente, integralmente, restituído a si mesma.  E isso é impossível, pois todo um se reconhece plenamente no todo que ele é para além de todas as aparências.  Mais: o Senhor Jesus Cristo se definiu como Verdade!  Isso de condenação eterna, ou para um, ou para poucos, ou para muitos é algo que precisa ser revisto cuidadosamente, criteriosamente, à luz dos sagrados arquétipos,  pela nossa consciência!

 sejam um. Assim como o Pai é um em Jesus, e Jesus um no Pai, assim seremos um em Jesus e um no Pai. Essa, a grande promoção que nos está reservada: participarmos da glória de Jesus e da glória do Pai. Sermos em consciência de nós mesmos o que Eles são. Viemos do Pai, viemos do Filho, e ao Filho voltaremos, e ao Pai voltaremos, com plena consciência de nós mesmos, com plena consciência do Filho, em plena consciência do Filho; com plena consciência do Pai, em plena consciência do Pai.
E nosso amantíssimo Redentor diz ainda: eu estou nos homens, estarei nos homens, em cada homem. E o Pai está nele. E isso acontece, acontecerá, para que todos os homens sejam perfeitos em unidade. O homem só ficará perfeito quando todos os homens tiverem chegado a Jesus, pois a Igreja de Jesus, a que pertencemos, estará completa, nela não faltando ninguém, nem aquele que um dia foi santo, nem aquele que um dia foi o pior dos etnocidas ou genocidas.
Suponhamos agora que a Igreja esteja completa, una em si mesma, constituindo-se de todos os homens que por aqui passaram, tendo Jesus como sua Cabeça, seu Mandante, seu Comandante, seu Sacerdote, seu Rei, seu Deus.
Cruzará o Comandante os braços, e irá para o Seu descanso, dizendo:?  "Missão cumprida! Já recolhi todas as ovelhas, ainda as mais desgarradas, trouxe-as para o conforto da Casa. Que elas gozem o seu gozo; eu gozarei o meu."
E o Comandante deixaria de ser Caminho? Não é essa a Sua verdadeira glória, a Sua verdadeira identidade?
O que vamos falar daqui para a frente é assunto reservado, cujo revelar-se foi apenas sugerido pela Palavra, mas que podemos deduzir da passagem: "para que também eles sejam um em nós". E de muitas outras passagens. Vamos falar de você, agora. De todo homem, de toda mulher, porque o que dissermos de você é de aplicação universal. Você é um com Jesus, é um com o Pai, mas ainda não assumiu para você mesmo essa sua  qualificação santa lhe-inalienável. Um dia você vai assumir essa qualificação (quer você queira, quer não!); portanto, seria bom ter desde já uma idéia do que isso significa em verdade. Significa que você é EU SOU, já que você sendo um com Jesus, que é EU SOU, você também é um EU SOU (o único EU SOU que em verdade existe).

Hoje, dia 2 de setembro de 2006, tendo relido e corrigido o texto, tanto em seu aspecto da forma quanto do conteúdo, achei (dia 4, retomando) necessário acrescentar esse gráfico, pois ele sintetiza o status real de cada um de nós. Sendo cada um de nós o EU SOU (único), temos a nossa criatividade centrada em três núcleos arquetípicos: o Fazer, que nos identifica com o Pai; o Querer, que nos identifica com o Filho; o Poder, que nos identifica com o Espírito Santo. Hoje esses arquétipos funcionam na sombra da nossa consciência, pois não somos conscientes deles.
Eu faço, eu crio, eu gero, eu construo, eu destruo, eu arruíno, eu plasmo, eu dou forma a tudo aquilo que penso estar acontecendo para mim. Mas, como ainda não tenho madureza espiritual para assumi-lo integralmente, apenas, em verdade, escolho, o que já está feito. Pois ainda não tenho madureza para fazer por mim mesmo. E, em verdade, em verdade, nunca terei, pois tudo já é feito no seio do Pai, em Latência no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO .
Eu quero, eu anseio, eu desejo, eu invejo, eu ambiciono, eu projeto, eu idealizo, eu planejo, eu amo, eu odeio, eu fruo tudo aquilo que acontece para mim. E, em verdade, apenas escolho aquilo que penso estar querendo por mim mesmo. Pois ainda não tenho madureza para querer por mim mesmo.  E nunca terei, em verdade, em  verdade: o objetivo do meu estar-sendo não é desenvolver uma vontade própria, mas tornar minha a vontade do Pai, mas estar em sintonia com a vontade do Filho, que se sintoniza com a vontade do Pai.
Eu posso, eu transformo, eu mudo, eu reverto, eu converto, eu teimo, eu me arrependo, eu disfarço, eu minto, eu logro, eu engano, eu iludo, eu finjo, eu santifico, eu demonizo, eu manipulo, eu controlo, eu julgo, eu condeno, eu absolvo. Quantas coisas não são mascaradas por mim! Mas, em verdade, não sou eu que as modifico, pois ainda não tenho madureza suficiente para poder transformar por mim mesmo as coisas.  E, na verdade, na verdade, nada transformo, mas me submeto ao poder do Espírito Santo, que transforma por mim, para mim, as coisas que pretendo transformar.  Com alegria às vezes. Com pesar, às vezes.
E há atuando em mim, como em todo um individuado, três forças básicas: a coesão, que faz com que eu seja sempre eu, por manter intocado um núcleo me-individualizante. Desde que nasci me conheço por mim mesmo, e quantas coisas não foram mudadas! Essa é a força que atrai a mim a mim mesmo, para que não haja dispersão ou perda de mim mesmo, de minha seidade. Essa é uma força que opera internamente em mim mesmo, garantindo a minha eterna egoidentidade. Por essa força, eu sou o que sou.
A outra força é a repulsão, que faz com que eu me repila a mim mesmo, descartando coisas de mim mesmo, buscando novas coisas que não aceitava, expandindo o entorno da minha seidade. Essa é uma força que tende a me desfazer, a me dispersar, a me descentrar. É ela que garante a minha eterna aloidentidade. Por essa força eu sou o que não sou, eu sou o outro, todos os outros. Essa é uma força muito poderosa, porque tende a atuar em campos distantes da força de coesão. É uma força tão poderosa, que poderia nos afastar para muito longe de nós mesmos, e chegar a um nível em que já não haveria volta, e o eu seria totalmente destroçado, perdendo a consciência de  seidade. Mas, graças à holociência do UM PRIMEIRO E ÚNICO  ...
A terceira força, atração,  podemos chamá-la de força da providência. Pois é ela que faz com que o Filho pródigo retorne ao lar. Essa é uma força de longo alcance que acompanha fielmente os passos da repulsão: onde a repulsão atua, ali também está pronta para atuar, e exercendo a sua pressão, a força de atração. Ninguém poderá cair tanto que não possa ser resgatado. É ela que garante a nossa eterna resgatabilidade. Ninguém pode distanciar tanto de seu destino que ainda não possa regressar a ele. É essa a força mais poderosa (como homem falamos) que há em mim, pois ela tem de administrar a repulsão e a coesão, procurando fazer com que essas forças busquem um equilíbrio dinâmico, para nele atuar.
A existência dessas forças independe de minha vontade, pois constituem o mesmo núcleo egóico de mim mesmo. Elas, como tudo que há no Relativo, são polarizáveis, e podem operar em favor da luz ou das trevas, já que dependem do meu arbítrio; mas estão sujeitas à vontade santa, perfeita e boa do PAI amantíssimo, e, do ponto de vista dELE, estão sempre operando a SEU favor; estarão sempre fazendo o melhor possível para o ser individuado, que um dia terá de ceder-se completamente à soberana vontade do PAI.
Examinando o triângulo, vemos que o Pai está numa posição em que centra a coesão e recebe a atração. Por isso, o Pai, o princípio gerador, garante-se eternamente como tal, e garante-se de sempre ter o filho de regresso ao Seu seio, que nunca se dispersará. O Filho pode recalcitrar, pode rebelar-se, pode virar-lhe as costas, mas um dia, a nostalgia do Lar primeiro há de pressioná-lo com a Saudade irrefreável da Casa e começará a sua jornada de regresso.
O Filho está numa posição em que sente a força de repulsão, que o empurra para longe dEle mesmo, em busca de novos campos a serem explorados, em busca de novas emoções, de novos sentimentos, ainda os mais elevados, ainda os mais torpes. E do outro lado, sente a força de coesão, que procura fazê-Lo um com o Pai. Mas a força de repulsão é muito poderosa, porque produz muitos enleios, e quanto mais o Filho se afasta do Pai, menor é a força de coesão que atua sobre Ele, vinda do Pai, e seu destino seria o de se perder para sempre, se não fosse o fato de o
o Espírito ocupar uma posição em que recebe a repulsão do Filho, e, sendo poderoso, o princípio transformador, o repolariza em atração e o envia ao Pai. Onde houver a ação da repulsão, que produz a diáspora, haverá o princípio da atração, que produz o impulso de reunificação. O indivíduo, quanto mais se afasta do Pai, mais sente dentro de si um vazio, a chamada "crise existencial", e procurará um jeito de resolvê-la ou buscando uma religião, ou afundando-se num frio materialismo, ou pondo cabo à vida. Não importa o que venha a fazer, porque o Espírito Santo o acompanha em tudo o que venha a fazer, e um dia, ou por bem ou por mal, ou por dor ou por contrição, há de sentir o impulso santo dentro de si mesmo, e procurará um jeito de encetar o caminho de volta. Encetar o caminho de volta é o destino de todo um individuado, pois toda repulsão é automaticamente transformada em atração pelo Espírito Santo, e um dia o indivíduo sentirá o peso santo da Sua presença.
Hoje somos ovelhas desgarradas, levadas que fomos pelos ouropéis (santos) da Ilusão; hoje, cada um de nós é uma ovelha sedenta e faminta e machucada, que busca o seu Pastor. Hoje somos trapos de imundícia que fomos resgatados e alimpados pelo sangue redentor do nosso Senhor. Deixemos, pois, a imundícia, em todas as suas formas, ainda as mais sutis, e tomemos posse dessa grande bênção de já termos sido libertados do peso do mal, do peso do Mal.
Hoje, mais do que nunca, podemos assumir o nosso destino glorioso, para ficarmos conhecendo a nossa verdadeira e irrevogável identidade. Todo aquele que tem consciência egocentrada, pode dizer: "Eu sou Carlos", ou: "Eu sou Viviane". Ou: "Eu sou terapeuta". Todos nós já temos o requisito básico para dizermos apenas e intransitivamente: "Eu sou". E isso é muito mais do que "Eu existo". Descartes, quando se descobriu ser pensante, disse a célebre frase: "Cogito, ergo sum.", que se traduz comumente por: "Penso, logo, existo". Essa frase poderia ser reformulada melhormente: "Cogito, ergo ego sum", que se traduz por "Penso, logo, eu sou." Por conta de uma economia estilística, Descartes perdeu a oportunidade de entender muito mais do que estava entendendo.
E hoje podemos dizer: "Eu posso dizer: "Eu sou; logo, EU SOU."" Todo aquele que puder dizer: "eu sou", pode-se se saber (mesmo sem entender muito bem o que isso significa) EU SOU.
Essa, a identidade secreta e santa de cada um de nós. Essa, a identidade secreta de todo homem, de toda mulher que já viveu, vive ou viverá neste planeta. Você, sendo um com o EU SOU, terá os mesmos intentos, os mesmos objetivos, o mesmo Amor que O anima. Quando isso vai se manifestar plenamente em você, só o PAI  ALTÍSSIMO sabe. Quando vai se manifestar em mim, só o PAI  ALTÍSSIMO sabe. Porque, depois que você aceitar a carta de alforria, você partirá para uma dimensão de grande gozo e glória, e poderá habitar "na Casa do Senhor por longos dias"  (Salmo 23:6).

Você ainda não entendeu toda a extensão do que Jesus disse, por isso, caminhemos juntos mais um pouco. Um dia você será um com o Senhor Jesus, você será aquilo que o Senhor é. E qual a identidade secreta (e que todos conhecem!) de Jesus? Ele é o Verbo. Ele é a Palavra. Ele é o Poder Criador, que domina o "Fiat". Essa verdade está expressa logo na primeira parte do primeiro capítulo de João. E muitos evangélicos, principalmente, sabem que o Senhor Jesus é o Verbo. Se Jesus é o Verbo, e você é um com Ele, então você também é o Verbo. Todo homem é o Verbo (o único Verbo que existe), e cada homem pode pôr em funcionamento o poder infinitamente criativo do "Fiat". Todo homem já está fazendo isso, mas não se dá conta disso, achando que as coisas lhe acontecem ao léu. As coisas não acontecem simplesmente, erraticamente, as coisas acontecem porque determinadas pelo "Fiat" a que todo homem tem acesso por suas palavras, por seus atos, por seus pensamentos. Em suma: a que tem acesso pela palavra, porque pensamento é palavra mentalizada , ato é palavra cristalizada. Tudo o que acontece com um homem tem origem nele mesmo, no poder da palavra. Nós homens, atualmente, não somos criadores, porque não agüentaríamos o peso dessa responsabilidade, mas somos co-criadores, pela escolha que fazemos de nossas palavras, atos e pensamentos. Alguns homens já desconfiaram disso, alguns já sabem disso, alguns nem suspeitam disso, e outros são totalmente indiferentes a isso. E alguns verão nesse dizer uma grande blasfêmia. Mas todos um dia ficarão sabendo disso, a leves penas ou a duras penas. O nosso Deus quis que fôssemos co-criadores por uma boa razão: sendo co-criadores, temos em verdade co-responsabilidade em relação aos nossos atos, e isso torna possível a nossa redenção. E disso já falamos.
Quando o homem aceita o fato de que já foi resgatado e agradece ao Senhor por isso, ele passa a ter novidade de vida já aqui na terra. E, quando for ascendido, porque então ele estará amando a  Deus com todas as suas forças, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento, ele tomará consciência de quem ele realmente é, e experimentará grande alegria por causa disso. E gozará coisas radicalmente novas

1Co 2:9 Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.

que nada têm a ver com as coisas duras desta escola, e gozará dessas coisas o tempo (?) que lhe aprouver. Mas um dia ele sentirá dentro de si a pressão do Verbo, e sua vida, a sua existência, mudará outra vez radicalmente. Ansiará por colocar em prática aquilo que aprendeu, aquilo que gozou, pois quererá que outros tenham a mesma felicidade que ele está tendo. Porque o AMOR é a grande força, o grande poder, que move o Cosmos.

Respondendo a alguns que diziam que blasfemava por se chamar Filho de Deus,

João 10:34 Tornou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses?
João 10:35 Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),.

Jesus está-se reportando a:

Sl 82:6 Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós.
Sl 82:7 Todavia, como homens, haveis de morrer e, como qualquer dos príncipes, haveis de cair.

Jesus afirma que os homens todos a quem era dirigida a palavra eram deuses, e que a Escritura não pode ser anulada. Já sabemos, pela regra da inclusão, que se um único um for alguma coisa para o bem, todos terão de ser essa mesma coisa. Bem, eu não falei explicitamente dessa regra, mas ela pode ser derivada de o UM PRIMEIRO E ÚNICO  ser primeiro e único, estendendo-se em essência a todos e a tudo que navegam seu existir no Seu seio. A cláusula "para o bem" se justifica pelo fato de o UM PRIMEIRO E ÚNICO  ser necessariamente bom. O UM PRIMEIRO E ÚNICO  é Deus (sendo em verdade muito mais do que isso), então todo um egocentrado é Deus.
Sim, você é Deus, mas não haja presunção quanto a isso, pois, na verdade, todo um individuado é Deus. E você é um Deus, não é o Deus Todo-poderoso e único.  ( .... ) [ Reflita, se já tiver madureza para isso, com a ajuda do Espírito Santo, sobre o que estaria escrito entre os parênteses logo anteriores.] Você, quando puder assumir plenamente essa sua identidade, a de ser Deus, saberá de muitas coisas, entenderá muitas coisas, mas muitas coisas ficarão por se saber, muitas ficarão por se entender, pois não se esqueça: você não é meta, você é caminho. Você é um criado, e, como todo criado, viajará eternamente na Sagrada Ilusão, que, aos poucos,  irá lhe mostrando os seus inefáveis tesouros eternamente renovados, eternamente renováveis. Eternamente os mesmos, em verdade! O melhor que fazemos, como homens que já sabem disso e podem suportá-lo, é nos humilharmos diante da grandeza infindável do Cosmos, diante da magnificência infinita do UM do qual cada um de nós viemos e é filho.
Esse saber não deve suscitar orgulho, mas temor, pois você não entende ainda e nunca entenderá a extensão toda do fato de você ser Deus. Isso é algo que você deverá ir descobrindo aos poucos, do mesmo jeito como alguém que vai sorvendo seu vinho precioso em sorvos pequeninos e bem degustados de um cálice que jamais se esgotará. E tenhamos sempre em mente que cada um de nós é Deus não por mérito, não por obra, mas por graça, mas por dom. Você não é mais do que eu. Eu não sou mais do que você. Ninguém é mais do que ninguém. Ninguém é menos do que ninguém. A diferença está no status da assunção. Uns podem muito assumir; outros podem pouco.
Chegou a hora de falar nessas coisas, pois o mundo já está maduro para isso. E essa é uma mensagem que só atingirá aqueles que podem ser atingidos, pois muitos acharão que isso é loucura, brotada da mente própria de mentecaptos. A mensagem está autoprotegida, e só terá acesso a a ela aquele que para isso já estiver preparado. Tanto isso é verdade, que ela já está aberta em Davi, já há milênios, e poucos desde então a puderam assimilar. E assim será, mas como o tempo está sendo abreviado, é necessário que ela seja escancarada.
Agora sabemos por que a salvação deve vir de cima. Só O de cima pode saber, sem possibilidade de erro, quem já está maduro para ascender a um nível mais gozoso e holoconsciente de causação. "Deus não joga dados"!!! O Senhor sabe qual o grau de maturamento de cada um de nós, e só permite que o indivíduo receba a carta de alforria e que o selo seja rompido, parcialmente embora, no momento ótimo, no momento ótimo de cada um de nós. Por isso está escrito:

Fp 2:13  porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.

Esse versículo sempre me deixou perplexo. Se o homem tem livre-arbítrio, como Deus podia determinar o seu fazer e o seu querer? Quer dizer, então, que, no fundo, não é o homem quem faz ou quer alguma coisa? E me esquecia de reparar na cláusula "segundo a sua boa vontade". O homem pode fazer o que quiser, pode querer o que quiser, mas sempre dentro de limites determinados pela vontade de Deus.
Pela boa vontade de Deus. O homem pode se tornar o mais execrando etnocida, que Deus está pronto para assumir a responsabilidade desse seu fazer; o homem pode querer, desejar, ambicionar o que quiser, que Deus está pronto para assumir a responsabilidade desse seu querer.
Mas há um outro sentido nesse decreto. Deus faz para o homem aquilo que de melhor é possível fazer com o material que o homem lhe entrega. Se um homem mata um outro, Deus assume para si essa responsabilidade, mas faz com que o matador sinta algum pesar, ou falado ou calado, por aquele ato, de maneira que o homem se posicione diferentemente (para melhor) diante daquele ato.
E há um outro sentido: toda pessoa tem exatamente aquilo que ela quer. Ou para si ou para outrem. O destino é sempre a fonte. Uma pessoa durante os dias de sua vida diz e pensa e faz muitas coisas negativas, e tudo isso é interpretado como o seu querer. Ainda bem que nem tudo é negativo. E tudo é retribuído na média exata do bem e do mal posto em movimento pela pessoa. Muitos sofrem, e não aceitam que esse sofrimento é fruto do seu querer verdadeiro, e com isso  perpetuam o estado em que estão. Se se convencessem do pecado, poderiam se libertar daquele mal. É o nosso querer que determina as condições de vida do nosso viver!
Ainda que seja (
é Deus quem opera em nós tanto o querer como o efetuar,  isso nos faz meros (?) co-fazedores, meros co-queredores.
É por isso que está escrito que tudo foi feito por ele, e nada sem ele se fez. O homem não faz, não quer: o máximo que pode fazer é escolher, ou para o seu bem ou para o seu mal. Tudo foi estabelecido para que o homem nada possa fazer por si mesmo, nada possa querer por si mesmo. Porque se ele pudesse querer por si mesmo e fazer por si mesmo, ele seria totalmente imputável, e não haveria a possibilidade do perdão, do resgate, da redenção. O nosso Pai é mais santo, é mais sábio, é mais misericordioso, é muito mais Pai do que podemos imaginar!!!
O homem é co-responsável, e está aqui para aprender a grande e necessária lição da responsabilidade. Só pode entrar na Casa aquele que a aprendeu, e a aprendeu verazmente, e para todo o sempre.
E porque é tão importante essa lição da responsabilidade? Poderíamos responder assim: Você não daria a sua casa em bela planta para ser construída por um construtor sabidamente inepto, sabidamente irresponsável, não é mesmo? Você não contrataria como mordomo um homem irresponsável, não é mesmo?
Quando você sentir o impulso irresistível do AMOR dentro de você, e você estiver na sua Igreja placidamente gozando de seus infinitos recursos de gozo e de serviço , então você quererá encetar mais uma jornada no seu Caminhar. Na verdade, na verdade, você foi preparado para isso. Mas ninguém o vai  acicatar, ninguém vai sequer pedir que você o faça. Será uma decisão sua assumir-se como Verbo. Você também poderá se assumir como Adjutor, como Administrador, como Mordomo, como Servo, como Pastor, como Profeta, como Sacerdote, como Hierarca, como Viandante, como Comandante, como Mestre, como Avatar, como Mensageiro, como Missionário, como

(Eu tinha aqui colocado Redentor, e hoje [4 de setembro de 2006] eu vi que isso era uma grande mentira, pois só é Redentor Aquele que redime a Sua Igreja, e Redentor nós o temos, não podemos sê-lo ( ... ), pois não temos Igreja a redimir: nós somos a Igreja redimida)

..., porque grande é o Cosmos e as possibilidades de Serviço. A decisão será sua, mas um dia, você vai se assumir como Verbo. Ou não..., porque grande é a seara, e poucos os operários. Aqui entramos no campo das possibilidades infinitas, e pouco podemos dizer disso, a não ser por figuras, como acima fizemos. Pois, tanto quanto você, ou menos do que você, pouco entendo em realidade de tudo o que disse, principalmente nessa parte da mensagem. Se ela está fechada para você, não se preocupe com isso: ela também está fechada para mim. Eu sou apenas o arauto que lê o édito do Grande Rei. Pois muito do que foi dito, o foi por desdobramento necessário de arquétipos necessários, com o apoio da Sagrada Escritura.
E você não só entenderá, mas aplicará:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus."
Daqui a quantos yugas ou kalpas? Só o PAI ALTÍSSIMO sabe.
E você terá-será um universo maravilhoso de manifestação que logo estará pululante de seres à Sua imagem e semelhança, mas bem mais à sua semelhança, e você escolherá junto com o Pai a maneira ótima de administrar a existência dos seus filhos, que sempre existiram e estavam esperando em latência no seio do UM PRIMEIRO E ÚNICO, para iniciar a grande Viagem de que todos somos passageiros. Ou uma outra possibilidade, pois pouco sabemos das possibilidades infinitas que jazem no seio do nosso UM supremo.
E, suprema glória: Você andará sempre com Deus!!!
AMÉM!!!

ASSIM É!!!
Com ósculo santo,

o peregrino