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NORDESTES, UMA LEITURA
Nordestes. Brasis. Mundos.
“O mundo jaz nas mãos do
maligno.”
E de seus prepostos.
Desde quando?
Desde tempos imemoriais.
Até quando?
Ora pro nobis.
...
Esta, que vivemos, que
existimos, a grande peça infinitas vezes encenada.
Os atores, os mesmos.
A trama, a mesma.
O tema, o mesmo. O de
Mammon.
...
Ah! as chaves. As
senhas. Algumas. Suficientes.
Tempo unitário.
Responsabilidade.
Alternância cármica.
Moedas.
Tu.
Ele.
Potestas. Poder
(político-)econômico.
Potestas. Usurpação.
Imposição. Imposto.
Roma.
Unigênito.
...
Parêntesis.
Deu muito trabalho. Mais
do que sempre.
Demandou pesquisa.
Revisitas. Reflexão.
E, principalmente,
incubação.
E hoje, 16/11/01, pus-me
a a registrar o que ia recebendo.
Do alto deste momento,
17h01,
ainda não sei claramente
aonde esse impulso vai me levar.
Muita coisa acho que já
entendi. Algumas peças ainda não se encaixam.
Trata-se, realmente, do
mais instigante poema com que já me deparei...
Faz-me pensar em alguns
quadros de Dali.
Intersecções,
superposições, reinvenções, sincronicidades e propositadas
deformações.
Parêntesis fechando-se.
...
Verbo à obra!
...
Um fato trivial já na
prática injusta da política movida a POTESTAS. IPI sobre: tijolos de
barro amassado;
telhas
vãs;
madeira bruta;
chapéus
de palha;
cestos
rústicos;
sapatos de
recém-nascido;
soro de
veneno de cobra.
Sete itens. Sete temas.
Sete arquétipos: barro,
teto, madeiro, proteção, cesto, calçado, serpente.
E mais um, que abrange a
todos e que podemos nomear como moedas.
E é com o desdobrar
poiético (sic) desses arquétipos que o Poeta tece
a sua rede temática. Intrincada. Altamente
intrincada.
E que se estende sobre
um universo proteicamente multipolar.
Bipolar, para os efeitos
didáticos do analisar.
Como o poema obedece a
uma estrutura reticular, de ecôos e reflexos múltiplos carreados
pelo fluxo da redundância, impraticável seria fazer uma incursão
verso a verso nesse texto tensamente intenso!
E começamos a perguntar:
por que a presença
de Filoctetes?
de Caim?
de Moisés?
de Jesus?
de Judas Iscariotes?
de Francisco Severino?
de José?
de Francisco Severino?
de Eva?
de Cristo?
Poderíamos começar
ingenuamente assim.
Filoctetes, guerreiro
mordido pela serpente, precisou do soro. Que não havia.
Caim, o desterrado,
precisou do chapéu, da proteção do Senhor, para não ser morto.
Moisés, o tirado das
águas, precisou do cesto de juncos para sobreviver.
Jesus, o Filho do homem,
precisou ser vendido por trinta moedas.
(Trinta e três, diz o
Poeta, num aparente cochilo de informação.)
Judas Iscariotes, o
traidor, precisou do oleiro, do barro do Campo do Oleiro, para nele
ser sepultado.
José (= Deus proverá)
precisa do teto do Céu, para ter providas suas necessidades.
Não do chão dos homens.
Assim como Francisco
Severino.
Um tipo emblemático do
Nordeste, dos Nordestes. Que são dois. Que são muitos.
O grande necessitado. O
grande desamparado. Que tem uma única esperança.
Essa a sua fé. Crer na
providência divina, porque dos homens o que pode ele esperar?
Assim como José.
Eva precisou da
serpente, para poder fazer o que fez...
Cristo precisou do
madeiro para nele ser crucificado.
(“Por que é mister que
estas coisas aconteçam.”)
Esse o grande painel da
necessidade.
Necessidade = algo que
tem de acontecer.
Necessidade = algo de
que alguém necessita, algo de que alguém tem carência.
Não há o contingente. Só
há o necessário. O contingente é uma construção filosófica que não
tem guarida na Realidade.
Tudo que acontece,
acontece porque tinha de acontecer.
Atrás de cada
acontecimento, ainda o mais trivial, há um complexo de causas, que
se estendem até Adão, até Filoctetes...
A responsabilidade é
individualmente coletiva. Coletivamente individual.
Todos por um. Um por
todos. Um por um.
O que aconteceu com
Filoctetes, personagem mítica, é exatamente aquilo que Severino pode
evocar para si, para seu universo de manifestação.
Filoctetes.
Um guerreiro bravo, de
tal bravura, que recebeu de Hércules (Héracles) o seu mais caro
legado: flechas envenenadas. E isso nos faz pensar. Por que
Filoctetes recebeu tal mimo?
Porque se fez digno
dele. Pelos seus atos, pela sua atuação. Uma atuação relacionada com
o veneno, que chegava até ele por ele atraído. E o que acontece com
ele? É mordido por uma cobra, e a ferida exala um mau cheiro
terrível, tão insuportável que se vê abandonado por seus pares em
uma ilha deserta.
A pergunta é: de quem a
responsabilidade da mordida, do veneno nele injetado?
Hércules, ao lhe dar o
mimo, dava-lhe juntamente uma senha...
“Você merece pelos seus
atos venenosos, esse mimo venenoso.” E o que era senha se converteu
em realidade...
Caim.
Assim que reconheceu o
crime perante o Senhor logo entendeu:
“Agora qualquer um que
me encontrar há de me matar.”
Ele entendeu que tinha
atraído para o seu universo de uma maneira irrevogável o decreto de
ter de ser morto.
Mas o Senhor colocou em
sua testa uma marca, uma senha para que ninguém o matasse. Não
daquela vez. Não por qualquer um. A justiça pedia, pede, outra
coisa.
Que o drama seja o
mesmo. Que as personagens sejam as mesmas. Que se alternem os
papéis.
E qual foi a necessidade
de Abel ser morto? E por Caim?
Essa pergunta vou deixar
para quem puder lidar com ela...
Moisés.
Teve de ser salvo, ainda
bebê, da morte pelas mãos de uma princesa do Egito.
Achado num cesto de
juncos, foi aquele que libertou o seu povo do Egito.
Moisés é salvo por
alguém que estava no Egito.
Moisés salva alguém que
estava no Egito.
Enantiomorfismo da
justiça.
Judas Iscariotes.
Quebrou o vaso do
oleiro.
Traiu Jesus e o condenou
à morte.
O oleiro quebra o vaso
de Judas.
Judas é sepultado no
campo do oleiro, e nele se reduz a barro, a pó.
Por que trinta e três
moedas?
Por que o Poeta comete
essa imprecisão?
Uma questão de
intersecção.
Trinta e três anos, diz
a tradição.
Trinta e três moedas.
Uma imposição do senso de justiça.
Ninguém sabe quantos
anos foram. Poderiam ser trinta...
O Poeta optou por fazer
uma intersecção que se valia de dois fatos:
A tradição dos trinta e
três, e a quantidade de moedas.
Há muito mais senha e
poesia na transgressão do Poeta!
...
Enantiomorfismo.
E disse o Senhor à
serpente:
“E porei inimizade entre
ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá
a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
A serpente feriu a
cabeça da mulher. A mulher ferirá a cabeça da serpente.
E podemos deduzir, mesmo
sem entender plenamente:
A mulher feriu o
calcanhar da serpente. A serpente ferirá o calcanhar da mulher.
...
Aquele que sofre,
Severino, para além da natural indignação que isso provoca em todo
homem de bons sentimentos, é aquele que provocou o sofrimento.
Severino, Filoctetes.
Severino, Caim.
Severino, serpente.
Severino, ...
Nós, todos, Severinos...
Resumindo em nós mesmos,
holograficamente, aquilo que todos são, aquilo que todos foram e
manifestando em nossas vidas aquilo que,
em
algum momento de nossa existência, ajudamos a se movimentar.
...
Essa questão do
enantiomorfismo nos permite entender, sem entender, muita coisa...
E se exerce sobre esta
dimensão em que a necessidade, em seus dois sentidos, se faz viva e
presente.
Cada uma das personagens
acima arroladas, citadas direta ou indiretamente pelo Poeta, pode
ser submetidas a esse crivo.
Mas esse é um exercício
que vou deixar em aberto, para que todo aquele que ouse possa
fazê-lo...
Ficou a amostra acima e
o modus operandi do processo de prospecção.
...
Para encerrar, umas
palavras sobre o Unigênito, que praticamente encerra o poema.
Unigênito. O único
nascido. Sem nenhum outro a mais.
Não há muitos nascidos,
num nível essencial, que escapa ao nosso entendimento.
Há um só nascido.
Todos os nascidos, desde
Adão, são um só.
Filoctetes é Severino.
Severino é Filoctetes.
Caim é Abel. Abel é
Caim.
Somos Caim. Somos Abel.
Para além de todas as
aparências, de todas as ilusões, somos um só.
Quando mato a alguém, na
verdade, na verdade, estou matando a mim mesmo.
Quando recebo sobre mim
um escorchante e humilhante IPI, estou recebendo sobre mim o que eu
mesmo preparei para mim.
Eu me esqueci disso, mas
o fato jamais se esquece de mim.
Se somos um, então por
que não nos amamos?
...
Ora pro nobis!
Intervalo
Prezado
Poeta:
Interpretar é construir um
texto para intersecção.
Quando somos felizes, grande é a
área comum.
Quando falhamos...
Haverá sempre um novo texto com suas
peculiaridades,
com seu sopro vital próprio.
Às vezes, interessante.
Às vezes...
Esse o risco e a fonte de gáudio do
interpretador.
...
Poeta, apraz-me navegar em
tuas águas,
Sempre as mesmas,
Nunca as mesmas!
Não por obrigação,
Não por dever,
Mas por desafio,
Por instigância,
Mas por prazer!
Usava viajar Fernando Pessoa.
Hoje isso já não me apraz,
Não tanto quanto antes.
Descobri-lhe a chave.
(Acho que descobri.)
E ele já não pode inventar outras...
Tu, aí estás,
Estuante,
Nato a cada momento,
Eternamente novo a cada instante!
Gosto de quebrar o malho
na bigorna do teu verbo.
Gosto de me surpreender,
De me assombrar,
De quedar-me extático.
Gosto de voar,
Gosto de velejar,
Gosto de navegar.
Peço-te:
Navega,
Infla tuas velas,
Há paramos a descobrir.
Há horizontes a explorar!
Vai e traze-nos
Alforges refertos
Do vasto verbo!
Vai e traze-nos
Pérolas muitas de sombraluz!
Vai:
Esta a tua missão,
A tua santa cruz!
...
Poeta,
Desculpa-me por me opor a tua
resolução.
Se não estiver maçando-te, fica
sabendo:
Gosto de velejar no teu verbo.
...
Do admirador de sempre,
Romero.
NORDESTES, UMA (2ª) LEITURA
NORDESTES:
Procurando explorar a
não-localidade.
De volta.
Meio à revelia.
É que ficaram lacunas.
(Sempre ficarão!)
Sítios apenas
ligeiramente, de longe, vislumbrados.
E tais sítios, e muitos
são eles, parecem obedecer ao princípio básico do fractal: a
não-localidade.
Num fractal,
que se desdobra ao infinito, é impossível localizar, em
termos de coordenadas precisas, um ponto qualquer,
uma área qualquer, já
que, matematicamente, se abrem para outros planos, para outros
pontos, para outras áreas, e isso ao infinito...
Quem ainda não explorou
um fractal, que o faça.
http://www.fractalus.com/ifl/
E sugiro, para
explorá-los à farta, um excelente freeware:
Fractint, que pode ser facilmente
encontrado no portal acima. Aí ficará mais fácil entender o que se
disse acima a respeito do poema Nordestes, de Soares
Feitosa.
Num artigo
despretensioso, falando sobre o despertar de uma nova estética,
discorri ligeiramente sobre algumas características que
provavelmente estariam nela presentes.
E deixei de falar de uma
fundamental: a não-localidade, que é, por sinal, um dos parâmetros
descritivos das partículas sub-atômicas, e fruto recente do caminhar
quântico da Física.
Que tem a ver com o
princípio da incerteza, de Heisenberg,
que se aplica à “observação” das partículas.
Basicamente: quando se determina um
parâmetro (a velocidade, por exemplo), torna-se impossível
identificar com precisão um outro (a posição, por exemplo).
Transportando esse
princípio para o universo do verbo, havemos de notar singularidades:
a partícula é “observável” apenas durante milionésimos de
segundo, e logo foge do campo de observação, deixando identificado
claramente apenas um parâmetro.
O verbo tem uma
vantagem: é um tanto plástico e consistente,
fugidio e capturável.
É próprio do verbo ter
esse bifrontismo básico: uma capturabilidade
fugidia, uma fugacidade capturavel, que pode se
estender fractalmente a múltiplas dimensões que se organizam dentro
dele mesmo, do verbo.
E há poetas, poucos e
raros, que têm a habilidade (o dom, em verdade) de lidar com arte e
engenho com essa característica fascinante do verbo.
O poeta é aquele que
captura fugazmente um momento mágico de manifestação do verbo,
conseguindo registrar esse caráter infinitamente
plástico-coagulado da palavra, que, reiluminando o assim dito
contingente (a dimensão dos IPIs e de outras dementalidades),
mergulha-o em uma supra-realidade que o ressignifica em termos mais
básicos, mais arquetípicos.
E é dentro desse
contexto poiético (de poiein, do grego, fazer), desse
fazer-reelaborar, que o poema Nordestes deve ser inserido, para
permitir uma assíntota-entendimento um pouco à altura do estro do
Poeta.
Assim, precisamos estar
atentos a que qualquer interpretação que se venha a fazer do poema é
liminarmente relativa. Algumas poderão chegar
mais próximo da mensagem (que nem mesmo o Autor entende por inteiro:
isso seria uma impossibilidade de origem: o verbo tem
ressonâncias muitas que escapam em magnitude a todos que dele se
abeiram!), e poderão dela se aproximar indefinidamente...
E outras pairarão, apenasmente, sobre a superfície dos
abismos...
E nunca saberemos com
certeza o grau de aproximação que tenhamos alcançado
em
nossas intrépidas (ou não) incursões. E de pouco
adiantaria consultar o Autor:
o texto, com o princípio
de incerteza nele embutido, é maior do que o
Autor
(embora o Autor seja
maior que ele).
(Há verdades que o
paradoxo impõe...)
...
Ao texto.
Examinemos, à guisa de
exemplificação, um item, aplicando a ele o que pudermos aplicar,
procurando respeitar ao máximo o que foi dito acima.
Seja o item:
“tijolos de barro amassado”.
Temos aí três sintagmas:
tijolos, de barro, amassado.
Ou três senhas ou
indícios arquetipais: tijolo, barro, massa.
Três campos fractais de
exploração.
Vamos ficar com
barro.
Ressonâncias de
barro, no poema:
Tijolos, barro amassado,
telhas vãs, montes, chãos, oleiro, chão (da Pátria).
Persigamos o oleiro.
(Porque essa é uma das lacunas fortes que ainda estão a exigir uma
exploração um pouquinho mais detalhada.)
Ressonâncias:
Oleiro + moedas + 33
--> contexto bíblico
à
Judas Iscariotes
Oleiro + contexto
bíblico --> vaso
Moedas + 33
--> Jesus
Oleiro + Judas
--> Campo do Oleiro
E se fosse o caso:
Campo do Oleiro
--> Acéldama (=Campo de Sangue)
Campo de Sangue
--> Gólgota
Gólgota
--> Crucificação
Crucificação
--> Madeira
E a rede de sentidos
começa a tomar (extrapolantemente?) forma...
Vaso + Chave Bíblica
--> referências várias, ressonâncias que poderão ou não ser
utilizadas. Estamos imersos profundamente, já, num mergulho na
fractalidade...
...
Detenhamo-nos, agora, um
pouquinho em
“—
onde o oleiro? —“
Entendamos oleiro como
aquele que faz o vaso (humano).
E a Bíblia diz que uns
vasos são feitos para honra e outros para desonra.
Poderíamos diante disso
ter uma atitude francamente fatalista.
Maktub.
Maktub, sim.
Mas não do jeito
reducionista que freqüentemente o entendemos.
Vaso = um objeto que
contém ou pode conter um outro objeto.
O vaso é o continente, o
imediatamente aparencial.
Caim veio para desonra.
Abel veio para honra.
Ou melhor: o vaso Abel e
o vaso Caim.
A honra ou desonra,
enfatizemos, aplica-se ao vaso e não necessariamente
ao seu conteúdo.
...
Parêntesis.
A fractalidade soro
--> veneno --> serpente --> Eva nos permite, examinando a referência bíblica:
“E porei
inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua
semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
deduzir, em face do mal
(e do bem) o princípio do enantiomorfismo, que preside as
relações entre os vasos.
A imagem
que vemos no espelho é enantiomórfica:
representa quase identicamente o objeto original.
Seriam iguais, mas não o
são, pois não podem se sobrepor ponto a ponto.
Nossas mãos são enantiomórficas em relação à outra.
Na imagem especular, o
que é esquerdo aparece como direito...
Transpondo.
O que parece mal é
bem...
O que parece de fora é
de dentro...
O que parece ser
recepção é transmissão...
Aquilo que o vaso recebe
é algo que o vaso transmitiu.
O princípio do
enantiomorfismo nos diz, em termos transéticos, que não há ofensor,
que não há ofendido; que o ofensor é o ofendido,
que o ofendido é o ofensor.
Parêntesis fechado.
...
E agora poderemos
entender porque o Poeta chamou o espoliado de
Caim. O esperável na lógica do mundo é que o coitado do nordestino,
do brasileiro humilde e humilhado fosse da igualha não do ofensor,
mas do ofendido. Mas numa lógica, que poderemos chamar de maior...
...
Agora as coisas começam
a ganhar uma consistência inconsistente ou uma inconsistência
consistente... E agora dá para entender que isso não é um mero jogo
de palavras...
...
Para
quem quiser explorar quem são os recéns, basta pensar que são
aliados do espoliador, do maligno e de seus prepostos. Se olharmos
atrás da pena, veremos seus instrumentos mais concretos...
E estabelecendo
enantiomorficamente a seguinte equação
exploratória:
Recéns
= Pristinéns, poderá descobrir algo
essencial.
Acham-se os eretores de
uma nova ordem, em que tudo seja dele.
Mas tudo já é dele!
Dele, de quem?
Dele, da sombra dEle.
Mas se esquecem:
tudo, em verdade, é dEle!
E agora podemos
perguntar, sabendo o que estamos perguntando:
“Não seria a hora de
começar o despertar?”
“Onde ele?”
Onde Ele?
Que parece não se
importar com os desacertos desse mundo tão injusto...
Essa uma das leituras
(válidas) possível, dentro do contexto fracto-holográfico
desse estonteante
poema...
...
Quem quiser se abeirar
com sinceridade da obra do Poeta, que busque antes a chave.
Na falta dela, uma chave
empregada com humildade há de servir para os preliminares
Descerramentos...
...
Mais haveria para dizer,
que o poema é realmente grandioso!!!
Mas, como gosto de
fazer, vou deixar o timão e permitir que a nau fique à deriva,
aé que um timoneiro mais
intrépido venha e o assuma.
Com mais mãos mais
prestas, com mãos mais fortes.
...
...
Poeta, um abraço amical.
Do admirador de sempre,
Romero
PS:
É com relutância, com um sentimento de saudade já, que detenho o
fluxo
do texto,
mas é mister que a exploração por ora se cale...
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