Palavras finais

 

Mensagem 15


Esta mensagem, a última (?), será bem curta, espero,e terá como objetivo esclarecer alguns pontos que pedem por melhor explicitação e falar sobre alguns pontos que ocorreram durante o receber das mensagens.
Antes de mais nada, quero falar um pouco do holograma (=gravação do todo), que é conseguido com um aparato em que o fator mais importante é a luz coerente, de uma única freqüência, o laser. Quem quiser entrar nos detalhes do processo de se produzir um holograma encontrará farto material na Internet. O produto do processo é uma espécie de negativo em que não aparece qualquer figura tal como ela é, pois o que se tem é o registro do chamado padrão de interferências, como  aparece neste material tirado do artigo El Holograma, Modelo del Universo.


O difusor de rayo é um espelho semitransparente que divide o raio de luz coerente emitido pelo aparelho de laser em dois feixes: um que incide diretamente, através de uma lente difusora, sobre o objeto, uma maçã (no caso), cuja imagem se reflete sobre um filme; e outro que, sendo refletido duas vezes, percorrendo um maior caminho, incide, através de uma lente difusora, sobre o mesmo filme, criando um padrão de interferência, na placa holográfica. Projetando-se esse filme, tem-se uma imagem tridimensional do objeto. E o filme tem uma estranha particularidade: cada parte dele contém o todo da figura. Isso tudo é muito importante porque acabou gerando o chamado paradigma holográfico, que vê o Universo como uma projeção holográfica. É esse paradigma que nos permite afirmar que o todo está todo em tudo. Uma mínima partícula do Universo contém dentro de si mesma o Universo todinho. É isso que nos permite crer que Deus é realmente omnipresente, isto é, está presente todinho, inteirinho, em cada partícula, por mínima que seja, de todo e qualquer universo de manifestação.
Um livro muito interessante a ser lido a respeito é UNIVERSO HOLOGRÁFICO, de Talbot, que por enquanto está esgotado. Um artigo muito interessante para quem lê em Inglês é Scientific Proof of the Existence of God .

Fizemos também referência a um livrinho que chamo de precioso, O Caibalion, da Editora Pensamento, aqui encontrado em formato PDF, e que trata dos sete princípios herméticos; princípios esses que estão na base de qualquer fenômeno, de qualquer objeto, de qualquer coisa. Vale a pena ler o artigo AS LEIS HERMÉTICAS DA FEITIÇARIA.  Aplique no caso o preceito bíblico que diz: "Examinai todas as coisas, retende o que é bom." Esqueça se quiser, a conotação mística do artigo e aproveite e reflita sobre os sete princípios. Isso será de grande proveito para todo(a) buscador(a) sincero(a).

Outro livro que deve ser lido com atenção é O EVANGELHO DE TOMÉ, um livro apócrifo que não figura na Bíblia tal qual a temos hoje, mas que pode abrir a nossa mente para muitas questões fundamentais sobre a vida e a existência.

Outro artigo interessantíssimo, que tem idéias que batem em boa parte com os sagrados arquétipos é (para quem lê em Francês) Modèle métaphysique.

Depois que desenhei o gráfico abaixo, gerador de tantas reflexões embasadas no UM primeiro e único;


depois de várias semanas , olhando casualmente para o calçamento da rua por onde tinha tantas vezes passado, observei que os paralelepípedos negros tinham inscrito, neles, esse desenho básico, e um arrepio percorreu todo o meu corpo. A mensagem estava escrita em pedra, e todos pisavam nela, e ninguém a tinha visto! Eis a foto de uma dessas pedras:


Essa mesma pedra rearranjada especularmente pelo raio provável dos círculos ou ciclóides apresentados, resultou no seguinte efeito, que é uma imagem provável de como era ela na inteireza dos ciclóides nela inscritos:


Mas há uma foto que, depois de rearranjada especularmente, nos mostra uma mensagem muito forte: quanto mais próximos do núcleo, mais perfeitos são os círculos, que se afastando, transformam-se em ciclóides mais, ou menos, definidos. Isso nos mostra que o fator randômico, que no homem corresponde ao livre-arbítrio, se manifesta mais unificado em relação ao centro, quando não muito distante dele. Quanto mais longe o homem estiver do UM que o gerou, mais terá um arbítrio próprio, mais se afasta do modelo de perfeição, ainda em imagem e semelhança, que se espera dele. Por isso, o melhor que o homem faz é entregar-se ao Senhor, para que nele se realize a Sua boa, agradável e perfeita vontade. Eis a foto, com o rearranjo, mostrando pelos círculos que lhe sobrepusemos o que acabamos de dizer:



No gráfico de cima, a pedra no original. No gráfico abaixo, à esquerda, a pedra rearranjada especularmente. No à direita, os círculos sobrepostos, mostrando o grau de coincidência entre  círculos perfeitos  e os cíclóides inscritos na pedra.  Quanto mais próximo do centro, mais perfeito o círculo.  Quanto mais longe, mais imperfeito.  Reflita sobre isso. Pois,  "assim como em cima, assim embaixo."

É de se notar que a pedra não foi a disparadora da reflexão, mas a confirmadora dela: só depois de ter desenhado o gráfico é que encontrei a pedra sobre a qual eu tinha tanto pisado, pois ela está numa rua em que passo a pé quase todo dia. E isso desde há muito tempo.
Semanas depois disso, encontrei-me casualmente com o Prof. Majella, Mestre em Geografia, e lhe perguntei que pedra negra era aquela que calçava algumas de nossas ruas. E ele me disse que eram rochas vulcânicas: basalto ou diabásio. Adotei logo a hipótese de basalto, não sabia por quê no momento. (Mais tarde, investigando na Internet, fiquei sabendo que o diabásio passara por um resfriamento mais lento, o que fazia com que ela tinha uma aparência mais desorganizada.) Voltando ao fato. Despedi-me do Mestre, e, tendo dado alguns passos, senti um arrepio que percorreu o meu corpo todo, pois basalto, de repente, se apresentou diante de minha mente como formado de base + alto. O nome da pedra era ela também uma senha (como diz o meu dileto poeta Soares Feitosa)! E decodifiquei: a base é o alto; o alto é a base. Ou como diz a chamada filosofia perene: "O que está em cima é como o que está embaixo; e o que está embaixo é como o que está em cima." Se você já leu o Caibalion que lhe indiquei você sabe bem do que se está falando. Para entendermos o que está em cima, examinemos o que está embaixo. Aquilo que acontece em baixo, no nível da manifestação, é semelhante àquilo que acontece em cima, no nível da dispensação.
Olho para o crepúsculo, e sei que haverá uma noite, e que, depois, da noite, haverá um novo dia. Olho para a minha vida, que se abeira do crepúsculo, e sei que haverá uma noite, e, depois, da noite, haverá um novo dia. Sei que a morte não é o fim, porque a Natureza mo revela. E sei que depois dessa última noite, haverá um realmente novo Dia. Sei porque a Natureza me disse que sempre depois da morte vem um novo nascimento. E sei que depois da última morte, já haverá um novo nascimento, diferente de todos os outros pelos quais já passei.
E, dias depois de o Senhor Espírito Santo ter-me dado esse entendimento, descia eu pela Rua da Estação, lá em cima, desde o seu início e vi, antes de entrar nela, que ela era pavimentada de pedras negras. Alegrei-me e pus-me a buscar o padrão que tanto me dissera à alma, e vi que em toda a extensão da rua não havia sequer uma com aquele padrão inscrito. E pensei que ela era  pavimentada com diabásio. Foi depois disso que procurei a informação na Internet. Mas já antes um arrepio me percorreu o corpo. Ali estava uma outra senha! Diabásio: diab + asi +o. Rearrajando: diabo asi. Diabo? Asi. Uma palavra em português e outra em espanhol. Bem próprio do diabo, o pai da confusão, da mentira. (Note-se que em basalto, obtiveram-se duas palavras em português, unidas por uma elisão corrente na língua.)
O diabo é assim: sem ordem, sem padrão, sem regularidade, sem regra, sem lei: opera erraticamente, de acordo com as circunstâncias, quer sejam baseadas em verdade, quer sejam baseadas em mentira. O Senhor determina um padrão e o segue fielmente: o diabo nada determina, mas é um grande oportunista, que nunca perde uma oportunidade que lhe seja propícia (e sempre em mentira) para agir. Se o paciente acredita na mentira, para ele, tendo status de verdade, o diabo se aproveita disso e o leva ao pelourinho. Por isso, Jesus nos alertou sobre a grande importância de conhecer a verdade! "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." E todos já bem sabemos a verdade a respeito de tudo aquilo que nos interessa realmente, pois essa foi a preocupação de todas as mensagens anteriores.
Talvez não tenha ficado clara a minha posição em relação às igrejas e religiões deste mundo. Sou cristão, crendo profundamente que Jesus é o meu Redentor. E me apraz assistir a cultos de religiões ou congregações que exaltem o nome de Deus Todo-poderoso e o nome de Jesus Cristo, e que tenham no Espírito Santo o seu Guia, o seu Consolador, Aquele que revela as coisas de que precisamos saber e queremos saber. Sinto-me bem orando ao Senhor, me sentindo nos braços amoráveis do Pai. Deus é para mim um Deus pessoal, que se preocupa comigo, que quer o meu bem, que quer que eu volte para Casa, e tudo faz para conseguir esse seu Sonho de Pai. Respeito todas as religiões, todas as seitas, todos os que se congregam em nome do Bem. E acho que cada um está exatamente onde deve estar: é ali que ele vai encontrar aquilo de que necessita em conformidade com o grau de madureza de sua alma. Os confucionistas, os budistas, os sufis, os esotéricos, os místicos, os cristãos, os fraternistas, os maçons, os templários, os rosacruzes, os umbandistas, os espíritas e todos aqueles que buscam o sentido maior da vida, da existência, com fundamento no Bem, estão exatamente onde deviam estar, de acordo com a madureza de sua alma. E creio que todos que não são contra Jesus Cristo , são a favor de Jesus Cristo. Como Ele mesmo disse.
Para justificar essa posição, vou refletir um pouco sobre o que é a verdade, que tantos buscam, e, ás vezes, por ela se digladiam. Quando Pilatos perguntou a Jesus o que é verdade, Jesus se calou. E isso tem dois motivos: o primeiro é que Pilatos, estando diante da Verdade, não o reconheceu. Como, então, falar da verdade, quando, tendo a oportunidade de conhecê-La de viva presença, a ignorava totalmente? Mas há um outro sentido para esse contexto. A única resposta cabível para a pergunta de Pilatos, em verdade, é: Verdade é Verdade. A identidade verdadeira da verdade é ser verdade, nada mais, nada menos que isso. Ou seja: a verdade é sempre verdade, nunca podendo deixar de ser verdade. Tudo isso é muito lógico e muito claro e muito evidente. Se a verdade tem de ser sempre verdade, então ela não se pode negar em nenhuma circunstância, em nenhuma situação. Se não fora assim, ela deixaria de ser verdade. A Verdade é uma só e eterna, e reside no seio do UM primeiro e único. Mas para nós, que vivemos e existimos no seio da Sagrada Ilusão, a verdade se apresenta como verdade para todos os que aqui habitam, pois ela não pode se negar a ninguém, sob pena de deixar de ser verdade. A verdade, vestida do véu da misericórdia, não se nega a ninguém, estando sempre ao alcance daquele que dela quer se aproximar. Um índio, ou um chinês, ou um outro homem qualquer que nunca tenha ouvido falar de Jesus Cristo, tem em relação à verdade a mesma situação em que nós estamos. Para eles a verdade se veste de véus, ou muitos ou poucos, de acordo com a sinceridade de coração daquele que dela quer se abeirar. Para nós acontece a mesma coisa, pois a verdade estará sempre vestindo véus, ou muitos ou poucos, de acordo com a sinceridade do nosso coração. A verdade, para misericordiosamente não se negar a ninguém, se apresenta sempre e sempre envolta em véus, ou densos ou sutis, pois ela sempre tem algo mais a se revelar; pois, como Jesus Cristo disse, a Verdade é Caminho, e não Meta. A verdade é um caminho a se seguir, não é um ponto a que se chegar. Podemos figurar isso à uma assíntota em relação a uma reta. A assíntota é uma curva que vai se aproximando cada vez mais da reta, sem jamais a alcançar. A função trigonométrica tangente, que foi examinada ligeiramente em uma mensagem anterior, é uma assíntota em relação ao eixo das tangentes no primeiro quadrante do ciclo trigonométrico. O importante disso é que entendamos que a assíntota bem representa um homem em relação à verdade: ele pode estar bastante distante dela, ou pode estar muito próximo dela, mas jamais a vai atingir. A verdade não permite que ninguém a detenha ou retenha; ninguém pode ter a presunção de dizer que tem a verdade, porque, em verdade, é a verdade que sempre nos contém. Por isso, não tenhamos nunca a pretensão de ter atingido a verdade, pois ela é inatingível, e isso vale para todo aquele que viaja seu estar-sendo nos infinitos páramos da Sagrada Ilusão. A verdade, aquela que cabe bem às nossas necessidades, essa devemos buscar conhecer, porque só nesse ato podemos nos libertar. E a expressão maior que temos da verdade é o Senhor Jesus Cristo. É a Ele que devemos conhecer. Só a ele. O resto devemos procurar entender, nos estender em direção a isso. E isso, sim, é um processo que jamais terá fim.
Estamos aqui para sermos santificados, para sermos tornados santos, separados, em consciência, das coisas do nível de causação em que ora vivemos e existimos. Esse é o objetivo de cada um de nós. E isso é um dom, não é fruto de obra ou de mérito. Pesquisando assíntota, achei um excelente artigo, O DILEMA DE DEUS, do qual retiro a seguinte passagem, para enfatizar o conceito de assíntota e também para dar material (plenamente validável no Arquétipo Primeiro: o mesmo UM primeiro e único) para nossa reflexão:

"A santidade do processo de santificação está separada da santidade intrínseca de Deus, assim como uma curva de uma função matemática está separada de sua assíntota (linha limite da função), que, segundo definição, se tocam no infinito. Como o infinito é intangível, a curva da função se aproxima cada vez mais da assíntota, mas estará separada desta sempre ainda por um infinitésimo, sem jamais coincidir com a mesma. A própria palavra santificação revela que houve um processo e que o ponto de partida era a falta de santidade."

Temos acima uma representação do que seria uma assíntota (em vermelho) em relação a uma reta. Essa curva na verdade não é uma assíntota trigonometricamente construída, mas dá uma boa idéia da coisa.

Quero encerrar essas mensagens com uma exortação muito especial, dirigida àqueles ou àquelas que que já se cansaram do jogo cármico e querem se libertar dele para partir para novas jornadas, libertos do espectro da morte, libertos da necessidade de ainda vestir esse escafandro de carne. Se você acha que já é tempo de deixar definitivamente este plano de causação, que você já provou dele o quanto queria provar, que já não mais quer nascer para ter de morrer, que é hora de perdoar incondicionalmente e de ser perdoado incondicionalmente, de amar incondicionalmente, e de ser amado incondicionalmente, então, você, como eu, está preparado para desatar os últimos nós e se fazer ao largo do grande mar da Redenção.
Sei que vou me repetir, mas não posso deixar de fazê-lo, pois o momento assim o exige. Estamos na madureza do tempo: dois mil anos são passados, desde que o nosso Senhor nos visitou, para nos libertar dos agrilhões ( aguilhões + grilhões) das trevas. E breve será o tempo da má dureza, quando já não haverá opção para aqueles que aqui estão viajando o seu estar-sendo. Pelo peso serão pesados, e pelo peso serão retribuídos: uns para a glória do novo nascimento; uns para a desventura de ter de entrar em uma escola bem mais rigorosa do que esta em que ora estamos. O tempo da salvação é agora, como sempre foi. É no agora da grande decisão que o homem se salva, não importando quão sujo ele esteja. Ouçamos a voz do Senhor:

Is 1:18 Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.

Os nossos pecados não serão retirados de nós, mas, se são como a escarlata, se tornarão brancos como a neve; se forem vermelhos como o carmesim, se tornarão brancos como a lã. Em outras palavras, os pecados serão desativados e perderão a sua malignidade, e já não poderão mais ferir, nem exigir o tributo da retribuição. Você terá lembrança dos fatos ocasionadores, mas os verá de uma maneira diferente, com uma consciência diferente, em que o perdão e a misericórdia serão suas bases fundamentais. As lembranças serão todas preservadas, mas já não terão o sentido pecaminoso que antes eventualmente tinham, pois serão iluminadas por uma luz mais verdadeira e santa.
E o que fazer para tomar posse do Agora?
1.
Entender quem você é em verdade. Você é em potencial um santo de Deus, um homem separado do mundo e dos seus fascínios. Isso é o que você realmente é. Mas você pode iniciar uma vida de total santidade, e ainda assim continuará preso à terrível roda da carne, porque grande e pesada é a carga cármica que está em descoberto, e você não tem condições nem cacife para ressarci-la. Como tornar ato o que é potência? Como fazer com que essa realidade maravilhosa se manifeste na sua vida?
2.
A boa notícia é que a sua dívida e a dívida universal já foi totalmente paga, até o último ceitil pelo Senhor Jesus Cristo. Ele veio para isso, viveu entre nós, e cumpriu para nós, por nós,  toda a justiça que estava pendente. Só o sangue de um inocente, que tivesse vivido em pureza e castidade, poderia pagar a grande dívida. E Ele cumpriu tudo o que a justiça exigia, atraindo  sobre o Seu corpo imaculado os pecados de todas as pessoas, de todos os tempos e de todos os espaços. E você, claro, está incluído nessa grandiosa bênção. Você já não precisa (mais) se preocupar com a astronômica dívida que pesa(va)  sobre os seus ombros.
3.
Com que você tem que se preocupar então? O que você tem de fazer para entrar na posse de tão grande redenção? Já sabemos bem qual a lição magna que viemos aprender aqui nesta escola: a responsabilidade. Você já sabe que é responsável por tudo que aconteceu com você, que está acontecendo com você, que acontecerá com você. E, se você puder assumi-lo, entenda que você é responsável por tudo que acontece no seu universo de manifestação. O seu universo de manifestação é tudo o que existe e que de alguma maneira o atinge: ou pelo corpo, ou pela mente, ou pelos sentimentos, ou pelos sentidos, ou por qualquer outro sensor de realidade de que você disponha. Se você viu na TV uma cena na Groenlândia e isso o afetou, então o que você viu pertence ao seu universo de manifestação. O seu universo é tão amplo quanto você puder suportar.
E você entendeu também que na verdade você é co-responsável, apenas co-responsável graças à providência e misericórdia do Senhor. Pois tudo o que se manifestou no seu universo de manifestação se manifestou, não porque você tenha feito em verdade, mas porque você escolheu que acontecesse. O seu livre-arbítrio determinou que assim fosse, e assim foi. Mas não foi você quem quis: foi Deus quem quis em seu lugar, para que você tivesse acesso a inimputabilidade. O seu livre-arbítrio é livre, mas está continuamente monitorado pelo Senhor, que permite que só se manifeste no seu universo de manifestação aquilo que você realmente quer. Você fica com o bônus do prazer, e o Senhor com o ônus do pecado. Mas enquanto você não descarregar esse fardo de cima de você, você é réu de juízo, e terá de pagar por ele.
4.
Como alijar o fardo incômodo? Esse fardo é o acervo acumulado ao longo de muitas vidas, e é muito pesado, e você não suportaria o impacto dele, se ele fosse manifestado  de uma só vez, condensado num só ato. Você não se sentiria no fundo do poço: você se sentiria o próprio fundo do poço! Se examinarmos esse fardo, vamos ver que ele contém todos os erros que você já cometeu, todos os erros que você tem cometido. Nele encontramos: mentiras, enganos, logros, traições, roubos, corrupções,  concupiscências, ofensas, crimes hediondos, vinganças, ressentimentos, mágoas, tristezas, doenças, enfermidades, fofocas, piadas sujas, acervo de termos menos nobres, enfim toda sorte de males. É realmente um fardo nauseabundo, asqueroso, próprio de quem é definido pela Escritura como "trapo de imundícias". Eu já passei uma receita (derivada do grande decreto dado pelo Senhor: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."
Para alijar essa carga, você vai ter de passá-la para alguém, pois não adiantaria nada jogá-la no chão (= fingir que ela não existe), pois ela continuaria atuando com toda a sua malignidade sobre você. Por isso, tem de passá-la a alguém que possa suportá-la. E isso só pode acontecer com um ato de verdade: você tem dá-la em troca de alguma coisa. Você dá o fardo, e recebe a paz. Qual o mecanismo cósmico que permite essa troca tão vantajosa para você? É o perdão. Você tem de pedir perdão a quem? A quem vai receber o seu fardo. E o único que pode receber o fardo universal é Jesus Cristo. Mas Jesus Cristo é humilde e manso de coração, e não vai aceitar o seu pedido de perdão, porque para Ele você já está perdoado. Como disse Isaías: Ele recebeu sobre si as nossas dores, as nossas enfermidades, e, em troca disso, nos deu a paz! Então só nos resta apelar para a instância  adequada: para o Pai, porque Ele é o Fazedor. Assim, temos de pedir perdão a Deus por tudo de errado que fizemos nesta vida, porque do errado de outras vidas Jesus Cristo já cuidou. E, como foi através da palavra que cometemos os pecados, é pela palavra que devemos desativá-los. Nós bem sabemos que a carga angariada nesta vida é muito pesada, escorchantemente pesada, e precisamos fazer um bom levantamento dela para podermos passá-la ao Senhor Deus Pai.
Assim, recolhamos-nos em lugar sossegado, em hora sossegada, e façamos um exame de consciência, procurando nos lembrar de tudo o que pudermos, que tenha de alguma maneira ofendido a alguém. E peçamos perdão a Deus por cada uma dessas ofensas. Esta é uma operação dura, humilhante, terrível, às vezes, mas tem de ser feita com todo empenho, com toda sinceridade. Você precisa tomar consciência o mais plena possível dos agravos que você cometeu nesta vida. E, assim, você vai se alijando da carga, até o momento em que há de sentir isso quase fisicamente. Cada furúnculo tem de ser espremido e extirpado. E, depois de ter feito esse descarrego bem conscientemente, peça perdão a Deus pelos pecados que você cometeu e não se lembra, e pelos que você cometeu inconscientemente, isto é, automaticamente. Depois disso, de ter confessado todos os seus pecados a Deus, fique na firme certeza de que Deus lhe perdoou: Deus lhe deu a paz em troca deles.
5.
Agora que você alijou o fardo, você tem de se precaver contra as investidas do mal, porque o diabo não vai deixar de o tentar, pois para isso ele existe. E como se garantir contra os ataques do mal? Jesus Cristo deu a receita: "Vigiai e orai." De ora em diante você vai começar a vigiar os seus atos antes mesmo de fazê-los, vai vigiar as suas palavras, antes mesmo de articulá-las, vai vigiar os seus pensamentos antes mesmo de exprimi-los. Você vai começar a errar cada vez menos, a dizer menos palavras inconvenientes, a ter menos pensamentos menos nobres. Mas você vai ter de se policiar, e isso, no princípio, exige muita energia. Você já não poderá se irar com quem o tenha ofendido, porque você já sabe que a ofensa pertence aos dois, você é sócio daquele que o tenha ofendido. Mais ainda: se você procurar com diligência e sinceridade, você vai ver que a ofensa, já em termos humanos, era bem merecida. Muitas coisas vão ter de ser reavaliadas. Logo você perceberá que está vivendo em novidade de vida, e que o homem velho ou já morreu ou está dando as suas últimas despedidas. A oração logo brotará espontânea dentro de você, e você terá um grande prazer em falar com o Senhor, em falar com Ele das suas preocupações, das suas aflições, dos seus problemas, dos seus projetos, dos seus sonhos.
É então que você deve se entregar de viva voz ao senhorio do Senhor.

"Senhor, eu me entrego a Ti, e Te recebo como meu único e suficiente Salvador".
"E Te, agradeço, Senhor, por tudo que fizeste por mim, pelo mundo".
"Eu te agradeço, Senhor, pelo sacrifício que fizeste por mim, pelas aflições que sofreste por mim, pelas humilhações que suportaste por mim, pelo santo sacrifício em que foste o Cordeiro de Deus para nos salvar."
"Eu te agradeço, Senhor, porque me deste a grande bênção da redenção gratuitamente."
"Eu te agradeço, Senhor, por tu seres como tu és."
"Amém."
"Em verdade."
"Assim é."
"Assim seja!!!"
6.
Agora você pode ter a certeza de que é um cidadão na Casa do Pai.

Com ósculo santo,
o peregrino